Estoicismo: lições diárias da vida

Embora aqui no Pinguim Investidor eu tenha escrito bastante sobre desenvolvimento pessoal e frequentemente menciono o Estoicismo como um dos pilares que me baseio pra desenvolver a minha filosofia pessoal, percebi que ainda não havia escrito um post falando do Estoicismo especificamente. Já escrevi há um tempo sobre o hedonismo, que seria o extremo oposto do estoicismo por focar puramente no prazer humano, mas nunca abordei o tópico diretamente. Seria injusto eu deixar este tópico que tanto menciono no blog sem o seu próprio post, então tomei a iniciativa de dissertar ao máximo que sei sobre ele.

O estoicismo, se eu tivesse que sumarizar em algumas palavras, é uma filosofia sobre as lições diárias da vida. É sobre como você aprende a lidar com os momentos inesperados e não ser afetado tão negativamente, e melhora continuamente com cada dia que passa. Como toda habilidade humana, é necessário a prática contínua e diária para aprendermos com a experiência e melhorarmos. Não adianta simplesmente ler os textos estóicos e se achar o iluminado no assunto.

Este aprendizado constante necessário para entrar no approach estóico pode frustrar um pouco o iniciante (foi assim comigo no começo) então com este post espero conseguir clarificar um pouco sobre esta filosofia, e possivelmente, convencer alguns leitores curiosos a experimentá-la para o benefício próprio.

Vamos ver como que é.

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Como a Finlândia ensina a ser feliz, e o que você pode aprender com isso

Os países nórdicos são tidos por muitos como modelos ideais para uma sociedade. Desenvolvimento Humano, liberdade, baixíssima percepção de corrupção e outros valores são presentes em suas sociedades, e isso lhes traz retorno; a Finlândia, por exemplo, foi rankeada o país mais feliz do mundo pela segunda vez consecutiva em 2019.

Certamente a Finlândia soube capitalizar em cima deste fato. Há um programa de turismo promovido sob a tagline Rent a Finn, onde você pode contratar um “especialista em felicidade” como o seu guia turístico para conhecer o jeito Finlandês de ser feliz. E, há alguns meses atrás, tal programa foi viralizado quando foi anunciado que tal programa seria disponibilizado de graça para alguns poucos sortudos que fizessem os melhores vídeos explicando porque mereciam ganhar a campanha.

O deadline para esta campanha infelizmente já passou. Porém, as lições da Finlândia continuam disponíveis, de graça, para você; basta apenas que você comece a ver a vida sob os mesmos olhos que os felizes Finlandeses. Pra mim, muito do que eles praticam e ensinam reverberam com o estoicismo.

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Marshmallow by Jessica Ruscello on Unsplash

O que um Marshmallow pode dizer sobre o seu sucesso

Você é criança e está na sala de uma casa de um amigo dos seus pais. Os adultos estão lá, jogando conversa fora sobre assuntos de gente grande, enquanto você não consegue tirar os olhos do que, no momento, parece ser o Santo Graal. Há uma doceira cheia de marshmallows na mesinha de centro da sala.

Conversa vai e conversa vem, o amigo dos seus pais percebe você vidrado na doceira e finalmente se posiciona: “ô, fulaninho, que é que tanto você olha pro vidro? Você gosta de marshmallow, é?

Você simplesmente balança a cabeça timidamente. “Ah, que bonitinho! Por que não tinha me falado isso antes?” A vitória parece certeira para você quando ele se movimenta para abrir a doceira e liberar o acesso quando sua mãe, para o seu sofrimento, interrompe:

“Péraê… alto lá, fulaninho, é quase hora do almoço já. Se você comer doce agora não vai almoçar!”

Droga! Estávamos tão perto! Mas tudo não está perdido ainda. Seu pai tenta apaziguar o conflito aproximando todos de uma solução comum:

“Calma gente, por que a gente não faz o seguinte: como está quase na hora do almoço, o fulaninho pode comer um só marshmallow nesse momento. Mas, se ele esperar o almoço, poderá comer quantos marshmallows tiverem aí na doceira.” Sua mãe concorda.

O que você faz? Come um marshmallow agora ou espera para poder comer mais depois?

Incrivelmente, a sua resposta como criança para esta situação pode ditar o seu sucesso na vida, como demonstrado num experimento psicológico em Stanford.

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Atenção: Hedonismo mata (e te empobrece no processo)

Em Junho deste ano, a designer de moda Kate Spade, fundadora da marca de bolsas femininas que carrega seu próprio nome cometeu suicídio em Nova Iorque aos 55 anos de idade. Spade, que na época morava em Manhattan, comandava desde 1993 uma empresa com mais de 175 lojas mundialmente e possuía mais de 200 milhões de dólares em patrimônio pessoal, batalhava a depressão já há algum tempo, que culminou no suicídio em questão – completo inclusive com um bilhete final endereçado à filha.

Resumidamente, foram 25 anos de trabalho e 200 milhões de dólares para… literalmente nada.

O ditado “dinheiro não traz felicidade” é das antigas, mas nas décadas recentes caiu no esquecimento quase que total em parte por causa da necessidade de ostentação compulsiva na sociedade contemporânea. São necessárias notícias como essa para relembrar o pessoal quão frágil é o estilo de vida centrado ao consumismo, mas um lado que não é mostrado por estas é a razão pela qual o ditado é verdadeiro: a adaptação hedônica.

A procura infinita da felicidade

O Hedonismo é a filosofia que prega a procura dos prazeres da vida. Segundo os hedonistas, se existem momentos bons e ruins na vida, nós devemos maximizar o tempo passado com os bons e minimizar os ruins. Isso soa como uma boa estratégia, até o momento de traduzí-la para o contexto atual.

Seriam os tais prazeres da vida fazer um piquenique simples no parque na beira do lago com a família? Não no século 21. Que tal uma casa pequena e confortável numa cidade pacata e tranquila? Os 30-e-poucos com carreira crescente de hoje discordam. Frutas frescas pra comer? Só se forem orgânicas vindas do Hortifruti. Tranquilidade mental? É melhor ter 1000 likes na rede social.

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O maior perigo, porém, não é o hedonismo em si, mas a sua combinação com a natureza humana de se adaptar às condições que nos cercam. Essencialmente, como a sociedade igualou felicidade com demonstrações materiais de riqueza, acabamos sempre querendo, ou até precisando de mais. Assim, o feijão com arroz e ovo que enchiam a barriga perfeitamente há alguns anos atrás hoje não te apetecem mais – você quer salmão defumado e bifes suculentos. O carro de 5 anos atrás, que para qualquer propósito no ponto de vista prático está em perfeitas condições, não te presta mais e você está olhando um novo. A casa que te aconchegou e protegeu desde criança não conforma mais ao seu estilo de vida “superior.”

Mas esta insaciação não é boa para o seu crescimento e desenvolvimento pessoal? Absolutamente. Para o seu padrão de vida financeiro? Um veneno lento que te levará ao túmulo, one step at a time.

Enquanto as vacas parecem gordas e, pior, eternas, a pessoa não vê nenhum problema com a filosofia. Quais são as piores coisas que poderão acontecer com este estilo de vida?

A primeira, e mais fácil de acontecer, é as finanças não acompanharem os desejos, causando uma dívida eterna e inalcançável.

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A famosa “rat race” dos anglofônicos

A segunda, se sua vida financeira “der certo,” é seguir os passos da Kate Spade e se afogar numa vida transbordando de grana graças ao veneno do hedonismo.

Existe alguma alternativa?

O estoicismo é uma das filosofias de vida que combate a adaptação hedônica. Em suma, prega o seguinte: aprenda a apreciar o que você tem através da consideração que tudo isso pode a qualquer momento ser perdido. Desta forma, sua felicidade é lastreada no que você já possui, e você não no que você deseja.

O praticante do estoicismo não enxerga o copo meio vazio, nem meio cheio; ele simplesmente enxerga… um copo!

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Credit: SachaChua.com – ps: blog excelente!

Enxergando as coisas atuais que se possui no momento e como elas poderiam ter sido muito piores se algo tivesse dado errado ou alguma circunstância fosse diferente no passado causa o praticante a ser muito mais agradecido pela vida que possui e, conversamente, mais feliz.

Não digo que o estoicismo é a filosofia de vida perfeita, nem que é a mais apropriada para você. Na minha própria experiência, envolve realizar amadurecimento psicológico e uma disciplina intensa que muitos não estão dispostos a praticar. Mas pelo menos, neste quesito, oferece uma alternativa que não depende de consumo compulsivo e descontrolado como uma droga para receber felicidade.

Abraços!