Confisco da Poupança? Só botando a mão no vespeiro

Em épocas de crises financeiras que prosseguem as bolhas, é comum um grande ar de pessimismo que beira um tom apocalíptico, onde muitos acreditam que a economia não irá se recuperar e será o fim do mundo como o conhecemos. Mas embora muitos vejam a bolsa caindo e as ações se desvalorizando como um mero efeito colateral sem muito impacto para eles em si (principalmente por conta deles não investirem), o verdadeiro pânico se inicia quando é mencionado um velho “fantasma” da economia brasileira: o confisco da poupança.

Leitores mais velhos podem até ter seus calafrios sobre o início do Plano Collor em 16 de março de 1990, quando a poupança foi congelada da noite para o dia numa tentativa nada delicada de conter a grande inflação monetária do país. E enquanto a eficiência desta abordagem com uma delicadeza de elefante é debatível, o trauma na população foi definitivo: até hoje, quando existem sombras de crise, as pessoas entram em pânico com a mera possibilidade disso acontecer novamente. Felizmente, porém, o cenário financeiro atual é bem diferente do anterior e algumas medidas legais e financeiras atuais tornam esta possibilidade muito mais remota.

Embora nós como investidores estejamos muito mais preocupados com o movimento da bolsa e dos nossos investimentos, um confisco ou congelamento da poupança ainda afetaria a todos. Elaborarei sobre como um cenário destes atualmente é pouco provável e como prosseguir a respeito disso neste post.

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O medo de perder te impede de ganhar

Uma das lições mais importantes e duradouras que aprendi no desenvolvimento pessoal foi quanto à utilidade dos nossos erros e perdas. A vida é feita de erros, e você simplesmente não tem controle sobre isso.

Resta, então, a sua decisão entre encará-los como portas fechadas e fim do caminho, ou como oportunidades para aprender, se reinventar e tentar melhor novamente. O que é possível aprender com os seus erros? Quais são os problemas que surgem de uma vida onde o medo da dor do erro é maior que a vontade de suceder?

Veja neste vídeo como uma visão limitante dos nossos erros diários podem ser o fim da sua oportunidade para crescer.

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Lidando com os efeitos dos cisnes negros

O período da quarentena em meio ao Coronavírus continua se arrastando, e cada vez mais as previsões sobre estabilização, controle e resolução se tornam menos claras. Os otimistas dizem que tempos melhores estão para vir, os pessimistas apontam que estas eram as mesmas previsões de um ou dois meses atrás. O resto acompanha tudo à distância, grudados às suas fontes de notícias.

Hoje, não há dúvidas que a pandemia do Coronavírus é um Cisne Negro, um evento de probabilidade baixíssima mas com efeitos catastróficos tal como classificado pelo estatístico Nicholas Taleb. Ninguém poderia ter previsto no seu início em Dezembro as proporções que poderia ter atingido, e hoje as suas consequências vão se alinhando como troféis fúnebres.

Lançamentos de filmes sendo cancelados. Ultra Music Festival e outros festivais de músicas foram cancelados. A NBA nos Estados Unidos foi cancelada, assim como a Eurocopa da UEFA de 2020. E a cereja do bolo não veio muito depois: em 24 de Março, os Jogos Olímpicos de Tokyo 2020 foram atrasados para 2021.

Os efeitos deste Cisne Negro foram avassaladores – e evoluíram mais rapidamente do que poderíamos ter esperado. Foram pouquíssimos os que realmente puderam se preparar; a maioria simplesmente de repente se encontrou numa condição de quarentena forçada. Tais acontecimentos são úteis para nos lembrarem de como podemos mentalizar e nos preparar para Cisnes Negros, e se sé realmente possível se preparar.

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Bancos: ruim com eles, pior sem.

O despertar da educação financeira é um processo interessante. Primeiro vem a fase da feliz ignorância: dinheiro é um “a mais” na vida, você poupa o que consegue, e gasta a diferença em passivos e outras coisas supérfluas. Reserva de emergência é aquilo que tem em conta corrente, reze para que nunca seja necessário utlizá-la. Investimento é coisa de gente rica e sabe-se lá o que se passa por trás dos bastidores.

Em seguida, a pessoa acorda e descobre que existe mais para a vida do que ficar cegamente ganhando e torrando dinheiro. Eventualmente ela descobre que o banco na verdade não é o seu amigo ou uma entidade prestativa – muito pelo contrário, ele mais parece um vilão, o seu maior inimigo financeiro. Durante esta fase, abomina-se o banco e busca-se todas as alternativas de investimentos que não o envolve. Corretoras independentes, fintechs e o Tesouro Direto se tornam os novos campeões do recém-chegado ao mundo dos investimentos. Poupança e previdência nunca mais!

Esta a situação que a maioria dos iniciados na educação financeira se encontra. Com o passar do tempo, porém, uma coisa engraçada acontece: ao amadurecermos financeiramente e ganharmos experiência e visão de longo prazo, o banco volta a se tornar um companheiro e possível auxiliador das nossas finanças pessoais. Este ponto contraditório se torna claro quando começamos a enxergar o banco como simplesmente uma ferramenta que deve ser usada da maneira certa.

Sim, você ainda precisa usar o banco para determinadas situações, mesmo sendo indocrinado a nunca utilizá-lo como diz a maior parte da educação financeira.

Como você pode utilizar o banco como uma ferramenta para o seu próprio benefício, e como combiná-lo com as outras entidades do seu arsenal financeiro? Vejamos neste post.

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O dinheiro como uma ilusão do valor: como encarar o dinheiro para usufruir dele ao máximo?

Quando ouço frases como “Não quero investir em ações porque é arriscado,” “a bolsa está caindo, não é uma boa hora para investir,” entendo que quem fala não compreende qual é o verdadeiro valor do dinheiro.

A verdadeira percepção de risco está naquilo que você entende ou não. Frequentemente quem não entende o funcionamento do mercado, suas oscilações e ciclos é o primeiro a chamá-lo de arriscado, quando existem outras formas de investimentos com riscos muito maiores e disfarçados. Saber tratar o dinheiro como uma ilusão auxilia na hora de lidar com a psicologia de investir. E, em casos de percepção de pânico na bolsa como o cenário atual com o coronavírus em fundo, ter esta percepção correta é mais importante do que nunca.

Mencionei este conceito anteriormente num outro post, onde abordei o conceito de volatilidade vs risco, e me aprofundo mais neste vídeo.


Como você faz para lidar com o impacto psicológico de investir? Já chegou a considerar o dinheiro como uma ilusão? Escreva nos comentários!

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor


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Seguindo sem reservas: contra-exemplo do Mr Money Mustache

Quando falamos sobre educação financeira, podemos traçar uma pequena “grade” contendo todos os passos e aprendizados necessários para alguém se tornar financialmente alfabetizado e pronto para traçar sua rota até – finalmente – a independência financeira. Dependendo de onde você se encontra, financeiramente falando, alguns conceitos podem ser já bem simples, enquanto outros, novidades. Por exemplo, se você nunca se importou com dinheiro até agora, conhecer o seu dinheiro em detalhe pode ser uma grande surpresa, com muitas descobertas interessantes.

Entretanto, todas as boas práticas financeiras tendem a se converger a alguns pontos comuns, que se tornam conselhos financeiros gerais. Não acumule dívida, gaste menos o que você ganha, invista a diferença, etc. Imagine, então, a minha surpresa quando eu descobri que um dos “gurus” de finanças pessoais e mentor indireto de muitos na Finansfera – Mr Money Mustache – quebra uma das “regras” mais básicas: ele não possui reserva de emergência.

Sim, MMM afirmou em um dos seus vídeos que ele não possui uma parte do seu capital alocado numa reserva de emergência, indo contra a recomendação de segurança básica da finansfera inteira. Ele possui, como veremos, uma boa lógica por trás da sua decisão, e anos de experiência com este tipo de vida, mas ainda assim esta notícia é surpreendente, ainda mais vindo de um dos autores mais seguidos de finanças.

Como ele segue sem reservas financeiras no planejamento, e o que podemos aprender com este contra-exemplo?

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Kit de Sobrevivência Japonês e o planejamento financeiro

O Japão está localizado exatamente em cima do que é conhecido geologicamente como o Círculo de Fogo do Pacífico, e com isso possui uma incidência grande de terremotos naturalmente. Além disso, está situado num corredor de tufões, onde durante o verão as águas aquecidas do Pacífico geram vários tufões todos os anos. Em meio a tantos desastres naturais, o cotidiano e estilo de vida da população não poderiam sair completamente ilesos. A preparação e as contramedidas estão construídas dentro da infraestrutura do país, nos prédios, ruas e casas.

Esta influência também leva a população a aderir à preparação como parte da sua rotina. Uma das preparações recomendadas é que cada residência mantenha um Kit de Sobrevivência pessoal, cuja função é garantir a sobrevivência dos residentes por até 72h sem assitência caso algum desastre os force a abandonar a casa. Este kit de sobrevivência é parte da cultura local, e há vários guias online com instruções de como você pode construí-lo, com quantidade variável de recursos.

Não posso deixar de enxergar a semelhança entre este kit de sobrevivência com a tradicional reserva de emergência recomendada de praxe na educação financeira. Ambas são necessárias para situações inesperadas, imprevisíveis, e existe mais de uma forma de criá-las dependendo da sua situação pessoal, e nem sempre é todo mundo que se prepara corretamente quando a tragédia bate. No ano de 2019 apenas, dois tufões (Faxai e Hagibis) causaram grandes danos em Tokyo em um espaço de tempo relativamente curto, uma ocorrência incomum na região, e que mostrou que a emergência nem sempre é uma probabilidade remota.

O que podemos aprender com o kit de emergência japonês, e como isso aplica à nossa própria preparação financeira?

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Educação Financeira #5 – o Dinheiro e a ilusão do valor

“Eu não invisto na bolsa porque não quero perder dinheiro quando o mercado cair.”

No caminho da educação financeira, muitos mitos são destruídos e novos conceitos aprendidos. Alguns são simples e fáceis de serem absorvidos, mas outros são contra-intuitivos ao conhecimento financeiro e levam mais tempo para serem realmente compreendidos. Crenças financeiras, por exemplo as que “o dinheiro é a raíz de todos os males,” ou que “o dinheiro corrompe as pessoas,” são parte de nossa educação desde pequenos e levam tempo para serem desfeitas. Igualmente, compreender que o ato de investir para independência financeira não tem um prazo estipulado também não é rapidamente aceitável em nossa sociedade imediatista.

Um conceito que inicialmente foi difícil de compreender, mas a cada dia que passa se torna mais verdadeiro é o seguinte: o dinheiro é mais ilusão do que real. Li sobre este conceito pela primeira vez no livro Pai Rico, Pai Pobre do Robert Kiyosaki, onde ele menciona que uma das diferenças entre os ricos e os pobres é que Os ricos sabem que o dinheiro é uma ilusão.

No livro, Kiyosaki usa como exemplo deste conceito o fato que ele conseguiu comprar e vender um imóvel por um grande lucro usando apenas um empréstimo bancário e seus contatos de negócios, nunca vendo o dinheiro em si durante a transação, mas eu acredito que o conceito é vai além disso. Enxergar o dinheiro não como dinheiro em si, mas como uma forma de obter liberdade, por exemplo, é uma forma poderosíssima de treinar a sua mente para enriquecer e obter segurança e independência financeira.

Além disso, nossa percepção de risco, valor e utilidade do dinheiro é um diferencial enorme na hora de saber utilizá-lo ou se preparar contra as oscilações da bolsa e outras coisas situações adversas na sua vida.

Como ver o dinheiro como uma ilusão pode te ajudar a investir melhor?

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FIRE no futuro: como acertar um alvo móvel?

A matemática por trás da Independência Financeira é simples, e não requer conhecimento matemático avançado: pegue o valor do seu custo de vida total mensal, adicione uma margem de segurança, e multiplique o resultado por 300. O número que você obter é o valor do seu patrimônio mínimo necessário para obter renda passiva suficiente para cobrir seus custos sem que o patrimônio principal se derreta e com o menor risco disponível.

Simples e direta, esta fórmula é importante e prática na hora de se planejar e estabelecer metas, e eu a utilizo com frequência ao introduzir finanças pessoais para os outros, ou conversar sobre ela com a minha família. Porém, enquanto esta fórmula é manjada por todos no âmbito das finanças pessoais, há um detalhe importantíssimo que esta simples fórmula omite, até porque é fora do seu escopo prevê-la: a inflação.

Esta queridinha é importante análise do FIRE porque coloca dois fatores em campo que muitos se esquecem na ansiedade de decidir em que ponto parar: o tempo e o poder de compra do seu dinheiro. Ambos são indesejáveis, mas são necessários para fazer uma análise de risco completa – sem eles, todo o seu planejamento e execução podem ser penalizados gravemente no futuro quando você descobrir que seu dinheiro planejado tão cuidadosamente lá atrás não consegue suprir suas necessidades ou vontades.

Como você deve considerar a inflação na hora de estabelecer suas metas do FIRE? Incluindo-a como um alvo móvel no alcance da independência financeira.

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Ma looking at horizon - Freedom by Almos Bechtold on Unsplash

Quão importante é ganhar dinheiro pra você?

No fim de 2008, em meio à crise imobiliária dos EUA, Elon Musk tinha uma escolha difícil a fazer: sofrer para ganhar mais dinheiro no futuro, ou viver confortavelmente agora como mais um novo milionário Americano? Ele escolheu o dinheiro, e quase cometeu suicídio financeiro pessoal ao fazer isso.

Musk alocou o seu patrimônio completo de 180 milhões de dólares, sua maioria vindo da sua venda do PayPal, para suas novas empresas, distribuindo 5% para SolarCities e 55% para a sua já existente SpaceX, e o restante todo para a Tesla. No fim da jogada, estava tão quebrado que não possuia dinheiro nem para pagar seu próprio aluguel e teve que pedir emprestado para amigos.

A escolha de Musk foi algo que dificilmente vemos na sociedade. Poucos teriam tanta coragem para fazer um investimento de tamanho risco tão bruscamente, especialmente em áreas que ainda são tão novas e pouco conhecidas do mercado. Ainda assim, não há dúvida que a jogada foi um sucesso: no início de 2019, Musk possuía um patrimônio de 21 bilhões de dólares.

Falar de coragem e visão nesta história é comum. Porém, um lado pouco explorado desta história é a motivação de Musk: a vontade de ganhar dinheiro. No caso dele, era tão forte que ele escolheu ganhar dinheiro ao invés de ter seguramente um lugar para morar. Por que?

Porque ele sabia que ganhar dinheiro é mais importante do que ter uma casa.

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