A verdadeira razão pela qual você odeia o seu trabalho

A relação de amor e ódio que temos com nosso emprego primário é interessante: vemos vários livros de auto-ajuda e palestras motivacionais dizendo que “temos que amar aquilo que fazemos,” e que “se você encontrar um emprego que ama, nunca terá que ir trabalhar um dia da sua vida,” mas colocar isto na prática todos os dias é um desafio muito maior que as palavras bonitas nos livros e infográficos postados no Instagram.

Não há dúvidas que trabalhar com aquilo que lhe satisfaz é uma fórmula mágica para ter realização pessoal e felicidade ao longo prazo, mas assim como uma fórmula mágica, possuí-la em sua rotina é extremamente difícil. Uma coisa é certa: aqueles que dizem amar seu trabalho e empregador completamente durante todos os dias estão simplesmente desiludidos. E a razão para isto não tem a ver com o tipo de emprego que você tem, ou o se chefe, ou a sua empresa ou a economia como um todo.

A razão por trás da sua oscilação de amor e ódio pelo se trabalho é porque acima de tudo dependemos do trabalho como nossa fonte de renda e, conversamente, de sobrevivência. Nossa relação com nosso empregador não é simétrica, é ele que detém o poder. Por isso acabamos tendo que aceitar e beijar a mão que nos alimenta, e é extremamente difícil conseguir aproveitar 100% da relação desta forma. Então quem acredita que consegue aproveitar e amar o trabalho 100% está, no fim das contas, vivendo uma ilusão.

Qual é a forma de estabilizar esta relação de amor e ódio pelo trabalho, e começar a aproveitá-lo mais? Além de um trabalho psicológico e desenvolvimento no seu ambiente de trabalho há um outro lado igualmente importante que precisa ser trabalhado: reduzir a sua dependência sobre o seu empregador. No fim das contas, é esta dependência que estabelece este conflito de interesse no seu trabalho, e enquanto você se colocar como um dependente, sempre terá que voltar para beijar a mão que lhe alimenta.

Como você pode reduzir a sua dependência do seu emprego e também melhorar a sua percepção do trabalho principal?

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Vida móvel e liberdade: lições de Amyr Klink para a comunidade FIRE

Uma das primeiras lições que aprendemos quando nos educamos sobre a independência financeira é o conceito de ativos e passivos, e a diferença entre eles. Ironicamente, esta é também uma das mais dolorosas, pois muitas vezes estamos psicologicamente instruídos a acreditar que nossa visão de sucesso envolve acumular bens de consumo que são, essencialmente, passivos e não nos trarão riqueza. Destruir esta crença limitante que coisas como carros ou casas não são ativos e – de fato – te emprobrecem é difícil, e como evidência vemos várias histórias de como celebridades bem pagas rapidamente vão à falência.

Já escrevi em diversos posts anteriores como os passivos se tornam uma âncora pesando nas suas finanças pessoais, mas existe um outro lado menos mencionados sobre os outros malefícios associados com o acúmulo de passivos: a perda da liberdade. Este lado menos explorado da história se tornou claro para mim quando li uma entrevista com o navegador brasileiro Amyr Klink, que se tornou famoso ao cruzar o Atlântico num barco à remo nos anos 80, e circumnavegar a Antártida em 1998.

Esta entrevista me surpreendeu porque à primeira vista não reconhecia Klink como um escritor de finanças, mas posteriormente descobri que ele é formado em economia. Suas experiências vivendo no mar deram a ele alguns insights importantes a respeito de como podemos viver mais eficientes e mais ricos se simplesmente largarmos a possessão de passivos, e passássemos a alugá-los quando necessário.

Este não me é um conceito novo, mas lendo a entrevista de Klink, pude ter um novo insight sobre a não-acumulação de passivos: a mobilidade que ganhamos na vida por não ter algo que nos prenda a um certo lugar ou circunstância.

Quais lições Amyr Klink pode ensinar para a comunidade FIRE?

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FIRE no futuro: como acertar um alvo móvel?

A matemática por trás da Independência Financeira é simples, e não requer conhecimento matemático avançado: pegue o valor do seu custo de vida total mensal, adicione uma margem de segurança, e multiplique o resultado por 300. O número que você obter é o valor do seu patrimônio mínimo necessário para obter renda passiva suficiente para cobrir seus custos sem que o patrimônio principal se derreta e com o menor risco disponível.

Simples e direta, esta fórmula é importante e prática na hora de se planejar e estabelecer metas, e eu a utilizo com frequência ao introduzir finanças pessoais para os outros, ou conversar sobre ela com a minha família. Porém, enquanto esta fórmula é manjada por todos no âmbito das finanças pessoais, há um detalhe importantíssimo que esta simples fórmula omite, até porque é fora do seu escopo prevê-la: a inflação.

Esta queridinha é importante análise do FIRE porque coloca dois fatores em campo que muitos se esquecem na ansiedade de decidir em que ponto parar: o tempo e o poder de compra do seu dinheiro. Ambos são indesejáveis, mas são necessários para fazer uma análise de risco completa – sem eles, todo o seu planejamento e execução podem ser penalizados gravemente no futuro quando você descobrir que seu dinheiro planejado tão cuidadosamente lá atrás não consegue suprir suas necessidades ou vontades.

Como você deve considerar a inflação na hora de estabelecer suas metas do FIRE? Incluindo-a como um alvo móvel no alcance da independência financeira.

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Elenco do Chaves falido: Por que tantos artistas entram em falência?

Há algumas semanas saiu um artigo falando que a atriz Mexicana Maria Antonieta de las Nieves, que interpretava a personagem Chiquinha do Chaves, está com dificuldades financeiras. A notícia pode vir como uma pequena supresa, mas na verdade não é a primeira vez que o elenco do Chaves enfrenta dificuldades financeiras; Rubén Aguirre, o professor Girafales, já estava com dificuldades nos seus últimos anos de vida, e mais recentemente a Dona Florinda também revelou que passa dificuldades que a forçaram a vender a sua própria casa.

Não estou aqui para julgar a dificuldade da vida de ninguém, mas é triste que no caso da Chiquinha e do Girafales, ambos tiveram problemas financeiros por conta dos altos custos dos tratamentos de saúde. Ninguém acredita muito que os custos de vida poderão inflar com o tempo até ver um caso como esse, especialmente se os objetivos são pequenos demais, e por isso é necessário planejar a fundo várias camadas de emergências financeiras para poder acomodar tais incertezas.

O mais interessante, porém, é que este padrão não se limita ao elenco do Chaves. Se pesquisarmos sobre celebridades falidas, veremos que a mesma história se repete com vários outros artistas, cantores e atletas com cachês e salários altíssimos e que, de alguma forma, conseguem perder todo o seu patrimônio ou pior: se endividam em milhões de dólares. E todas estas histórias possuem uma causa-raíz em comum.

Qual é este elemento? Falta de ativos.

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3 Mitos da Renda Passiva explicados

A renda passiva é tida por muitos como o Santo Graal da Independência Financeira. “Se você não encontrar um jeito de ganhar dinheiro enquanto dorme, você vai trabalhar até morrer” já dizia o Warren Buffett. Robert Kiyosaki, em seu livro Rich Dad’s guide to Investing, diz que o objetivo do investidor sofisticado é converter renda salarial em renda passiva ou renda de portfólio. E nem precisamos falar dos inúmeros vídeos do YouTube mencionando jeitos de se ganhar dinheiro de forma “passiva” pela internet.

Claramente, a renda passiva é importantíssima para a saúde financeira de qualquer indivíduo e, no caso dos mais ricos, ocupa a maior parte da renda recebida por eles. Porém, assim como muitos outros termos que caíram na moda, houve uma distorção no entendimento desta expressão, e assim muitos algumas pessoas se confundem sobre o que realmente implica a renda passiva e como ela funciona de na prática. Este post irá clarificar alguns desentendimentos comuns.

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“Cash Cow” e a estruturação defensiva do patrimônio

No mundo da IF, os objetivos-base são simples. A meta é obter um patrimônio que, retirando até 4% por ano, lhe traga uma renda suficiente para cobrir suas despesas com uma margem de segurança incluída.

Embora existam várias alternativas para alcançar o objetivo, é frequentemente mais eficiente estabelecer regras simples para acumulação de patrimônio, e simplesmente aumentar a intensidade das regras seguidas enquanto evolui.

Neste post, apresento uma técnica que pode ser utilizada defensivamente para aumentar o patrimônio e também aumentar a renda passiva disponibilizada por ele. É uma técnica que apelidei de cash cow, e consiste em formar uma fonte de renda passiva defensiva e utilizar da renda desta para crescer o patrimônio.

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