Hábitos formam ou destroem você – quais você irá adotar hoje?

Você ouve o despertador tocar e aperta o botão para silenciá-lo. Levanta meio grogue, caminha até o banheiro. Prossegue para a cozinha, prepara aquela comida de sempre para o café da manhã. Pega o celular e começa a ver quais notificações recebeu na noite anterior e perde alguns minutos surfando nas redes sociais enquanto come.

Sai para ir trabalhar, pega o ônibus ou metrô, segue aquele caminho tão batido que às vezes faz enquanto está olhando no celular, chega ao trabalho. Passado um tempo levanta para o café, faz o caminho à cafeteira e quando menos espera lá está botando o cafezinho. Volta pra casa vendo o celular na mão a viagem toda, e quando chega lá está de TV ligada novamente enquanto janta.

Enfim, se eu fosse descrever um dia típico de um trabalhador num post, ele seria uma bíblia. Fazemos uma quantidade enorme de tarefas durante o tempo de um dia apenas, mas não sentimos passar: este é o poder que um hábito instalado tem na sua rotina.

Há muito tempo comento sobre hábitos no blog, mas nunca cheguei a elaborar com mais detalhes a respeito dos seus efeitos em nossas vidas em geral. Embora muitos não percebam, são seus hábitos que controlam a maior parte da sua vida, deixando em “background” tudo aquilo que você não tem consciência direta sobre. Sem esses hábitos, seria impossível conseguir fazer tantas coisas num dia. Mas enquanto isso traz um alívio de energia mental para nós, se não observado com consciência, podem trazer vícios e outras consequências ruins para a vida.

Quais são os pontos fortes e fracos dos hábitos e como devemos nos policiar a respeito deles?

Continuar lendo “Hábitos formam ou destroem você – quais você irá adotar hoje?”
discipline by Thao Le Hoang

Motivação é a nova droga do desenvolvimento pessoal

Este artigo marca 100 posts publicados aqui no Pinguim Investidor!

Obrigado a todos que me acompanham por aqui, e que me inspiram a criar novo conteúdo todo dia! Os seus comentários e feedback são muito importantes para que eu continue a desenvolver o melhor conteúdo sobre Investimentos e Finanças pessoais na Finansfera. Que venham mais outros 100 posts aqui no Pinguim Investidor!


Você abre o seu celular de manhã para o café, e lá está na sua Timeline uma imagem falando sobre como você deve “dominar o seu dia,” “dar 110% de si,” “crush the competition,” e tal. Abre o YouTube e lá está o vídeo auto-entitulado de conteúdo motivacional, de como se sentir melhor, de como dominar e sair por cima do dia. Você assiste e supercarrega suas baterias, se enchendo de gás e espírito para completar qualquer tarefa.

Mas aí você chega no trabalho, passa o dia fazendo a mesma coisa que fez no dia anterior, se comporta da mesma forma que nas outras vezes, e essencialmente volta para casa no mesmo estado que antes, independente daquela bomba de conteúdo que recebeu dez horas atrás.

O que aconteceu aqui? O que aconteceu com toda aquele espírito para sair e mudar o mundo algumas horas atrás? Simples: foi esquecido em meio à toda a rotina pré-estabelecida que você está condicionado a fazer.

Muito do conteúdo que compartilho no Twitter é de caráter motivacional. Procuro vídeos, imagens, frases e outro conteúdo de qualidade de pessoas das áreas de investimentos e desenvolvimento pessoal. Igualmente, embora meu foco seja informativo e de aprendizado, alguns dos posts deste blog podem ser considerados motivacionais também, especialmente quando menciono objetivos e formas de se manter focado para alcançá-los. Eu entendo muito bem o valor que o conteúdo motivacional possui na nossa vida.

Embora ele seja importante para conseguir alcançar seus objetivos, friso que apenas a motivação em si não é a solução por conta das rotinas e valores pré-estabelecidos que possuímos no nosso dia-a-dia. Não importa o quão alto alguém grite na sua orelha sobre como você precisa dar 110% do seu dia: se você não prosseguir com a ação necessária, a motivação sozinha é inútil.

Infelizmente, hoje em dia as pessoas se contentam apenas com a parte de se motivar. Percebendo essa tendência, muitos criadores de conteúdo capitalizaram em cima, criando coletâneas e coletâneas de vários palestrantes em vídeos com muita motivação, mas pouco conteúdo. A motivação se tornou, essencialmente, a nova droga do desenvolvimento pessoal.

Como você pode utilizar a motivação ajudar o seu desenvolvimento pessoal, e prosseguir com ele mesmo quando não está motivado?

Continuar lendo “Motivação é a nova droga do desenvolvimento pessoal”

Estoicismo praticado #1 – Visualização Negativa

Há alguns meses publiquei um post com uma introdução sobre o estoicismo e seus conceitos-base de funcionamento. O sucesso deste post foi grande, e ele se tornou eventualmente o post mais lido do blog. Fazendo juz à esta peça crucial da filosofia do Pinguim, resolvi iniciar mais uma série aqui: o Estoicismo Praticado, onde explico como cada um destes conceitos funciona na prática. Espero que gostem!


Uma pesquisa rápida sobre o estoicismo traz quase de imediato uma referência sobre a visualização negativa. Este conceito, quando ouvimos pela primeira vez, um pouco obscuro, talvez até tenebroso. Estóicos realmente conseguem sentir felicidade contemplando coisas como a morte ou a doença? Estóicos devem ser ótimos para arruinar festas!

Embora à primeira vista, esta é a reação das pessoas acostumadas a “focar na felicidade,” ou “fazer o que lhe agrada,” quando investigada, a visualização negativa se torna uma das ferramentas mais poderosas disponíveis no estoicismo, e pode fazer a diferença entre se sentir feliz e agradecido versus ficar fragilizado e deprimido com uma situação desagradável.

Neste post de abertura, vou ensinar como a visualização negativa nos permite colher felicidade até onde nos acontecimentos ruins.

Continuar lendo “Estoicismo praticado #1 – Visualização Negativa”

Eu tenho tempo demais, e você também. E isso é um problema.

Se me pedissem para sumarizar a vida moderna numa única palavra, esta seria “agora.” Tudo precisa ser instantâneo, para agora, e qualquer distanciamento deste conceito se torna sinônimo de falta de qualidade. Agilidade não é mais um extra, e sim parte crucial do caráter vencedor da pessoa. Comunicações são instantâneas, carregando texto, voz e imagens a longuíssimas distâncias sem atraso. Meios e sistemas de transporte estão no pico da velocidade utilizável, e com capacidade expandindo cada vez mais. Para todos os propósitos, a vida se tornou extremamente eficiente em economizar tempo. E como consequência, todos nós recebemos quantidades enormes de tempo livre disponível.

Peraí, peraí… Pinguim, você está maluco? Ninguém tem tempo hoje em dia. E você acha mesmo que todo mundo GANHOU tempo? Sim, exatamente! É isso mesmo que estou falando. Afinal, ninguém consegue se enxergar vivendo num mundo pré-internet hoje, sem a facilidade de acesso à informação e comunicações rápidas, não é mesmo? Então sim, a sociedade ganhou tempo, quantidades de horas inpensáveis há algumas décadas. Mas mesmo assim, uma reclamação frequente hoje em dia é justamente o oposto; ninguém parece ter mais tempo para nada.

Esta relação é inicialmente um paradoxo, mas se torna clara quando começamos a analisá-la, e percebemos que ao resolver um problema antigo (falta de tempo), por consequência criamos um outro, a abundância de tempo. Sim, eu e você ambos temos tempo demais. E este é o novo problema, o novo cigarro do século 21.

Como a abundância de tempo pode ser um problema atualmente?

Continuar lendo “Eu tenho tempo demais, e você também. E isso é um problema.”

Estudo de caso #2: presentes de grego financeiros

Dando continuidade a uma série antiga, tenho hoje mais um estudo de caso para compartilhar aqui. Enquanto estive de férias visitando minha cidade natal, tive a chance de colocar a conversa em dia com um amigo. Num café, Diego comentou que descobriu o Pinguim Investidor e parabenizou pelo conteúdo, embora não quis fazer uma consultoria informal. Ele comentou porém, sobre um fato lamentável que acontecia em sua família, onde um hábito difundido internamente causava um rombo nas finanças da casa.

Diego comentara que sua mãe e irmã, a fim de tentar melhorar os relacionamentos que se estressam com frequência, adotaram um hábito de presentear uma a outra com supresas. Embora a intenção genuína, infelizmente – por ser surpresa – elas tentam adivinhar os gostos umas das outras e acabam fazendo uma compra que a outra não se interessa, e muitas vezes o presente acaba sendo esquecido.

Para piorar a situação, a irmã não tem uma renda muito bem consolidada e então – tal como a mãe dependente – torna a usar o cartão concedido pelo pai para bancar o financiamento destes presentes. Este é o último a saber, geralmente através do extrato do cartão no fim do mês, quando já não pode mais fazer nada para impedir a tragédia.

Independente se a família de Diego tenha um bom relacionamento ou não, esta história mostra um grande erro financeiro que infelizmente existe em inúmeras famílias e relacionamentos: a cultura de presentear materialmente. A sociedade, por força cultural ou mesmo de hábito, dita que só é possível celebrar nossas relações através do materialismo culminando nos presentes. Vê-se isso predominantemente no natal e aniversários, mas a tendência é que mais e mais dias e pseudoferiados sejam criados para que mais bens materiais sejam trocados. Esta tendência tem duas vítimas: as suas finanças e seus relacionamentos.

Não há ninguém sano que não goste de receber presentes, e presentear alguém querido é uma forma genuína de demonstrar afeto. Mas a verdade é que um hábito destes, se não pensado corretamente pode prejudicar o patrimônio. Como o hábito de presentear, ainda que bem intencionado, destrói as suas finanças e dos seus entes queridos?

Qual é o problema oculto em presentear?

O dilema passado pela família do Diego não é incomum entre as famílias: é o ato de presentear como uma obrigação ou etiqueta de relacionamento familiar. O que se inicia como uma troca de gentileza, logo se torna uma troca de favores, etiqueta, e – quando menos se espera – uma tradição inquebrável familiar.

Como muitas das coisas envolvendo orçamentos e compras, o custo do hábito de se presentear vai além do preço que aparece na etiqueta do pacote. Isso porque apenas considerando os presentes, o hábito já é muito caro mundialmente: em 2018, segundo uma pesquisa nos EUA, o gasto médio dos americanos com presentes de natal foi de 794 dólares por pessoa.

Essa estatística é assustadora, e revela o quão irracional pode se tornar uma simples “tradição” familiar. Nos EUA, mesmo com um salário médio líquido de US$3700, as pessoas decidiram que era aceitável gastar 21% dos seus salários em presentes materiais simplesmente porque é o que eles fizeram nos anos anteriores.

Isso sem considerar que o Natal sozinho não é o único período onde se criou o hábito de trocar presentes; há dia dos namorados, dia das mães, das crianças, e até mesmo o infame dia onde se compra coisas para si mesmo sem propósito algum e nem mesmo descontos reais. E com a mídia moderna berrando na orelha de todos a “necessidade” de se ter não só os melhores presentes, mas a melhor comemoração, viagem, apresentação, refeição, vinho e local, não é surpresa que todo o dinheiro se vai rápido.

Mas não há benefício em culpar apenas as figuras gastas: a cauza-raíz por trás disso está no fato que se estabeleceu a cultura de presentear como uma substituição à troca de consideração e afeto.

A obrigação de presentear danifica todos os envolvidos

Para a família de Diego, mais custa a sensação de obrigação do que o presente em si. Isso é porque para ela, presentear se tornou um equivalente a tanto um pedido de desculpas quanto uma forma de melhorar relacionamentos. Embora não há nada de errado em mostrar consideração aos outros, o fazer isto através materialismo apresenta dois grandes problemas:

  1. O preço envolvido da demonstração causa atrito e danifica o orçamento de todos os envolvidos. Especialmente se as ocorrências forem constantes.
  2. Ao utilizar um bem material como lastro, invariavelmente passamos a atrelar o valor agregado na demonstração no preço do bem. Para piorar, frequentemente entramos numa corrida armamentista querendo gratificar o próximo, e os preços dos bens trocados apenas sobem.

Para se ter uma idéia sobre o quanto este hábito é destrutivo, vamos usar a conta do custo de oportunidade, que apresentei num post anterior. Vamos supor que a mãe e a filha trocam em média um presente a cada mês, oriundo a uma discussão, briga ou até mesmo um acesso de generosidade. Se elas gastam cada uma R$70 em média por presente dado, temos um custo total de oportunidade de 70 * 173 = 12110 reais cada uma ao longo de dez anos.

São doze mil reais que poderiam ter sido investidos para gerar retorno ou renda passiva, ou até mesmo usados em investimentos indiretos, como pagando uma faculdade ou curso especializante. Mas são torrados, e pior: literalmente jogados fora neste hábito destrutivo como me explicado por Diego.

Segundo ele, por serem a maioria roupas ou acessórios, frequentemente uma não acerta no gosto da outra, o que causa os presentes finalmente perder seu valor e acumular no canto dos guarda-roupas – um fim próprio para um hábito tão destrutivo.

E ainda que nem tocamos no fato de que é o pai dele quem acaba bancando tudo isso no final…

Declare a sua política de exclusão de bens materiais

Como poderia Diego e sua família virar o jogo e eliminar este hábito tão destrutivo? O primeiro passo seria estabelecer em tom alto e claro que não se trocarão mais presentes dentro de casa. Colocando-se uma política dessa bem clara e com o aceite de todos, livra-se a obrigação implícita de sempre precisar se presentear um ao outro.

Hoje percebo que foi uma política dessas que indiretamente me levou a perceber o valor do dinheiro, elaborada quando parei de receber presentes da minha família ainda criança. Presentes não são infinitos, e para ganhar coisas, é necessário investir o trabalho requerido – eis a lição que aprendi.

Sem dúvidas, o grande perdedor desta história acaba sendo o pai do Diego que arca com todas as despesas colaterais. Para ele, o meu conselho seria: cortar o cartão “corporativo” familiar para despesas não-essenciais. Se alguém ainda quiser dar presentes, terá de fazer do próprio bolso.

Essa vai ser provavelmente a discussão mais difícil, mas igualmente a mais importante de todas: ao fazer esta limitação, Diego estará conscientizando a família sobre o valor do dinheiro. E eles irão aprender que o dinheiro não é uma fonte de afeto ou consideração, mas sim de liberdade. Quando esta lição mais crucial e mais polêmica de todas for aprendida, tenho certeza que a família de Diego estará num rumo financeiro melhor.

Educação financeira transforma vidas

Todos nós já fomos a família do Diego algum dia, e evoluímos deste patamar com nosso aprendizado. Essa é a beleza da educação financeira, e uma das muitas razões pela qual devemos compartilhá-la mais e mais.

Como lição, deixo à família do Diego que repense o que significa o afeto e consideração, e como eles podem tirar o elemento do dinheiro destes conceitos. Poderiam ter mais diálogos ao invés de perdão? Claro. Poderiam valorizar o dinheiro como fator habilitador, ou fonte de liberdade? Com certeza. Poderiam continuar a se presentear com coisas materiais, mas apenas quando for uma ocasião realmente especial e única? Absolutamente.

Qualquer que seja a decisão tomada agora, sei que consegui mostrar a Diego um lado novo e mais iluminado da jornada. E nisso, meu dever está feito.


Você conhece alguém cujos hábitos generosos de presentear os outros estão prejudicando sua vida financeira? Quais conselhos lhe daria? Escreva nos comentários.

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor

Dependências cumulativas irão te levar à desgraça

No fim de semana passado, fui a um shopping perto de casa e tive uma visão assustadora.

Ao passar do lado da entrada do estacionamento, me deparei com uma fila enorme do lado de fora contornando o quarteirão composta apenas por carros que queriam entrar para ainda estacionar dentro dele. Embora esta pode ser um acontecimento comum, ou até mesmo uma ótima notícia para o administrador do shopping ou quem investe nele, o que me assustou foi a realização de quanto essas pessoas se tornaram dependentes dos seus carros.

Essas pessoas cobriram a real necessidade de ir ao shopping com esta dependência, tendo, assim, que ter um carro em primeiro lugar, gastar gasolina para levá-lo até o shopping, morgar na fila imensa fora do shopping, procurar vagas dentro dele, pagar o estacionamento caríssimo, arriscar ter que pagar valet se as vagas comuns acabarem para depois, sim, conseguirem entrar e fazer o que precisam no estabelecimento.

Você vê alguma coisa errada aqui? Muitas? Eu vejo, essencialmente, apenas uma: dependência cumulativa. O carro, uma vez tido como um bem supérfluo hoje foi condicionado à ser uma dependência da qual o cidadão não consegue mais viver sem na vida moderna.

Infelizmente, o carro é apenas uma das muitas outras dependências que a sociedade cultiva atualmente por conta da influência da tecnologia. Porém ao passo que podemos ver claramente os benefícios trazidos por tais tecnologias, as consequências não-intendidas que se acumulam são muitas vezes desastrosas. No caso dos carros, temos experiência disso primeira mão: congestionamentos diários dominam nossa jornada ao trabalho, e a escassez de vagas infla os preços dos estacionamentos nas cidades.

No âmbito pessoal, também temos dependências cumulativas oriundas de fatores externos e internos. Ao analisarmos nossa rotina diária, podemos ver várias destas impregnando silenciosamente nossas vidas: a máquina de espresso cara de cápsula exclusiva que sobrepõe o café barato de filtro, ler as notícias num tablet que toma o lugar de apreciar o café da manhã de maneira própria, etc.

Se continuada sem limitações, nos tornamos escravos de tais dependências e perdemos nossa adaptabilidade, sem contar no desastre que acontece em nossas finanças. Como podemos então evitar que as dependências cumulativas tomem conta de nossas vidas?

Continuar lendo “Dependências cumulativas irão te levar à desgraça”

Vida móvel e liberdade: lições de Amyr Klink para a comunidade FIRE

Uma das primeiras lições que aprendemos quando nos educamos sobre a independência financeira é o conceito de ativos e passivos, e a diferença entre eles. Ironicamente, esta é também uma das mais dolorosas, pois muitas vezes estamos psicologicamente instruídos a acreditar que nossa visão de sucesso envolve acumular bens de consumo que são, essencialmente, passivos e não nos trarão riqueza. Destruir esta crença limitante que coisas como carros ou casas não são ativos e – de fato – te emprobrecem é difícil, e como evidência vemos várias histórias de como celebridades bem pagas rapidamente vão à falência.

Já escrevi em diversos posts anteriores como os passivos se tornam uma âncora pesando nas suas finanças pessoais, mas existe um outro lado menos mencionados sobre os outros malefícios associados com o acúmulo de passivos: a perda da liberdade. Este lado menos explorado da história se tornou claro para mim quando li uma entrevista com o navegador brasileiro Amyr Klink, que se tornou famoso ao cruzar o Atlântico num barco à remo nos anos 80, e circumnavegar a Antártida em 1998.

Esta entrevista me surpreendeu porque à primeira vista não reconhecia Klink como um escritor de finanças, mas posteriormente descobri que ele é formado em economia. Suas experiências vivendo no mar deram a ele alguns insights importantes a respeito de como podemos viver mais eficientes e mais ricos se simplesmente largarmos a possessão de passivos, e passássemos a alugá-los quando necessário.

Este não me é um conceito novo, mas lendo a entrevista de Klink, pude ter um novo insight sobre a não-acumulação de passivos: a mobilidade que ganhamos na vida por não ter algo que nos prenda a um certo lugar ou circunstância.

Quais lições Amyr Klink pode ensinar para a comunidade FIRE?

Continuar lendo “Vida móvel e liberdade: lições de Amyr Klink para a comunidade FIRE”

A importância de estar consciente

Em 2016 arranjei um ingresso para assistir uma competição de Taekwondo no Parque Olímpico do Rio de Janeiro. Era uma das mais acessíveis, já que não é tão popular. Chegando lá, ao entrar no estádio, fui comprar uma água para tomar, e vi uma cena que nunca mais me esqueci.

As bebidas estavam sendo vendidas nas barraquinhas em copos plásticos decorados à moda do Rio 2016, e eram recebidas com a compra de uma bebida alcóolica, como cerveja, para não se ter o problema de latas e garrafas de vidro sendo jogadas ao redor dos estádios. Com isso, recebia-se um copo por cerveja comprada. Um indivíduo na fila havia acabado de comprar mais uma cerveja quando percebi que ele passou do meu lado carregando uma pequena “torre” de nada menos que uns vinte e quatro copos, montados um dentro do outro. Sim, esta pessoa deveria ter bebido no mínimo umas vinte e poucas cervejas durante o seu dia no Parque Olímpico, e ainda voltava para pegar mais.

Meu pensamento na hora foi: esse cara pensa que está num churrasco na casa dele? Pra quê beber tanto ao invés de aproveitar esse momento único da vida, quando os Jogos Olímpicos estão na sua cidade, acessíveis pra você pela primeira vez? Uma pessoa que bebeu tanto assim não pode ter tido memórias sóbrias e sólidas de como foi a experiência Olímpica no Brasil; deve ter sido nada mais do que apenas mais um outro dia ocioso onde se bebeu a tarde toda.

Como já mencionei antes, embora eu não beba mais, não tenho problemas com a bebida, ou quem bebe. Mas esta história revela uma coisa importantíssima que aprendi no decorrer do meu aprendizado financeiro e pessoal: independente do que você faz no seu dia, deve ter sempre a consciência das suas ações, tanto sobre o quê está fazendo quanto no que tal ato acarretará como consequência.

Esta consciência é fundamentalmente diferente daquela “força do hábito” onde sua mente entra em piloto automático e você não questiona se está fazendo da maneira certa ou melhor. Muito pelo contrário: esta é a consciência onde você consegue abstrair da ação, averiguar a situação, se conscientizar de como esta ação afeta você ou seu ambiente e como você pode mudar ou melhorá-la.

A falta desta consciência possui consequências graves, e pode levar a formação de hábitos nocivos às suas finanças e vida pessoal. Se você já sofreu algum dia de procrastinação, por exemplo, é provável que a causa esteja relacionada à não-consciência de algum hábito seu.

Como funciona este fator crucial de estar consciente, e como ele contribui para o seu crescimento? Vejamos a seguir.

Continuar lendo “A importância de estar consciente”

Fechamento Outubro 2019 – Time out, filosofia e preparação

É hora de mais um fechamento do Pinguim!

Outubro foi um ótimo mês para fazer a automanutenção e recarregar as baterias. Isso é porque tive a oportunidade de ir para a casa dos meus pais e tirar umas férias muuuito merecidas. Nesse tempo sabático (que infelizmente já acabou), pude fazer uma retrospectiva e filosofar bastante, o que rendeu alguns posts interessantes.

Adicionalmente, tive a oportunidade de botar a conversa em dia com vários amigos e familiares que não via há tempos, o que me rendeu a oportunidade para educá-los financeiramente e analisar seus casos, o que significa que pode vir matéria nova por aí.

As finanças andaram muito bem. Embora o aporte não tenha sido tão gordo quanto esperava (ser visita inesperadamente aumenta os custos, como vamos ver mais à frente), resolvi “girar” o patrimônio um pouco e terminei minha posição em alguns fundos de renda fixa, visando entrar mais em renda variável. Como resultado, os rendimentos foram mais surpreendentes.

Vamos ver como me saí finaceiramente.

Continuar lendo “Fechamento Outubro 2019 – Time out, filosofia e preparação”