O Robin Hood da vida real não se deu bem no final

No começo deste mês, um engenheiro de testes ex-contratado Ucraniano da Microsoft fez a capa de vários jornais e veículos de notícias online com uma manchete que parecia ser tanto assunto de filme policial quanto um conto do Robin Hood na vida real: Volodymyr Kvashuk roubara do seu empregador mais de 10 milhões de dólares durante o curso de dois anos lá trabalhando.

Várias perguntas vêm à mente ao ler uma manchete como estas: como uma empresa de tal porte não detectou um desvio tão grande de dinheiro? Como uma pessoa conseguiu desviar tanto dinheiro por tanto tempo sem ser detectada? Como conseguiu declarar licitamente tanto dinheiro, ou explicar as compras luxuosas que resultaram deste dinheiro?

Uma coisa é certa: não há como simpatizar com o lado do contratado neste caso, nem quando se gosta tanto do Software Livre. A atitude dele foi desonesta e completamente egoísta, buscando nada além do seu ganho próprio e um dinheiro rápido e fácil. Felizmente, a justiça foi feita, mesmo se tardia, e ao fim das contas Kvashuk servirá nove anos de prisão pelos seus atos, seguindo de uma provável deportação dos Estados Unidos.

Ainda assim, o caso traz algumas considerações sobre todo o acontecido e a quantia monstruosa de dinheiro envolvida, que para muitos de nós será mais do que poderíamos pensar em ganhar durante nossas vidas. O que seria possível realizar caso este dinheiro fosse lícito? Qual o padrão de vida que poderia ser comprado? Seria possível se aposentar em qualquer lugar do mundo com esta quantia no bolso?

Vejamos mais sobre este curioso caso neste post.

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Podcast do Pinguim: “quando um não quer, dois não brigam”

Existe um ditado famoso que ouvimos desde criança que afirma que “quando um não quer, dois não brigam.” Não importa o quão enfezado alguém seja, enquanto não ouver alguém que “compre” a briga dele, ele não vai poder fazer nada. Este ditado tem muita sabedoria, e pode lhe salvar a pele, reputação e sanidade mental múltiplas vezes no decorrer da vida.

Felizmente, ele também se aplica diretamente quando se trata de nossas finanças. Ao contrário do que a mídia consumista e o keeping up with the Joneses Americano possa retratar, enriquecer e acumular riqueza é puramente uma maratona pessoal, e não uma luta de boxe. “Esbanjar riqueza” não apenas é uma tolice do ponto de vida financeiro (acaba com a pirâmide de acumulação patrimonial), pode até ser perigoso em determinadas cidades ou países para a sua própria segurança.

Como uma regra geral, portanto, para alcançar seus objetivos financeiros o mais rápido possível é necessário evitar tais “conflitos” e desejos de se exibir, e manter as suas finanças o mais para dentro possível.

Veja mais neste episódio.

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Como a procura da felicidade difere do prazer

Quando se trata do bem-estar, talvez nenhum termo seja tão onipresente quanto a boa e velha procura da felicidade. Vemos este tema em diversos assuntos e anedotas do nosso cotidiano e nas obras de arte, onde venera-se a felicidade acima de tudo.

Quando a felicidade é confundida com prazer, porém, portas perigosas se abrem, alimentadas pela tendência natural humana à adaptação hedônica. É por esta razão, por exemplo, que as coisas novas e bonitas eventualmente se tornam chatas e batidas, assim como relacionamentos, comidas, e praticamente qualquer outra coisa na vida.

Se você quer felicidade duradoura a longo prazo na sua vida, portanto, deverá aprender a controlar esta adaptação hedônica e trocar a busca do prazer pela felicidade através de meios como o estoicismo. Veja mais sobre isso neste vídeo.

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Faux-Minimalismo: quando o menos nem sempre é mais (para as finanças)

No caminho para uma vida com mais realização pessoal e sentido, muitos se viram para o minimalismo como uma filosofia de vida para se liberarem do mal do consumismo descontrolado como fonte de prazer e organizarem melhor suas vidas em torno daquilo que realmente lhes faz feliz.

Eu mesmo tenho tentado me aventurar neste mundo e me tornar mais minimalista, mas ainda existem algumas barreiras me segurando: seja algum hábito que eu tenho, gazingus pin sendo comprado por impulso, ou até mesmo por não medo de me desfazer de alguma coisa que eu possa “vir a precisar.” Acredito que tenho tido um pouco de progresso individual, mas ainda tenho muito a evoluir neste quesito.

E enquanto o movimento do Minimalismo têm ganhado força mundialmente, em parte por conta de filósofos minimalistas famosos como Josh Millburn e Ryan Nicodemus, não posso deixar de notar que uma outra parte do mundo também tem aproveitado o crescimento deste movimento para lucrar vendendo o seu complemento aos adeptos desta filosofia. Nada de novo e nem errado aqui; afinal, quando se descobre ouro em algum lugar, lucra quem vende as pás.

Design simplista? Qualidade sobre quantidade? Acumular experiências ao invés de coisas? Sim, soam todos como atitudes bem orientadas ao minimalismo, mas será que continuam orientadas ao bem-estar da sua carteira? Para mim, alguns destes conceitos formam o que vim a chamar de faux-minimalismo, uma filosofia disfarçada de minimalismo, mas com a segunda intenção de obter o seu dinheiro e tirando parte da sua liberdade financeira em troca de uma aparência de minimalista.

Quais aspectos deste falso minimalismo podem deteriorar suas finanças? Vejamos neste post.

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Adaptação Hedônica: a razão pela qual você desmerece a sua vida

Já sentiu aquele “cheirinho de carro novo?” Ele se desfaz depois de alguns meses de uso. Seu computador que antes era o top de linha hoje parece um grande inútil. Seu restaurante favorito se torna batido quando você almoça lá muitas vezes. Por que o ser humano é tão difícil de saciar?

A resposta está na nossa tendência natural de adaptação hedônica. Ela é a nossa tendência natural a se acostumar às mudanças com o tempo, e com isso, desejar mais também.

Ao passo que a adaptação hedônica foi crucial em nossa evolução (nos dá resistência e resiliência para viver a vida), se não a mantermos em cheque, ela pode arruinar nossa felicidade a longo prazo. Por isso, é necessário saber buscar felicidade de outras formas. O estoicismo, por exemplo, procura combater nossa adaptação hedônica através da racionalidade e procura interna da felicidade.

Neste vídeo, mostro como você pode aplicar estes conceitos também na sua vida, e impedir que a adaptação hedônica acabe com a sua vida financeira.

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“Não é suficiente, então não vale à pena.”

Mesmo que eu siga os seus conselhos e corte este gasto recorrente da minha vida, só estarei economizando uns R$80000 ao longo de dez anos, e isso não é suficiente para se aposentar. Portanto, pra mim não vale a pena o esforço e o sacrifício.

Quantas vezes já não tentamos convencer alguém a economizar mais e viver uma vida mais eficiente financeiramente apenas para que esta pessoa trágicamente conclua que ela não conseguirá economizar o suficiente para se tornar FIRE e, por isso, conclui que é inútil tentar.

Esta visão de curto prazo e imediatismo é a causa mais comum pela qual as pessoas não conseguem enriquecer em primeiro lugar. É uma relação direta com a mentalidade de quem não consegue economizar ou aportar a mais. O imediatismo é a razão pela qual as pessoas desistem de tentar qualquer coisa que não dê resultados em menos de um ano, ou precise sacrificar alguma coisa que não traga um retorno imediato que justifique esta “privação.”

O problema é que na mesma moeda, esta mania de ver tudo no curto prazo é a mesma razão pela qual a maioria nunca irá enriquecer. Cada vez que você se convence que R$80000 lá na frente não é o suficiente, R$40000 não é suficiente, ou até mesmo R$10000 no fim de dez anos não são suficientes, você está se colocando mais fundo numa posição de não enriquecimento, de mediocridade financeira. Isso é porque esta visão e mentalidade ignoram a capacidade que temos de combinar economias e apreciá-las de uma maneira similar aos juros compostos, e também da capacidade humana de se motivar e conseguir poupar ainda mais. Vou detalhar mais sobre esse tópico a seguir.

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Resource Scoping, ou por que você não deve pegar sempre o maior e mais bonito

Afinal, vale a pena pagar bem mais e comprar o iPhone ao invés de outros smartphones baratos, já que ele tem especificações boas e pode durar por mais tempo no futuro?

Esta pode ser a pergunta mais feita durante a última década inteira com a popularização dos smartphones e aumento de explosivo dos dispositivos Android em competição aos iPhones. Ainda mais com as emoções e preferências fortes de cada usuário, com “guerrinhas” de Android vs iPhone pipocando em vários fóruns e cantos da internet com argumentos de veracidade duvidosa.

Deixando de lado os argumentos pessoais e de preferência pessoal, porém, esta pergunta ainda esconde um dilema maior das finanças pessoais: vale a pena gastar a mais para ter um bem que pode durar mais tempo até a troca? Existem várias histórias que parecem suportar este argumento. Alguns minimalistas, por exemplo, passaram a comprar coisas como roupas de marca porque embora o custo inicial ser maior, a qualidade e a durabilidade delas é superior. Será que esta idéia, porém, poderia ser levada para outras coisas da vida?

Embora o apelo à primeira vista faça sentido – você gastar uma quantia maior de antemão, mas ser compensado no fato que o seu produto não precisará ser reposto tão cedo – existem outros fatores que devem ser considerados, senão uma jogada de marketing poderá tomar do seu julgamento. Entra aqui um fator bem conhecido entre aqueles que trabalham na TI, chamado de Resource Scoping, que ajuda você a pagar apenas aquilo que você precisará.

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Dez anos depois: por que é tão difícil associar mudanças pequenas com grandes resultados?

Diz a história que quando Galileu Galilei tentou provar à sociedade italiana do século 16 que a terra girava em torno do Sol, os céticos retrucaram o argumento olhando as gaiolas de passarinhos da praça. Se a terra gira em torno do Sol como ele dizia, por que os pássaros da praça não caem das suas gaiolas?

O resto, como dizem, é história, mas desde aqueles tempos podemos ver que a mente humana não consegue visualizar mudanças sutis, surpreendendo-se apenas com uma mudança enorme ao longo do tempo.

Podemos ver este efeito em ação toda vez que alguém nas redes sociais posta alguma transformação antes e depois, ou algum throwback da vida; só percebemos os resultados quando eles têm uma transformação significante. Por isso nos impressionamos quando vemos fotos antes e depois da academia, prédios depois de completos vs durante o terreno baldio, e milionários que aparecem “da noite para o dia” sem ninguém ter acompanhado os anos de trabalho duro que eles tiveram que passar.

Para nós do FIRE esta realidade é rotina, pois sabemos que nosso projeto é para o longo prazo, e conversamente não podemos esperar mudanças grandes rápidas. Porém, alguns aspirantes e observadores do movimento FIRE e educação financeira se decepcionam com este fato; eles não veem o poder que pequenas mudanças – mas mudanças-chave – podem causar ao longo de uma grande jornada.

Este pode acabar sendo o maior tesouro do movimento FIRE: são aqueles menores hábitos, como escolher a fazer seu próprio café ao invés de comprar pronto todo dia, utilizar as lacunas de tempo que existem no seu dia, e simplesmente encontrar felicidade e conhecimento na rotina da sua vida que lhe levará à independência financeira ao longo da viagem.

Como as mudanças grandes se tornam resultado direto das nossas mudanças pequenas cruciais?

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FOMO: provavelmente a sigla mais destrutiva da sua vida

Você está sozinho de noite, fazendo alguma coisa produtiva que planejou anteriormente para desenvolver alguma das suas habilidades, e vê no seu celular o seu timeline: pessoas “se divertindo” de inúmeras formas que você não poderia ter imaginado. Selfies com sorrisos, língua de fora, copos e taças brilhantes com bebidas e ambientes luxuosos.

Neste momento, aquele sentimento ataca. Aquele que cria uma ansiedade e faz uma insegurança começar a borbulhar por dentro de você. Aquele que faz você se preocupar com e questionar a sua escolha para hoje à noite. Aquele que te deixa deprimido por achar que todos ao seu redor estão vivendo um momento melhor do que o seu. E, se deixado crescer descontroladamente, poderá acabar com a sua saúde mental.

Você pode conhecer este sentimento por vários nomes, mas eu me refiro a ele por FOMO, significando Fear Of Missing Out en Inglês.

Ao passo que FOMO pode ser inicialmente dispensado como uma coisa insignificante, como uma coisa de adolescentes tentando se tornar popular na escola, mas graças à onipresença das mídias sociais e propaganda nos dias atuais, tal tendência se espalhou para quase todas as nossas premissas atuais. Happy hours do trabalho, noitadas em bares e boates, e férias paradisíacas invadem nossos espaços mais frequentemente do que imaginamos. E nós mesmos, na nossa curiosidade humana, sabotamos nossa sanidade querendo saber mais, numa manobra com um pequeno toque masoquista.

O efeito “oposto” ao FOMO também existe. Não tenho um nome para ele, mas você também conhece: é aquela aversão em “perder qualquer oportunidade” que leva a pessoa a tentar estar em mais lugares e fazer a maior quantidade de coisas possíveis. Os efeitos de uma vida hedonística como esta são desastrosos: exaustão, depressão quando não conseguem honrar suas próprias expectativas e um rombo enorme no bolso.

É quase impossível achar alguém que consiga se livrar 100% do FOMO, e eu mesmo sou “vítima” dele frequentemente. Porém, com uma aplicação de racionalidade e disciplina, junto a um planejamento consciente, consegui reverter muitos dos efeitos que o FOMO costumava ter na minha vida. Neste post vou compartilhar algumas técnicas que me ajudaram neste caminho.

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Estoicismo praticado #1 – Visualização Negativa

Há alguns meses publiquei um post com uma introdução sobre o estoicismo e seus conceitos-base de funcionamento. O sucesso deste post foi grande, e ele se tornou eventualmente o post mais lido do blog. Fazendo juz à esta peça crucial da filosofia do Pinguim, resolvi iniciar mais uma série aqui: o Estoicismo Praticado, onde explico como cada um destes conceitos funciona na prática. Espero que gostem!


Uma pesquisa rápida sobre o estoicismo traz quase de imediato uma referência sobre a visualização negativa. Este conceito, quando ouvimos pela primeira vez, um pouco obscuro, talvez até tenebroso. Estóicos realmente conseguem sentir felicidade contemplando coisas como a morte ou a doença? Estóicos devem ser ótimos para arruinar festas!

Embora à primeira vista, esta é a reação das pessoas acostumadas a “focar na felicidade,” ou “fazer o que lhe agrada,” quando investigada, a visualização negativa se torna uma das ferramentas mais poderosas disponíveis no estoicismo, e pode fazer a diferença entre se sentir feliz e agradecido versus ficar fragilizado e deprimido com uma situação desagradável.

Neste post de abertura, vou ensinar como a visualização negativa nos permite colher felicidade até onde nos acontecimentos ruins.

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