E se o tempo fosse literalmente dinheiro? Reflexões sobre “In Time”

Existe uma regra de ouro clássica no mundo das finanças pessoais que afirma que “tempo é dinheiro.”

Esta afirmação é verdade em vários sentidos, um deles com relação diretamente aos investimentos – juros compostos simplesmente não funcionam sem que tempo suficiente seja alocado para trazer resultados. No ramo do empreendedorismo, o tempo permite você realizar mais contatos com seus clientes e mais vendas. A relação entre o tempo e o dinheiro é clara sob esta luz, e muitos os veem como intercambiáveis.

Porém, e se o tempo e o dinheiro fossem literalmente a mesma coisa? Ou, mais interessante, e se o dinheiro equivalesse a sua vida, conforme o título do famoso livro de Vicki Robin?

Estes são os temas centrais de um filme menos conhecido lançado em 2011 chamado In Time, onde no futuro não existe mais o conceito de “dinheiro:” as pessoas trabalham para ganhar tempo, e morrem uma vez que seu tempo disponível se esgota.

Ficção a parte, o tema deste filme levanta a discussão antiga entre o desejo da humanidade pelo dinheiro versus o real valor e aplicabilidade dele: muitos seriam rápidos para afirmar que o dinheiro não traz felicidade, por exemplo, mas uma vez que este é igualado ao seu tempo de vida restante, as implicações são alteradas dramaticamente. Não só mais dinheiro = tempo, dinheiro também se iguala à sua vida restante. E de certa forma, partes dos conceitos deste filme já são realidade hoje mesmo.

Vejamos alguns insights que podemos tirar destra obra de ficção para nossa realidade.

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Três lições aprendidas do livro “O milionário mora ao lado”

Os livros do autor e pesquisador americano Thomas J Stanley sobre milionários nos Estados Unidos se tornaram clássicos da bibliografia FIRE mundial. Lançado em 1996, o livro O Milionário Mora ao Lado se tornou um best-seller do New York Times daquele ano, mas são poucos os que conheceram a sua sequência A Mente Milionária publicada em 2001.

Não há dúvida que o conteúdo deles e sua pesquisa foram valiosíssimas para finanças pessoais no mundo todo, começando pela sua desmistificação sobre o que é necessário para se tornar um milionário nos Estados Unidos: não é nascença, sorte, nem afiliação política, e sim uma questão simples de acumulação de patrimônio.

Dentre as inúmeras lições de Stanley publicada nesta série, três conceitos em particular são importantes para mim, e merecem um grande destaque para qualquer um que almeja enriquecer ou alcançar a independência financeira em sua vida. Neste episódio, exploro tais conceitos e os livros a fundo.

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Você vive pra apagar incêndios nas suas finanças?

Existe uma anedota bem conhecida sobre gerenciamento de processos sobre o ovo e a galinha: qual dos dois veio primeiro? Logicamente, não há uma resposta coerente para esta pergunta, e tentar resolvê-la simplesmente irá gerar um loop infinito, onde afirmar que foi um simplesmente levanta a pergunta “ok, mas quem o gerou não foi o outro?”

Esta situação engraçadinha e à primeira vista inofensiva pode ter um efeito devastador quando considerado ao longo de processos ocorrendo simultaneamente, tal como em programas de computador onde é conhecida como condição de corrida. Esta, por sinal, frequentemente é a razão pela qual o seu computador ou eletrônico travam.

A forma mais sensata de se resolver o problema do ovo e da galinha, ironicamente, é simplesmente não criando o problema em primeiro lugar. Você não precisa se preocupar se foi o ovo ou a galinha que veio primeiro se nunca precisar fazer esta pergunta. Pode parecer óbvio, mas por falta de visão ou pensar criativamente, muitas pessoas acabam caindo neste dilema em diversas partes do seu cotidiano sem nem suspeitar.

Se você não acha que pode cair no problema ovo-galinha se tratando de finanças, está enganado. Enriquecer também é um processo, e determinadas partes dele também podem cair numa espécie de loop infinito e insaciável. A manifestação mais clara (e perigosa) do problema do ovo e da galinha nas finanças pessoais na minha opinião é a síndrome do constante incêndio financeiro.

Esta situação é bem comum hoje em dia, por conta da precária educação financeira da população, e se manifesta por constantes reclamações sobre a própria situação financeira e dizer que o indivíduo nunca tem dinheiro para nada.

“Não tenho dinheiro no fim do mês porque não consigo economizar; não consigo economizar porque tenho que pagar todas estas contas; não consigo pagar estas contas porque não tenho dinheiro”

Soa familiar?

Tentar resolver esta situação de maneira bruta é equivalente a tentar descobrir se foi o ovo ou a galinha que veio primeiro. Infelizmente, na maioria dos casos a pessoa já se encontra dentro do problema quando se depara que deve resolvê-lo, então evitá-lo não é mais possível. Por outro lado, é possível quebrar este ciclo se simplesmente seu esforço for concentrado e direcionado da maneira certa. Neste post, iremos explorar como.

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Como a Frugalidade traz mais Abundância na sua vida

Quando se trata de juntar dinheiro e enriquecer, a frugalidade é um fator essencial, um requerimento quase que mandatório no processo inteiro. Infelizmente, muitos ainda tendem a associar esta palavra a um conceito negativo, como um sinônimo de pão-duro, mão de vaca, e de alguém que não aproveita a vida.

Nada, porém, poderia ser mais longe da verdade. A frugalidade é o exato oposto de uma fraqueza, e sim o autocontrole e a capacidade de colocar a sua racionalidade à frente dos desejos e enxergar os objetivos sob uma lente de longo prazo. E o melhor: os benefícios da frugalidade se estendem além do âmbito financeiro, e podem contribuir (e muito!) para o seu bem estar geral também. Veja como neste vídeo.

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Podcast do Pinguim: quando se perde ou ganha dinheiro na bolsa?

É comum vermos publicações durante tempos de crise na bolsa que afirmam que milhões e milhões de reais foram “perdidos” durante a movimentação do mercado e que milhares de investidores “perderam” dinheiro nos seus trades. Para os inexperientes, tais matérias e notícias soam amedrontadoras, e eu também não pude deixar de sentir um aperto durante a recente queda do começo de 2020.

Em horas como estas, porém, é importante relembrar sobre o que realmente se traduz nos investimentos como perda ou ganho – o momento da venda. Se a história de que “enquanto alguns choram, outros vendem os lenços” é verdade, igualmente se aplica ao investir, particularmente na renda variável.

Embora demore um pouco para se acostumar com o conceito, ativos de boa qualidade com preços temporariamente reduzidos significam oportunidade para compra e formação de patrimônio. É por estas razões que muitos afirmam que “volatilidade é vida.”

Entenda como você pode utilizar deste conceito de materialização de ganho ou perda para a sua vantagem neste episódio.

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Podcast do Pinguim: velejar e a reserva de emergência

Existem coisas que são chamadas de pré-requisitos dentro de alguns processos, e têm este nome por uma boa causa: os processos inteiros podem falhar quando elas não são cumpridas.

Apagar a luz antes de trocar a lâmpada, desligar o motor antes de abrir o capô, ejetar um disco do computador antes de formatá-lo, verificar se o elevador realmente chegou antes de embarcar, checar o pára-quedas antes de saltar… estes são apenas alguns exemplos de tais pré-requisitos simples que poderiam resultar em desastres caso não cumpridos.

E nas finanças não é diferente: temos pré-requisitos ao processo de investir que precisam ser cumpridos e controlados para não causar desastre nas futuras finanças. Quitar dívidas e ter reserva de emergência são alguns deles. Neste episódio, apresento uma anedota que um amigo de infância me contou sobre suas experiências velejando, e como suas lições se aplicam ao processo de investir.

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O problema de dez reais versus problema de dez mil reais

Há um ditado na finansfera que diz que finanças pessoais não são complicadas – quem as complica somos nós*.

E realmente, não há razão para nós tornarmos complicado o processo de enriquecer: ganhe dinheiro, gaste menos que você ganha, invista as suas economias. Outras melhorias terão um efeito mínimo na sua performance fora estas três variáveis.

Ainda assim, se o processo é tão simples e descomplicado como costumo descrever, existe uma realidade paradóxica: quase ninguém consegue enriquecer consistentemente. A maioria esmagadora ainda depende dos seus empregos, acredita que o INSS irá sustentá-los até o fim da vida, e acredita que esta situação é perfeitamente normal, já que é perpetuada pela sociedade.

Existem várias causas para esta situação atual mas, recentemente, escutei no Podcast do The Minimalists uma entrevista que realizaram com o autor de finanças pessoais americano Ramit Sethi, autor do best-seller I will teach you to be Rich, onde ele averiguava uma coisa que ele chamou de “problemas de 3 dólares” versus “problemas de 30,000 dólares.” Neste episódio, Ramit argumentou que muitas pessoas acabam por confundir a necessidade de frugalidade com mesquinheza e “pão-dureza” extrema, e ao aderí-la esquecem-se dos seus problemas financeiros maiores, como quitação de um financiamento enorme da casa ou carro ou pagamento de suas dívidas.

Em outras palavras, concentrando-se num problema de dez reais (“este café de R$10 sai por R$5 lá na esquina”), elas se esquecem do problema de dez mil reais (“empurra com a barriga esse financiamento, mês que vem a gente vê de novo”) que realmente lhes assola e mantém pobres.

Ao passo que eu acredito muito no poder da frugalidade e que ela pode nos auxiliar, sim, em juntar muito dinheiro ao longo prazo, o ponto dele também é importante: afinal, de nada adianta tirar a água de dentro do navio sem antes tapar o buraco do casco que enche o convés. E assim, temos que prestar atenção para não perder o longo prazo de vista com o foco no imediatismo financeiro.

Vejamos neste post alguns exemplos de como isso pode acontecer e como evitar.

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Qual é o papel do hedging nos investimentos? Você deve se preocupar com isso?

Durante tempos de crise e oscilações negativas da bolsa, fala-se muito no termo hedging, e como os grandes investidores e gestores de fundos o utilizam para “proteger” seus patrimônios. Na sua simplicidade, um hedging nada mais é do que algum ativo que se valoriza com a desvalorização de outro da carteira, tornando assim um contrapeso na carteira de investimentos.

Na prática, porém, acredito que não vale a pena fazer hedging na carteira do pequeno investidor individual (i.e. menos de alguns milhões de patrimônio), pois os resultados são mínimos (pouca alavancagem), e o foco é diferente – o pequeno investidor busca acumular patrimônio, o grande proteger seu patrimônio.

Neste vídeo, explico como o hedging funciona e qual é, na minha opinião, a alternativa melhor a ele que o pequeno investidor deveria seguir.

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Podcast do Pinguim: o açougueiro e a nutricionista

A anedota do Açougueiro e a Nutricionista é uma das melhores formas que encontrei de explicar para leigos a importância de um ceticismo com pessoas que nos oferecem conselhos e promessas financeiras gratuitamente, mas que possuem segundas intenções e agendas escondidas por trás.

Se você já conversou com o gerente do seu banco sobre algo além de uma reclamação, provavelmente já foi vítima deste caso (como eu fui no começo da minha jornada financeira). E infelizmente, com a popularidade de mídias sociais e outros veículos de comunicação, esta pegadinha pode estar presente em mais outros lugares do que você pode perceber. Por outro lado, é possível reconhecer estes casos e se resguardar fazendo um questionamento simples.

Veja neste episódio como você pode se proteger.

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Ninguém se importa com o que você faz – e por isso, você é livre

Aqui está uma realização poderosíssima, e que poderá libertar você de quase toda a sua ansiedade: independente do que você acredite e se preocupe, na verdade, ninguém se importa com o que você escolhe fazer ou não.

Releia a frase anterior. Pronto? Releia mais uma vez. Tem certeza que você entendeu tudo o que ela significa? Então ótimo, pode fechar esta página e começar tudo aquilo que você se inibiu de fazer antes por medo do julgamento alheio. Você está livre. Vá!

Ainda por aqui? Excelente, então acho que posso elaborar um pouco mais sobre o significado desta realização nas nossas vidas.

Desde criança, aprendemos sobre o valor que aceitação coletiva possui em nossas vidas. Queremos satisfazer nossos pais sendo bons filhos, nos comportando bem, fazendo nossas tarefas e mostrando nossas conquistas da escola. Olha o que eu fiz hoje, a minha nota da prova, os resultado do jogo. Colhemos a atenção e os elogios como fonte de prazer. Mesma coisa com os nossos coleguinhas de sala, queremos pertencer ao grupo colhendo aceitação e um senso de identidade fora de nós, e predicado naquilo que os outros pensam de nós.

Dizer que isto não persiste após a adolescência é uma mentira. Como adultos, continuamos vivendo a vida olhando sempre para trás e para os lados, procurando aprovação alheia e fugindo daquilo que seria “mau-visto” pela maioria. E ao passo que muitos pensam que não há problema com isso, e que vivem simplesmente uma vida “normal,” a realidade é que silenciosamente esta forma de pensar pode estar limitando o seu potencial da pior forma possível: internamente.

Preciso fazer isso porque todo mundo no escritório está fazendo. Tenho que comer naquele restaurante caro porque é onde todo mundo também vai. Tenho que comprar um carro e uma casa, essa é a forma que posso mostrar para todos que ganhei na vida. Estas roupas não são dignas de uma pessoa do meu novo círculo social.

Realizar que o julgamento alheio é um medo irracional e que, na verdade, são pouquíssimas as pessoas que se importam com aquilo que você faz, é libertador. Esta forma de pensar é necessária para obter a vitória num âmbito como o FIRE, mas seus benefícios se transpõem além do que simplesmente as finanças.

Vejamos o poder que existe por trás desta filosofia neste post.

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