FOMO: provavelmente a sigla mais destrutiva da sua vida

Você está sozinho de noite, fazendo alguma coisa produtiva que planejou anteriormente para desenvolver alguma das suas habilidades, e vê no seu celular o seu timeline: pessoas “se divertindo” de inúmeras formas que você não poderia ter imaginado. Selfies com sorrisos, língua de fora, copos e taças brilhantes com bebidas e ambientes luxuosos.

Neste momento, aquele sentimento ataca. Aquele que cria uma ansiedade e faz uma insegurança começar a borbulhar por dentro de você. Aquele que faz você se preocupar com e questionar a sua escolha para hoje à noite. Aquele que te deixa deprimido por achar que todos ao seu redor estão vivendo um momento melhor do que o seu. E, se deixado crescer descontroladamente, poderá acabar com a sua saúde mental.

Você pode conhecer este sentimento por vários nomes, mas eu me refiro a ele por FOMO, significando Fear Of Missing Out en Inglês.

Ao passo que FOMO pode ser inicialmente dispensado como uma coisa insignificante, como uma coisa de adolescentes tentando se tornar popular na escola, mas graças à onipresença das mídias sociais e propaganda nos dias atuais, tal tendência se espalhou para quase todas as nossas premissas atuais. Happy hours do trabalho, noitadas em bares e boates, e férias paradisíacas invadem nossos espaços mais frequentemente do que imaginamos. E nós mesmos, na nossa curiosidade humana, sabotamos nossa sanidade querendo saber mais, numa manobra com um pequeno toque masoquista.

O efeito “oposto” ao FOMO também existe. Não tenho um nome para ele, mas você também conhece: é aquela aversão em “perder qualquer oportunidade” que leva a pessoa a tentar estar em mais lugares e fazer a maior quantidade de coisas possíveis. Os efeitos de uma vida hedonística como esta são desastrosos: exaustão, depressão quando não conseguem honrar suas próprias expectativas e um rombo enorme no bolso.

É quase impossível achar alguém que consiga se livrar 100% do FOMO, e eu mesmo sou “vítima” dele frequentemente. Porém, com uma aplicação de racionalidade e disciplina, junto a um planejamento consciente, consegui reverter muitos dos efeitos que o FOMO costumava ter na minha vida. Neste post vou compartilhar algumas técnicas que me ajudaram neste caminho.

Os impactos financeiros do FOMO

Embora FOMO pareça um problema estritamente psicológico à primeira vista, nossas finanças podem ser impactadas indiretamente também.

FOMO torna nossas decisões concretas e racionais num mar de indecisão e insegurança. Subitamente, nossos planos, rotinas e atividades não são mais valiosas o sufiente, e precisamos seguir as “recomendações” sutis dos outros que aparecem em vários lugares nos nossos círculos sociais. E, mais cedo do que imaginamos, lá estamos do outro lado do FOMO, querendo antecipar os eventos que poderiam acontecer e não correr o risco de perder quaisquer destas coisas que insistem em aparecer em nossas timelines.

Com isso são consolidados algumas rotinas que, embora pareçam estar trazendo um grande retorno em curto prazo, não contribuem para o seu desenvolvimento ao decorrer do prazo. Este retorno se dá mais como um prazer em pertencer (ou fingir pertencer) a algum círculo social que massageia o ego. Tais rotinas, porém, sempre vem com uma etiqueta de preço que passa a pesar cada vez mais com o tempo. Se considerarmos, por exemplo, um Happy Hour toda quinta-feira onde se gasta R$60 por evento, teremos um gasto de R$45120 se repetirmos este hábito ao longo de dez anos por conta do custo de oportunidade.

Além deste custo, ainda temos outro custo indireto envolvido: perda da oportunidade de estar investindo nosso tempo numa tarefa onde não há retornos benéficos ao invés de outras atividades mais benéficas. Ao invés de gastar uma quantia significante do seu salário em noitadas, por exemplo, você poderia estar se desenvolvendo, melhorando o seu conhecimento financeiro, lendo mais ou se exercitando mais devidamente.

Como falei anteriormente, nossos hábitos também tendem a render juros compostos com o tempo; por isso temos que sempre tomar cuidado para termos escolhidos os que trazem os melhores tipos de retorno.

Lidando contra o FOMO com foco e uma dose de estoicismo

Lutar contra o FOMO essencialmente significa se tornar independente a seus efeitos. Isto é diferente de, por exemplo, tentar apaziguar as emoções e participar naquilo que parece que todos estão fazendo no momento.

Antes de qualquer coisa, temos que avaliar de uma vez por todas qual é o conceito de valor que rege nossas vidas. Sem este conceito de valor agregado e preço pago consolidado em nossa mente, nos tornamos alvo fácil para aqueles que querem nos convencer a gastar dinheiro com eles através da propaganda, direta ou indireta. Para isso, é necessário se questionar sobre alguns pontos, como:

  • Que tipo de coisas e atividades me trazem felicidade?
  • Quais companhias genuinamente me fazem feliz, e com as quais eu deveria passar mais tempo?
  • Por que eu tenho minha rotina já pré-estabelecida de uma certa forma, e qual é o valor que cada uma das atividades me traz?

Este tipo de análise é parecida com a promovida por Vicki Robin em seu livro Your Money or Your Life. Nele, Robin recomenda que todos os gastos anotados do seu orçamento sejam analisados sob a luz de quanto de valor e realização eles vieram a trazer. Ao aplicar esta mentalidade para a sua rotina também, podemos enxergar qual valor e qualidade alguns de seus FOMOs estão trazendo, e assim basear a decisão racionalmente.

Reduzir tais tarefas supérfluas é o primeiro passo para você conseguir retomar seu foco naquilo que lhe agrega valor. Uma vida focada e com atividades conscientes será muito mais capaz de manter as escolhas e diminuir a ansiedade das situações alheias vistas em redes sociais.

Outra forma de se livrar do FOMO é racionalizar as escolhas com o bom e velho estoicismo. Especificamente, você pode usar uma combinação entre a visualização negativa e as esferas de controle para analisar o impacto da sua escolha.

Ao ter escolhido, por exemplo, por fazer um curso online gratuito em casa do que is à uma festa que parece mais interessante, percebemos que não se encontra na nossa esfera de controle poder voltar no tempo e escolher ter ido à tal festa. Portanto, você não deve se preocupar com esta possibilidade fictícia. A sua única habilidade presente em sua esfera de controle no momento é prosseguir com o seu afazer, e nisso sim você deve concentrar seus esforços.

Além disso, você deve se considerar sortudo que teve a oportunidade de fazer esta escolha. Ter o tempo para fazer um curso online é um luxo dependendo da pessoa envolvida, e nem todos conseguem ser convidados para eventos tão legais como grandes festas. Sua visualização negativa vira o jogo contra a ansiedade aqui.

A conclusão é: você sempre estará “perdendo alguma coisa” em algum momento da sua vida. Você sempre perdeu e continuará perdendo. Porém, se passar a se preocupar com a consequência da escolha, você irá perder duas vezes porque estará se preocupando à toa. Portanto, não importa a escolha que você faça, a sua escolha sempre terá sido melhor que a alternativa porque você foi a escolha que você viveu.


Você lida com o FOMO com muita frequência na sua vida? Onde ele é mais forte e mais controlável na sua rotina? E como você faz para se lidar com e se livrar do FOMO na sua vida? Escreva nos comentários.

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor

3 comentários sobre “FOMO: provavelmente a sigla mais destrutiva da sua vida

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