Qual é o melhor investimento que você pode fazer hoje?

Estou começando agora, qual é o melhor investimento que posso fazer?
Tenho X anos. Qual é o melhor produto que posso investir?
Qual é o melhor investimento para XYZ?

Perguntas como estas frequentemente aparecem nos fóruns de iniciantes nos investimentos e são sintomas de que a verdadeira natureza dos investimentos não é compreendida. Não culpo as pessoas que as fazem; quando iniciei na minha própria educação financeira também queria saber quais eram os investimentos mágicos que me trariam riqueza da forma mais eficiente possível. O que estas perguntas transparecem, porém, é uma incompreensão sobre como cada classe de investimento consegue ajudar cada um em seu estágio de desenvolvimento financeiro.

Como uma metáfora, um copo d’água pode ter valores e utilidades diferentes dependendo para quem ele é oferecido. Uma pessoa num bar bebendo com os amigos pode zombá-lo e rejeitá-lo como inútil num ambiente onde há tantas outras bebidas mais saborosas e interessantes para serem consumidas. Para uma pessoa naufragada ou perdida num deserto há alguns dias, porém, este mesmo copo d’água se torna extremamente atraente e útil. Na sua vida financeira, a mesma coisa acontece, e diferentes classes de investimentos lhe servirão benefícios variados dependendo da sua situação e evolução financeira.

Como consequência, existem coisas diferentes que podemos considerar como investimentos, com retornos diretos e indiretos variados sobre o seu tempo e dinheiro investidos. Vamos explorar mais sobre como cada um deles se encaixa melhor em cada estágio da sua evolução financeira neste post.

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A bolha do Uber?

Quando o Uber foi lançado e entrou no mercado brasileiro, a inovação foi completa. O aplicativo havia introduzido um novo modelo de negócios que desbancou os negócios dos taxistas e abriu uma competição diversificada antes nunca vista na história. O conceito do sharing economy começou a engatinhar e logo foi tomando espaço.

O transporte foi democratizado e as pessoas finalmente possuiam uma alternativa mais barata para prencher algumas lacunas cruciais do transporte urbano brasileiro. E, colateralmente, o Uber serviu de “colchão de segurança” amenizando o impacto da crise econômica iniciando em 2015, oferecendo uma forma de renda temporária para aqueles que perdiam seus empregos.

Avançando até 2020, a situação se tornou bem diferente. Aplicativos competidores entrando e competindo por mais motoristas e passageiros, continuidade da crise e falta de empregos causou um aumento significante do pool de motoristas fora de proporção com os passageiros, e a remuneração – variável como sempre – hoje tem um apelo mais duvidoso. Não é a primeira vez que falo do Uber no blog, mas desta vez trago luz a um insight que vi num post do SubReddit de Investimentos: estaria o Uber direcionado para uma bolha?

Os insights recebidos desta filosofia servem para além do aplicativo em si, mas para também outros produtos e serviços que entram na moda e crescem rapidamente. Uma bolha como essa pode afetar além do mercado e ir diretamente na vida pessoal das pessoas. Vejamos com mais detalhes.

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A verdadeira razão pela qual você odeia o seu trabalho

A relação de amor e ódio que temos com nosso emprego primário é interessante: vemos vários livros de auto-ajuda e palestras motivacionais dizendo que “temos que amar aquilo que fazemos,” e que “se você encontrar um emprego que ama, nunca terá que ir trabalhar um dia da sua vida,” mas colocar isto na prática todos os dias é um desafio muito maior que as palavras bonitas nos livros e infográficos postados no Instagram.

Não há dúvidas que trabalhar com aquilo que lhe satisfaz é uma fórmula mágica para ter realização pessoal e felicidade ao longo prazo, mas assim como uma fórmula mágica, possuí-la em sua rotina é extremamente difícil. Uma coisa é certa: aqueles que dizem amar seu trabalho e empregador completamente durante todos os dias estão simplesmente desiludidos. E a razão para isto não tem a ver com o tipo de emprego que você tem, ou o se chefe, ou a sua empresa ou a economia como um todo.

A razão por trás da sua oscilação de amor e ódio pelo se trabalho é porque acima de tudo dependemos do trabalho como nossa fonte de renda e, conversamente, de sobrevivência. Nossa relação com nosso empregador não é simétrica, é ele que detém o poder. Por isso acabamos tendo que aceitar e beijar a mão que nos alimenta, e é extremamente difícil conseguir aproveitar 100% da relação desta forma. Então quem acredita que consegue aproveitar e amar o trabalho 100% está, no fim das contas, vivendo uma ilusão.

Qual é a forma de estabilizar esta relação de amor e ódio pelo trabalho, e começar a aproveitá-lo mais? Além de um trabalho psicológico e desenvolvimento no seu ambiente de trabalho há um outro lado igualmente importante que precisa ser trabalhado: reduzir a sua dependência sobre o seu empregador. No fim das contas, é esta dependência que estabelece este conflito de interesse no seu trabalho, e enquanto você se colocar como um dependente, sempre terá que voltar para beijar a mão que lhe alimenta.

Como você pode reduzir a sua dependência do seu emprego e também melhorar a sua percepção do trabalho principal?

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