Educação Financeira #1 – O básico do básico

Abril é o mês da Educação Financeira! Seguindo o espírito, o Pinguim Investidor está voltando aos básicos e ensinando os fundamentos do caminho à independência financeira.


Um dos primeiros posts que coloquei no site é entitulado de “O que significa ficar rico, afinal?” Neste post expliquei o conceito da regra dos 4% e o que ela significa para alcançar o estado de “riqueza” mas percebi que talvez alguns fundamentos necessários para entender por completo não haviam sido esclarecidos no post. Então, a pedido de alguns leitores do blog, decidi voltar ao básico para esclarecer os conceitos básicos da independência financeira. Cada sessão desse post será expandida em um artigo dentro desta série.

Cash flow – o que acontece com o dinheiro?

Na quinta série você aprendeu na aula de matemática sobre os números inteiros (Z) e como subtraindo uma coisa maior que outra resulta em um número negativo. Este mesmo conceito básico se aplica num conceito financeiro chamado de cash flow. Colocado de forma simples, cash flow indica se você está ganhando ou perdendo dinheiro sobre um certo período de tempo, geralmente medido mensalmente.

A fórmula matemática é: Cash Flow = Receita – Gastos.

Para enriquecer, o seu Cash Flow sempre deve ser positivo.

Ponto final. Simples e fácil de decorar, certo?

Ainda assim, é possível ver vários casos onde as pessoas se esquecem deste conceito, ou o ignoram em prol de outros desejos. Parcelas infinitas do cartão de crédito, empréstimos e cheque especial são provas disso. Viva o consumismo! Estas pessoas aumentam tanto os seus gastos que o salário não consegue cobrí-los: o cash flow fica negativo, e isso é uma das coisas mais perigosas que pode acontecer para as suas finanças.

Outra vertente é equilibrar os gastos e a receita para não cair no negativo, mas também não acumular nada. Nesse caso, o cash flow é zero, e a pessoa essencialmente vive pra pagar as contas do mês. Este caso é frágil e perigoso, e também deve ser evitado.

Então, para ficar mais claro, vamos reescrever a regra: Quanto maior o seu cash flow, mais rápido você irá enriquecer.

O Triângulo do Acúmulo Patrimonial.

A fórmula do cash flow conclui que há duas formas de aumentá-lo: aumentar a receita (renda) ou diminuir os gastos (economizar). Para acelerar o crescimento patrimonial ao máximo, porém, é necessário um terceiro fator: investir a diferença.

O investimento é a forma de fazer o dinheiro economizado render mais dinheiro (regra do Pinguim #7). Utilizado desta forma, ele passa a se chamar capital, e se torna produtivo de forma a se acelerar o acúmulo do patrimônio, ou até mesmo como fonte de renda, como veremos depois.

Sendo assim, você pode traçar um triângulo contendo os requerimentos básicos para a acumulação de patrimônio:

O triângulo do acúmulo patrimonial e seus pilares

Note que as três partes do triângulo são igualmente necessárias para enriquecer. De nada adianta focar apenas em um dos lados e esquecer o resto, como fazem a maioria dos iniciantes ao conhecerem o mundo dos investimentos. Trabalhe bem para garantir uma boa renda, seja consciente e criativo na hora de economizá-lo, e seja sábio e – principalmente – paciente na hora de investir.

Ativos e passivos (e passivos disfarçados de ativos)

Uma das primeiras lições do livro Pai Rico, Pai Pobre do Robert Kiyosaki é: os Ricos compram ativos (assets)*, os pobres compram passivos (liabilities)*.

A definição do Kiyosaki é simples e direta: um ativo te traz dinheiro, um passivo te tira dinheiro. Juntando isso à sua lição anterior, fica claro porque os ricos ficam mais ricos: eles compram coisas que trazem mais dinheiro pra eles.

Com base nisso, quase qualquer coisa pode ser um ativo ou passivo, desde que você saiba usá-la da maneira certa. Aí mora o perigo: esteja alerta contra os passivos que são vendidos como ativos! Coisas como carro, casa ou eletrônicos se enquadram nessa categoria.

Você já deve ter ouvido a “recomendação” de várias pessoas: compre a sua própria casa! Mas a casa própria é um ativo ou passivo? Vamos analisar:

  • Traz dinheiro pra você?
    • Não, exceto se você alugá-la (i.e. você não mora nela, não é própria) ou vendê-la (i.e. você se desfaz dela)
  • Tira dinheiro de você?
    • Sim, através de prestações, IPTU, custo de manutenção, diversas contas de utilidades públicas.

Como a casa própria não te traz dinheiro e te tira dinheiro, claramente ela não é um ativo, e sim um passivo. Faça esta análise toda vez que você duvidar se alguma coisa é um ativo!

* Prefiro os termos em Inglês porque os do do Português me dão a impressão que ativos não podem trazer dinheiro passivamente (an asset can, definitely, be passive) e, francamente, não vejo nada de errado em algo ser “passivo” – desde que te traga dinheiro.

Investimentos

O investimento nada mais é do que uma forma de transformar o seu dinheiro parado em capital produtivo através da conversão dele em ativos. Estes ativos geralmente possuem duas categorias:

  • Renda Fixa: a apreciação do capital ocorre sobre uma taxa fixada, da mesma forma que os juros compostos.
  • Renda Variável: a apreciação do capital não possui taxa fixada, podendo variar tanto para positivo ou negativo.

Três fatores determinam a natureza dos investimentos:

  • Risco: quais as chances do investimento “falir,” ou retornar prejuízo
  • Rentabilidade: quanto o investimento retorna ou aprecia com o tempo
  • Liquidez: quão fácil ou rápido é converter o capital de volta para dinheiro.

Como via de regra, a rentabilidade é proporcional ao risco do investimento. Essa é a razão pela qual, a renda variável pode trazer retornos maiores do que a renda fixa. É impossível obter um investimento com baixo risco, alta rentabilidade e alta liquidez. O ideal é encontrar o equilíbrio entre os três fatores, de acordo com o seu perfil de investidor específico (conservador, moderado ou agressivo).

E, por favor, não vamos cair no conto do vigário procurando investimentos seguros e de retorno alto e rápido. Eles não existem.

Renda passiva

Ao tornar o seu dinheiro produtivo na forma de capital, ele passa a render diariamente. Estes rendimentos podem ser a apreciação do capital, como na renda fixa, ou em alguns casos pagos em dinheiro diretamente a você através de dividendos (lucros distribuídos), como no caso das ações, ou uma combinação dos dois.

Como estes rendimentos não dependem da sua intervenção direta, acontece uma coisa interessante quando o capital atinge um certo volume: eles se tornam uma fonte de renda passiva. É a isto o que o Kiyosaki se refere quando diz que “os ricos fazem o dinheiro trabalhar para eles.”

No caso dos dividendos, colher esse rendimento é simples: o dinheiro vem para você diretamente. Para aproveitar a apreciação do capital, você pode fazer retiradas periódicas do capital investido, mas há dois detalhes para se atentar. O primeiro é que você não pode retirar muito frequentemente (de preferência a cada semestre ou ano), e o segundo é que não pode retirar capital demais para não prejudicar o rendimento.

É aqui que a regra dos 4% se encaixa: segundo um estudo realizado nos EUA, uma retirada anual de 4% do capital é o máximo que se pode retirar seguramente sem prejudicar o rendimento futuro.

Independência Financeira – o objetivo final

Combinando o cash flow com a renda passiva, chegamos finalmente no santo graal da educação financeira. O conceito é simples:

Quando a receita gerada por toda a sua renda passiva excedem os seus gastos totais, você possui Independência Financeira.

Não tem nenhum segredo aqui. No momento que todo seu custo de vida pode ser suportado apenas pela sua renda passiva, você não precisa mais trabalhar por salário – daí a associação comum entre a IF e a aposentadoria precoce.

Claro que ainda podem haver outros fatores para serem considerados além dessa condição: mudanças no estilo de vida, custos adicionais de saúde e seguros, se você gosta do seu emprego ou gostaria de continuar trabalhando por conta própria, etc. Mas estas são questões além do conceito da IF e de âmbito pessoal para serem respondidas.

Como eu começo?

Calma… este artigo foi só uma breve introdução num mundo com muita informação por aí. Eu ainda vou elaborar cada uma destas seções em outros artigos para detalhar mais cada assunto.

A pedidos de alguns leitores, escrevi um follow-up a este artigo explicando exatamente este assunto: Como começar a investir?

Para mais informações, recomendo que você leia estes outros artigos:

Se você está confortável em ler em Inglês, dê uma olhada na seção de leitura recomendada. Vários destes livros me auxiliaram bastante no aprendizado, mesmo que não aplicáveis diretamente no mercado Brasileiro.

E por enquanto é isso. Vamos fazer de Abril o mês da educação financeira no Brasil!

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8 comentários sobre “Educação Financeira #1 – O básico do básico

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