Eu tenho tempo demais, e você também. E isso é um problema.

Se me pedissem para sumarizar a vida moderna numa única palavra, esta seria “agora.” Tudo precisa ser instantâneo, para agora, e qualquer distanciamento deste conceito se torna sinônimo de falta de qualidade. Agilidade não é mais um extra, e sim parte crucial do caráter vencedor da pessoa. Comunicações são instantâneas, carregando texto, voz e imagens a longuíssimas distâncias sem atraso. Meios e sistemas de transporte estão no pico da velocidade utilizável, e com capacidade expandindo cada vez mais. Para todos os propósitos, a vida se tornou extremamente eficiente em economizar tempo. E como consequência, todos nós recebemos quantidades enormes de tempo livre disponível.

Peraí, peraí… Pinguim, você está maluco? Ninguém tem tempo hoje em dia. E você acha mesmo que todo mundo GANHOU tempo? Sim, exatamente! É isso mesmo que estou falando. Afinal, ninguém consegue se enxergar vivendo num mundo pré-internet hoje, sem a facilidade de acesso à informação e comunicações rápidas, não é mesmo? Então sim, a sociedade ganhou tempo, quantidades de horas inpensáveis há algumas décadas. Mas mesmo assim, uma reclamação frequente hoje em dia é justamente o oposto; ninguém parece ter mais tempo para nada.

Esta relação é inicialmente um paradoxo, mas se torna clara quando começamos a analisá-la, e percebemos que ao resolver um problema antigo (falta de tempo), por consequência criamos um outro, a abundância de tempo. Sim, eu e você ambos temos tempo demais. E este é o novo problema, o novo cigarro do século 21.

Como a abundância de tempo pode ser um problema atualmente?

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