Estudo de caso #3 – Qual é o custo da independência?

Ganho em média 1200 reais. Devido a pequenos conflitos com minha mãe resolvi viver sozinha numa quitinete. Minha mãe irá cobrir parte dos gastos e eu irei pagar água, comida e transporte. Dá pra viver com 250 reais ao mês?

Sem dúvida, o sonho de quase todo jovem começando a trabalhar é sair debaixo da asa dos pais e morar sozinho, ou pelo menos fora da casa dos pais. Depois de anos vivendo na casa dos pais e com muita turbulência na adolescência, é normal que queremos viver nossa vida de forma independente.

A experiência não só tenha apelo emocional, mas também agregue muito no desenvolvimento individual. Mas, infelizmente, como diz o ditado: “não existe almoço grátis.” Morar sozinho, especialmente no começo da carreira profissional, traz custos altos e que podem impactar suas finanças numa hora crucial: na hora do despertar financeiro inicial.

Enquanto se tem a possibilidade de escolha, é fácil ver que morar dividindo com a família é uma boa forma para se controlar custos e ajudar no aporte, mas neste estudo de caso, surge uma outra pergunta: e se por motivo de força maior você precisasse sair de casa para viver sozinho? As vezes, o convívio dentro de casa é difícil, cheio de tumulto e conflito, e assim fica difícil para a pessoa encontrar paz para começar a se desenvolver pessoalmente.

Esta, infelizmente, é a situação do estudo de caso deste post. No caso, uma jovem – a chamaremos de Joana – fez a seguinte pergunta:

Embora o apelo emocional é grande, às vezes a procura obcecada pela independência pode mais atrapalhar do que ajudar. Que lições podemos tirar da situação da Joana?

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FOMO: provavelmente a sigla mais destrutiva da sua vida

Você está sozinho de noite, fazendo alguma coisa produtiva que planejou anteriormente para desenvolver alguma das suas habilidades, e vê no seu celular o seu timeline: pessoas “se divertindo” de inúmeras formas que você não poderia ter imaginado. Selfies com sorrisos, língua de fora, copos e taças brilhantes com bebidas e ambientes luxuosos.

Neste momento, aquele sentimento ataca. Aquele que cria uma ansiedade e faz uma insegurança começar a borbulhar por dentro de você. Aquele que faz você se preocupar com e questionar a sua escolha para hoje à noite. Aquele que te deixa deprimido por achar que todos ao seu redor estão vivendo um momento melhor do que o seu. E, se deixado crescer descontroladamente, poderá acabar com a sua saúde mental.

Você pode conhecer este sentimento por vários nomes, mas eu me refiro a ele por FOMO, significando Fear Of Missing Out en Inglês.

Ao passo que FOMO pode ser inicialmente dispensado como uma coisa insignificante, como uma coisa de adolescentes tentando se tornar popular na escola, mas graças à onipresença das mídias sociais e propaganda nos dias atuais, tal tendência se espalhou para quase todas as nossas premissas atuais. Happy hours do trabalho, noitadas em bares e boates, e férias paradisíacas invadem nossos espaços mais frequentemente do que imaginamos. E nós mesmos, na nossa curiosidade humana, sabotamos nossa sanidade querendo saber mais, numa manobra com um pequeno toque masoquista.

O efeito “oposto” ao FOMO também existe. Não tenho um nome para ele, mas você também conhece: é aquela aversão em “perder qualquer oportunidade” que leva a pessoa a tentar estar em mais lugares e fazer a maior quantidade de coisas possíveis. Os efeitos de uma vida hedonística como esta são desastrosos: exaustão, depressão quando não conseguem honrar suas próprias expectativas e um rombo enorme no bolso.

É quase impossível achar alguém que consiga se livrar 100% do FOMO, e eu mesmo sou “vítima” dele frequentemente. Porém, com uma aplicação de racionalidade e disciplina, junto a um planejamento consciente, consegui reverter muitos dos efeitos que o FOMO costumava ter na minha vida. Neste post vou compartilhar algumas técnicas que me ajudaram neste caminho.

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A percepção relativa humana e seus impactos nas finanças

Responda rápido, sem procurar no Google: qual é o peso médio de um elefante africano adulto? Você tem dez segundos para responder. Valendo!

Seu tempo está esgotado. Quanto você acha que é? Uma tonelada? Dez toneladas? Vinte?

Procurar uma resposta sensata para esta pergunta foi provavelmente bem difícil. Mas antes de mostrar a resposta, vamos tentar uma pergunta alternativa: quantos rinocerontes pesa um elefante?

A resposta para esta pergunta se torna mais fácil por simplesmente ter se tornado uma questão de comparação entre duas coisas já de certa forma conhecidas.

Quem já passou por um processo seletivo de contratação com certeza já viu as perguntas mais bizarras que os recrutadores fazem ao grupo. Uma das clássicas é: quantas bolas de golfe cabem num Boeing 747? E aqui nem o Google pode te ajudar se é para ser resposta objetiva. Como no exemplo dos elefantes, uma “cola” de comparação poderia lhe ajudar aqui também, mas não se preocupe, não é a resposta objetiva que eles estão procurando.

Perguntas inesperadas à parte, a nossa dificuldade em estimar grandezas como essas do zero se dá em parte porque o cérebro humano é incapaz de processar grandezas absolutas, apenas relativas. Em outras palavras, só conseguimos completamente entender alguma coisa quando colocamos outra coisa familiar ao lado para comparar.

Podemos, por exemplo, fazer o mesmo tipo de pergunta acima para o número de estrelas no céu, quantidade de grãos de areia numa praia, população de um determinado bairro, etc. Mesmo que saiba o número exato, você só irá realmente compreender sua magnitude se compará-lo com outra coisa que realmente entende. E a mesma coisa acontece com os sentimentos: frequentemente nos comparamos com os outros nos quesitos de felicidade e sucesso.

Este fato felizmente (ou não) se derivou da nossa evolução como seres humanos, e tem profundos impactos na nossa psicologia, percepção das coisas e – finalmente – até nas nossas finanças pessoais.

Como a “relatividade humana” pode ter impactos positivos e negativos na suas finanças, e como você pode arranjá-la de modo a ter os melhores resultados desta consequência evolucionária tão naturalmente humana?

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Estoicismo praticado #1 – Visualização Negativa

Há alguns meses publiquei um post com uma introdução sobre o estoicismo e seus conceitos-base de funcionamento. O sucesso deste post foi grande, e ele se tornou eventualmente o post mais lido do blog. Fazendo juz à esta peça crucial da filosofia do Pinguim, resolvi iniciar mais uma série aqui: o Estoicismo Praticado, onde explico como cada um destes conceitos funciona na prática. Espero que gostem!


Uma pesquisa rápida sobre o estoicismo traz quase de imediato uma referência sobre a visualização negativa. Este conceito, quando ouvimos pela primeira vez, um pouco obscuro, talvez até tenebroso. Estóicos realmente conseguem sentir felicidade contemplando coisas como a morte ou a doença? Estóicos devem ser ótimos para arruinar festas!

Embora à primeira vista, esta é a reação das pessoas acostumadas a “focar na felicidade,” ou “fazer o que lhe agrada,” quando investigada, a visualização negativa se torna uma das ferramentas mais poderosas disponíveis no estoicismo, e pode fazer a diferença entre se sentir feliz e agradecido versus ficar fragilizado e deprimido com uma situação desagradável.

Neste post de abertura, vou ensinar como a visualização negativa nos permite colher felicidade até onde nos acontecimentos ruins.

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Educação Financeira #4 – o feedback positivo e a origem das bolhas

História era uma das minhas matérias favoritas na escola. Sempre tive uma certa fascinação por eventos determinantes da história humana. Era fascinado pelos grandes eventos que causavam mudanças astronômicas nos destinos das nações, como guerras, batalhas, sucessões de governos, mudanças climáticas e crises econômicas.

E assim, desde que estudei o crash da bolsa de Nova Iorque em 1929, fiquei interessado em aprender mais sobre as causas e efeitos das crises econômicas na geopolítica mundial. Como é que pequenas mudanças encadeadas, pequenos erros acumulados ao longo do tempo podem mudar a rota da civilização do mundo? Estes estudos me fascinaram.

Avançando para o mundo presente, me tornei investidor e me encontrei numa posição onde estava exposto aos riscos diretamente, e poderia sentir em primeira mão os efeitos da economia nas minhas finanças. Lendo bastante sobre o assunto, me deparei com o livro A Random Walk down Wall Street do economista Burton G Malkiel onde ele dedica o primeiro capítulo do livro para explicar sobre bolhas econômicas na história da humanidade, indo desde a primeira bolha recordada na história – a mania das tulipas na Holanda no século 17 – até as bolhas recentes dos anos 2000.

Malkiel sumariza em sua explicação que todas as bolhas financeiras podem ter suas origens traçadas de volta à uma aplicação de um feedback positivo errático e recorrente, que ilude os envolvidos a acreditarem que aquilo no que estão investindo e apostando é realmente o correto a se fazer.

Como este ciclo funciona e consegue carregar uma bolha para frente? E, talvez mais importante, como você entender a causa das bolhas e se preparar para não ser impactado por elas?

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Marshmallow by Jessica Ruscello on Unsplash

O que um Marshmallow pode dizer sobre o seu sucesso

Você é criança e está na sala de uma casa de um amigo dos seus pais. Os adultos estão lá, jogando conversa fora sobre assuntos de gente grande, enquanto você não consegue tirar os olhos do que, no momento, parece ser o Santo Graal. Há uma doceira cheia de marshmallows na mesinha de centro da sala.

Conversa vai e conversa vem, o amigo dos seus pais percebe você vidrado na doceira e finalmente se posiciona: “ô, fulaninho, que é que tanto você olha pro vidro? Você gosta de marshmallow, é?

Você simplesmente balança a cabeça timidamente. “Ah, que bonitinho! Por que não tinha me falado isso antes?” A vitória parece certeira para você quando ele se movimenta para abrir a doceira e liberar o acesso quando sua mãe, para o seu sofrimento, interrompe:

“Péraê… alto lá, fulaninho, é quase hora do almoço já. Se você comer doce agora não vai almoçar!”

Droga! Estávamos tão perto! Mas tudo não está perdido ainda. Seu pai tenta apaziguar o conflito aproximando todos de uma solução comum:

“Calma gente, por que a gente não faz o seguinte: como está quase na hora do almoço, o fulaninho pode comer um só marshmallow nesse momento. Mas, se ele esperar o almoço, poderá comer quantos marshmallows tiverem aí na doceira.” Sua mãe concorda.

O que você faz? Come um marshmallow agora ou espera para poder comer mais depois?

Incrivelmente, a sua resposta como criança para esta situação pode ditar o seu sucesso na vida, como demonstrado num experimento psicológico em Stanford.

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