Confrontando o Cotidiano #6 – “Como isso é diferente de apostar num Jóquei?”

Numa destas tardes durante o meu horário de almoço, estava como sempre aproveitando para ganhar um pouco de tempo e acompanhar os meus estudos de finanças pessoais através de alguns vídeos do pessoal da finansfera. Eis que passa uma colega de trabalho por trás da minha tela, e fica durante um tempo tentando entender sobre o quê se trata os vídeos que estou assistindo (como sempre assisto de fone de ouvido e velocidade 2x, é difícil mesmo tentar entender do que se trata do lado de fora).

Não conseguindo controlar a curiosidade, ela chega do meu lado e me interrompe educadamente:

— Oi Pinguim, desculpa te perguntar, o que é que você está assistindo aí? Parece sério, é alguma coisa política?

Imagino que ela deve ter perguntado por conta dos gráficos que aparecem nos vídeos, que poderiam sinalizar várias coisas sem saber do contexto.

— Oi fulana. Não é nada político não. Estou assistindo alguns vídeos de investimentos.
— Ah, interessante. Que tipo de investimentos?

Geralmente tenho cautela depois deste ponto: como a maioria das pessoas têm zero conhecimento sobre investimentos em geral, tal como exemplificado nesta série de posts, geralmente fazem comentários ignorantes ou tentam desmerecer a procura da Independência Financeiras com argumentos baratos e pouco sofisticados. Felizmente, esta colega é bem simpática, e respeitou o contexto.

— Investimentos na bolsa de valores, o mercado de ações, sabe?
— Ah, nossa, parece ser complicado.
— É necessário fazer uma boa análise das empresas onde você quer investir, sim. Mas acho que as pessoas demonizam o processo mais do que ele realmente é.
— Pois é, ouvi falar de muita gente que perdeu dinheiro assim.
— Existe sempre um risco, mas com uma análise própria, podemos eliminar uma parte suficiente para conseguir investir com uma certa segurança.

E aí veio uma pergunta que eu acho que jamais vou esquecer:

Mas como isso consegue ser diferente de apostar numa corrida de jóquei?

Resumi a minha resposta à ela assim:

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Comentário do Pinguim #4 – Investimentos Indiretos, riscos e Desterceirização

Como devo investir meus primeiros mil reais?
Qual é a melhor forma de começar a investir?
Qual é o melhor produto pra se investir quando se tem pouco dinheiro?

Estas são algumas das perguntas clássicas de quem começa a investir, e refletem uma insegurança que todos nós temos ou já tivemos como iniciantes nas finanças pessoais. Atire a primeira pedra quem nunca fez essa pergunta para algum mentor ou procurou no Google ou algum fórum da internet sobre o assunto.

O grande problema por trás deste tipo de pergunta é que ela esconde um outro problema que a pessoa não quer tratar no momento, mas que é fundamental para ela começar e continuar a ter prosperidade financeira na vida: ela não entende os fundamentos de como funcionam os investimentos. Esta falta de educação financeira é a maior razão pela qual tantos iniciantes desistem depois de da euforia inicial de investir, pois o investimento não foi com a expectativa que tinham de enriquecer rapidamente.

Recentemente assisti alguns vídeos do YouTuber Jeff Rose, sobre quem escrevi anteriormente num outro post sobre motivação, onde ele reverbera a minha opinião sobre estas perguntas de quem inicia: no começo, o melhor investimento que você pode fazer é em você mesmo, na forma de conhecimento. Estes investimentos, chamados de Income Accelerators por Rose, são investimentos não-tradicionais que oferecem a você a oportunidade de aprender a ganhar mais dinheiro por você mesmo e desterceirizando o processo.

Medir o retorno destes investimentos é complicado, pois não há o conceito de ROE tradicional, mas eles podem ser os primeiros passos que um investidor pode tomar para iniciar uma carreira com o pé direito. Vamos ver como eles funcionam.

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Educação Financeira #4 – o feedback positivo e a origem das bolhas

História era uma das minhas matérias favoritas na escola. Sempre tive uma certa fascinação por eventos determinantes da história humana. Era fascinado pelos grandes eventos que causavam mudanças astronômicas nos destinos das nações, como guerras, batalhas, sucessões de governos, mudanças climáticas e crises econômicas.

E assim, desde que estudei o crash da bolsa de Nova Iorque em 1929, fiquei interessado em aprender mais sobre as causas e efeitos das crises econômicas na geopolítica mundial. Como é que pequenas mudanças encadeadas, pequenos erros acumulados ao longo do tempo podem mudar a rota da civilização do mundo? Estes estudos me fascinaram.

Avançando para o mundo presente, me tornei investidor e me encontrei numa posição onde estava exposto aos riscos diretamente, e poderia sentir em primeira mão os efeitos da economia nas minhas finanças. Lendo bastante sobre o assunto, me deparei com o livro A Random Walk down Wall Street do economista Burton G Malkiel onde ele dedica o primeiro capítulo do livro para explicar sobre bolhas econômicas na história da humanidade, indo desde a primeira bolha recordada na história – a mania das tulipas na Holanda no século 17 – até as bolhas recentes dos anos 2000.

Malkiel sumariza em sua explicação que todas as bolhas financeiras podem ter suas origens traçadas de volta à uma aplicação de um feedback positivo errático e recorrente, que ilude os envolvidos a acreditarem que aquilo no que estão investindo e apostando é realmente o correto a se fazer.

Como este ciclo funciona e consegue carregar uma bolha para frente? E, talvez mais importante, como você entender a causa das bolhas e se preparar para não ser impactado por elas?

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Comentário do Pinguim #3 – Quando vai estar bom para se preparar financeiramente?

O ser humano parece que nunca está numa situação satisfeita; há sempre uma oportunidade ou outra de reclamar e se socializar com outros seres humanos reclamões, ou de culpar alguma coisa ou outra pela razão que sua vida não está 100% perfeita ou de acordo com algum padrão ditado.

Esta matéria do InfoMoney reverbera bem a mensagem, quando expõe que mais de 60% da população não consegue economizar nada no fim do mês.

Isso mesmo, mais de metade da população pesquisada tem uma taxa de aporte zerada, e isso em meio a uma situação econômica positiva, onde se canta um repertório de recuperação e reconquista econômica no país, junto ao novo governo.

Como é que tanto em meio a prosperidade econômica as pessoas ainda não conseguem se beneficiar financeiramente? A resposta pode estar na forma de como as pessoas justificam suas decisões financeiras.

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FIRE no futuro: como acertar um alvo móvel?

A matemática por trás da Independência Financeira é simples, e não requer conhecimento matemático avançado: pegue o valor do seu custo de vida total mensal, adicione uma margem de segurança, e multiplique o resultado por 300. O número que você obter é o valor do seu patrimônio mínimo necessário para obter renda passiva suficiente para cobrir seus custos sem que o patrimônio principal se derreta e com o menor risco disponível.

Simples e direta, esta fórmula é importante e prática na hora de se planejar e estabelecer metas, e eu a utilizo com frequência ao introduzir finanças pessoais para os outros, ou conversar sobre ela com a minha família. Porém, enquanto esta fórmula é manjada por todos no âmbito das finanças pessoais, há um detalhe importantíssimo que esta simples fórmula omite, até porque é fora do seu escopo prevê-la: a inflação.

Esta queridinha é importante análise do FIRE porque coloca dois fatores em campo que muitos se esquecem na ansiedade de decidir em que ponto parar: o tempo e o poder de compra do seu dinheiro. Ambos são indesejáveis, mas são necessários para fazer uma análise de risco completa – sem eles, todo o seu planejamento e execução podem ser penalizados gravemente no futuro quando você descobrir que seu dinheiro planejado tão cuidadosamente lá atrás não consegue suprir suas necessidades ou vontades.

Como você deve considerar a inflação na hora de estabelecer suas metas do FIRE? Incluindo-a como um alvo móvel no alcance da independência financeira.

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Maior que Zero

Se você quer uma lição matemática, mas não manja muito de exatas, aqui está uma bem simples e muito poderosa para você levar no seu dia: qualquer número positivo é infinitamente maior do que zero. Ou, de forma ainda mais simplificada, 0.01 > 0.

O que isso significa? Na busca do sucesso, o que conta no final é o esforço, e este esforço conta em todos os níveis – grandes e pequenos. Muitos falam sobre “dar o sangue,” trabalhar o máximo, virar noites para entregar e muito mais na hora de atingir um objetivo, mas esquecem-se que também conta o tanto quanto fazer uso daqueles 10-15 minutos que sobram quando você quando volta do almoço, ou a meia hora que têm em casa antes do café da manhã e se trocar, ou o tempo que passam no transporte público indo e vindo do trabalho.

Há muitas oportunidades para se conseguir arranjar tempo e esforço para realizar alguma tarefa ou atingir objetivo, se a motivação por trás existir. O verdadeiro esforço existe neste contexto: aproveitar os momentos disponíveis para sair do zero. É a frase que uso para me motivar: No more zero days!

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Errando

Recentemente, errei. Novamente. Fiz uma decisão que parecia ser a coisa certa na hora, mas finalmente percebi que não era e as consequências vieram. Errei depois de ter errado várias outras vezes numa vida inteira, e provavelmente não será a última vez. Mas, ainda assim, averiguei a situação, percebi que o erro não era nada fatal, me reergui e segui em frente, com muitas novas lições aprendidas a mais no bolso.

O parágrafo acima poderia ter sido completamente omitido e esquecido em meio ao meu cotidiano, mas eu optei por escrevê-lo por possuir uma coisa que poucos param para apreciar o seu valor verdadeiro: errar. Desde pequenos, somos condicionados a temer erros quando, tal como diz o ditado, eles são naturais ao ser humano, e cruciais no nosso aprendizado diário.

Ainda assim, porém, parece que todos nós temos uma persistência em abominar erros e qualquer desvio da perfeição procurada. Aqui, somos rápidos para apontar as pessoas ao nosso redor como os culpados, como as escolas, os professores, os pais e a sociedade, por exemplo. Mas a verdade é que mais do que qualquer outro, quem abomina e pune nossos erros somos nós próprios. Aprendemos desde cedo na vida que quem erra ou pratica algo fora do aceitado como certo é punido, então desenvolvemos uma defesa própria interna para nos punir e policiar contra estes erros.

Esta manobra, porém, não é sem consequência, já que reprimir os erros significa reprimir a criatividade e o espírito de experimentar que é necessário para o desenvolvimento pessoal. E assim, limita-se a vontade de tentar novamente ou querer evoluir para melhorar e conseguir acertar.

Quais são as coisas que nossos erros podem trazer que podem nos melhorar?

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O dinheiro é igualmente verde para todos

Os livros da série dos Milionários de Thomas Stanley são uma leitura duplamente construtiva: não só servem como um guia prático sobre o que a riqueza realmente é, como também servem como uma inspiração importante para quem está na buscando enriquecer e alcançar a independência financeira.

Uma das partes mais inspiradoras é que Stanley explica como pessoas com origens humildes, ou até mesmo miseráveis, conseguiram eventualmente “virar o jogo” e enriquecer – e muito! – no decorrer de suas vidas. Por exemplo, Stanley descreve um HNWI dos EUA que era um motorista de ônibus escolar que aprendeu a investir por conta de querer trazer um futuro melhor para o filho. Seus retornos foram tão altos e complexos que ele não só ficou milionário, como entrou para o ranking de multi-milionário.

Muitas lições podem ser tiradas destas histórias: aporte mais e gaste menos, esteja sempre aprendendo coisas novas, persistência ganha de perfeição, etc. Mas a lição central mais comum e poderosa é outra: o dinheiro não discrimina a ninguém.

Pense naquela pessoa que enriqueceu catando lixo, pegando coisas usadas, restaurando e revendendo, mas hoje comanda uma rede de varejo nacional. Se esta pessoa tivesse parado para pensar que estava revirando lixo para se sustentar e deixasse o seu orgulho tomar conta, com certeza não estaria na posição de poder de hoje. Mas esta pessoa não julgou a fonte de renda que tinha e acreditou – e o retorno contou.

E mesmo assim, vejo que muitos, no escritório e à parte na vida, ainda discriminam o dinheiro de forma brutal.

Todos conhecemos alguém assim. Alguém que aceita trabalhar de supervisor técnico de operações de gerenciamento do departamento de organização da divisão XYZ, ganhando R$3200 ao mês, mas descarta qualquer idéia de ganhar a mesma coisa mas trabalhar a metade do tempo revendendo coisas usadas ou atacado online pois “não estudou pra fazer este tipo de coisa.”

Ou aquela que se mata de trabalhar como secretária 12 horas por dia atendendo a uma diretoria selvagem que não está nem aí para a situação dela, mas despreza os amigos que se aventuraram abrindo uma franquia, pois “é arriscado demais, e com a crise temos mais é que procurar segurança.”

E que tal aquele outro zomba do colega que tirou o Sábado para dar aulas particulares de Inglês e Matemática e tirar R$500 a mais enquanto ele mesmo passou o dia bebendo num bar encarecido e reclamando que nunca sobra dinheiro no fim do mês.

Eu não sei o que foi que o dinheiro fez pra eles, mas deve ter sido feio para eles estarem julgando o dinheiro assim, tão fortemente. Se eles apenas soubessem que o dinheiro nunca os julgaria de volta, talvez suas situações financeiras estivessem melhores.

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A melhor coisa que o dinheiro pode comprar: F-you Money

O caminho até a independência financeira é trilhado a partir de uma série de mudanças que desviam um indivíduo de uma vida medíocre até tomar ações que o levam para acumular capital o suficiente para viver apenas de renda passiva. O desafio maior desta mudança geralmente está no mindset da pessoa, que geralmente vem com crenças e conceitos já solidificados com experiência que precisam ser provados contra e trocados por conceitos melhores.

Durante o meu aprendizado, um dos maiores conceitos que me ajudou a me estabelecer no FIRE foi descobrir que o dinheiro, na sua forma produtiva como capital essencialmente funciona como uma fonte de liberdade individual. Quando me deparei com este conceito, minha abordagem à educação financeira mudou competamente. O aporte se tornou uma medida de libertação, e os gastos uma forma de aprisionamento.

Como podemos manter este mindset sempre em mente no dia a dia e proteger assim os aportes? Utilizando o conceito de F-you Money.

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Fechamento Agosto 2019 – fight my way back

Agosto foi um mês “animado” pro Pinguim Investidor, assim como pro mercado em geral. Tiveram alguns acontecimentos interessantes, como o incidente com o meu celular, o estoicismo sendo colocado em teste diariamente no trabalho e outras situações no cotidiano que deixaram as semanas corridas e desafiantes.

Consegui um aporte melhor e mais tranquilo que o do mês passado, mas mesmo assim abaixo do orçado da faixa de 40-50% das receitas. Porém, aproveitei bastante tudo o que fiz fora do expediente, e realmente compreendi o significado de quality time no contexto das poucas horas disponíveis. Estas horas bem passadas com quem realmente importa (i.e. família) são importantíssimas. Não ignorem-as, pessoal!

Vamos aos números:

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