Educação Financeira #2 – Como começar a Investir?

Abril é o mês da Educação Financeira no Pinguim Investidor! Veja mais posts desta categoria aqui.


No post passado, mostrei quais são os conceitos básicos na educação financeira. Vimos o que é cash flow, como se acumula o patrimônio até chegar na renda passiva, o que pode te possibilitar a atingir a independência financeira.

O investimento é central para atingir esta meta: sem ele não é possível obter renda passiva. Por isso, muitos ao descobrirem a educação financeira começam a focar toda as suas energias para o ato de investir, procurando estudar a fundo a melhor forma de investir, os melhores produtos e rentabilidades com menor risco.

Este approach não necessariamente é ruim, mas acaba por omitir alguns passos importantes do processo, que é a preparação antes do investimento. Desta forma, a pedidos de outro leitor, escrevi este guia rápido para explicar quais cuidados e preparação você deve tomar antes de começar a entrar no mundo dos investimentos.

Preparo psicológico e os riscos envolvidos

Qualquer um que oferecer um produto de investimento que possui risco zero, garantido 100% ou algo do gênero está mentindo. Todos os investimentos, sem exceções, possuem riscos inerentes, onde o risco é você perder parte ou o seu capital inteiro. Se não houvesse risco, não traria retorno, afinal.

Isso significa que você não deveria investir? Muito pelo contrário. Você deve investir sim, mas antes de tudo, deve entender os riscos envolvidos e se preparar psicologicamente para enfrentá-los.

Tenha um plano de contingência preparado: se você perdesse todo o dinheiro que planeja investir, como isso te afetaria? Você poderia se organizar para diminuir o impacto disto? Estas são apenas algumas das questões para perguntar a si mesmo.

Leia sobre os investimentos que te interessam. Aprenda tudo o que puder sobre eles, os erros e acertos de outros investidores antes de você, etc. Conheça os riscos inerentes ao investimento. Saiba como diminuir ou espalhar o risco sempre que possível, e quais deles simplesmente não podem ser eliminados.

Esta fase é importantíssima porque, se você não se preparar desta forma, corre o risco de não aguentar as emoções (pânico, medo, ansiedade), ou não saber como agir, tornando assim mais uma das inúmeras histórias de investidores que perderam tudo o que tinham.

Quite suas dívidas

Dever dinheiro é ruim, e tentar investir junto com dívidas é contra-intuitivo. Da mesma forma que com capital investido os juros compostos trabalham ao seu favor e fazem o seu patrimônio crescer, na dívida eles trabalham contra você e prejudicam qualquer rendimento que você receber através de um investimento. É como tentar boiar na água com um peso amarrado nos pés.

Imagine que você possui uma dívida com juros a 4% ao ano. Se você ignorou este passo, e começou a investir imediatamente no Tesouro Direto, você poderia estar esperando um retorno de 6.5% no seu capital aplicado, mas devido aos juros da dívida também aplicados, você acaba tendo um rendimento total de 2.5% ao ano apenas. A presença desta dívida também significa que, caso a sua fonte de renda se acabe, a dívida irá aumentar mais rapidamente do que o investimento possa render, num efeito bola de neve para baixo.

Desta forma, é recomendado que você quite todas as dívidas que possui antes de começar a investir, embora qualquer tentação para começar a investir logo. Quais dívidas? Faturas atrasadas de cartões de créditos, empréstimos bancários, e quaisquer outras. A única exceção que penso ser possível fazer é a respeito da parcela da casa própria, pois o tamanho da dívida é difícil de se pagar em curto prazo.

Forme a reserva de emergência

Então você quitou sua dívida. Finalmente entrou no azul e não há mais parcelas atrasadas para serem pagas. Pode começar a investir logo? Ainda não. Uma das características do investimento é que ele possui liquidez média para baixa, ou seja: uma vez aplicado, o tempo para resgatá-lo é significante. Mesmo a “liquidez diária” pode levar mais que um dia para ser sacada dependendo da ocasião (após horário comercial, durante o fim de semana, etc).

O mesmo risco de ficar sem renda existe com ou sem dívida, e é preciso estar preparado para enfrentar estas emergências financeiras e outras. Imagine, por exemplo, se você tiver algum dano com o carro, ou tiver que pagar alguma multa ou outro valor que não havia

A melhor maneira de se resguardar contra estes riscos é formar uma reserva de emergência. Isto significa juntar o equivalente entre 6 a 12 meses do seu custo de vida em alguma aplicação de alta liquidez. A poupança pode ser usada para este propósito, pois o objetivo aqui não é render, mas sim armazenar esta parte do patrimônio para utilização imediata quando necessário.

Note que a reserva é medida em tempo, não dinheiro, pois deve ser proporcional ao seu próprio custo de vida. Ainda não sabe quanto é o seu? Comece a anotar seus gastos imediatamente.

Existem algumas outras maneiras de estruturar o patrimônio a fim de formar camadas de emergência que você pode estudar depois. Porém, se você está começando agora, recomendo que você vá pela forma simples, e use apenas a poupança.

Abra conta em uma corretora

Se você chegou aqui quitado de dívidas, e com uma boa reserva disponível para cubrir seus custos, parabéns. Você está pronto para começar a investir com fundamentos e segurança. Está na hora de começar a botar na prática.

Evite a tentação de querer investir pelo seu banco, mesmo se ele oferece baixas taxas de custódia, ou até mesmo custódia zero. Através de uma corretora de investimentos, você terá acesso a mais produtos de investimentos e inclusive ao Home Broker, que lhe permitirá comprar ações diretamente. Com tantas opções disponíveis, fica difícil preferir o banco.

Assim como diversos bancos, existem várias corretoras com várias opções e taxas cobradas. Você deve levar em consideraração as várias taxas cobradas por elas, incluindo:

  • Corretagem: taxa cobrada a cada “movimentação” realizada (i.e. uma compra ou venda). Especialmente no âmbito de ações, muitas movimentações podem acarretar custos altos de corretagem, prejudicando o rendimento total. A maioria não cobra para renda fixa, e algumas corretoras inclusive começaram a não cobrar para Fundos Imobiliários.
  • Custódia: taxa para manter os investimentos realizados por você, geralmente cobrada anualmente. A maioria das corretoras não cobra custódia para o Tesouro Direto ou outros investimentos de renda fixa.
  • Spread: quaisquer outras taxas cobradas pela corretora por ser encarregada como o intermediário das suas operações. Note também que muitos fundos de investimento, incluindo o Tesouro Direto, cobram suas próprias taxas de administração independente da corretora.

Não vou recomendar alguma corretora específica, mas se você precisar de mais informações para decidir, pode acompanhar esta listagem do site do Tesouro Direto, ou este incrível infográfico comparativo.

Bônus: abra conta em banco digital para reduzir custos de TED

Para investir é necessário transferir dinheiro para a sua conta na corretora e de lá aplicá-lo. Isso significa que há mais um spread: a cobrança do TED do banco.

Você pode eliminar este custo de algumas formas: negociando com o gerente da sua conta alguns TEDs gratuitos, utilizando corretoras afiliadas ao seu banco, etc. Mas para mim, a forma mais completa é utilizar um banco digital para distribuir o dinheiro para as corretoras.

O banco digital não precisa se tornar o seu banco principal, apenas ser o ponto de partida para transferir o seu dinheiro para as corretoras. E aqui existe outra vantagem também: para alguns bancos digitais, você pode transferir dinheiro sem TED através de um pagamento de boleto bancário. Isso torna o processo inteiro bem fluido.


E é isso aí pessoal, mais uma lição do Pinguim na educação financeira! Espero que tenham gostado.

Quem sabe no próximo post começamos a falar um pouco mais sobre alguns dos investimentos em si?

Abraços!

10 comentários sobre “Educação Financeira #2 – Como começar a Investir?

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