Eu tenho tempo demais, e você também. E isso é um problema.

Se me pedissem para sumarizar a vida moderna numa única palavra, esta seria “agora.” Tudo precisa ser instantâneo, para agora, e qualquer distanciamento deste conceito se torna sinônimo de falta de qualidade. Agilidade não é mais um extra, e sim parte crucial do caráter vencedor da pessoa. Comunicações são instantâneas, carregando texto, voz e imagens a longuíssimas distâncias sem atraso. Meios e sistemas de transporte estão no pico da velocidade utilizável, e com capacidade expandindo cada vez mais. Para todos os propósitos, a vida se tornou extremamente eficiente em economizar tempo. E como consequência, todos nós recebemos quantidades enormes de tempo livre disponível.

Peraí, peraí… Pinguim, você está maluco? Ninguém tem tempo hoje em dia. E você acha mesmo que todo mundo GANHOU tempo? Sim, exatamente! É isso mesmo que estou falando. Afinal, ninguém consegue se enxergar vivendo num mundo pré-internet hoje, sem a facilidade de acesso à informação e comunicações rápidas, não é mesmo? Então sim, a sociedade ganhou tempo, quantidades de horas inpensáveis há algumas décadas. Mas mesmo assim, uma reclamação frequente hoje em dia é justamente o oposto; ninguém parece ter mais tempo para nada.

Esta relação é inicialmente um paradoxo, mas se torna clara quando começamos a analisá-la, e percebemos que ao resolver um problema antigo (falta de tempo), por consequência criamos um outro, a abundância de tempo. Sim, eu e você ambos temos tempo demais. E este é o novo problema, o novo cigarro do século 21.

Como a abundância de tempo pode ser um problema atualmente?

Continuar lendo “Eu tenho tempo demais, e você também. E isso é um problema.”

A importância de estar consciente

Em 2016 arranjei um ingresso para assistir uma competição de Taekwondo no Parque Olímpico do Rio de Janeiro. Era uma das mais acessíveis, já que não é tão popular. Chegando lá, ao entrar no estádio, fui comprar uma água para tomar, e vi uma cena que nunca mais me esqueci.

As bebidas estavam sendo vendidas nas barraquinhas em copos plásticos decorados à moda do Rio 2016, e eram recebidas com a compra de uma bebida alcóolica, como cerveja, para não se ter o problema de latas e garrafas de vidro sendo jogadas ao redor dos estádios. Com isso, recebia-se um copo por cerveja comprada. Um indivíduo na fila havia acabado de comprar mais uma cerveja quando percebi que ele passou do meu lado carregando uma pequena “torre” de nada menos que uns vinte e quatro copos, montados um dentro do outro. Sim, esta pessoa deveria ter bebido no mínimo umas vinte e poucas cervejas durante o seu dia no Parque Olímpico, e ainda voltava para pegar mais.

Meu pensamento na hora foi: esse cara pensa que está num churrasco na casa dele? Pra quê beber tanto ao invés de aproveitar esse momento único da vida, quando os Jogos Olímpicos estão na sua cidade, acessíveis pra você pela primeira vez? Uma pessoa que bebeu tanto assim não pode ter tido memórias sóbrias e sólidas de como foi a experiência Olímpica no Brasil; deve ter sido nada mais do que apenas mais um outro dia ocioso onde se bebeu a tarde toda.

Como já mencionei antes, embora eu não beba mais, não tenho problemas com a bebida, ou quem bebe. Mas esta história revela uma coisa importantíssima que aprendi no decorrer do meu aprendizado financeiro e pessoal: independente do que você faz no seu dia, deve ter sempre a consciência das suas ações, tanto sobre o quê está fazendo quanto no que tal ato acarretará como consequência.

Esta consciência é fundamentalmente diferente daquela “força do hábito” onde sua mente entra em piloto automático e você não questiona se está fazendo da maneira certa ou melhor. Muito pelo contrário: esta é a consciência onde você consegue abstrair da ação, averiguar a situação, se conscientizar de como esta ação afeta você ou seu ambiente e como você pode mudar ou melhorá-la.

A falta desta consciência possui consequências graves, e pode levar a formação de hábitos nocivos às suas finanças e vida pessoal. Se você já sofreu algum dia de procrastinação, por exemplo, é provável que a causa esteja relacionada à não-consciência de algum hábito seu.

Como funciona este fator crucial de estar consciente, e como ele contribui para o seu crescimento? Vejamos a seguir.

Continuar lendo “A importância de estar consciente”

Ganbare – até quando vale a pena?

Quando as pessoas no Japão querem motivar uns aos outros, geralmente desejam uma palavra chamada Ganbare. Este termo é frequentemente traduzido como “boa sorte,” e utilizado antes de acontecimentos como competições, apresentações e outros eventos envolvendo sorte. Porém, seu significado literal é mais próximo de “esforce-se,” dos Kanjis 頑張れ.

Esta discrepância se dá do fato de muitas pessoas confundirem a tradução, e ao fato de que os Japoneses são, de fato, uma das sociedades mais esforçadas quando se trata de algum objetio de bem comum. Isso se reflete bem no mundo corporativo, onde o Japão é um dos países com maior número de horas extras trabalhadas no mundo. Certamente, esta posição vem com um preço: o trabalho excessivo constante traz várias ocorrências do chamado karoushi, literalmente “morte por sobretrabalho”.

Os países do terceiro mundo olham para o Japão e outros países desenvolvidos como metas para o futuro, assim como nós olhamos para as pessoas bem-sucedidas como objetivos de vida. Queremos alcançar, com a IF por exemplo, um patamar de riqueza que nos permita viver com liberdade, mesmo que isto acarrete em alguns sacrifícios nos dias atuais. Porém, ao olhar para tantas fatalidades e sacrifício, não podemos deixar de nos perguntar: até quando vale a pena tal sacrifício?

O culto ao trabalho, por exemplo, custa ao Japão o desenvolvimento da sociedade como um todo por conta da repressão constante. O que, então, uma devoção demasiada para o trabalho poderia estar te custando?

Continuar lendo “Ganbare – até quando vale a pena?”

O que você tem feito pra proteger o seu tempo?

Quanto vale o seu tempo?

Não, não estou falando do seu salário atual dividido por horas trabalhadas, embora esse conceito também é interessante. Estou falando do seu tempo, o tempo sob a sua percepção. E também o seu tempo pessoal, free time, o tempo que você controla. Muitos de nós nos preocupamos com a utilização do nosso tempo no trabalho, otimizando as nossas tarefas no escritório para conseguir fazer cada vez mais coisas em menos tempo, mas quando o “dever” não nos chama, ficamos meio que à deriva, sem planejar.

Desde que comecei a me interessar na Independência Financeira e o movimento FIRE, passei a me interessar muito sobre a eficiência como um objetivo de vida, e como posso usar o meu tempo, dentro ou fora do trabalho, da melhor forma possível. Desde que me interessei no assunto, percebi que de nada adiantaria ter quantidades imensas de tempo livre em casa se este é jogado fora através de TV ou surfar aleatoriamente nas redes sociais. É necessário se policiar quanto ao uso do tempo mesmo que fora do trabalho, pois ele é o seu ativo mais importante na vida.

Este conceito começou a ficar cada vez mais claro para mim, mas como um conhecimento subentendido, algo como um hábito no background. Eventualmente, assisti um vídeo do Jeff Rose, um YouTuber que referenciei anteriormente, onde ele dá um nome diferente ao mesmo conceito: proteger o seu tempo. E, simples assim, comecei a me conscientizar ativamente quanto ao uso do meu tempo livre, a fim de protegê-lo e me tornar cada vez mais eficiente.

Aqui estão alguns hábitos que uso pra proteger meu próprio tempo.

Continuar lendo “O que você tem feito pra proteger o seu tempo?”