Dependências cumulativas irão te levar à desgraça

No fim de semana passado, fui a um shopping perto de casa e tive uma visão assustadora.

Ao passar do lado da entrada do estacionamento, me deparei com uma fila enorme do lado de fora contornando o quarteirão composta apenas por carros que queriam entrar para ainda estacionar dentro dele. Embora esta pode ser um acontecimento comum, ou até mesmo uma ótima notícia para o administrador do shopping ou quem investe nele, o que me assustou foi a realização de quanto essas pessoas se tornaram dependentes dos seus carros.

Essas pessoas cobriram a real necessidade de ir ao shopping com esta dependência, tendo, assim, que ter um carro em primeiro lugar, gastar gasolina para levá-lo até o shopping, morgar na fila imensa fora do shopping, procurar vagas dentro dele, pagar o estacionamento caríssimo, arriscar ter que pagar valet se as vagas comuns acabarem para depois, sim, conseguirem entrar e fazer o que precisam no estabelecimento.

Você vê alguma coisa errada aqui? Muitas? Eu vejo, essencialmente, apenas uma: dependência cumulativa. O carro, uma vez tido como um bem supérfluo hoje foi condicionado à ser uma dependência da qual o cidadão não consegue mais viver sem na vida moderna.

Infelizmente, o carro é apenas uma das muitas outras dependências que a sociedade cultiva atualmente por conta da influência da tecnologia. Porém ao passo que podemos ver claramente os benefícios trazidos por tais tecnologias, as consequências não-intendidas que se acumulam são muitas vezes desastrosas. No caso dos carros, temos experiência disso primeira mão: congestionamentos diários dominam nossa jornada ao trabalho, e a escassez de vagas infla os preços dos estacionamentos nas cidades.

No âmbito pessoal, também temos dependências cumulativas oriundas de fatores externos e internos. Ao analisarmos nossa rotina diária, podemos ver várias destas impregnando silenciosamente nossas vidas: a máquina de espresso cara de cápsula exclusiva que sobrepõe o café barato de filtro, ler as notícias num tablet que toma o lugar de apreciar o café da manhã de maneira própria, etc.

Se continuada sem limitações, nos tornamos escravos de tais dependências e perdemos nossa adaptabilidade, sem contar no desastre que acontece em nossas finanças. Como podemos então evitar que as dependências cumulativas tomem conta de nossas vidas?

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Vida móvel e liberdade: lições de Amyr Klink para a comunidade FIRE

Uma das primeiras lições que aprendemos quando nos educamos sobre a independência financeira é o conceito de ativos e passivos, e a diferença entre eles. Ironicamente, esta é também uma das mais dolorosas, pois muitas vezes estamos psicologicamente instruídos a acreditar que nossa visão de sucesso envolve acumular bens de consumo que são, essencialmente, passivos e não nos trarão riqueza. Destruir esta crença limitante que coisas como carros ou casas não são ativos e – de fato – te emprobrecem é difícil, e como evidência vemos várias histórias de como celebridades bem pagas rapidamente vão à falência.

Já escrevi em diversos posts anteriores como os passivos se tornam uma âncora pesando nas suas finanças pessoais, mas existe um outro lado menos mencionados sobre os outros malefícios associados com o acúmulo de passivos: a perda da liberdade. Este lado menos explorado da história se tornou claro para mim quando li uma entrevista com o navegador brasileiro Amyr Klink, que se tornou famoso ao cruzar o Atlântico num barco à remo nos anos 80, e circumnavegar a Antártida em 1998.

Esta entrevista me surpreendeu porque à primeira vista não reconhecia Klink como um escritor de finanças, mas posteriormente descobri que ele é formado em economia. Suas experiências vivendo no mar deram a ele alguns insights importantes a respeito de como podemos viver mais eficientes e mais ricos se simplesmente largarmos a possessão de passivos, e passássemos a alugá-los quando necessário.

Este não me é um conceito novo, mas lendo a entrevista de Klink, pude ter um novo insight sobre a não-acumulação de passivos: a mobilidade que ganhamos na vida por não ter algo que nos prenda a um certo lugar ou circunstância.

Quais lições Amyr Klink pode ensinar para a comunidade FIRE?

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A importância de estar consciente

Em 2016 arranjei um ingresso para assistir uma competição de Taekwondo no Parque Olímpico do Rio de Janeiro. Era uma das mais acessíveis, já que não é tão popular. Chegando lá, ao entrar no estádio, fui comprar uma água para tomar, e vi uma cena que nunca mais me esqueci.

As bebidas estavam sendo vendidas nas barraquinhas em copos plásticos decorados à moda do Rio 2016, e eram recebidas com a compra de uma bebida alcóolica, como cerveja, para não se ter o problema de latas e garrafas de vidro sendo jogadas ao redor dos estádios. Com isso, recebia-se um copo por cerveja comprada. Um indivíduo na fila havia acabado de comprar mais uma cerveja quando percebi que ele passou do meu lado carregando uma pequena “torre” de nada menos que uns vinte e quatro copos, montados um dentro do outro. Sim, esta pessoa deveria ter bebido no mínimo umas vinte e poucas cervejas durante o seu dia no Parque Olímpico, e ainda voltava para pegar mais.

Meu pensamento na hora foi: esse cara pensa que está num churrasco na casa dele? Pra quê beber tanto ao invés de aproveitar esse momento único da vida, quando os Jogos Olímpicos estão na sua cidade, acessíveis pra você pela primeira vez? Uma pessoa que bebeu tanto assim não pode ter tido memórias sóbrias e sólidas de como foi a experiência Olímpica no Brasil; deve ter sido nada mais do que apenas mais um outro dia ocioso onde se bebeu a tarde toda.

Como já mencionei antes, embora eu não beba mais, não tenho problemas com a bebida, ou quem bebe. Mas esta história revela uma coisa importantíssima que aprendi no decorrer do meu aprendizado financeiro e pessoal: independente do que você faz no seu dia, deve ter sempre a consciência das suas ações, tanto sobre o quê está fazendo quanto no que tal ato acarretará como consequência.

Esta consciência é fundamentalmente diferente daquela “força do hábito” onde sua mente entra em piloto automático e você não questiona se está fazendo da maneira certa ou melhor. Muito pelo contrário: esta é a consciência onde você consegue abstrair da ação, averiguar a situação, se conscientizar de como esta ação afeta você ou seu ambiente e como você pode mudar ou melhorá-la.

A falta desta consciência possui consequências graves, e pode levar a formação de hábitos nocivos às suas finanças e vida pessoal. Se você já sofreu algum dia de procrastinação, por exemplo, é provável que a causa esteja relacionada à não-consciência de algum hábito seu.

Como funciona este fator crucial de estar consciente, e como ele contribui para o seu crescimento? Vejamos a seguir.

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Fechamento Outubro 2019 – Time out, filosofia e preparação

É hora de mais um fechamento do Pinguim!

Outubro foi um ótimo mês para fazer a automanutenção e recarregar as baterias. Isso é porque tive a oportunidade de ir para a casa dos meus pais e tirar umas férias muuuito merecidas. Nesse tempo sabático (que infelizmente já acabou), pude fazer uma retrospectiva e filosofar bastante, o que rendeu alguns posts interessantes.

Adicionalmente, tive a oportunidade de botar a conversa em dia com vários amigos e familiares que não via há tempos, o que me rendeu a oportunidade para educá-los financeiramente e analisar seus casos, o que significa que pode vir matéria nova por aí.

As finanças andaram muito bem. Embora o aporte não tenha sido tão gordo quanto esperava (ser visita inesperadamente aumenta os custos, como vamos ver mais à frente), resolvi “girar” o patrimônio um pouco e terminei minha posição em alguns fundos de renda fixa, visando entrar mais em renda variável. Como resultado, os rendimentos foram mais surpreendentes.

Vamos ver como me saí finaceiramente.

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