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Podcast do Pinguim: Nomadismo pós-FIRE – seria esta a solução perfeita pro aposentado precoce?

A jornada FIRE pode ser vista como uma grande viagem em direção a um objetivo de vida bem-definido, acompanhado de uma história completa com início, meio e fim. Ao passo que para muitos o início já foi escrito e o meio é aquilo que estão vivendo ou enfrentando atualmente, geralmente pouco se sabe do fim que a história terá e muito menos de outra parte importante: o epílogo do livro.

A aposentadoria precoce pós-FIRE é certamente uma recompensa merecida, mas poucos pensam sobre como passarão esta fase significante de suas vidas uma vez que obtida. E bota significante nisso: se todos almejarem a cobiçada aposentadoria aos 30 ou 40 anos de idade, sobrariam facilmente outros 40 ou 50 anos de aposentadoria pela frente. Que bom que existe aquela regrinha que garante a sua tranquilidade – não é?

Como parte do controle de riscos, muitos blogueiros FIRE dos Estados Unidos e da Europa propõem uma solução que, segundo eles, mata dois coelhos com uma cajadada só: livrar-se de toda a posessão material e passar a aposentadoria viajando o mundo. Segundo eles, não só o custo de vida em passar temporadas em diversos países menos desenvolviedos é menor do que moradia fixa em seu país natal, mas também garante que você sempre irá se divertir e conhecer coisas novas para sempre. Mas será que essa realidade FIRE do primeiro mundo pode vir a se aplicar para o FIRE brasileiro?

Eu particularmente discordo deste “nomadismo perene” como uma bala de prata tanto para o FIRE ou a procura da felicidade. Veja neste episódio mais por quê.

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Aposentadoria móvel e flexibilidade – ainda podemos confiar na regra dos 4%?

A maior fraqueza dos adeptos à filosofia FIRE (acrônimo para independência financeira, aposentadoria precoce em inglês) é a mesma coisa que os torna poderosos em primeiro lugar: os seus investimentos. Quando seguimos a filosofia à risca, buscamos acumular patrimônio investido para obter renda passiva o suficiente para cobrir todos os nossos gastos de vida – numa condição conhecida como Independência Financeira. Um conceito simples, mas que revolve em torno de uma questão de ouro: quanto, exatamente, é necessário para isso acontecer?

Como praxe, utiliza-se uma famosa guia conhecida como regra dos 4%, descoberta inicialmente pelo americano William P. Bengen em 1996. O estudo de Bengen e o Trinity Institute concluiu que, historicamente falando, recém-aposentados poderiam sacar anualmente até 4% das suas carteiras de investimento sem ficar sem dinheiro durante o resto da vida. Este número ficou tão famoso que nomeou a regra, e ficou conhecida como taxa segura de retirada (TSR).

Por trás da brilhante simplicidade desta fórmula, porém, existem vários pressupostos ocultos que, embora comuns no ambiente estudado por Bengen, podem ser longe da realidade de um FIRE brasileiro. E quando sua estratégia inteira de aposentadoria se baseia nesta única fórmula, um erro de cálculo pode se tornar um desastre no longo prazo.

Durante o começo da crise do coronavírus em 2020, muitos corretamente se questionaram sobre a validade da regra dos 4% num ambiente econômico mais volátil e menos maduro como o Brasil, culminando com o post da Yuka do Viver Sem Pressa onde ela disserta sobre a necessidade da flexibilidade numa vida pós-FIRE no Brasil. E em meio a tudo isso, com a bolsa novamente se recuperando, a velha pergunta permanece: ainda podemos confiar na regra dos 4%, afinal?

A realidade é que, embora sua aplicabilidade seja duvidosa num cenário de países em desenvolvimento, ainda podemos utilizá-la como um guia para o nosso macroplanejamento financeiro. Veja neste post como.

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