O que dá mais felicidade: dinheiro ou liberdade?

A vida pode ser resumida como um processo de procura. Procura de comida, recursos, segurança, relacionamentos e – por que não – felicidade. Nada é estático, e nada é igual ao que passou, tornando viver um real processo de mudança constante. Não só isso significa que temos que ter flexibilidade e agilidade em nossas ações e planejamento, mas também que devemos ter nossos objetivos e horizontes bem demarcados em nossa visão quando estamos correndo na direção deles.

Alguns dizem que o dinheiro não traz felicidade, outros discordam completamente – e este assunto tão velho quanto o mundo prossegue sem uma resposta comum, provavelmente para sempre. Porém, uma visão moderna sobre este assunto, pensada pelo lado FIRE, traz um novo ponto de vista à mesa: o verdadeiro valor do dinheiro está em prover liberdade. Podemos ver o dinheiro de várias formas – um recurso escasso ou abundante, medida de poder, ganância – mas é na liberdade individual provida através da renda passiva que obtemos o melhor uso dele.

Enxergar o dinheiro como uma medida de liberdade nos auxilia a enxergar os objetivos de forma melhor, mas e se tivéssemos a possibilidade de obter puramente a liberdade independente do dinheiro – seríamos mais felizes? Segundo um estudo realizado nos Estados Unidos em 2016, a resposta parece ser sim. Será que isso significa que não devemos, então, procurar por dinheiro e repensar por inteiro nossos objetivos FIRE? Não exatamente, mas os insights desta pesquisa nos agregam considerações interessantes para agregar na nossa jornada.

Vejamos mais neste post.

As escalas de realização do dinheiro: pobre, rico ou “suficiente?”

O argumento que “dinheiro não traz felicidade” vai além do que uma inveja de quem não tem; existem pesquisas que mostram que nossa felicidade absoluta não aumenta significantemente depois que atingimos um certo patamar de dinheiro. Parte desta realização é explicada pelo conceito de adaptação hedônica, onde nos adaptamos e tornamos acostumados às coisas – boas ou ruins. Um aumento salarial, por exemplo, nos traz muito mais felicidade quando partimos de um salário baixo do que quando já estamos num patamar maior salarial.

Após um certo nível salarial, um aumento proporciona pouca melhoria na felicidade do indivíduo.
Após um certo nível salarial, um aumento proporciona pouca melhoria na felicidade do indivíduo.

Esta realização nos explica também por que, nos passos iniciais da jornada até a independência financeira, precisamos focar mais no ato de aumentar nossa renda para ter um retorno mais significativo no nosso enriquecimento. Num momento mais maduro, nossos investimentos passam a ter um peso maior, e o salário se torna menos importante, até o ponto em que nos tornamos completamente independentes dele.

De nenhuma forma, porém, o valor do dinheiro diminui ao longo do tempo: novamente, de acordo com a definição previdenciária do investimento, todo investimento deve ser feito com o foco em aumentar a sua renda passiva total. É esta confiança proporcionada pela liberdade financeira que é o ponto forte de ter dinheiro investido corretamente ao invés de cegamente poupar sem objetivo.

É necessário, porém, averiguar alguns pontos importantes num âmbito de planejamento. Por exemplo: quando podemos dizer que já temos o suficiente investido, e quando podemos parar de nos preocupar com o dinheiro e o fluxo de caixa produzido por ele? Responder à estas questões é importante para averiguar a sua realização pessoal e os seus objetivos maiores de vida.

Qual é o ativo mais escasso: tempo ou dinheiro?

O estudo realizado nos EUA concluiu que no geral as pessoas passam a valorizar mais o seu tempo livre além do trabalho do que o salário recebido em si. Por exemplo, uma redução em fatores como o tempo de transporte entre a casa e o trabalho trouxe um aumento similar ao de um aumento salarial, e em alguns casos até maior.

Isso mostra a realidade que muitos esquecem sobre a relação do dinheiro e o tempo: das duas, é o tempo que é a quantia escassa e finita. Dinheiro pode ser obtido de várias formas não-atadas ao seu tempo investido, tal como observado por empreendedores que atrelam seus lucros à valor e número de vendas dos seus produtos. O tempo que você tem para investir da melhor forma possível, porém, é um ativo completamente limitado. Um dia perdido de trabalho, tempo alocado procrastinando ao invés de produzir, todos são exemplos de tempo que não pode ser retomado.

Sob esta luz, fica claro que obter liberdade na forma de tempo (ativo escasso e limitado) através de dinheiro (abundante) é a forma vitoriosa de você gerenciar estas duas dimensões na sua vida. A melhor forma de fazer esta troca entre dinheiro e tempo é investindo em ativos que proporcionam fluxo de caixa. A medida primordial da sua saúde financeira deve ser o tamanho da sua renda passiva mensal, e não o seu salário ou os bens que você possui.

Escolha os jogos que você pode ganhar

Por fim, um dos maiores conselhos que posso entregar sobre este assunto é o seguinte: se você quer vencer a partida e ganhar o jogo, escolha os jogos que você pode ganhar com facilidade.

Se você perguntar para alguém qualquer o que significa ser rico, não há muita definição sobre a palavra: alguns dirão que 1 milhão de reais é o suficiente, outros acham que 10 milhões ou até 1 bilhão são necessários, enquanto alguns se contentariam até com 10 mil reais a mais na conta. A verdade, porém, é que nenhuma definição absoluta poderá fazer jus à sua situação única. Por isso, métodos como a regra dos 4% (TSR) existem para guiar você até uma estimativa tranquila.

A parte não falada, porém é que além dos números que uma fórmula de estimativa lhe trazem, você pode também “transformar” este objetivo para tornar seu atingimento ainda mais fácil ou rápido. Mudanças no estilo de vida, projeções de vida num lugar mais barato, e até com menos bens ou serviços são estratégias que poderão diminuir consideravelmente o seu custo de vida mensal e por tabela o seu montante FIRE necessário.

Você pode estar até se perguntando se realmente vale a pena diminuir esta “qualidade de vida percebida” em prol da independência financeira, mas novamente aqui a pergunta aparece escondida: você quer ganhar dinheiro ou liberdade total? Averiguar esta resposta trará insights interessantes.

Se você precisa ganhar o jogo, por que não jogar aquele que é mais fácil de ganhar, ou que menos pessoas estão jogando contra você? A escolha é sua.


Qual é a relação principal entre a liberdade, tempo e dinheiro para você? Acredita que precisa fazer algum sacrifício entre os três para conseguir os seus objetivos? Escreva nos comentários.

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor

7 comentários sobre “O que dá mais felicidade: dinheiro ou liberdade?

  1. Fala Pinguim.
    Escrevi um texto há alguns anos, e infelizmente não posso colocá-lo aqui neste momento pois nele apresento minha identidade.
    Mas, ele faz todo sentido neste contexto.
    O ativo mais escasso do mundo é o tempo, e a única forma de “comprar” tempo é investir.
    Essa é a grande saída para a famigerada corrida dos ratos.
    Grande abraço, ótimo texto.
    Stark.
    http://www.acumuladorcompulsivo.com

    Curtido por 1 pessoa

  2. Fala Pinguim!

    Acho que nessa jornada na entre os amigos da finansfera/FIRE essa dúvida surge diariamente, como eu me declaro “ultra liberal” eu acho que cabe a cada um ler, ver relatos e interpretar a própria escolha.

    Seja no quesito “abaixar” o padrão de vida para alcançar a I.E ou seja pra continuar na jornada até o infinito.

    Eu particularmente prefiro assumir que a I.E é algo mutável e conforme o passar dos anos você ajusta os valores, como diz bem o SR IF365, parar 100% nunca é bom.

    Tem uns vídeos do PONDÉ que falam muito sobre isso, se você linkar com os vídeos do Clóvis de Barros Filho, você chega na conclusão que a conclusão é sua, mesmo quando se trata de tempo/dinheiro.

    Abraços, Math

    Curtido por 1 pessoa

    1. Opa, fala Matheus!

      Obrigado pela sugestão, não conhecia esses caras. Vou vê-los.

      É legal deixar todo mundo pensar da melhor forma que lhe sirva melhor mesmo, acho que muita gente se “engessa” num único conceito que aprendeu e não explora as alternativas. Enquanto isso, a flexibilidade têm me ajudado bastante aqui.

      Abraços e seguimos em frente!

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