Estudo de caso #1 – Faca e o queijo na mão, mas ainda sem aptidão

Semana passada, tomei café com uma amiga que veio se consultar comigo depois de ter descoberto o site do Pinguim Investidor e queria alguns conselhos práticos para como dar uma arrumada na vida financeira e como se planejar para proceder no futuro.

Fernanda, 35 anos hoje, era uma das secretárias da empresa onde trabalhei em 2012, e sobre sua carreira pode se dizer que ela teve uma grande dose de sorte, beirando até a velha “peixada” corporativa. Em meio a uma economia aquecida e cheia de especulação em 2012, Fernanda começou na administração, secretareando em meio a uma empresa crescente, e com seis meses de casa, foi promovida a secretária executiva. No ano seguinte, a euforia da economia já havia passado, e as pessoas passaram a ficar apreensivas, com cortes surpresas e demissões “inesperadas” assombrando os corredores das empresas cada vez mais inseguras.

Mesmo assim, ela manteve o cargo, e, em 2014, para sua surpresa, fora convidada a se juntar a uma outra empresa, num cargo que lhe pagaria por volta de R$15000 mensais como gerente da administração. Se muitas pessoas viram seus salários caindo ou rodando nessa época, Fernanda fez o caminho contrário, e eventualmente seu salário subiu novamente para a marca dos R$20000 mensais, numa época de salários cadentes e crise econômica rampante.

De muitas formas, pode-se dizer que Fernanda se tornou bem-sucedida: carreira sólida, alto salário, e uma família sendo formada. Ou, pelo menos, é só o que sua aparência externa mostra – para minha surpresa, Fernanda desabafou para mim que em meio a tanto “sucesso,” estava na verdade se sentindo miserável com o trabalho.

Muitos vêem uma carreira suspeita para uma pessoa que simplesmente trabalhava com secretariado e cresceu tão consideravelmente, e as fofocas e boatos são constantes no trabalho. Inveja e comentários maldosos rolam soltos. Sua eficiência no serviço acabou também saindo pela culatra, pois cada vez mais outros superiores acabam demandando mais dela por não falhar em apresentar resultados.

Por fim, Fernanda revelou o seu novo objetivo de vida: ela quer se desfazer do mundo corporativo e se tornar independente financeiramente, mas embora um alto salário, padrão de vida sofisticado, e bens como casa e carro invejáveis, ainda não consegue enxergar uma saída.

Como uma pessoa que, aparentemente, tem a faca e o queijo na mão ainda assim não consegue ganhar o jogo?

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Estoicismo na prática: sobrevivendo a perda de um celular

Recentemente publiquei no site uma introdução sobre o Estoicismo, a filosofia dos gregos antigos que busca maximizar a felicidade através do uso extensivo da razão e lógica. Quase que como planejado, alguns dias após ter terminado de escrever o artigo, meu celular parou de funcionar sem qualquer aviso prévio.

Parecia mesmo que o universo estava testando as minhas habilidades estóicas. Se esse cara acha que sabe mesmo sobre o estoicismo, vamos ver se ele está preparado de verdade! E assim, voltando pra casa depois de um domingo longo, percebi que o telefone não ligava mais e o problema não era a bateria. Quando comecei a pesquisar sobre o problema, mais assustador ficava, e no fim da cruzada, acabei aceitando que o celular estava irrecuperável.

Durante os próximos 15 minutos ocorreu uma chuva de pensamentos na minha mente sobre o que aconteceria nos próximos dias, mas ao fim dessa novela tive sucesso ao aplicar o mindset estóico ao problema. Foi mais um dos muitos exemplos de estoicismo na prática que tenho realizado como aprendizado diário, e as lições com certeza vão se propagar. Vejamos como a situação se desenrolou.

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O que você tem feito pra proteger o seu tempo?

Quanto vale o seu tempo?

Não, não estou falando do seu salário atual dividido por horas trabalhadas, embora esse conceito também é interessante. Estou falando do seu tempo, o tempo sob a sua percepção. E também o seu tempo pessoal, free time, o tempo que você controla. Muitos de nós nos preocupamos com a utilização do nosso tempo no trabalho, otimizando as nossas tarefas no escritório para conseguir fazer cada vez mais coisas em menos tempo, mas quando o “dever” não nos chama, ficamos meio que à deriva, sem planejar.

Desde que comecei a me interessar na Independência Financeira e o movimento FIRE, passei a me interessar muito sobre a eficiência como um objetivo de vida, e como posso usar o meu tempo, dentro ou fora do trabalho, da melhor forma possível. Desde que me interessei no assunto, percebi que de nada adiantaria ter quantidades imensas de tempo livre em casa se este é jogado fora através de TV ou surfar aleatoriamente nas redes sociais. É necessário se policiar quanto ao uso do tempo mesmo que fora do trabalho, pois ele é o seu ativo mais importante na vida.

Este conceito começou a ficar cada vez mais claro para mim, mas como um conhecimento subentendido, algo como um hábito no background. Eventualmente, assisti um vídeo do Jeff Rose, um YouTuber que referenciei anteriormente, onde ele dá um nome diferente ao mesmo conceito: proteger o seu tempo. E, simples assim, comecei a me conscientizar ativamente quanto ao uso do meu tempo livre, a fim de protegê-lo e me tornar cada vez mais eficiente.

Aqui estão alguns hábitos que uso pra proteger meu próprio tempo.

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Resenha do Pinguim #6 – The 10X Rule de Grant Cardone

Hora de mais uma resenha de livro, desta vez de uma figura que alguns meses atrás mencionei rapidamente como um palestrante motivacional e que treinava equipes de vendas nos EUA: Grant Cardone. Desde então, passei a acompanhá-lo bastante em seu canal no YouTube, o suficiente para que pudesse pegar alguns de seus conceitos-base e resolver me aprofundar em um de seus livros. Os ensinamentos dele foram sólidos para firmar a filosofia sobre um conceito: sucesso.

O que é o sucesso pra você? É um destino, como a linha de chegada lá no final da corrida? Ou seria algo dinâmico, como o horizonte, que nunca se alcança, mas se transforma a cada passo que você dá? A sua percepção pessoal sobre o sucesso faz a diferença entre você alcançá-lo ou não.

No livro The 10X rule: the only difference between success or failure (versão em Português aqui), Grant explica que, quando o assunto é sucesso, a maioria das pessoas fracassam por simplesmente não pensarem e se prepararem em escalas grandes o suficiente, ou, em outras palavras, como 10X.

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Resenha do Pinguim #5 – Série Milionários de Thomas Stanley

Depois de um grande hiato na série, o Pinguim está de volta com mais uma resenha. Desta vez, falo sobre os trabalhos do Dr Thomas J Stanley, um pesquisador Americano especialista na vida dos Milionários e High Net Worth Individuals (HNWI) dos EUA.

Provavelmente muitos da Finansfera já ouviram falar pelo menos do primeiro livro dele, The Millionaire Next Door onde ele quebra alguns mitos sobre o que significa ser milionário, mas nunca ouvi ninguém mencionando seu outro livro, follow-up do anterior, The Millionaire Mind (não confundir com o Secrets of the Millionaire Mind de T. Harv Eker, também muito bom que li, mas aborda outro contexto). Este post, assim como o anterior do Kiyosaki, irá cobrir ambos os livros.

Incidentemente, foi só depois de terminar os dois que descobri que ele havia falecido em 2015, então este post também fica como um tributo para os seus trabalhos.

Estes dois livros possuem o dom de serem altamente didáticos, com leitura fácil e simples de compreender até por um leigo, e ao mesmo tempo serem altamente técnicos com conceitos de estatística e matemática aplicada dignos de um candidato a doutorado fazendo tese. Felizmente, comparado com o Early Retirement Extreme, a leitura destes é muito mais fluida.

Stanley tem um hábito como pesquisador e acadêmico de abreviar muitos de seus termos utilizados como PAW, UAW, IA, BA, EPH, EOC, etc, e irei reproduzir alguns neste post para padronizar.

Vamos ver quais insights dos milionários podemos aprender.

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O sucesso do Arnold Schwarzenegger explicado numa única entrevista

Eu não assisto TV e minha exposição às mídias sociais são limitadas a assuntos relacionados ao meu site e diheiro em geral. Quando eu entro no YouTube, é apenas para ver vídeos motivacionais ou aprender coisas novas em epreendimento ou investimentos. Estes são os hábitos que me diferem da média e me tornam rico, mesmo que apenas em mente. Desta forma, quando a Sra. Pinguim me chamou para assistir uma entrevista no The Noite com o Arnold Schwarzenegger, eu não dei muito valor à primeira vista.

Se este post existe agora, é porque eu fui convencido do contrário. Os vinte minutos de entrevista foram mais do que suficiente para me fazer entender por que o Arnold foi bem-sucedido na vida, e até hoje se mantém ativo e promovendo os seus empreendimentos embora os seus 71 anos de idade. Se pudéssemos sumarizar as lições de sua história em uma palavra, seria dedicação.

Certamente o Arnold aprendeu o significado da dedicação nos seus anos de juventude no fisioculturismo; a dedicação é crucial para o sucesso neste esporte como qualquer adepto e praticante irá lhe falar. Mas pra ele, a dedicação vai muito além de apenas ter ganhado o Mr Olympia múltiplas vezes nos anos 70; ele usou a dedicação aprendida para construir um verdadeiro império a partir de sua imagem, sua marca pessoal, que estendeu-se no filme, empreendedorismo, uma carreira política nos EUA e eventos de fisiculturismo que levam o seu nome até hoje.

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Comentário do Pinguim: InfoMoney – 7 sinais de que você nunca será rico

Este post completa 50 posts no Pinguim Investidor! Fiquem ligados para outros 50 em breve!


Olá, Finansfera! Esta semana um leitor me enviou um artigo do InfoMoney sobre alguns hábitos financeiros ruins que impedem as pessoas de alcançar a independência financeira.

InfoMoney – 7 sinais de que você nunca será rico

O artigo é rápidamente digerido é recheado de insights interessantes, alguns que se alinham com a filosofia do Pinguim, outros soam esquisito aos meus ouvidos frugais.

Vamos ver como este artigo do InfoMoney se alinha com a filosofia do Pinguim.

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Ma looking at horizon - Freedom by Almos Bechtold on Unsplash

Quão importante é ganhar dinheiro pra você?

No fim de 2008, em meio à crise imobiliária dos EUA, Elon Musk tinha uma escolha difícil a fazer: sofrer para ganhar mais dinheiro no futuro, ou viver confortavelmente agora como mais um novo milionário Americano? Ele escolheu o dinheiro, e quase cometeu suicídio financeiro pessoal ao fazer isso.

Musk alocou o seu patrimônio completo de 180 milhões de dólares, sua maioria vindo da sua venda do PayPal, para suas novas empresas, distribuindo 5% para SolarCities e 55% para a sua já existente SpaceX, e o restante todo para a Tesla. No fim da jogada, estava tão quebrado que não possuia dinheiro nem para pagar seu próprio aluguel e teve que pedir emprestado para amigos.

A escolha de Musk foi algo que dificilmente vemos na sociedade. Poucos teriam tanta coragem para fazer um investimento de tamanho risco tão bruscamente, especialmente em áreas que ainda são tão novas e pouco conhecidas do mercado. Ainda assim, não há dúvida que a jogada foi um sucesso: no início de 2019, Musk possuía um patrimônio de 21 bilhões de dólares.

Falar de coragem e visão nesta história é comum. Porém, um lado pouco explorado desta história é a motivação de Musk: a vontade de ganhar dinheiro. No caso dele, era tão forte que ele escolheu ganhar dinheiro ao invés de ter seguramente um lugar para morar. Por que?

Porque ele sabia que ganhar dinheiro é mais importante do que ter uma casa.

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Quando o cara ensina a ganhar R$195 mil e ninguém o leva a sério

Um dos primeiros canais que comecei a assistir no YouTube assim que comecei na minha educação financeira foi o Primo Rico do Thiago Nigro. Isso era bem no comecinho, antes de perceber que a chave para ficar rico não era investir, e sim ganhar mais dinheiro. Também tinha o Bastter, Rafael Seabra, etc que eu assistia durante o meu tempo livre, almoço, etc.

Depois de um tempo, parei de assistir muitos vídeos sobre finanças e comecei a focar mais nas leituras, então parei de acompanhar os vídeos com tanta frequência. Recentemente, porém, estava vendo o canal do Primo Rico de novo e me deparei com um com um título bem desafiador, quase que clickbait: Como Juntar R$ 195 mil em 4 anos – Eu consegui, e fiz um passo-a-passo

A mensagem dele olhando hoje é quase batida já: aumente sua renda trabalhando mais, use o seu tempo disponível no fim de semana ou de noite, persista na meta, nunca será fácil, etc. Então o que mais me chamou a atenção deste vídeo não foi o conteúdo, mas sim a reação do público.

Poderíamos esperar que, pra um vídeo onde o cara acabou de explicar na lata e sem mistérios como ganhar dinheiro, a reação da platéia seria positiva e cheia de gratidão, certo? Pelo contrário, a maioria xingando o vídeo ou dizendo que não era realista o cenário.

Como é que uma pessoa te ensina a ganhar dinheiro e não é levado a sério?

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Resenha do Pinguim #4 – Lições do Robert Kiyosaki

Se você já se interessou por educação financeira na vida, há grande chance que você recebeu os livros do autor havaiano Robert Kiyosaki como recomendação, especialmente o seu bestseller Pai rico, Pai pobre. Para muitos, eles são como uma bíblia da educação financeira, com muitos empreendedores e investidores se referindo a este livro especificamente como o ponto de mudança de suas vidas.

Quando eu li o Pai Rico, Pai Pobre (PRPP) pela primeira vez, eu não possuía muito conhecimento financeiro, e assim muitos dos conceitos deste livro me pareceram controversos, até polêmicos. E não é à toa; em vários lugares você pode achar resenhas e opiniões sobre o Kiyosaki chamando-o de charlatão, mau-caráter, hipócrita (a empresa dele que promove o livro foi a falência), etc. Inclusive, há os argumentos que o “Pai Rico” em si nunca de fato existiu.

Uns 5 ou 7 livros de finanças depois, me deparei com a continuação desse livro, Rich Dad’s guide to Investing. A leitura deste livro, e o meu correspondente amadurecimento financeiro, mudou completamente o meu entendimento do primeiro, e tudo que Kiyosaki fala começou a fazer mais sentido. Vi que haviam conceitos desafiadores, intrigantes, mas que, dado um olhar crítico, faziam sentido para alcançar o sucesso financeiro.

Esta resenha irá cobrir os conceitos comuns aos dois livros combinados.

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