Até quando você será útil para os outros? O que acontece depois?

No fim dos anos 90, a trilogia Matrix revolucionou tudo que o conceito de cinema apresentava para nós. A partir de 1997 quase todos os filmes de ação começaram a colocar câmera lenta em suas cenas de armas de fogo, Kung-Fu virou o modo de combate principal dos protagonistas, e roupas escuras se tornaram a vestimenta de escolha para o protagonista cool.

E em paralelo ao enredo poderoso de efeitos especiais e estilização, a filosofia e a história dos filmes também foram responsáveis por cativar milhões de fãs pela série, incluindo várias referências de trabalhos históricos, como a Alegoria da Caverna descrita por Platão na antiguidade e provavelmente apenas conhecida em massa hoje por conta deste filme.

Em meio a tantos temas interessantes e outros highlights de uma série literalmente revolucionária, há uma cena em particular que me chama atenção do ponto de vista FIRE e da minha filosofia de vida pessoal que desenvolvi ao longo da minha jornada pela educação financeira. Nela, debate-se um dos pontos cruciais sobre o sentido da vida: até que ponto você é útil para a sociedade? Talvez mais importante é a pergunta que segue: o que acontece quando você passa a não ser mais útil?

A verdade é que, quanto mais cedo você obter uma resposta para estas duas perguntas, mais preparado estará para enfrentar uma situação adversa que venha a envolver o seu salário, e mais apto estará a levar a vida nos seus próprios termos. Vejamos porque interpretar estas perguntas é tão crucial ao nosso planejamento pessoal, e o que pode acontecer com quem ignora ou posterga esta decisão.

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Bounty hunters: mais uma ótima razão para manter suas finanças em dia

Você está em casa numa sexta-feira à noite, assistindo TV e relaxando com uma cerveja gelada depois de uma semana difícil e estressante no trabalho. Sua família está também relaxando e aproveitando a noite, aproveitando a folga do dia seguinte para ficar acordados até mais tarde. Tudo perfeitamente tranquilo para começar bem o fim de semana.

Eis que num brusco barulho, a porta da sua casa é arrombada do alicerce e uma equipe de cinco homens trajando uniformes camuflados, completos com máscaras de gás, coletes e escudos balísticos invadem a sala, berrando para todos deitarem no chão. Eles carregam fuzis, tasers, granadas de fumaça e algemas, e não têm tempo para perguntas. Incapaz de reagir, você e sua família obedecem às ordens, sem ter qualquer idéia sobre quem são tais pessoas ou a razão para este ocorrido.

Enquanto outros membros revistam as demais cômodas da casa, o suposto líder do esquadrão te algema enquando recita um ditado pré-memorizado assustador:

“Senhor Fulano, somos caçadores de recompensas autorizados pela XY delegacia da cidade a executar esta prisão. Você está sendo preso por não cumprir as ordens da corte de se apresentar para justificar a falta dos pagamentos do seu carro. A sua ausência no tribunal no dia do julgamento acarretou nesta ordem de prisão.”

Então é isso. Você tem dívidas com o carro e não pôde honrá-las. É por isso que você está sendo arrastado para fora da sua casa em algemas. Sem tempo para poder protestar ou justificar, você é trancado no porta-malas do utilitário preto parado atravessado na rua e levado a caminho da delegacia. “Da próxima vez,” acrescenta o líder acendendo um cigarro, “não compre aquilo que não consegue pagar.”


Enquanto esta cena poderia ser abertura de um filme de ação ou parte do próximo livro de ficção do Pinguim A-Team: Esquadrão Antártica, surpreendentemente, não é. Trata-se de simplesmente mais um dia no trabalho de um Bounty Hunter nos Estados Unidos, cuja missão é apreender aqueles que devem dinheiro ou retomar a propriedade de quem não honrou com seus pagamentos.

Embora esta realidade com indivíduos armados seja pouco provável no Brasil (talvez exceto por agiotas), ela revela um aspecto perigoso das dívidas, e apresenta mais uma razão pela qual um bom planejamento financeiro é crucial para uma vida tranquila e próspera: a sua liberdade literal pode depender disso.

Vejamos mais neste post.

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O que dá mais felicidade: dinheiro ou liberdade?

A vida pode ser resumida como um processo de procura. Procura de comida, recursos, segurança, relacionamentos e – por que não – felicidade. Nada é estático, e nada é igual ao que passou, tornando viver um real processo de mudança constante. Não só isso significa que temos que ter flexibilidade e agilidade em nossas ações e planejamento, mas também que devemos ter nossos objetivos e horizontes bem demarcados em nossa visão quando estamos correndo na direção deles.

Alguns dizem que o dinheiro não traz felicidade, outros discordam completamente – e este assunto tão velho quanto o mundo prossegue sem uma resposta comum, provavelmente para sempre. Porém, uma visão moderna sobre este assunto, pensada pelo lado FIRE, traz um novo ponto de vista à mesa: o verdadeiro valor do dinheiro está em prover liberdade. Podemos ver o dinheiro de várias formas – um recurso escasso ou abundante, medida de poder, ganância – mas é na liberdade individual provida através da renda passiva que obtemos o melhor uso dele.

Enxergar o dinheiro como uma medida de liberdade nos auxilia a enxergar os objetivos de forma melhor, mas e se tivéssemos a possibilidade de obter puramente a liberdade independente do dinheiro – seríamos mais felizes? Segundo um estudo realizado nos Estados Unidos em 2016, a resposta parece ser sim. Será que isso significa que não devemos, então, procurar por dinheiro e repensar por inteiro nossos objetivos FIRE? Não exatamente, mas os insights desta pesquisa nos agregam considerações interessantes para agregar na nossa jornada.

Vejamos mais neste post.

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Aposentadoria móvel e flexibilidade – ainda podemos confiar na regra dos 4%?

A maior fraqueza dos adeptos à filosofia FIRE (acrônimo para independência financeira, aposentadoria precoce em inglês) é a mesma coisa que os torna poderosos em primeiro lugar: os seus investimentos. Quando seguimos a filosofia à risca, buscamos acumular patrimônio investido para obter renda passiva o suficiente para cobrir todos os nossos gastos de vida – numa condição conhecida como Independência Financeira. Um conceito simples, mas que revolve em torno de uma questão de ouro: quanto, exatamente, é necessário para isso acontecer?

Como praxe, utiliza-se uma famosa guia conhecida como regra dos 4%, descoberta inicialmente pelo americano William P. Bengen em 1996. O estudo de Bengen e o Trinity Institute concluiu que, historicamente falando, recém-aposentados poderiam sacar anualmente até 4% das suas carteiras de investimento sem ficar sem dinheiro durante o resto da vida. Este número ficou tão famoso que nomeou a regra, e ficou conhecida como taxa segura de retirada (TSR).

Por trás da brilhante simplicidade desta fórmula, porém, existem vários pressupostos ocultos que, embora comuns no ambiente estudado por Bengen, podem ser longe da realidade de um FIRE brasileiro. E quando sua estratégia inteira de aposentadoria se baseia nesta única fórmula, um erro de cálculo pode se tornar um desastre no longo prazo.

Durante o começo da crise do coronavírus em 2020, muitos corretamente se questionaram sobre a validade da regra dos 4% num ambiente econômico mais volátil e menos maduro como o Brasil, culminando com o post da Yuka do Viver Sem Pressa onde ela disserta sobre a necessidade da flexibilidade numa vida pós-FIRE no Brasil. E em meio a tudo isso, com a bolsa novamente se recuperando, a velha pergunta permanece: ainda podemos confiar na regra dos 4%, afinal?

A realidade é que, embora sua aplicabilidade seja duvidosa num cenário de países em desenvolvimento, ainda podemos utilizá-la como um guia para o nosso macroplanejamento financeiro. Veja neste post como.

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Mais um emprego não vai te salvar

Quando se trata do esporte favorito de todos, reclamar deveria estar rankeado entre um dos top 5. Infelizmente, a maioria pratica este hábito destrutivo com tanta naturalidade que ne chegam a perceber que estão de fato perpetuando o hábito. Reclama-se de tudo, da vida, da cidade, da política, da família e – acima de tudo – da situação financeira atual.

Tratando do assunto das suas finanças pessoais, a maioria acredita que, não importa qual a sua situação financeira atual, tudo seria melhor se simplesmente tivessem um emprego melhor. Um chefe mais compreensivo, uma rotina menos estressante, um local de trabalho mais acessível. Ah sim, e com certeza um salário maior. Elas predicam o se sucesso financeiro (ou falta de) num único fator fora do seu controle que é o trabalho e o salário recebido. Não só esta visão de dependência completa sobre o trabalho é extremamente limitante, mas ela também se torna o fator primário pelo qual elas passam a detestar o trabalho.

O grande problema é que, ao contrário do que as gerações anteriores acreditavam e seguiam, hoje em dia apenas um emprego melhor não vai salvar a sua vida financeira. Existem muitos fatores na atualidade que jogam contra você que simplesmente não existiam nas gerações passadas, que acreditavam em salários vitalícios, empresas perenes e um Estado “coruja” capaz de sustentar a todos. Uma população cada vez mais velha, competição cada vez maior e uma cultura de crescente outsourcing significa que o conceito de salário se torna cada dia menos poderoso e mais incerto quando se olha para o futuro.

Como, num cenário incerto e caótico como este, você deve então garantir a sua segurança financeira? A resposta, novamente, é: investindo.

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Podcast do Pinguim: Aporte, Liberdade, e o Fator Pinguim

A independência financeira é mais do que simplesmente uma condição de riqueza pessoal; ela simboliza a sua liberdade num mundo onde o dinheiro é a condição habilitadora para obter qualquer forma de produtos ou serviços na sociedade.

Desta forma, o quanto e como você usa o dinheiro refletem bem a sua condição e saúde financeira gerais. Especificamente, a sua taxa de aporte – o quanto você consegue economizar e investir todo mês – é uma medida vital que informa o quão rápido você conseguirá atingir a condição de independência financeira. Quanto maior ela for, mais rápido você chegará até a sua liberdade completa financeira.

Assim, podemos analisar como um fator que foi apelidado por um leitor de “Fator Pinguim” representa quão rápido você poderá chegar de fato até a independência financeira, e ele possui uma ótima notícia: ele não depende de quanto dinheiro você ganha.

Veja mais sobre como o Fator Pinguim funciona nas suas finanças neste episódio.

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Podcast do Pinguim – Dinheiro e Liberdade Pessoal

Se existe um único conceito que todos deveriam aprender quando se trata da educação financeira, este é a relação entre o dinheiro e a liberdade pessoal.

Os ricos não perseguem o dinheiro simplesmente para cegamente acumulá-lo; eles possuem um propósito maior para acumular esse dinheiro. E a verdade é que, gostando ou não, o dinheiro se tornou a medida mais próxima de liberdade que possuímos na vida moderna.

Pense nisso: você poderia ir para uma casa de praia passar uma temporada se quisessse? Provavelmente não, e a razão principal não deve ser a falta de dinheiro, mas sim a falta de tempo e permissão. Você está atado ao seu emprego atual, o que lhe limita a liberdade de ir onde você quer e quando você quer.

Colocando o dinheiro em abundância nesta equação, duas coisas acontecem: você passa a não se preocupar tanto com o seu emprego atual (afinal, você não depende mais do salário), e você passa não se preocupar com o tempo que estaria improdutivo, sem render um salário. E quando você atinge a independência financeira, é exatamente isso que acontece.

Neste episódio, exploro como a procura por riqueza é – no final das contas – sempre em relação à liberdade, e como suas decisões financeiras podem te aproximar ou afastar deste destino tão sonhado.

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As cinco dimensões da riqueza

Quando se trata do seu objetivo de vida, muitos preferem escolher âmbitos e metas que tentam mais refletir um bom estilo de vida e tranquilidade com paz de espírito. Gostaria de viajar pelo mundo, dizem. Quero uma casa no campo e uma vida tranquila. Ter tempo para a minha família todos os dias. Ter a liberdade para fazer tudo aquilo que eu quiser sem precisar correr riscos ou fazer algum sacrifício. Quem pensa em dinheiro ou ser rico como objetivo de vida é tido como ganancioso ou mesquinho.

O que não fica explícito, porém, é que cada um destes objetivos precisa de dinheiro para acontecer. Nenhum deles poderia acontecer sem a pessoa necessariamente estar numa condição de Independência Financeira para realizá-los. E assim, revela-se a necessidade de ter riqueza como condição primária para a sua liberdade básica, mas esta liberdade não está simplesmente apenas no quesito financeiro.

Existem cinco dimensões distintas da riqueza que você precisa dominar para se tornar uma pessoa bem-sucedida e realmente conseguir alcançar seus objetivos de vida, quaisquer que estes sejam. Quando apenas algumas destas dimensões são cumpridas, o resultado é uma vida desbalanceada, onde o foco se encontra apenas em ganhar dinheiro e esquecer o resto da vida e não se atribui sentido no processo. O resultado é uma tendência a ser desencorajado e a depressão. Portanto, é importante manter sempre em mente estas dimensões quando falamos de riqueza. Ao invés de tratar o dinheiro como a coisa mais importante do mundo, as pessoas ricas entendem cada uma das dimensões da riqueza e as incorporam em suas vidas.

Explicarei mais sobre estas dimensões da riqueza neste post.

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Resource Scoping, ou por que você não deve pegar sempre o maior e mais bonito

Afinal, vale a pena pagar bem mais e comprar o iPhone ao invés de outros smartphones baratos, já que ele tem especificações boas e pode durar por mais tempo no futuro?

Esta pode ser a pergunta mais feita durante a última década inteira com a popularização dos smartphones e aumento de explosivo dos dispositivos Android em competição aos iPhones. Ainda mais com as emoções e preferências fortes de cada usuário, com “guerrinhas” de Android vs iPhone pipocando em vários fóruns e cantos da internet com argumentos de veracidade duvidosa.

Deixando de lado os argumentos pessoais e de preferência pessoal, porém, esta pergunta ainda esconde um dilema maior das finanças pessoais: vale a pena gastar a mais para ter um bem que pode durar mais tempo até a troca? Existem várias histórias que parecem suportar este argumento. Alguns minimalistas, por exemplo, passaram a comprar coisas como roupas de marca porque embora o custo inicial ser maior, a qualidade e a durabilidade delas é superior. Será que esta idéia, porém, poderia ser levada para outras coisas da vida?

Embora o apelo à primeira vista faça sentido – você gastar uma quantia maior de antemão, mas ser compensado no fato que o seu produto não precisará ser reposto tão cedo – existem outros fatores que devem ser considerados, senão uma jogada de marketing poderá tomar do seu julgamento. Entra aqui um fator bem conhecido entre aqueles que trabalham na TI, chamado de Resource Scoping, que ajuda você a pagar apenas aquilo que você precisará.

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O dinheiro não compra felicidade, mas…

Dinheiro não traz felicidade!
O dinheiro corrompe as pessoas! Ele não vai te trazer sentimentos genuínos e significantes!
Você não vai poder levar o dinheiro consigo depois da morte.

Atire a primeira pedra quem nunca ouviu alguma coisa do gênero. Crenças limitantes e destrutivas do dinheiro, idéias que mentalmente limitam a sua capacidade de enriquecer são basicamente parte do cotidiano daqueles que não conhecem o verdadeiro valor do dinheiro em trazer liberdade. Ao mesmo tempo, temos uma reação defensiva de deboche quando confrontados com uma situação envolvendo muito dinheiro, como bilionários velhos se casando com pessoas jovens de origens humildes.

Embora precisemos policiar nossas percepções para não limitarem quanto aquilo que acreditamos ser possível, temos que admitir que ainda assim existem coisas abstratas que o dinheiro não consegue comprar diretamente: felicidade e amor, por exemplo. Alguns componentes cruciais da felicidade humana não estão à venda, e esta pode ser a explicação por trás das várias histórias de milionários que caem em depressão ou até se suicidam. O dinheiro, por mais que um superpoder, ainda não é onipotente.

Ainda assim, uma proposta que parece desafiar este conceito recentemente chocou a internet: um bilionário japonês chamado Yusaku Maezawa lançou em Janeiro deste ano um concurso mundial para escolher sua parceira para juntar-se a ele no primeiro voo interplanetário comercial da história. Maezawa está tão confiante no potencial deste concurso para encontrar-lhe o par perfeito que colocou condições específicas e datas limites em cada parte do processo seletivo; as vagas para aplicação inclusive já se fecharam no dia 17 de Janeiro. E ele tem pressa: ao final de Março 2020 já podemos esperar que a felizarda seja escolhida.

Será que o dinheiro se tornou capaz de comprar até isso, o amor? Só a história entre os dois pombinhos dirá. Enquanto isso, a maioria de nós pode abstrair de casos excepcionais como o de Maezawa, e focar ao invés disso em outra coisa muito mais realista que o dinheiro pode trazer para você, eu e todos: capacidade.

Qual é o papel do dinheiro utilizado, e por que casos como o de Maezawa possuem tanto apelo emocional para as pessoas?

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