Bancos: ruim com eles, pior sem.

O despertar da educação financeira é um processo interessante. Primeiro vem a fase da feliz ignorância: dinheiro é um “a mais” na vida, você poupa o que consegue, e gasta a diferença em passivos e outras coisas supérfluas. Reserva de emergência é aquilo que tem em conta corrente, reze para que nunca seja necessário utlizá-la. Investimento é coisa de gente rica e sabe-se lá o que se passa por trás dos bastidores.

Em seguida, a pessoa acorda e descobre que existe mais para a vida do que ficar cegamente ganhando e torrando dinheiro. Eventualmente ela descobre que o banco na verdade não é o seu amigo ou uma entidade prestativa – muito pelo contrário, ele mais parece um vilão, o seu maior inimigo financeiro. Durante esta fase, abomina-se o banco e busca-se todas as alternativas de investimentos que não o envolve. Corretoras independentes, fintechs e o Tesouro Direto se tornam os novos campeões do recém-chegado ao mundo dos investimentos. Poupança e previdência nunca mais!

Esta a situação que a maioria dos iniciados na educação financeira se encontra. Com o passar do tempo, porém, uma coisa engraçada acontece: ao amadurecermos financeiramente e ganharmos experiência e visão de longo prazo, o banco volta a se tornar um companheiro e possível auxiliador das nossas finanças pessoais. Este ponto contraditório se torna claro quando começamos a enxergar o banco como simplesmente uma ferramenta que deve ser usada da maneira certa.

Sim, você ainda precisa usar o banco para determinadas situações, mesmo sendo indocrinado a nunca utilizá-lo como diz a maior parte da educação financeira.

Como você pode utilizar o banco como uma ferramenta para o seu próprio benefício, e como combiná-lo com as outras entidades do seu arsenal financeiro? Vejamos neste post.

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Seguindo sem reservas: contra-exemplo do Mr Money Mustache

Quando falamos sobre educação financeira, podemos traçar uma pequena “grade” contendo todos os passos e aprendizados necessários para alguém se tornar financialmente alfabetizado e pronto para traçar sua rota até – finalmente – a independência financeira. Dependendo de onde você se encontra, financeiramente falando, alguns conceitos podem ser já bem simples, enquanto outros, novidades. Por exemplo, se você nunca se importou com dinheiro até agora, conhecer o seu dinheiro em detalhe pode ser uma grande surpresa, com muitas descobertas interessantes.

Entretanto, todas as boas práticas financeiras tendem a se converger a alguns pontos comuns, que se tornam conselhos financeiros gerais. Não acumule dívida, gaste menos o que você ganha, invista a diferença, etc. Imagine, então, a minha surpresa quando eu descobri que um dos “gurus” de finanças pessoais e mentor indireto de muitos na Finansfera – Mr Money Mustache – quebra uma das “regras” mais básicas: ele não possui reserva de emergência.

Sim, MMM afirmou em um dos seus vídeos que ele não possui uma parte do seu capital alocado numa reserva de emergência, indo contra a recomendação de segurança básica da finansfera inteira. Ele possui, como veremos, uma boa lógica por trás da sua decisão, e anos de experiência com este tipo de vida, mas ainda assim esta notícia é surpreendente, ainda mais vindo de um dos autores mais seguidos de finanças.

Como ele segue sem reservas financeiras no planejamento, e o que podemos aprender com este contra-exemplo?

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Kit de Sobrevivência Japonês e o planejamento financeiro

O Japão está localizado exatamente em cima do que é conhecido geologicamente como o Círculo de Fogo do Pacífico, e com isso possui uma incidência grande de terremotos naturalmente. Além disso, está situado num corredor de tufões, onde durante o verão as águas aquecidas do Pacífico geram vários tufões todos os anos. Em meio a tantos desastres naturais, o cotidiano e estilo de vida da população não poderiam sair completamente ilesos. A preparação e as contramedidas estão construídas dentro da infraestrutura do país, nos prédios, ruas e casas.

Esta influência também leva a população a aderir à preparação como parte da sua rotina. Uma das preparações recomendadas é que cada residência mantenha um Kit de Sobrevivência pessoal, cuja função é garantir a sobrevivência dos residentes por até 72h sem assitência caso algum desastre os force a abandonar a casa. Este kit de sobrevivência é parte da cultura local, e há vários guias online com instruções de como você pode construí-lo, com quantidade variável de recursos.

Não posso deixar de enxergar a semelhança entre este kit de sobrevivência com a tradicional reserva de emergência recomendada de praxe na educação financeira. Ambas são necessárias para situações inesperadas, imprevisíveis, e existe mais de uma forma de criá-las dependendo da sua situação pessoal, e nem sempre é todo mundo que se prepara corretamente quando a tragédia bate. No ano de 2019 apenas, dois tufões (Faxai e Hagibis) causaram grandes danos em Tokyo em um espaço de tempo relativamente curto, uma ocorrência incomum na região, e que mostrou que a emergência nem sempre é uma probabilidade remota.

O que podemos aprender com o kit de emergência japonês, e como isso aplica à nossa própria preparação financeira?

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