Faux-Minimalismo: quando o menos nem sempre é mais (para as finanças)

No caminho para uma vida com mais realização pessoal e sentido, muitos se viram para o minimalismo como uma filosofia de vida para se liberarem do mal do consumismo descontrolado como fonte de prazer e organizarem melhor suas vidas em torno daquilo que realmente lhes faz feliz.

Eu mesmo tenho tentado me aventurar neste mundo e me tornar mais minimalista, mas ainda existem algumas barreiras me segurando: seja algum hábito que eu tenho, gazingus pin sendo comprado por impulso, ou até mesmo por não medo de me desfazer de alguma coisa que eu possa “vir a precisar.” Acredito que tenho tido um pouco de progresso individual, mas ainda tenho muito a evoluir neste quesito.

E enquanto o movimento do Minimalismo têm ganhado força mundialmente, em parte por conta de filósofos minimalistas famosos como Josh Millburn e Ryan Nicodemus, não posso deixar de notar que uma outra parte do mundo também tem aproveitado o crescimento deste movimento para lucrar vendendo o seu complemento aos adeptos desta filosofia. Nada de novo e nem errado aqui; afinal, quando se descobre ouro em algum lugar, lucra quem vende as pás.

Design simplista? Qualidade sobre quantidade? Acumular experiências ao invés de coisas? Sim, soam todos como atitudes bem orientadas ao minimalismo, mas será que continuam orientadas ao bem-estar da sua carteira? Para mim, alguns destes conceitos formam o que vim a chamar de faux-minimalismo, uma filosofia disfarçada de minimalismo, mas com a segunda intenção de obter o seu dinheiro e tirando parte da sua liberdade financeira em troca de uma aparência de minimalista.

Quais aspectos deste falso minimalismo podem deteriorar suas finanças? Vejamos neste post.

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Adaptação Hedônica: a razão pela qual você desmerece a sua vida

Já sentiu aquele “cheirinho de carro novo?” Ele se desfaz depois de alguns meses de uso. Seu computador que antes era o top de linha hoje parece um grande inútil. Seu restaurante favorito se torna batido quando você almoça lá muitas vezes. Por que o ser humano é tão difícil de saciar?

A resposta está na nossa tendência natural de adaptação hedônica. Ela é a nossa tendência natural a se acostumar às mudanças com o tempo, e com isso, desejar mais também.

Ao passo que a adaptação hedônica foi crucial em nossa evolução (nos dá resistência e resiliência para viver a vida), se não a mantermos em cheque, ela pode arruinar nossa felicidade a longo prazo. Por isso, é necessário saber buscar felicidade de outras formas. O estoicismo, por exemplo, procura combater nossa adaptação hedônica através da racionalidade e procura interna da felicidade.

Neste vídeo, mostro como você pode aplicar estes conceitos também na sua vida, e impedir que a adaptação hedônica acabe com a sua vida financeira.

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“Não é suficiente, então não vale à pena.”

Mesmo que eu siga os seus conselhos e corte este gasto recorrente da minha vida, só estarei economizando uns R$80000 ao longo de dez anos, e isso não é suficiente para se aposentar. Portanto, pra mim não vale a pena o esforço e o sacrifício.

Quantas vezes já não tentamos convencer alguém a economizar mais e viver uma vida mais eficiente financeiramente apenas para que esta pessoa trágicamente conclua que ela não conseguirá economizar o suficiente para se tornar FIRE e, por isso, conclui que é inútil tentar.

Esta visão de curto prazo e imediatismo é a causa mais comum pela qual as pessoas não conseguem enriquecer em primeiro lugar. É uma relação direta com a mentalidade de quem não consegue economizar ou aportar a mais. O imediatismo é a razão pela qual as pessoas desistem de tentar qualquer coisa que não dê resultados em menos de um ano, ou precise sacrificar alguma coisa que não traga um retorno imediato que justifique esta “privação.”

O problema é que na mesma moeda, esta mania de ver tudo no curto prazo é a mesma razão pela qual a maioria nunca irá enriquecer. Cada vez que você se convence que R$80000 lá na frente não é o suficiente, R$40000 não é suficiente, ou até mesmo R$10000 no fim de dez anos não são suficientes, você está se colocando mais fundo numa posição de não enriquecimento, de mediocridade financeira. Isso é porque esta visão e mentalidade ignoram a capacidade que temos de combinar economias e apreciá-las de uma maneira similar aos juros compostos, e também da capacidade humana de se motivar e conseguir poupar ainda mais. Vou detalhar mais sobre esse tópico a seguir.

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Resource Scoping, ou por que você não deve pegar sempre o maior e mais bonito

Afinal, vale a pena pagar bem mais e comprar o iPhone ao invés de outros smartphones baratos, já que ele tem especificações boas e pode durar por mais tempo no futuro?

Esta pode ser a pergunta mais feita durante a última década inteira com a popularização dos smartphones e aumento de explosivo dos dispositivos Android em competição aos iPhones. Ainda mais com as emoções e preferências fortes de cada usuário, com “guerrinhas” de Android vs iPhone pipocando em vários fóruns e cantos da internet com argumentos de veracidade duvidosa.

Deixando de lado os argumentos pessoais e de preferência pessoal, porém, esta pergunta ainda esconde um dilema maior das finanças pessoais: vale a pena gastar a mais para ter um bem que pode durar mais tempo até a troca? Existem várias histórias que parecem suportar este argumento. Alguns minimalistas, por exemplo, passaram a comprar coisas como roupas de marca porque embora o custo inicial ser maior, a qualidade e a durabilidade delas é superior. Será que esta idéia, porém, poderia ser levada para outras coisas da vida?

Embora o apelo à primeira vista faça sentido – você gastar uma quantia maior de antemão, mas ser compensado no fato que o seu produto não precisará ser reposto tão cedo – existem outros fatores que devem ser considerados, senão uma jogada de marketing poderá tomar do seu julgamento. Entra aqui um fator bem conhecido entre aqueles que trabalham na TI, chamado de Resource Scoping, que ajuda você a pagar apenas aquilo que você precisará.

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Dez anos depois: por que é tão difícil associar mudanças pequenas com grandes resultados?

Diz a história que quando Galileu Galilei tentou provar à sociedade italiana do século 16 que a terra girava em torno do Sol, os céticos retrucaram o argumento olhando as gaiolas de passarinhos da praça. Se a terra gira em torno do Sol como ele dizia, por que os pássaros da praça não caem das suas gaiolas?

O resto, como dizem, é história, mas desde aqueles tempos podemos ver que a mente humana não consegue visualizar mudanças sutis, surpreendendo-se apenas com uma mudança enorme ao longo do tempo.

Podemos ver este efeito em ação toda vez que alguém nas redes sociais posta alguma transformação antes e depois, ou algum throwback da vida; só percebemos os resultados quando eles têm uma transformação significante. Por isso nos impressionamos quando vemos fotos antes e depois da academia, prédios depois de completos vs durante o terreno baldio, e milionários que aparecem “da noite para o dia” sem ninguém ter acompanhado os anos de trabalho duro que eles tiveram que passar.

Para nós do FIRE esta realidade é rotina, pois sabemos que nosso projeto é para o longo prazo, e conversamente não podemos esperar mudanças grandes rápidas. Porém, alguns aspirantes e observadores do movimento FIRE e educação financeira se decepcionam com este fato; eles não veem o poder que pequenas mudanças – mas mudanças-chave – podem causar ao longo de uma grande jornada.

Este pode acabar sendo o maior tesouro do movimento FIRE: são aqueles menores hábitos, como escolher a fazer seu próprio café ao invés de comprar pronto todo dia, utilizar as lacunas de tempo que existem no seu dia, e simplesmente encontrar felicidade e conhecimento na rotina da sua vida que lhe levará à independência financeira ao longo da viagem.

Como as mudanças grandes se tornam resultado direto das nossas mudanças pequenas cruciais?

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FOMO: provavelmente a sigla mais destrutiva da sua vida

Você está sozinho de noite, fazendo alguma coisa produtiva que planejou anteriormente para desenvolver alguma das suas habilidades, e vê no seu celular o seu timeline: pessoas “se divertindo” de inúmeras formas que você não poderia ter imaginado. Selfies com sorrisos, língua de fora, copos e taças brilhantes com bebidas e ambientes luxuosos.

Neste momento, aquele sentimento ataca. Aquele que cria uma ansiedade e faz uma insegurança começar a borbulhar por dentro de você. Aquele que faz você se preocupar com e questionar a sua escolha para hoje à noite. Aquele que te deixa deprimido por achar que todos ao seu redor estão vivendo um momento melhor do que o seu. E, se deixado crescer descontroladamente, poderá acabar com a sua saúde mental.

Você pode conhecer este sentimento por vários nomes, mas eu me refiro a ele por FOMO, significando Fear Of Missing Out en Inglês.

Ao passo que FOMO pode ser inicialmente dispensado como uma coisa insignificante, como uma coisa de adolescentes tentando se tornar popular na escola, mas graças à onipresença das mídias sociais e propaganda nos dias atuais, tal tendência se espalhou para quase todas as nossas premissas atuais. Happy hours do trabalho, noitadas em bares e boates, e férias paradisíacas invadem nossos espaços mais frequentemente do que imaginamos. E nós mesmos, na nossa curiosidade humana, sabotamos nossa sanidade querendo saber mais, numa manobra com um pequeno toque masoquista.

O efeito “oposto” ao FOMO também existe. Não tenho um nome para ele, mas você também conhece: é aquela aversão em “perder qualquer oportunidade” que leva a pessoa a tentar estar em mais lugares e fazer a maior quantidade de coisas possíveis. Os efeitos de uma vida hedonística como esta são desastrosos: exaustão, depressão quando não conseguem honrar suas próprias expectativas e um rombo enorme no bolso.

É quase impossível achar alguém que consiga se livrar 100% do FOMO, e eu mesmo sou “vítima” dele frequentemente. Porém, com uma aplicação de racionalidade e disciplina, junto a um planejamento consciente, consegui reverter muitos dos efeitos que o FOMO costumava ter na minha vida. Neste post vou compartilhar algumas técnicas que me ajudaram neste caminho.

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Estoicismo praticado #1 – Visualização Negativa

Há alguns meses publiquei um post com uma introdução sobre o estoicismo e seus conceitos-base de funcionamento. O sucesso deste post foi grande, e ele se tornou eventualmente o post mais lido do blog. Fazendo juz à esta peça crucial da filosofia do Pinguim, resolvi iniciar mais uma série aqui: o Estoicismo Praticado, onde explico como cada um destes conceitos funciona na prática. Espero que gostem!


Uma pesquisa rápida sobre o estoicismo traz quase de imediato uma referência sobre a visualização negativa. Este conceito, quando ouvimos pela primeira vez, um pouco obscuro, talvez até tenebroso. Estóicos realmente conseguem sentir felicidade contemplando coisas como a morte ou a doença? Estóicos devem ser ótimos para arruinar festas!

Embora à primeira vista, esta é a reação das pessoas acostumadas a “focar na felicidade,” ou “fazer o que lhe agrada,” quando investigada, a visualização negativa se torna uma das ferramentas mais poderosas disponíveis no estoicismo, e pode fazer a diferença entre se sentir feliz e agradecido versus ficar fragilizado e deprimido com uma situação desagradável.

Neste post de abertura, vou ensinar como a visualização negativa nos permite colher felicidade até onde nos acontecimentos ruins.

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Eu tenho tempo demais, e você também. E isso é um problema.

Se me pedissem para sumarizar a vida moderna numa única palavra, esta seria “agora.” Tudo precisa ser instantâneo, para agora, e qualquer distanciamento deste conceito se torna sinônimo de falta de qualidade. Agilidade não é mais um extra, e sim parte crucial do caráter vencedor da pessoa. Comunicações são instantâneas, carregando texto, voz e imagens a longuíssimas distâncias sem atraso. Meios e sistemas de transporte estão no pico da velocidade utilizável, e com capacidade expandindo cada vez mais. Para todos os propósitos, a vida se tornou extremamente eficiente em economizar tempo. E como consequência, todos nós recebemos quantidades enormes de tempo livre disponível.

Peraí, peraí… Pinguim, você está maluco? Ninguém tem tempo hoje em dia. E você acha mesmo que todo mundo GANHOU tempo? Sim, exatamente! É isso mesmo que estou falando. Afinal, ninguém consegue se enxergar vivendo num mundo pré-internet hoje, sem a facilidade de acesso à informação e comunicações rápidas, não é mesmo? Então sim, a sociedade ganhou tempo, quantidades de horas inpensáveis há algumas décadas. Mas mesmo assim, uma reclamação frequente hoje em dia é justamente o oposto; ninguém parece ter mais tempo para nada.

Esta relação é inicialmente um paradoxo, mas se torna clara quando começamos a analisá-la, e percebemos que ao resolver um problema antigo (falta de tempo), por consequência criamos um outro, a abundância de tempo. Sim, eu e você ambos temos tempo demais. E este é o novo problema, o novo cigarro do século 21.

Como a abundância de tempo pode ser um problema atualmente?

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Estudo de caso #2: presentes de grego financeiros

Dando continuidade a uma série antiga, tenho hoje mais um estudo de caso para compartilhar aqui. Enquanto estive de férias visitando minha cidade natal, tive a chance de colocar a conversa em dia com um amigo. Num café, Diego comentou que descobriu o Pinguim Investidor e parabenizou pelo conteúdo, embora não quis fazer uma consultoria informal. Ele comentou porém, sobre um fato lamentável que acontecia em sua família, onde um hábito difundido internamente causava um rombo nas finanças da casa.

Diego comentara que sua mãe e irmã, a fim de tentar melhorar os relacionamentos que se estressam com frequência, adotaram um hábito de presentear uma a outra com supresas. Embora a intenção genuína, infelizmente – por ser surpresa – elas tentam adivinhar os gostos umas das outras e acabam fazendo uma compra que a outra não se interessa, e muitas vezes o presente acaba sendo esquecido.

Para piorar a situação, a irmã não tem uma renda muito bem consolidada e então – tal como a mãe dependente – torna a usar o cartão concedido pelo pai para bancar o financiamento destes presentes. Este é o último a saber, geralmente através do extrato do cartão no fim do mês, quando já não pode mais fazer nada para impedir a tragédia.

Independente se a família de Diego tenha um bom relacionamento ou não, esta história mostra um grande erro financeiro que infelizmente existe em inúmeras famílias e relacionamentos: a cultura de presentear materialmente. A sociedade, por força cultural ou mesmo de hábito, dita que só é possível celebrar nossas relações através do materialismo culminando nos presentes. Vê-se isso predominantemente no natal e aniversários, mas a tendência é que mais e mais dias e pseudoferiados sejam criados para que mais bens materiais sejam trocados. Esta tendência tem duas vítimas: as suas finanças e seus relacionamentos.

Não há ninguém sano que não goste de receber presentes, e presentear alguém querido é uma forma genuína de demonstrar afeto. Mas a verdade é que um hábito destes, se não pensado corretamente pode prejudicar o patrimônio. Como o hábito de presentear, ainda que bem intencionado, destrói as suas finanças e dos seus entes queridos?

Qual é o problema oculto em presentear?

O dilema passado pela família do Diego não é incomum entre as famílias: é o ato de presentear como uma obrigação ou etiqueta de relacionamento familiar. O que se inicia como uma troca de gentileza, logo se torna uma troca de favores, etiqueta, e – quando menos se espera – uma tradição inquebrável familiar.

Como muitas das coisas envolvendo orçamentos e compras, o custo do hábito de se presentear vai além do preço que aparece na etiqueta do pacote. Isso porque apenas considerando os presentes, o hábito já é muito caro mundialmente: em 2018, segundo uma pesquisa nos EUA, o gasto médio dos americanos com presentes de natal foi de 794 dólares por pessoa.

Essa estatística é assustadora, e revela o quão irracional pode se tornar uma simples “tradição” familiar. Nos EUA, mesmo com um salário médio líquido de US$3700, as pessoas decidiram que era aceitável gastar 21% dos seus salários em presentes materiais simplesmente porque é o que eles fizeram nos anos anteriores.

Isso sem considerar que o Natal sozinho não é o único período onde se criou o hábito de trocar presentes; há dia dos namorados, dia das mães, das crianças, e até mesmo o infame dia onde se compra coisas para si mesmo sem propósito algum e nem mesmo descontos reais. E com a mídia moderna berrando na orelha de todos a “necessidade” de se ter não só os melhores presentes, mas a melhor comemoração, viagem, apresentação, refeição, vinho e local, não é surpresa que todo o dinheiro se vai rápido.

Mas não há benefício em culpar apenas as figuras gastas: a cauza-raíz por trás disso está no fato que se estabeleceu a cultura de presentear como uma substituição à troca de consideração e afeto.

A obrigação de presentear danifica todos os envolvidos

Para a família de Diego, mais custa a sensação de obrigação do que o presente em si. Isso é porque para ela, presentear se tornou um equivalente a tanto um pedido de desculpas quanto uma forma de melhorar relacionamentos. Embora não há nada de errado em mostrar consideração aos outros, o fazer isto através materialismo apresenta dois grandes problemas:

  1. O preço envolvido da demonstração causa atrito e danifica o orçamento de todos os envolvidos. Especialmente se as ocorrências forem constantes.
  2. Ao utilizar um bem material como lastro, invariavelmente passamos a atrelar o valor agregado na demonstração no preço do bem. Para piorar, frequentemente entramos numa corrida armamentista querendo gratificar o próximo, e os preços dos bens trocados apenas sobem.

Para se ter uma idéia sobre o quanto este hábito é destrutivo, vamos usar a conta do custo de oportunidade, que apresentei num post anterior. Vamos supor que a mãe e a filha trocam em média um presente a cada mês, oriundo a uma discussão, briga ou até mesmo um acesso de generosidade. Se elas gastam cada uma R$70 em média por presente dado, temos um custo total de oportunidade de 70 * 173 = 12110 reais cada uma ao longo de dez anos.

São doze mil reais que poderiam ter sido investidos para gerar retorno ou renda passiva, ou até mesmo usados em investimentos indiretos, como pagando uma faculdade ou curso especializante. Mas são torrados, e pior: literalmente jogados fora neste hábito destrutivo como me explicado por Diego.

Segundo ele, por serem a maioria roupas ou acessórios, frequentemente uma não acerta no gosto da outra, o que causa os presentes finalmente perder seu valor e acumular no canto dos guarda-roupas – um fim próprio para um hábito tão destrutivo.

E ainda que nem tocamos no fato de que é o pai dele quem acaba bancando tudo isso no final…

Declare a sua política de exclusão de bens materiais

Como poderia Diego e sua família virar o jogo e eliminar este hábito tão destrutivo? O primeiro passo seria estabelecer em tom alto e claro que não se trocarão mais presentes dentro de casa. Colocando-se uma política dessa bem clara e com o aceite de todos, livra-se a obrigação implícita de sempre precisar se presentear um ao outro.

Hoje percebo que foi uma política dessas que indiretamente me levou a perceber o valor do dinheiro, elaborada quando parei de receber presentes da minha família ainda criança. Presentes não são infinitos, e para ganhar coisas, é necessário investir o trabalho requerido – eis a lição que aprendi.

Sem dúvidas, o grande perdedor desta história acaba sendo o pai do Diego que arca com todas as despesas colaterais. Para ele, o meu conselho seria: cortar o cartão “corporativo” familiar para despesas não-essenciais. Se alguém ainda quiser dar presentes, terá de fazer do próprio bolso.

Essa vai ser provavelmente a discussão mais difícil, mas igualmente a mais importante de todas: ao fazer esta limitação, Diego estará conscientizando a família sobre o valor do dinheiro. E eles irão aprender que o dinheiro não é uma fonte de afeto ou consideração, mas sim de liberdade. Quando esta lição mais crucial e mais polêmica de todas for aprendida, tenho certeza que a família de Diego estará num rumo financeiro melhor.

Educação financeira transforma vidas

Todos nós já fomos a família do Diego algum dia, e evoluímos deste patamar com nosso aprendizado. Essa é a beleza da educação financeira, e uma das muitas razões pela qual devemos compartilhá-la mais e mais.

Como lição, deixo à família do Diego que repense o que significa o afeto e consideração, e como eles podem tirar o elemento do dinheiro destes conceitos. Poderiam ter mais diálogos ao invés de perdão? Claro. Poderiam valorizar o dinheiro como fator habilitador, ou fonte de liberdade? Com certeza. Poderiam continuar a se presentear com coisas materiais, mas apenas quando for uma ocasião realmente especial e única? Absolutamente.

Qualquer que seja a decisão tomada agora, sei que consegui mostrar a Diego um lado novo e mais iluminado da jornada. E nisso, meu dever está feito.


Você conhece alguém cujos hábitos generosos de presentear os outros estão prejudicando sua vida financeira? Quais conselhos lhe daria? Escreva nos comentários.

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor

Dependências cumulativas irão te levar à desgraça

No fim de semana passado, fui a um shopping perto de casa e tive uma visão assustadora.

Ao passar do lado da entrada do estacionamento, me deparei com uma fila enorme do lado de fora contornando o quarteirão composta apenas por carros que queriam entrar para ainda estacionar dentro dele. Embora esta pode ser um acontecimento comum, ou até mesmo uma ótima notícia para o administrador do shopping ou quem investe nele, o que me assustou foi a realização de quanto essas pessoas se tornaram dependentes dos seus carros.

Essas pessoas cobriram a real necessidade de ir ao shopping com esta dependência, tendo, assim, que ter um carro em primeiro lugar, gastar gasolina para levá-lo até o shopping, morgar na fila imensa fora do shopping, procurar vagas dentro dele, pagar o estacionamento caríssimo, arriscar ter que pagar valet se as vagas comuns acabarem para depois, sim, conseguirem entrar e fazer o que precisam no estabelecimento.

Você vê alguma coisa errada aqui? Muitas? Eu vejo, essencialmente, apenas uma: dependência cumulativa. O carro, uma vez tido como um bem supérfluo hoje foi condicionado à ser uma dependência da qual o cidadão não consegue mais viver sem na vida moderna.

Infelizmente, o carro é apenas uma das muitas outras dependências que a sociedade cultiva atualmente por conta da influência da tecnologia. Porém ao passo que podemos ver claramente os benefícios trazidos por tais tecnologias, as consequências não-intendidas que se acumulam são muitas vezes desastrosas. No caso dos carros, temos experiência disso primeira mão: congestionamentos diários dominam nossa jornada ao trabalho, e a escassez de vagas infla os preços dos estacionamentos nas cidades.

No âmbito pessoal, também temos dependências cumulativas oriundas de fatores externos e internos. Ao analisarmos nossa rotina diária, podemos ver várias destas impregnando silenciosamente nossas vidas: a máquina de espresso cara de cápsula exclusiva que sobrepõe o café barato de filtro, ler as notícias num tablet que toma o lugar de apreciar o café da manhã de maneira própria, etc.

Se continuada sem limitações, nos tornamos escravos de tais dependências e perdemos nossa adaptabilidade, sem contar no desastre que acontece em nossas finanças. Como podemos então evitar que as dependências cumulativas tomem conta de nossas vidas?

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