Dependências cumulativas irão te levar à desgraça

No fim de semana passado, fui a um shopping perto de casa e tive uma visão assustadora.

Ao passar do lado da entrada do estacionamento, me deparei com uma fila enorme do lado de fora contornando o quarteirão composta apenas por carros que queriam entrar para ainda estacionar dentro dele. Embora esta pode ser um acontecimento comum, ou até mesmo uma ótima notícia para o administrador do shopping ou quem investe nele, o que me assustou foi a realização de quanto essas pessoas se tornaram dependentes dos seus carros.

Essas pessoas cobriram a real necessidade de ir ao shopping com esta dependência, tendo, assim, que ter um carro em primeiro lugar, gastar gasolina para levá-lo até o shopping, morgar na fila imensa fora do shopping, procurar vagas dentro dele, pagar o estacionamento caríssimo, arriscar ter que pagar valet se as vagas comuns acabarem para depois, sim, conseguirem entrar e fazer o que precisam no estabelecimento.

Você vê alguma coisa errada aqui? Muitas? Eu vejo, essencialmente, apenas uma: dependência cumulativa. O carro, uma vez tido como um bem supérfluo hoje foi condicionado à ser uma dependência da qual o cidadão não consegue mais viver sem na vida moderna.

Infelizmente, o carro é apenas uma das muitas outras dependências que a sociedade cultiva atualmente por conta da influência da tecnologia. Porém ao passo que podemos ver claramente os benefícios trazidos por tais tecnologias, as consequências não-intendidas que se acumulam são muitas vezes desastrosas. No caso dos carros, temos experiência disso primeira mão: congestionamentos diários dominam nossa jornada ao trabalho, e a escassez de vagas infla os preços dos estacionamentos nas cidades.

No âmbito pessoal, também temos dependências cumulativas oriundas de fatores externos e internos. Ao analisarmos nossa rotina diária, podemos ver várias destas impregnando silenciosamente nossas vidas: a máquina de espresso cara de cápsula exclusiva que sobrepõe o café barato de filtro, ler as notícias num tablet que toma o lugar de apreciar o café da manhã de maneira própria, etc.

Se continuada sem limitações, nos tornamos escravos de tais dependências e perdemos nossa adaptabilidade, sem contar no desastre que acontece em nossas finanças. Como podemos então evitar que as dependências cumulativas tomem conta de nossas vidas?

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