Dez anos depois: por que é tão difícil associar mudanças pequenas com grandes resultados?

Diz a história que quando Galileu Galilei tentou provar à sociedade italiana do século 16 que a terra girava em torno do Sol, os céticos retrucaram o argumento olhando as gaiolas de passarinhos da praça. Se a terra gira em torno do Sol como ele dizia, por que os pássaros da praça não caem das suas gaiolas?

O resto, como dizem, é história, mas desde aqueles tempos podemos ver que a mente humana não consegue visualizar mudanças sutis, surpreendendo-se apenas com uma mudança enorme ao longo do tempo.

Podemos ver este efeito em ação toda vez que alguém nas redes sociais posta alguma transformação antes e depois, ou algum throwback da vida; só percebemos os resultados quando eles têm uma transformação significante. Por isso nos impressionamos quando vemos fotos antes e depois da academia, prédios depois de completos vs durante o terreno baldio, e milionários que aparecem “da noite para o dia” sem ninguém ter acompanhado os anos de trabalho duro que eles tiveram que passar.

Para nós do FIRE esta realidade é rotina, pois sabemos que nosso projeto é para o longo prazo, e conversamente não podemos esperar mudanças grandes rápidas. Porém, alguns aspirantes e observadores do movimento FIRE e educação financeira se decepcionam com este fato; eles não veem o poder que pequenas mudanças – mas mudanças-chave – podem causar ao longo de uma grande jornada.

Este pode acabar sendo o maior tesouro do movimento FIRE: são aqueles menores hábitos, como escolher a fazer seu próprio café ao invés de comprar pronto todo dia, utilizar as lacunas de tempo que existem no seu dia, e simplesmente encontrar felicidade e conhecimento na rotina da sua vida que lhe levará à independência financeira ao longo da viagem.

Como as mudanças grandes se tornam resultado direto das nossas mudanças pequenas cruciais?

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O efeito vegano e a sua influência no FIRE

Você já deve conhecer um destes nos seus círculos sociais. Alguém que decidiu se tornar vegano um certo dia e em algumas semanas começou a postar sobre a sua decisão nas suas redes sociais. Compartilhamento de postagens de comunidades começam a aparecer. Depois vêm as fotos dos pratos que comeu no almoço ou na janta no Instagram. E de repente seu feed se torna tão saturado com estas postagens que já não é mais possível ignorá-los.

A sua reação a tal invasão de postagens desta pessoa provavelmente foi uma de duas: ou você amou e apoiou as postagens desta pessoa, ou você se sentiu incomodado, e até irritado, por ela. E é mais comum que seja esta última.

Eventualmente, seu amigo vegano começa a compartilhar desabafos sobre como a sociedade à sua volta não entende o veganismo e não está preparada para uma vida vegana, e como o mundo é difícil para ele. O mundo parece se unir contra ele.

Toda hora que alguém resolve desenvolver e melhorar sua vida pessoal e melhorar sua qualidade de vida, aparecem vários querendo contrariar suas idéias e as vezes até atacá-lo. Este acontecimento é chamado de Efeito Vegano no Podcast do BiggerPockets, e qualquer semelhança com o cotidiano da Finansfera não é coincidência.

Sem querer julgar a eficiência ou não da dieta vegana neste artigo, este mesmo efeito pode ser observado com tendências como Crossfit, Dieta Paleo, e – num ambiente muito mais próximo – na frugalidade, minimalismo. e educação financeira. Afinal, quem nunca compartilhou alguma opinião sobre reduzir o consumo, aprender a investir mais eficientemente, e recebeu uma chuva de críticas da roda da conversa.

O que o movimento FIRE pode aprender com o efeito vegano e como podemos diminuir a incidência negativa dele?

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Onde você lastreou sua felicidade?

O que guia a sua vida diariamente? O que faz você Seria um objetivo, um plano, um conceito, um sonho?

Qualquer que seja o seu guia, essencialmente ele age como um lastro da sua felicidade. Por trás de todas as camadas de abstração, o que queremos é simplesmente estar felizes, independente de como manifestamos este objetivo. O sentido da vida e a felicidade são assuntos que cobrem centenas de livros e outras publicações, e deram origem à escolas de filosofias inteiras. Este assunto é central para a vida humana, mas mesmo assim, não paramos para refletir em quão importante é esta questão nas nossas vidas e, como consequência, seguimos cegamente o caminho que nos aparece, sem questionar ou tentar mudá-lo para melhor.

Conscientemente ou não, todos nós deixamos nossa felicidade lastreada em alguma coisa, e dependendo da natureza dela, podemos acabar sofrendo ao buscá-la, seja por ser uma busca infinita impossível de ser saciada, ou pior: se essa coisa for finita e um dia acabar.

Este dilema é especialmente importante para nós, que buscamos a independência financeira, pois se trata de um objetivo relativamente fixo e muitas vezes com uma data marcada. Enquanto não a atingimos, temos todos os horizontes bem-definidos: orçamentos futuros planejados, montante de capital necessário para renda passiva calculado e investimentos em dia. A IF age como um guia diário, o nosso lastro diário de vida onde comemoramos cada passo à frente – mas pouco foco é dedicado à vida pós-IF.

O que você faria se, da noite para o dia, tudo o que você sempre sonhou finalmente se materializasse em sua possessão? Certamente, durante as primeiras semanas e talvez meses seriam só festa.

Mas e depois?

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