O dinheiro é igualmente verde para todos

Os livros da série dos Milionários de Thomas Stanley são uma leitura duplamente construtiva: não só servem como um guia prático sobre o que a riqueza realmente é, como também servem como uma inspiração importante para quem está na buscando enriquecer e alcançar a independência financeira.

Uma das partes mais inspiradoras é que Stanley explica como pessoas com origens humildes, ou até mesmo miseráveis, conseguiram eventualmente “virar o jogo” e enriquecer – e muito! – no decorrer de suas vidas. Por exemplo, Stanley descreve um HNWI dos EUA que era um motorista de ônibus escolar que aprendeu a investir por conta de querer trazer um futuro melhor para o filho. Seus retornos foram tão altos e complexos que ele não só ficou milionário, como entrou para o ranking de multi-milionário.

Muitas lições podem ser tiradas destas histórias: aporte mais e gaste menos, esteja sempre aprendendo coisas novas, persistência ganha de perfeição, etc. Mas a lição central mais comum e poderosa é outra: o dinheiro não discrimina a ninguém.

Pense naquela pessoa que enriqueceu catando lixo, pegando coisas usadas, restaurando e revendendo, mas hoje comanda uma rede de varejo nacional. Se esta pessoa tivesse parado para pensar que estava revirando lixo para se sustentar e deixasse o seu orgulho tomar conta, com certeza não estaria na posição de poder de hoje. Mas esta pessoa não julgou a fonte de renda que tinha e acreditou – e o retorno contou.

E mesmo assim, vejo que muitos, no escritório e à parte na vida, ainda discriminam o dinheiro de forma brutal.

Todos conhecemos alguém assim. Alguém que aceita trabalhar de supervisor técnico de operações de gerenciamento do departamento de organização da divisão XYZ, ganhando R$3200 ao mês, mas descarta qualquer idéia de ganhar a mesma coisa mas trabalhar a metade do tempo revendendo coisas usadas ou atacado online pois “não estudou pra fazer este tipo de coisa.”

Ou aquela que se mata de trabalhar como secretária 12 horas por dia atendendo a uma diretoria selvagem que não está nem aí para a situação dela, mas despreza os amigos que se aventuraram abrindo uma franquia, pois “é arriscado demais, e com a crise temos mais é que procurar segurança.”

E que tal aquele outro zomba do colega que tirou o Sábado para dar aulas particulares de Inglês e Matemática e tirar R$500 a mais enquanto ele mesmo passou o dia bebendo num bar encarecido e reclamando que nunca sobra dinheiro no fim do mês.

Eu não sei o que foi que o dinheiro fez pra eles, mas deve ter sido feio para eles estarem julgando o dinheiro assim, tão fortemente. Se eles apenas soubessem que o dinheiro nunca os julgaria de volta, talvez suas situações financeiras estivessem melhores.

O dinheiro não te julga, por que você o julgaria de volta?

Estritamente falando, não há ninguém mais justo e honesto que o dinheiro – ele não discrimina ninguém e serve igualmente um executivo de empresa ou um mendigo na rua. A diferença, claro, fica na maneira que cada um escolhe utilizá-lo. Isso significa também que a fonte do dinheiro também serve a todos da mesma maneira. O orgulho humano é o fator que limita o que a pessoa se dispõe e motiva para fazer.

É a visão negativa discriminando a fonte de renda que elimina muitas chances que uma pessoa pode ter de enriquecer. Quem acha que não vale a pena ou que não é do seu “calibre” trabalhar meio período, nos fins de semana ou nas horas após o expediente principal está jogando fora uma oportunidade de enriquecer sem esforço grande. Pessoas que fazem “bicos” ou trabalham informalmente são mal-vistas ou julgadas como de classe inferior, mas a verdade é o dinheiro trabalha para elas da mesma forma do que para você.

O ponto mais forte disto, talvez, é a emigração em massa de Brasileiros ao exterior para trabalhar em empregos informais e de pouca instrução, como garçons, barman, hotelaria e fábricas. Estes emigrantes são formados e instruídos, e mesmo assim optaram por “baixar os padrões” e escolherem um emprego mais modesto no exterior. Por quê?

Porque o dinheiro trazido por tais empregos é tão verde quanto os de escritório. E se ele for maior lá fora, que seja lá.

Vejamos uma conta rápida: uma pessoa que vai trabalhar no McDonald’s nos Estados Unidos recebe US$8.59 a hora trabalhada, que é o equivalente a R$35.07 na hora de publicação deste post. Trabalhando 5 horas por dia (shift comum de part time), 5 dias por semana, se tem um salário de US$855 ao mês, ou R$3521,12.

Este valor está entre os salários de um analista pleno e júnior no Brasil, para uma posição que trabalha meio período (frequentemente estas pessoas arranjam outros empregos para complementar a renda) e não necessita qualquer especialização ou experiência de trabalho. Claro que ainda há outras considerações como os gastos com residência e alimentação, mas a mensagem no fim é clara: o dinheiro ainda é tão verde, senão mais, do que os dos escritórios.

Será que vale a pena o esforço?

A grande questão aqui revolve no assunto entre esforço e valor. Você precisa calcular e decidir o quanto vale o seu esforço se aplicado em diversas alternativas de renda.

Vicki Robin já dizia desde os anos 90 que você deve saber o retorno exato da sua hora, inclusive levando em consideração as outras dependências para você realizar o seu trabalho, como tempo gasto indo e vindo do trabalho e o tempo gasto em preparação e se “descomprimindo” dele. Esta é a análise completa de onde você poderá partir para descobrir onde fica o valor na sua vida e onde você deve investir seu tempo e dinheiro, mas numa análise crua de remuneração não é necessário entrar em tantos detalhes assim. Basta você pegar o seu salário mensal e dividir pela quantidade de horas trabalhadas.

Uma vez com este número em mente, você pode começar a analisar: se eu considerar dividir o salário do escritório entre atividades menores e mais flexíveis, será que valeria a pena? Há chances que, dependendo do seu salário atual, várias atividades menores durante o dia até retornem mais.

Outra forma de se pensar é manter o seu emprego atual, mas começar a procurar preencher o tempo livre com outras atividades que possam lhe trazer lucro. Um dia típico de emprego de escritório é de 9h às 18h, então existem algumas horas de sobra na manhã e noite que você pode utilizar de forma financeiramente produtiva. Eu, por exemplo, utilizo estes tempos de sobra para investir neste blog e outros planos futuros de expansão que estou considerando, o que me remunera indiretamente, mas você poderia tomar mais um passo à frente e colocar mais a mão na massa.

Por exemplo, imagine que você vai trabalhar de carro e sua empresa está localizada próxima a uma região ativa e badalada, com shoppings e restaurantes. Se após terminar o expediente às 18:00 você optar por dirigir pelo Uber até as 20:00, irá ganhar em média R$40,00 a mais por dia sem ter que se deslocar para muito longe, e com recursos que já possui.

Este valor acumulado no mês resulta em R$800,00 (quase um salário mínimo) a mais num “emprego” onde você apenas trabalha duas horas por dia. Você poderia investir este aporte extra e aumentar o retorno ainda mais do que os R$9600 bruto que tiraria em um ano. O ponto que é importante frisar aqui é que este valor não é a base da subsistência do indivíduo, e sim uma renda extra complementando a receita principal. Então não adianta reclamar que a quantia é baixa e insuficiente como todos gostam de fazer quando vêem o argumento do salário do Uber.

E o que você iria fazer com este valor extra todo mês? Certamente a resposta mais correta é aportar.

O que importa é o aporte. Só o aporte importa.

O núcleo do argumento deste post é o aporte. Simplesmente falando, nada mais importa para a independência financeira do que a sua taxa de aporte no final do mês. Estamos falando, claro, do dinheiro que você não gasta das suas receitas e coloca em produção na forma de investimentos.

Embora os valores absolutos possam variar de pessoa a pessoa, há uma matemática fundamental que relaciona a porcentagem de aporte mensal com a chegada da independência financeira descrita por Jacob Fisker. A derivação pode ser complicada, mas a conclusão é certa: aportando-se uma quantia significativa do salário (ex: 60% ou mais) é impossível não atingir a independência financeira. O valor parece um pouco extremo? Talvez seja, mas novamente este objetivo que você procura também não é algo comum, e não deve ser tratado assim.

Assim, o aporte é a peça-chave, fundamental para conseguir “chegar lá.” Uma das técnicas que Grant Cardone explica é que, se você não consegue aumentar suas economias sobre a sua renda, aumente a sua renda para acomodar o aporte desejado. E seguindo esta lógica, você realmente iria julgar uma fonte de dinheiro extra se ela te levasse ao objetivo final mais rápido? Quem responde “sim” está jogando fora a oportunidade de enriquecer mais, pois se uma coisa é certa sobre enriquecer é que é a renda que te enriquece, não o investimento em si.

Quer enriquecer e alcançar a independência financeira rapidamente? Então memorize este mantra: O que importa é o aporte. Só o aporte importa.

Conclusão

O dinheiro é verde para todos, independente da sua origem. Este é o mindset de quem considera enriquecer de maneira inteligente, aportando e investindo a diferença e buscando sempre acumular para atingir a independência financeira na vida.

Este post foi inspirado, em parte, pelo blog da Belle que está trabalhando de Au Pair nos EUA, e me inspirou a pensar neste assunto sobre a natureza do dinheiro.


E vocês, como veem o dinheiro na vida de vocês? Consideram que o dinheiro muda de valor dependendo da fonte dele? Comentem aí.

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor

13 comentários sobre “O dinheiro é igualmente verde para todos

  1. Oi Pinguim, texto inspirador! As pessoas reclamam, porque é muito mais fácil reclamar, do que fazer algo para mudar. Enquanto reclamam do chefe, do emprego, do salário, não precisam mudar nada. E aí vem aquela velha frase do Mark Twain: “Poucas pessoas toleram a riqueza. Dos outros, eu quero dizer.”

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