Onde você lastreou sua felicidade?

O que guia a sua vida diariamente? O que faz você Seria um objetivo, um plano, um conceito, um sonho?

Qualquer que seja o seu guia, essencialmente ele age como um lastro da sua felicidade. Por trás de todas as camadas de abstração, o que queremos é simplesmente estar felizes, independente de como manifestamos este objetivo. O sentido da vida e a felicidade são assuntos que cobrem centenas de livros e outras publicações, e deram origem à escolas de filosofias inteiras. Este assunto é central para a vida humana, mas mesmo assim, não paramos para refletir em quão importante é esta questão nas nossas vidas e, como consequência, seguimos cegamente o caminho que nos aparece, sem questionar ou tentar mudá-lo para melhor.

Conscientemente ou não, todos nós deixamos nossa felicidade lastreada em alguma coisa, e dependendo da natureza dela, podemos acabar sofrendo ao buscá-la, seja por ser uma busca infinita impossível de ser saciada, ou pior: se essa coisa for finita e um dia acabar.

Este dilema é especialmente importante para nós, que buscamos a independência financeira, pois se trata de um objetivo relativamente fixo e muitas vezes com uma data marcada. Enquanto não a atingimos, temos todos os horizontes bem-definidos: orçamentos futuros planejados, montante de capital necessário para renda passiva calculado e investimentos em dia. A IF age como um guia diário, o nosso lastro diário de vida onde comemoramos cada passo à frente – mas pouco foco é dedicado à vida pós-IF.

O que você faria se, da noite para o dia, tudo o que você sempre sonhou finalmente se materializasse em sua possessão? Certamente, durante as primeiras semanas e talvez meses seriam só festa.

Mas e depois?

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Jeito Pinguim Explicado #2 – Simples é melhor do que complexo

Mais um post da série Jeito Pinguim Explicado


O ser humano gosta de complicar. Quando se está aprendendo algo, procura-se os básicos, as explicações simples e o modo “Easy” do jogo. Porém, graças à nossa adaptação hedônica, perdemos a satisfação com a situação atual e eventualmente queremos aumentar a dificuldade, incrementar a receita e experimentar.

Isto é ótimo para aumentar os seus horizontes, diversificar as oportunidades e habilidades, mas a expansão rápida demais pode mais prejudicar do que ajudar. Ao expandir muito rápido e sem metas definidas perde-se foco, visão da meta e o esforço diluido com a falta de experiência passa a se traduzir em menor rendimento.

Infelizmente, uma busca simples na internet hoje em dia dá a impressão que você precisa ter nada menos que algumas 483734290592 habilidades ou fontes de renda diferente para conseguir alcançar o Graal da independência financeira. Vídeos com títulos como “VOCÊ PRECISA VER ISSO PRA ENRIQUECER,” “POR QUE VOCÊ NÃO ENRIQUECEU AINDA,” etc causam um sentimento de culpa por não estar aprendendo ou explorando o suficiente. Eu discordo.

É possível, sim, atingir a independência financeira de maneira simples, seguindo um plano altamente eficiente, e simplesmente aumentando as proporções e o esforço dedicado.

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Resoluções de Ano Novo do Pinguim

Feliz ano novo para todo mundo! O Pinguim está de volta pra finansfera, depois de umas curtas férias no fim do ano. Nesse hiato, parece que houveram posts interessantes e com ótima pesquisa na finansfera então eu me sinto humilde por compartilhar um post festivo e sobre um conceito clássico e muito poderoso que infelizmente acredito ter caído um pouco no esquecimento: as resoluções de ano novo.

Certa vez durante um seminário do RH de uma empresa em que trabalhei, o palestrante, querendo frisar a importância do planejamento, abriu a sessão perguntando a todos os presentes quem fazia anualmente tais resoluções. Aproximadamente metade da sessão levantou a mão. Ele continuou: “Ok, e agora vamos ver quem faz resoluções para os próximos 3 anos?” Algumas 10 pessoas permaneceram. “Excelente! E agora quem faz pra 5?” Apenas um prodígio permaneceu.

Comendável como seja este planejamento – e toda a visão que se exercita ao estendê-lo a tanto tempo – infelizmente o palestrante esqueceu de mencionar um pequeno detalhe: os objetivos perdem quase toda a utilidade se não existe uma medida pela qual a aderência a estes pode ser avaliada.

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O que significa ficar rico, afinal?

Muitas pessoas que desejam alcançar a IF não se atentam ao fato de que este objetivo, tal como qualquer outro na vida, é um objetivo quantitativo, mensurável e com prazo. Para quem lida com projetos, isto já está no sangue, mas pra quem não é familiar, aqui está um pequeno resumo do conceito:

Seus objetivos, suas metas e sonhos dificilmente irão ser cumpridos no tempo da sua vida se você não definir exatamente o que eles são e quando e como você deve atingí-los.

Não só a falta de definição prejudica você alcançar os seus sonhos, mas também te dificulta mensurar para saber se você está no caminho certo ou não. Porém, a boa notícia é que a resposta para a definição dos sonhos não é única, nem um conceito imposto sobre você. De fato, graças à natureza da matemática, você pode saber e ajustar exatamente a quantia necessária para que você atingir a tão sonhada independência financeira.

Como NÃO definir sua meta

Perguntando pra qualquer um na rua o que eles querem da vida, é muito provável que a resposta é única: “Ser rico.” Rico quanto? Rico é o quê? Precisa de quanto pra ser considerado rico? R$100,000? R$1,000,000? Basta ganhar na mega sena? Como ninguém sabe, ninguém vai ficar rico.

Sem definição sobre o quanto exatamente você precisa pra ser rico, você está cego no caminho para a riqueza. Poderá chutar um número pra baixo pra ficar “mais fácil” e se decepcionar lá na frente, ou jogar o número astronomicamente pra cima e perder a motivação por acreditar que é impossível atingí-lo em sua vida.

Pior ainda é fazer não definir um prazo para a meta. Se eu quero ficar rico? Claro! Quero ficar rico… um dia.

Que sempre é adiado…

Que nunca chega…

Que era a mesma coisa que você tinha falado dez anos atrás…

Etc. Sem uma data para planejar, o objetivo torna-se tanto inalcançável quanto uma meta na qual não há nenhuma responsabilidade da sua parte para ser alcançada, resultando duplamente num objetivo impossível.

Não vou nem entrar no mérito da necessidade de estar envolvido no processo (e não somente responsável) para garantir a melhor performance possível pois isso dá um post inteiro em si. Mas é umas entre as várias lições que o milionário MJ de Marco ensina para maximizar o seu potencial para ganhar dinheiro.

OK, então como eu estabeleço minhas metas?

A conta matemática é simples, mas pra decidir o valor final vai requerir um pequeno trabalho filosófico da sua parte. Existe um princípio bem difundido pelo mundo das finanças pessoais chamado de Regra dos 4% que é utilizado como base para estabelecer o valor a partir do qual você se encontra financeiramente independente.

Resumidamente, ela afirma o seguinte: em teoria, você pode retirar até 4% anualmente do seu portfólio de investimentos todos os anos sem que o seu portfólio diminua de valor. Na prática, existem algumas limitações a esta afirmação referente ao contexto Brasileiro que podem questionar a veracidade disso, mas no geral, os 4% são referidos como a Taxa Segura de Retirada (SWR em Inglês).

Como você aplica isso para as suas metas? Simples. Calcule os seus gastos totais ao ano e divida-os por 0.04. O número resultante é o montante de patrimônio que você, em teoria, deverá ter para que possa viver completamente coberto pelos rendimentos dos seus investimentos, sem precisar de renda alguma adicional de trabalho.

Em outras palavras, este número “x” é quanto dinheiro você precisa para se tornar independente financeiramente. É isso que eu me refiro a “ser rico.” Vejamos um exemplo na prática:

João calcula que seus gastos mensais médios de vida em sua cidade de tamanho médio é de R$4000, incluindo supermercado, aluguel, contas, entretenimento e academia, etc. Para não ter surpresas lá na frente com gastos de emergência, ele acrescenta ao seu custo total mensal de vida R$1500 como um contingente de emergências que pode ou não ser usado a qualquer hora. Quanto João precisa para se tornar independente através da TSR?

Total = (Gasto mensal + Contingente) * 12 meses / 0.04

Total = (4000 + 1500) * 12 / 0.04 = R$1,650,000

Um milhão e seiscentos e cinquenta mil reais. Este é o valor que João precisa aportar para ficar rico. Pouco? Não exatamente, mas provavelmente é muito menor do que muitos imaginavam.

Com estes R$1.65M, João teria não só os seus custos totais de vida diários cobertos pra sempre, mas com essa quantia no bolso também estaria equipado com até 1500 reais por mês para qualquer imprevisto financeiro (ou até mesmo oportunidades, como uma viagem ou novo investimento) que apareça no caminho. Nada mau, né?

Mas qual é a pegadinha?

Como nada na vida é só flores, nem a TSR te salva de tudo. Só de cara, existem duas observações sobre este processo que precisam ser clarificadas:

Demorar pra chegar lá reduz o seu poder de compra

Lembra como nas seções anteriores eu mencionei que objetivo sem prazo não vale nada? Neste caso específico, não levar o prazo em consideração é perigoso porque você vai ignorar o efeito da inflação nos seus gastos mensais.

João e seu milhão estariam prontos pra enfrentar os gastos de hoje, em 2018, mas se ele precisar de 10 anos para juntar essa quantidade toda, até lá pode ser que a inflação tenha enchido demais os custos dos produtos e serviços no qual que ele depende, ao ponto que a quantia providenciada pela TSR não seja mais suficiente.

Por exemplo, usando uma inflação de 4% ao ano como base, os mesmos R$4000 que João depende em 2018 pra viver um mês seriam equivalentes em 10 anos a:

4000 * e^(.04*10) = 5967.3

Ou seja, nem com os R$1500 orçados como emergência João poderia viver apenas de rendimentos. E isso não é nem contando com a volatilidade da economia Brasileira, já que assumimos que a taxa vai permanecer fixa a 4%. Com isso, se vê que decidir o prazo para atingir o valor orçado é importantíssimo. Atingí-lo o quanto antes é ainda mais.

Riscos inerentes ao investimento

Outra coisa é que qualquer investimento que você fizer para lhe esta quantidade diretamente vai ter um risco associado que pode não vir a te render o que você precisa para viver. Que riscos são estes? Risco de calote, de falência da instituição financeira, de falência da economia nacional, risco do rendimento cair abaixo da inflação e você perder dinheiro, etc.

Há investimentos considerados mais seguros, como o Tesouro Direto, outros com retornos maiores relacionados ao risco e a boa e velha renda variável nas ações e FIIs. Espalhar o seu patrimônio em várias formas de investimento (diversificar) é uma boa técnica adotada por investidores e deve ser considerada até mesmo após atingir o número mágico.

Uma boa idéia também é manter fontes de renda passiva independentes do seu patrimônio base, para que a renda mensal continue a ser provida independente da taxa retirada anualmente.

Então como eu começo?

Em primeiro lugar: leia. Leia livros. Leia blogs de finanças. Leia materiais oferecidos por cursos de finanças. Adquira o maior conhecimento possível para aprender a chegar no seu objetivo.

Em paralelo, comece a planejar a compactar o mais possível o seu custo de vida mensal. Pela aplicação da fórmula, você já viu que quanto menor o seu custo de vida, menor o montante necessário. Cortar gastos desnecessários ou achar alternativas mais baratas irá reduzir o objetivo em muito mais do que você imagina. Não sabe quanto gasta por mês? Comece a planejar seu orçamento mensal imediatamente anotando todos os seus gastos diários.

Bom, este post foi longo, mas deve ter coberto alguns dos conceitos básicos. Espero ter ajudado alguns dos leitores!

Esqueci de alguma coisa ou falei abobrinha? Me avise nos comentários!

Abraços!