Jeito Pinguim explicado #1: Risco é bom quando se entende dele

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Há um ditado antigo que diz que quando dois homens olham para um mesmo copo, o otimista enxerga um copo meio cheio enquanto o pessimista enxerga o copo meio vazio. O copo em si, é o mesmo, e o que muda é a opinião do observador. Muitos conhecem este ditado, e esquecem do fato que atrás deste falso dilema ainda resta o fato de que o valor real ainda está no copo em si.

Ao trocar o copo por um investimento, e a água pela quantidade de risco, porém, a história muda. É uma história pouco contada que apresenta um lado importantíssimo do mindset do investidor, e que é um dos pilares que uso pra considerar meus investimentos.

Este conceito é a análise de risco.

O investidor e o cassino

O jornalista Max Gunther abre o seu livro Os Axiomas de Zurique com um comentário aberto e detalhado sobre o conceito de risco, fazendo disso uma preparação mental, um primer, para o investidor.

Segundo Gunther, tanto os buy-and-holders e os traders da bolsa não possuem muitas diferenças com os jogadores de cassino quando se trata do comportamento diante ao risco, já que em ambos os casos é impossível prever o comportamento da mesa de jogos ou da bolsa de valores, independente da preparação ou estudo anterior que se faz.

Um dos trechos que mais me marcou neste livro é o comentário sobre a inerência do risco na natureza, e como é impossível evitá-lo. Algo do tipo:

A caterpillar, in order to grow fat, must look for food that lies in the same trees where the birds feed on them.

Max Gunther

Esta percepção de risco, embora radical, forma uma base de entendimento sobre a qual os investimentos se formam: para valer a pena, o retorno deve ser proporcional ao risco. Se o retorno é menor, você corre riscos desnecessários ao investir.

Nem mesmo o Tesouro Direto está livre de risco, como se vê na indisponibilidade do sistema do tesouro nacional na hora de aportar ou resgatar, contradizendo a “liquidez diária,” ou na variação do rendimento, como acontece no Tesouro IPCA.

O conto das três portas

Outra história que ilustra o conceito de risco envolve três portas que são oferecidas a um indivíduo aspirante. O indivíduo pode passar por elas apenas uma vez, e as condições são:

  • Na porta #1, há uma chance de 1 em 1,000,000 de ganhar um milhão de reais.
  • Na porta #2, há uma chance de 1 em 1,000,000 de morrer imediatamente.
  • Na porta #3, há uma chance de 1 em 1,000,000 de ganhar um milhão de reais, junto de outra chance independente de 1 em 1,000,000 de morrer imediatamente.

Analisando o risco e a recompensa, a maior parte das pessoas escolheria passar pela porta #1, enquanto que não escolheriam passar pela porta #2. Na vida real, porém, estas duas portas praticamente não existem. Nem a loteria apresenta uma chance (mínima) de ganhar sem perder nada, considerando os custos acumulados de se jogar frequentemente.

Assim, nos resta a porta #3, que é o mais próximo das opções da vida real. Tal como a história do copo d’água, aparentemente há duas formas de se ver a proposta. Porém, o investidor preparado não toma a atitude; ao invés disso, opta por ver a foto por inteiro.

Qual é o risco envolvido? Qual é a recompensa apresentada por aceitar tomar este risco? Você entende qual é a causa do risco envolvido e, mais importante, como pode reduzí-lo ou controlá-lo?

Embora poucas portas da vida real sejam tão dramáticas quanto a do exemplo, variações desta estão sempre presentes no cotidiano. Desde escolher sair de casa sem um guarda-chuva num dia nublado ou chamar uma pessoa para sair, o risco está presente lá, independente da sua consciência sobre ele. Os investimentos não são diferentes em conceito.

Risco é bom quando se entende dele.

A lição tirada do Pinguim é: Risco é bom quando se entende dele.

Para os observadores de fora da bolsa, investir é extremamente arriscado. E isso é compreensível; eles não conhecem a bolsa ou os investimentos, e só escutam falar das partes ruins que saem na mídia.

Mudando a perspectiva, poderíamos achar que andar de moto, pular de pára-quedas, mergulho com cilindro ou outros esportes radicais são arriscadíssimos, até conhecer o outro lado e realizar que os riscos associados com estes são controlados com a experiência do praticante.

Vê-se mais exemplos por aí. Estatisticamente falando, voar ainda é o jeito mais seguro de se viajar. Comer fast-food todos os dias é mais perigoso que fumar. Etc.

Cabe ao investidor se educar na área que gostaria de investir para mensurar o risco, controlá-lo e decidir se a recompensa vale o risco. Caso contrário, poderá se deparar na situação de passar por uma porta onde o risco é a sua morte e a recompensa é absolutamente nada.

Abraços!

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4 comentários sobre “Jeito Pinguim explicado #1: Risco é bom quando se entende dele

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