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Podcast do Pinguim: velejar e a reserva de emergência

Existem coisas que são chamadas de pré-requisitos dentro de alguns processos, e têm este nome por uma boa causa: os processos inteiros podem falhar quando elas não são cumpridas.

Apagar a luz antes de trocar a lâmpada, desligar o motor antes de abrir o capô, ejetar um disco do computador antes de formatá-lo, verificar se o elevador realmente chegou antes de embarcar, checar o pára-quedas antes de saltar… estes são apenas alguns exemplos de tais pré-requisitos simples que poderiam resultar em desastres caso não cumpridos.

E nas finanças não é diferente: temos pré-requisitos ao processo de investir que precisam ser cumpridos e controlados para não causar desastre nas futuras finanças. Quitar dívidas e ter reserva de emergência são alguns deles. Neste episódio, apresento uma anedota que um amigo de infância me contou sobre suas experiências velejando, e como suas lições se aplicam ao processo de investir.

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A renda fixa está morta? É facil? Não tem risco?

Quando começamos a investir, sem dúvida consideramos a renda fixa como um bom ponto de partida. É frequentemente advertida como segura, simples e fácil para o investidor iniciante entender e aplicar. Ativos de renda variável, como ações e fundos imobiliários, são entendidos como mais complicados e mais arriscados por conta da variação imprevisível do preço dos ativos.

Embora esta visão oferece uma explicação simplista e fácil de ser seguida, algumas pessoas recebem o entendimento errôneo que a renda fixa, por não possuir esta variação de mercado, acaba sendo sinônimo de ausente de riscos. Esta concepção ingênua é oriunda principalmente por conta da falta (percebida) de variação na rentabilidade, e é perigosa para o investidor que assim associa sua percepção de risco.

A verdade é que não existe investimento livre de risco, e aqueles que assim se ofertam ou estão mascarando o risco principal por trás de alguma outra coisa. Um instrumento financeiro sem risco poderia ser colocar o dinheiro debaixo do colchão, mas mesmo neste caso há o risco do dinheiro ser fisicamente destruído por algum motivo – até mesmo corroído com o tempo.

Neste post, explico quais são os riscos que existem na renda fixa, e – ao contrário da maioria esmagadora na finansfera – indico como você poderia incluí-la na sua carteira total.

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Qual é o melhor investimento que você pode fazer hoje?

Estou começando agora, qual é o melhor investimento que posso fazer?
Tenho X anos. Qual é o melhor produto que posso investir?
Qual é o melhor investimento para XYZ?

Perguntas como estas frequentemente aparecem nos fóruns de iniciantes nos investimentos e são sintomas de que a verdadeira natureza dos investimentos não é compreendida. Não culpo as pessoas que as fazem; quando iniciei na minha própria educação financeira também queria saber quais eram os investimentos mágicos que me trariam riqueza da forma mais eficiente possível. O que estas perguntas transparecem, porém, é uma incompreensão sobre como cada classe de investimento consegue ajudar cada um em seu estágio de desenvolvimento financeiro.

Como uma metáfora, um copo d’água pode ter valores e utilidades diferentes dependendo para quem ele é oferecido. Uma pessoa num bar bebendo com os amigos pode zombá-lo e rejeitá-lo como inútil num ambiente onde há tantas outras bebidas mais saborosas e interessantes para serem consumidas. Para uma pessoa naufragada ou perdida num deserto há alguns dias, porém, este mesmo copo d’água se torna extremamente atraente e útil. Na sua vida financeira, a mesma coisa acontece, e diferentes classes de investimentos lhe servirão benefícios variados dependendo da sua situação e evolução financeira.

Como consequência, existem coisas diferentes que podemos considerar como investimentos, com retornos diretos e indiretos variados sobre o seu tempo e dinheiro investidos. Vamos explorar mais sobre como cada um deles se encaixa melhor em cada estágio da sua evolução financeira neste post.

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Lidando com os efeitos dos cisnes negros

O período da quarentena em meio ao Coronavírus continua se arrastando, e cada vez mais as previsões sobre estabilização, controle e resolução se tornam menos claras. Os otimistas dizem que tempos melhores estão para vir, os pessimistas apontam que estas eram as mesmas previsões de um ou dois meses atrás. O resto acompanha tudo à distância, grudados às suas fontes de notícias.

Hoje, não há dúvidas que a pandemia do Coronavírus é um Cisne Negro, um evento de probabilidade baixíssima mas com efeitos catastróficos tal como classificado pelo estatístico Nicholas Taleb. Ninguém poderia ter previsto no seu início em Dezembro as proporções que poderia ter atingido, e hoje as suas consequências vão se alinhando como troféis fúnebres.

Lançamentos de filmes sendo cancelados. Ultra Music Festival e outros festivais de músicas foram cancelados. A NBA nos Estados Unidos foi cancelada, assim como a Eurocopa da UEFA de 2020. E a cereja do bolo não veio muito depois: em 24 de Março, os Jogos Olímpicos de Tokyo 2020 foram atrasados para 2021.

Os efeitos deste Cisne Negro foram avassaladores – e evoluíram mais rapidamente do que poderíamos ter esperado. Foram pouquíssimos os que realmente puderam se preparar; a maioria simplesmente de repente se encontrou numa condição de quarentena forçada. Tais acontecimentos são úteis para nos lembrarem de como podemos mentalizar e nos preparar para Cisnes Negros, e se sé realmente possível se preparar.

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Hedging: as vezes, a melhor defesa é o ataque

Em tempos de crise como o atual, fala-se muito sobre o conceito de Hedging nas carteiras dos grandes fundos de investimento, e como é possível fazer que as perdas das quedas da bolsa sejan limitadas aplicando certas técnicas. Estas provam que por conta de fatores históricos e correlações estatísticas, certos investimentos conseguem subir ou se manter embora a queda generalizada da bolsa.

As notícias também citam que os grandes investidores como Ray Dalio estão com suas carteiras protegidas através de investimentos em ouro – mas só se menciona este fato durante os tempos de crise, e nunca durante os tempos de bonança.

E assim, muitos pequenos investidores e iniciantes se questionam, lamentando a “perda de oportunidade” para ter preparado seus portfólios. Eles querem tentar se planejar definitivamente, procurando novamente quais são os melhores hedges que dariam um boost em seus investimentos.

Ao passo que técnicas de hedging são importantes para gestão de grandes fundos de investimentos, eu acredito que o investidor individual iniciante estará se precipitando em tentar incluir tais instrumentos numa carteira relativamente pequena, e cujo objetivo principal é o crescimento. Hedging, como instrumento de defesa de uma carteira, é importante para o investidor individual durante tempos que requerem mais estabilidade e confiabilidade em carteiras maduras, como para aqueles que precisam viver dos seus proventos.

Falarei mais sobre a minha opinião sobre Hedging, e porque acredito não ser tão importante para o investidor iniciante neste post.

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Bancos: ruim com eles, pior sem.

O despertar da educação financeira é um processo interessante. Primeiro vem a fase da feliz ignorância: dinheiro é um “a mais” na vida, você poupa o que consegue, e gasta a diferença em passivos e outras coisas supérfluas. Reserva de emergência é aquilo que tem em conta corrente, reze para que nunca seja necessário utlizá-la. Investimento é coisa de gente rica e sabe-se lá o que se passa por trás dos bastidores.

Em seguida, a pessoa acorda e descobre que existe mais para a vida do que ficar cegamente ganhando e torrando dinheiro. Eventualmente ela descobre que o banco na verdade não é o seu amigo ou uma entidade prestativa – muito pelo contrário, ele mais parece um vilão, o seu maior inimigo financeiro. Durante esta fase, abomina-se o banco e busca-se todas as alternativas de investimentos que não o envolve. Corretoras independentes, fintechs e o Tesouro Direto se tornam os novos campeões do recém-chegado ao mundo dos investimentos. Poupança e previdência nunca mais!

Esta a situação que a maioria dos iniciados na educação financeira se encontra. Com o passar do tempo, porém, uma coisa engraçada acontece: ao amadurecermos financeiramente e ganharmos experiência e visão de longo prazo, o banco volta a se tornar um companheiro e possível auxiliador das nossas finanças pessoais. Este ponto contraditório se torna claro quando começamos a enxergar o banco como simplesmente uma ferramenta que deve ser usada da maneira certa.

Sim, você ainda precisa usar o banco para determinadas situações, mesmo sendo indocrinado a nunca utilizá-lo como diz a maior parte da educação financeira.

Como você pode utilizar o banco como uma ferramenta para o seu próprio benefício, e como combiná-lo com as outras entidades do seu arsenal financeiro? Vejamos neste post.

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Seguindo sem reservas: contra-exemplo do Mr Money Mustache

Quando falamos sobre educação financeira, podemos traçar uma pequena “grade” contendo todos os passos e aprendizados necessários para alguém se tornar financialmente alfabetizado e pronto para traçar sua rota até – finalmente – a independência financeira. Dependendo de onde você se encontra, financeiramente falando, alguns conceitos podem ser já bem simples, enquanto outros, novidades. Por exemplo, se você nunca se importou com dinheiro até agora, conhecer o seu dinheiro em detalhe pode ser uma grande surpresa, com muitas descobertas interessantes.

Entretanto, todas as boas práticas financeiras tendem a se converger a alguns pontos comuns, que se tornam conselhos financeiros gerais. Não acumule dívida, gaste menos o que você ganha, invista a diferença, etc. Imagine, então, a minha surpresa quando eu descobri que um dos “gurus” de finanças pessoais e mentor indireto de muitos na Finansfera – Mr Money Mustache – quebra uma das “regras” mais básicas: ele não possui reserva de emergência.

Sim, MMM afirmou em um dos seus vídeos que ele não possui uma parte do seu capital alocado numa reserva de emergência, indo contra a recomendação de segurança básica da finansfera inteira. Ele possui, como veremos, uma boa lógica por trás da sua decisão, e anos de experiência com este tipo de vida, mas ainda assim esta notícia é surpreendente, ainda mais vindo de um dos autores mais seguidos de finanças.

Como ele segue sem reservas financeiras no planejamento, e o que podemos aprender com este contra-exemplo?

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Kit de Sobrevivência Japonês e o planejamento financeiro

O Japão está localizado exatamente em cima do que é conhecido geologicamente como o Círculo de Fogo do Pacífico, e com isso possui uma incidência grande de terremotos naturalmente. Além disso, está situado num corredor de tufões, onde durante o verão as águas aquecidas do Pacífico geram vários tufões todos os anos. Em meio a tantos desastres naturais, o cotidiano e estilo de vida da população não poderiam sair completamente ilesos. A preparação e as contramedidas estão construídas dentro da infraestrutura do país, nos prédios, ruas e casas.

Esta influência também leva a população a aderir à preparação como parte da sua rotina. Uma das preparações recomendadas é que cada residência mantenha um Kit de Sobrevivência pessoal, cuja função é garantir a sobrevivência dos residentes por até 72h sem assitência caso algum desastre os force a abandonar a casa. Este kit de sobrevivência é parte da cultura local, e há vários guias online com instruções de como você pode construí-lo, com quantidade variável de recursos.

Não posso deixar de enxergar a semelhança entre este kit de sobrevivência com a tradicional reserva de emergência recomendada de praxe na educação financeira. Ambas são necessárias para situações inesperadas, imprevisíveis, e existe mais de uma forma de criá-las dependendo da sua situação pessoal, e nem sempre é todo mundo que se prepara corretamente quando a tragédia bate. No ano de 2019 apenas, dois tufões (Faxai e Hagibis) causaram grandes danos em Tokyo em um espaço de tempo relativamente curto, uma ocorrência incomum na região, e que mostrou que a emergência nem sempre é uma probabilidade remota.

O que podemos aprender com o kit de emergência japonês, e como isso aplica à nossa própria preparação financeira?

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