Resenha do Pinguim #5 – Série Milionários de Thomas Stanley

Depois de um grande hiato na série, o Pinguim está de volta com mais uma resenha. Desta vez, falo sobre os trabalhos do Dr Thomas J Stanley, um pesquisador Americano especialista na vida dos Milionários e High Net Worth Individuals (HNWI) dos EUA.

Provavelmente muitos da Finansfera já ouviram falar pelo menos do primeiro livro dele, The Millionaire Next Door onde ele quebra alguns mitos sobre o que significa ser milionário, mas nunca ouvi ninguém mencionando seu outro livro, follow-up do anterior, The Millionaire Mind (não confundir com o Secrets of the Millionaire Mind de T. Harv Eker, também muito bom que li, mas aborda outro contexto). Este post, assim como o anterior do Kiyosaki, irá cobrir ambos os livros.

Incidentemente, foi só depois de terminar os dois que descobri que ele havia falecido em 2015, então este post também fica como um tributo para os seus trabalhos.

Estes dois livros possuem o dom de serem altamente didáticos, com leitura fácil e simples de compreender até por um leigo, e ao mesmo tempo serem altamente técnicos com conceitos de estatística e matemática aplicada dignos de um candidato a doutorado fazendo tese. Felizmente, comparado com o Early Retirement Extreme, a leitura destes é muito mais fluida.

Stanley tem um hábito como pesquisador e acadêmico de abreviar muitos de seus termos utilizados como PAW, UAW, IA, BA, EPH, EOC, etc, e irei reproduzir alguns neste post para padronizar.

Vamos ver quais insights dos milionários podemos aprender.

Acumular é preciso

Para sumarizar este livro em um só conceito, este seria:

Os ricos acumulam riqueza, os pobres gastam suas riquezas.

Este é o conceito principal que rege as descobertas de Stanley, e daí a origem de dois dos seus termos principais que persistem pelo livro inteiro: PAW (Prolific Accumulator of Wealth) e UAW (under-accumulator of wealth). No seu primeiro livro, Stanley indica que apenas as pessoas que possuem este mindset de acumulação conseguem eventualmente atingir um patrimônio considerável e se tornarem milionários.

É através desta distinção também que Stanley consegue formalizar matematicamente aquele velho conceito de “gente rica com cabeça de pobre,” pois apenas ter mais de um milhão de dólares não significa que a pessoa tem o mindset da riqueza (compra passivos, gasta mais do que pode). Especificamente, Stanley usa uma fórmula baseada na idade, salário anual e o seu net worth:

Idade * Salário Anual Bruto * 10%

Se a pessoa tiver um patrimônio maior ou igual a este resultado, ela é considerada uma PAW. A fórmula talvez seja meio rígida demais para a maioria de nós, mas nos exemplos que Stanley segue, fica claro que a maioria dos categorizados como UAW são pessoas ricas com mentalidade de pobreza (grande salário, pouco aporte).

Os UAWs são falsos milionários (se forem!) que vivem apenas de receber e gastar seus altos salários e não acumulam quase nada desta chuva de dinheiro que recebem. Estão nesta categoria, por exemplo, pessoas que herdaram ou são filhos de milionários autoditada, e que dependem da “ajudinha dos pais” para conseguirem se manter (chamada no livro de Economic Outpatient Care ou EOC). Também se enquadram nessa categoria atletas famosos e outras celebridades que nunca tiveram alguma educação financeira antes na vida.

Os PAWs, por outro lado, são aqueles que começaram com pouco ou nada, e descobriram que é acumulando patrimônio que se constrói riqueza. Sendo eles pequenos empreendedores, ou médicos ou advogados, eles entenderam que na vida é necessário um grande esforço, sim, mas este esforço é em vão quando não se segue o segundo passo de acumular e colocar o patrimônio para apreciar.

Tabus sobre milionários

Outro ponto sobre esta série é que ela desprova alguns tabus que são frequentemente associados aos milionários e seus estilos de vida. Stanley coloca isso de forma simples dizendo que a maioria de seus milionários entrevistados são “a cheap date.”

O livro nos mostra que, ao contrário do mostrado na mídia, a maior parte dos milionários possuem os mesmos hábitos frugais de uma pessoa que ainda está buscando enriquecer, incluindo a escolha de onde fazer compras, lista de supermercado, reparar e reaproveitar roupas e bens físicos na casa, e fazer pesquisas atenciosas na hora de comprar um carro ou casa.

Isso não vem como surpresa para a finansfera, já que a maioria entende que a frugalidade, além de um método de estender a capacidade para sobrevivência, pode também ser usada como um trampolim para maximizar a quantidade de capital disponível para enriquecer. Talvez neste caso vale a pena utilizar outro termo que Stanley menciona para descrever as residências dos PAWs dos EUA: Economically Productive Households.

Um ponto controverso do livro é onde Stanley descreve uma técnica que os PAWs também usam: a compra consciente. Stanley descreve a estratégia dos PAWs para comprar a casa própria como apenas escolhendo propriedades que irão apreciar com o tempo, optando inclusive a comprar mais caro por um lugar com potencial de valorização grande. É controverso para mim, que entendo a casa própria como um passivo, e não um ativo, e que não conta como uma forma de render dinheiro. Talvez seja for falta de conhecimento do mercado imobiliário.

Stanley explica que uma técnica de comprar bens que irão apreciar após o uso também é aplicada pelos milionários para comprar móveis, obras de arte, e alguns outros bens. Quanta especulação!

Os princípios valorizados Milionários

No seu segundo livro, Stanley abre com um highlight dos princípios e virtudes de personalidade que, de acordo com a sua pesquisa, são os mais valorizados pelos milionários dos EUA.

Seriam “gana,” “ambição,” “frieza” fatores que que contribuíram muito para o sucesso destes milionários? “Competitividade?” O resultado traz outras realidades. Especificamente, os cinco princípios mais valorizados pelos milionários são:

  1. Integrity — being honest with all people
  2. Discipline — applying self control
  3. Social skills — getting along with people
  4. A supportive spouse
  5. Working harder than most people

E, simples assim, todos os outros mitos desaparecem.

O livro deixa bem claro que o esforço pessoal e a determinação por trás deste esforço são cruciais para o sucesso. Não há menção, por exemplo, que uma educação de qualidade excepcional ou ter algum emprego específico são necessários para suceder. De fato, Stanley indica inclusive que as pessoas com muita inteligência criativa sucedem na vida ao invés das pessoas com inteligência analítica. Como isso pode ser possível?

Stanley exemplifica através de vários casos como a maioria dos milionários são empreendedores que conseguiram através de simplesmente muito trabalho ou terem identificado alguma área do mercado onde não havia muita competição suceder em seus negócios. Aqueles que focaram muito na parte analítica e raciocínio não conseguiram enxergar tais oportunidades criativas.

Esta é uma lição poderosíssima. Os fatores universais de sucesso financeiro envolvem foco num objetivo, trabalho árduo e (importantíssimo) pessoas positivas e que te suportam. Eu aprendi durante uma fase ruim da vida, e realmente é o que é necessário para se suceder.

Controvérsias e aplicabilidade

Estes livros, embora extremamente inspiradores e reveladores sobre os hábitos e modo de vida dos milionários, são um pouco desatualizados para os padrões de hoje, pois foram escritos no fim dos anos 90.

Provavelmente a parte mais controversa que achei foi o padrão dos milionários de como utilizar a casa própria como “investimento.” Talvez na época e nos EUA esta técnica fazia sentido, mas hoje sinto que o consenso geral indica que é melhor alugar a casa própria e comprar imóveis apenas para alugá-los aos outros (tornando-os, assim, ativos).

Como as fontes destes livros foram todas dos EUA, os valores de salário e patrimônio destes milionários soam fora do padrão do Brasil. Por exemplo, se a classe média lá é considerada como US$25~50k ao ano, no Brasil isso é inalcançável exceto pelas classes mais altas da sociedade. Com esta abundância toda lá, não é surpreendente que muitas vezes basta apenas uma mudança de mindset para criar milionários nos EUA.

Outro ponto é que, sendo escritos entre 1996 e 2000, estes livros não conseguiram levar em consideração a revolução digital que seguiu depois deste período e levou muitas empresas e indústrias a serem dizimadas e repostas por outras empresas de tecnologia. Isto não necessariamente tira o crédito dos resultados dos livros, mas é um ponto a ser considerado: temos que levar em consideração a agilidade das mudanças das coisas hoje em dia.

Conclusão

Este “clássico” da Finansfera foi uma grande leitura, um pouco técnica, e que me trouxe vários insights sobre como pensar e operar como uma pessoa altamente eficiente em acumular riqueza.

Após ler em particular os princípios favoritos dos milionários do segundo livro, resolvi anotá-los num pedaço de papel e colar na parede do quarto para que eu possa diariamente ver e revê-los, e assim instruir meu mindset a ter essas características sempre em primeira mão. Porque, afinal, é este mindset visando abundância que é crucial para o processo.

Se você se interessa por uma leitura técnica sobre o enriquecimento e procura inspiração para mudar de vida, eu recomendo muito a leitura deste livro.

Abraços e seguimos em frente!

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2 comentários sobre “Resenha do Pinguim #5 – Série Milionários de Thomas Stanley

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