Conhecer o seu dinheiro é o primeiro passo para se tornar financeiramente independente

O caminho para a independência financeira pode ser dividido em três grandes fases principais: o despertar, a acumulação e a realização. Cada uma delas representa um estágio de maturidade do investidor, e as prioridades variam entre um e outro. Como um leitor ávido de história do mundo, eu sempre tive uma admiração pela primeira fase do despertar; como as pessoas descobrem o FIRE, a educação financeira, o que abrem os olhos delas?

Na minha opinião, é nesta fase do descobrir que o resto da jornada FIRE da pessoa é traçado, pois é quando os objetivos e os drivers que motivam as pessoas são traçados e – igualmente importantíssimo – sonhados. Mas para que a jornada comece, é necessário saber onde você se encontra no caminho para começar. Quão longe você está da linha de chegada? Será que você precisa “arrumar a casa” antes de sair e pegar a estrada?

Hoje venho a compartilhar mais uma história pessoal do Pinguim Investidor e falar mais sobre o meu próprio momento de despertar do FIRE e uma lição importantíssima que eu aprendi com isso: conhecer o seu dinheiro é o primeiro passo para aprender atingir a independência financeira.

Como ter conhecimento da sua situação financeira é a melhor forma para iniciar a sua jornada para o FIRE? O que podemos aprender com isso? Vejamos a seguir.

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A pessoa mais rica do cemitério

Há algumas semanas, recebi a notícia que uma pessoa com quem trabalhei num projeto passado havia falecido. Ela não era muito próxima de mim, mas havia trabalhado com ela por um tempo e pude evidenciar que ela era muito querida entre as pessoas do seu time, e rapidamente as condolências foram aparecendo pelas redes sociais e grupos de WhatsApp. Uma mulher com uma carreira de sucesso, trabalhando em vários países e com vasta experiência e vários contatos.

O fator que mais chocou a desta notícia foi que ela não tinha muita idade, nem problema de saúde qualquer aparente. Tinha provavelmente em volta dos seus 40 e poucos, e se foi da noite pro dia – sem adoecimento e sem acidente. E sem um plano sobre para onde iriam seus bens e ativos.

Este acontecimento me lembrou de uma frase que li a um tempo atrás sobre como, independente dos seus objetivos financeiros e de vida, você não deve querer ser a pessoa mais rica do cemitério. O dinheiro tem os seus usos, e cada um deve utilizá-lo conforme suas prioridades e percepção de valores. Porém, se você prioriza o dinheiro apenas para ter dinheiro, você está num caminho perdedor.

Viver a vida significa aproveitá-la, mas também significa fazer a manutenção dela, cuidando para que você possa aproveitá-la durante o maior tempo possível com recursos e saúde abundantes. Como você pode fazer uma conciliação entre estes dois extremos desta forma?

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O efeito vegano e a sua influência no FIRE

Você já deve conhecer um destes nos seus círculos sociais. Alguém que decidiu se tornar vegano um certo dia e em algumas semanas começou a postar sobre a sua decisão nas suas redes sociais. Compartilhamento de postagens de comunidades começam a aparecer. Depois vêm as fotos dos pratos que comeu no almoço ou na janta no Instagram. E de repente seu feed se torna tão saturado com estas postagens que já não é mais possível ignorá-los.

A sua reação a tal invasão de postagens desta pessoa provavelmente foi uma de duas: ou você amou e apoiou as postagens desta pessoa, ou você se sentiu incomodado, e até irritado, por ela. E é mais comum que seja esta última.

Eventualmente, seu amigo vegano começa a compartilhar desabafos sobre como a sociedade à sua volta não entende o veganismo e não está preparada para uma vida vegana, e como o mundo é difícil para ele. O mundo parece se unir contra ele.

Toda hora que alguém resolve desenvolver e melhorar sua vida pessoal e melhorar sua qualidade de vida, aparecem vários querendo contrariar suas idéias e as vezes até atacá-lo. Este acontecimento é chamado de Efeito Vegano no Podcast do BiggerPockets, e qualquer semelhança com o cotidiano da Finansfera não é coincidência.

Sem querer julgar a eficiência ou não da dieta vegana neste artigo, este mesmo efeito pode ser observado com tendências como Crossfit, Dieta Paleo, e – num ambiente muito mais próximo – na frugalidade, minimalismo. e educação financeira. Afinal, quem nunca compartilhou alguma opinião sobre reduzir o consumo, aprender a investir mais eficientemente, e recebeu uma chuva de críticas da roda da conversa.

O que o movimento FIRE pode aprender com o efeito vegano e como podemos diminuir a incidência negativa dele?

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FOMO: provavelmente a sigla mais destrutiva da sua vida

Você está sozinho de noite, fazendo alguma coisa produtiva que planejou anteriormente para desenvolver alguma das suas habilidades, e vê no seu celular o seu timeline: pessoas “se divertindo” de inúmeras formas que você não poderia ter imaginado. Selfies com sorrisos, língua de fora, copos e taças brilhantes com bebidas e ambientes luxuosos.

Neste momento, aquele sentimento ataca. Aquele que cria uma ansiedade e faz uma insegurança começar a borbulhar por dentro de você. Aquele que faz você se preocupar com e questionar a sua escolha para hoje à noite. Aquele que te deixa deprimido por achar que todos ao seu redor estão vivendo um momento melhor do que o seu. E, se deixado crescer descontroladamente, poderá acabar com a sua saúde mental.

Você pode conhecer este sentimento por vários nomes, mas eu me refiro a ele por FOMO, significando Fear Of Missing Out en Inglês.

Ao passo que FOMO pode ser inicialmente dispensado como uma coisa insignificante, como uma coisa de adolescentes tentando se tornar popular na escola, mas graças à onipresença das mídias sociais e propaganda nos dias atuais, tal tendência se espalhou para quase todas as nossas premissas atuais. Happy hours do trabalho, noitadas em bares e boates, e férias paradisíacas invadem nossos espaços mais frequentemente do que imaginamos. E nós mesmos, na nossa curiosidade humana, sabotamos nossa sanidade querendo saber mais, numa manobra com um pequeno toque masoquista.

O efeito “oposto” ao FOMO também existe. Não tenho um nome para ele, mas você também conhece: é aquela aversão em “perder qualquer oportunidade” que leva a pessoa a tentar estar em mais lugares e fazer a maior quantidade de coisas possíveis. Os efeitos de uma vida hedonística como esta são desastrosos: exaustão, depressão quando não conseguem honrar suas próprias expectativas e um rombo enorme no bolso.

É quase impossível achar alguém que consiga se livrar 100% do FOMO, e eu mesmo sou “vítima” dele frequentemente. Porém, com uma aplicação de racionalidade e disciplina, junto a um planejamento consciente, consegui reverter muitos dos efeitos que o FOMO costumava ter na minha vida. Neste post vou compartilhar algumas técnicas que me ajudaram neste caminho.

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A percepção relativa humana e seus impactos nas finanças

Responda rápido, sem procurar no Google: qual é o peso médio de um elefante africano adulto? Você tem dez segundos para responder. Valendo!

Seu tempo está esgotado. Quanto você acha que é? Uma tonelada? Dez toneladas? Vinte?

Procurar uma resposta sensata para esta pergunta foi provavelmente bem difícil. Mas antes de mostrar a resposta, vamos tentar uma pergunta alternativa: quantos rinocerontes pesa um elefante?

A resposta para esta pergunta se torna mais fácil por simplesmente ter se tornado uma questão de comparação entre duas coisas já de certa forma conhecidas.

Quem já passou por um processo seletivo de contratação com certeza já viu as perguntas mais bizarras que os recrutadores fazem ao grupo. Uma das clássicas é: quantas bolas de golfe cabem num Boeing 747? E aqui nem o Google pode te ajudar se é para ser resposta objetiva. Como no exemplo dos elefantes, uma “cola” de comparação poderia lhe ajudar aqui também, mas não se preocupe, não é a resposta objetiva que eles estão procurando.

Perguntas inesperadas à parte, a nossa dificuldade em estimar grandezas como essas do zero se dá em parte porque o cérebro humano é incapaz de processar grandezas absolutas, apenas relativas. Em outras palavras, só conseguimos completamente entender alguma coisa quando colocamos outra coisa familiar ao lado para comparar.

Podemos, por exemplo, fazer o mesmo tipo de pergunta acima para o número de estrelas no céu, quantidade de grãos de areia numa praia, população de um determinado bairro, etc. Mesmo que saiba o número exato, você só irá realmente compreender sua magnitude se compará-lo com outra coisa que realmente entende. E a mesma coisa acontece com os sentimentos: frequentemente nos comparamos com os outros nos quesitos de felicidade e sucesso.

Este fato felizmente (ou não) se derivou da nossa evolução como seres humanos, e tem profundos impactos na nossa psicologia, percepção das coisas e – finalmente – até nas nossas finanças pessoais.

Como a “relatividade humana” pode ter impactos positivos e negativos na suas finanças, e como você pode arranjá-la de modo a ter os melhores resultados desta consequência evolucionária tão naturalmente humana?

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Pinguim Investidor está agora no YouTube!

Saudações, pessoal!

Venho a fazer um anúncio extraordinário em meio à minha agenda de postagens para compartilhar com vocês um novo acontecimento:

O Pinguim Investidor agora também está no YouTube!

É isso aí! Desde que fui nomeado o nono melhor blog de finanças pessoais do Brasil fiz missão minha começar a expandir meu conteúdo para outras mídias na internet. Já estava com a idéia de começar com vídeos já há alguns meses, mas estava amadurecendo a idéia durante este tempo, procurando inspiração e aprendendo um pouco da edição de vídeos.

Agora, porém, é pra valer: estarei postando neste canal pelo menos semanalmente, e talvez mais quando eu tiver mais coisas interessantes para postar também. Se você já curtia o conteúdo do site, agora ficou melhor ainda; nestes vídeos vou compartilhar insights e assuntos que não foram cobertos por aqui.

Portanto, acesse o canal aqui e aproveite para se inscrever nele, assim você nunca vai perder um vídeo novo que eu postar no futuro!

Se você não conhecia a minha presença em outras mídias ainda, é uma boa hora para dar uma revida:

E mais importante: não estou parando por aqui. Tenho grandes planos para expandir meu conteúdo em cada uma destas novas mídias e também aqui no site, e talvez experimentar com coisas novas em 2020. Por isso, fiquem ligados!

E finalmente, este é um marco da minha vida que estou muito feliz de poder compartilhar com vocês. Obrigado a todos que acompanham, leem e comentam aqui no site!

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor

Quando o que vende na Bolsa não vale tanto quanto o que vem estampado na bolsa

Para quem acompanha os ultra ricos e outros HNWIs, ler na Forbes sobre a corrida até o topo da riqueza é um passatempo interessante, talvez até uma novela. Quem está no topo agora? Quem irá ultrapassá-lo? Quem são os outros rivais e participantes na corrida? Um verdadeiro BBB da elite!

Por não realmente acrescentar nada em conhecimento para mim como investidor, tendo a me desligar deste tipo de veículo, tal como as outras “notícias” de finanças que cantam as oportunidades douradas apenas depois que estão saturadas e perdem glamour. Porém, quando a notícia que Bernard Arnaut, fundador e CEO do grupo LVMH, se tornou o homem mais rico do mundo apareceu no meu feed, não pude deixar de olhar.

O que me tornou curioso para ler a matéria não foi o fato dele ter superado Bill Gates, dono do título por anos e anos seguidos no passado, ou o Warren Buffett, guruzão e ídolo de quase toda a finansfera. Foi porque ele conseguiu fazer tudo isso numa área para onde poucos olhavam; a indústria do Luxo.

Quando pensamos numa pessoa extremamente rica, bilionária por exemplo, geralmente pensamos em alguém que fez fortuna na área do petróleo, mercado imobiliário, ou até mesmo a alta tecnologia como nos casos dos bilionários recentes. Estes são mercados que tradicionalmente possuem muita demanda crescente e com empresas trilionárias no ramo, de onde tradicionalmente saíram vários dos mais ricos da história. Mas quando tratamos da indústria do Luxo, e de uma empresa principal que literalmente vende bolsas feitas de plástico, temos uma surpresa considerável.

Ao ouvir tais perguntas como estas, algumas pessoas sentem inveja ou são rápidas para comentar negativamente, mas eu vejo de outra forma: me inspiro e procuro analisar que lições posso tirar de tudo isso.

Que lições podemos tirar desta ascenção?

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Automatizando as partes boas: quais os benefícios de um piloto automático financeiro?

Um conceito que tenho frisado muito nos últimos posts do site é o dos hábitos, e como a influência deles e sua utilização com consciência é a melhor combinação para obter e manter sucesso financeiro a longo prazo sem que você se desgaste emocionalmente no processo.

Como uma demonstração prática deste conceito, assisti a um vídeo do YouTuber Ryan Scribner onde ele ensina sobre cinco coisas que você deve fazer assim que você é pago. São poucos aqueles que planejam seus meses com tamanha precisão, e a disciplina dele é comendável neste assunto; a estratégia de Scribner age como um framework para uma pessoa fazer as coisas financeiramente importantes antes que se caia na tentação de gastar este dinheiro em alguma outra coisa não-produtiva.

O vídeo é direto e reto, e consegue cobrir uma quantidade grande de recomendações para serem seguidas. Quais coisas podemos fazer após o pagamento para garantir que nossos interesses financeiros sejam protegidos?

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Fechamento Novembro 2019 – Afiando o Mindset para a Década que vem

Olá, pessoal! Um pouco mais atrasado que de costume, mas aqui sigo firme e forte com a atualização mensal.

Novembro foi um mês suado, até tenso no trabalho ao contrário das férias anteriores, mas que graças a Deus me saí bem e consegui ter um bom rendimento e todos os gastos estiveram no controle. Estou preparando e planejando alguns objetivos para a década que vem, então estou bem engajado nos estudos financeiros.

Vamos ver como me saí finaceiramente.

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Consumismo japonês: o primeiro mundo não é tão melhor assim com as finanças pessoais…

Quando se trata de frugalidade, nós do FIRE caímos entre dois hábitos; ou achamos que somos melhores que todos os outros ao nosso redor, ou que a maioria é melhor que nós e precisamos ainda melhorar muito. Na maioria dos casos que vejo e leio na internet, os FIREs apreciam olhar o consumismo alheio no seu cotidiano e reportar isso de uma forma relativamente anônima. Eu mesmo faço isso de vez em quando!

Essa realidade dopada de consumismo descrevida na Finansfera como “matrix” é comum no Brasil, onde 40% da população se encontra endividada em 2019, mesmo na economia em boas marés e um sentimento econômico otimista em geral no país, como comentei anteriormente.Mas e quanto ao mundo em geral? Será que os outros países também têm problemas com dívidas e consumismo demasiado?

Certamente, existem alguns países que são exemplos a serem seguidos, como a Finlândia com uma sociedade que valoriza a Natureza como fonte de felicidade. Porém, poderia ser essa a realidade onipresente do mundo desenvolvido? Infelizmente, não.

Ao contrário que muitos brasileiros pensam, o primeiro mundo não é muito diferente de nós no quesito de consumismo ou frugalidade. É verdade, a realidade de fora é bem diferente, e poderíamos dizer que o “baseline” da riqueza é significantemente mais alto, mas o comportamento individual consumista e falta de frugalidade são males que afetam quase o mundo todo igualmente.

Poderia ser que uma “abundância de dinheiro” percebida, ou uma economia mais estável, fazem a percepção gringa a acreditar que o dinheiro é infinito, e que nunca irá faltar um salário no fim do mês? Parcialmente por base neste mito, neste post descrevo como a sociedade japonesa possui um consumismo tão forte que quase a iguala à brasileira em termos de dívida e má gestão do dinheiro.

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