O que você tem feito pra proteger o seu tempo?

Quanto vale o seu tempo?

Não, não estou falando do seu salário atual dividido por horas trabalhadas, embora esse conceito também é interessante. Estou falando do seu tempo, o tempo sob a sua percepção. E também o seu tempo pessoal, free time, o tempo que você controla. Muitos de nós nos preocupamos com a utilização do nosso tempo no trabalho, otimizando as nossas tarefas no escritório para conseguir fazer cada vez mais coisas em menos tempo, mas quando o “dever” não nos chama, ficamos meio que à deriva, sem planejar.

Desde que comecei a me interessar na Independência Financeira e o movimento FIRE, passei a me interessar muito sobre a eficiência como um objetivo de vida, e como posso usar o meu tempo, dentro ou fora do trabalho, da melhor forma possível. Desde que me interessei no assunto, percebi que de nada adiantaria ter quantidades imensas de tempo livre em casa se este é jogado fora através de TV ou surfar aleatoriamente nas redes sociais. É necessário se policiar quanto ao uso do tempo mesmo que fora do trabalho, pois ele é o seu ativo mais importante na vida.

Este conceito começou a ficar cada vez mais claro para mim, mas como um conhecimento subentendido, algo como um hábito no background. Eventualmente, assisti um vídeo do Jeff Rose, um YouTuber que referenciei anteriormente, onde ele dá um nome diferente ao mesmo conceito: proteger o seu tempo. E, simples assim, comecei a me conscientizar ativamente quanto ao uso do meu tempo livre, a fim de protegê-lo e me tornar cada vez mais eficiente.

Aqui estão alguns hábitos que uso pra proteger meu próprio tempo.

Continuar lendo “O que você tem feito pra proteger o seu tempo?”
Anúncios

Confrontando o cotitiano 5 – a história mais triste que eu ouvi

No mês passado, um dos meus colegas de trabalho (chamarei-o de Marcos), gerente de um dos departamentos daqui, anunciou que estaria saindo do emprego em breve para retornar à sua cidade natal. Ele aproveitou o anúncio para também divulgar que, por conta do preço alto da mudança, gostaria de se desfazer da maioria dos bens que tinha na casa. Contatei ele e comecei a negociar algumas coisas interessantes pra casa. Marquei de ir buscá-las na casa dele.

Chegando próximo ao local, notei que a vizinhança era abastada, bem nobre mesmo de vista. Shoppings novos, chiques e grandes ao redor, grandes prédios residenciais de mais de 30 andares, e ruas bem-conservadas. Estava pensando comigo mesmo: “Marcos mora num lugar legal. Pena estar indo embora, mas deve ter feito um bom pé de meia neste momento.”

Encontrei com Marcos na entrada do prédio. Conversando com ele enquanto recebia as coisas, porém, descobri que a situação dele não era tão colorida quanto eu pensei. Muito pelo contrário; Marcos estava voltando para sua cidade natal porque já há anos mal conseguia se manter com o salário, gastando quase tudo o que ganhava e tendo aportes insignificantes. Nas semanas recentes, seus custos cresceram tanto que se tornaram impeditivos de continuar morando na cidade.

Comprei alguns dos móveis menores que ele estava se desfazendo e no caminho de volta não pude deixar de pensar em como esta era sem dúvida a história mais triste que eu já devo ter ouvido na vida. Um pai de família com um cargo bom sendo forçado a sair do emprego e se relocar pra uma cidade mais barata por conta dos custos insustentáveis do seu nível de vida. Como a situação de uma pessoa pode chegar a tal nível assim?

Continuar lendo “Confrontando o cotitiano 5 – a história mais triste que eu ouvi”

Reflexões: o que aprendi no meu ano de desempregado

Ao invés de dar conselhos práticos ou motivar você para ganhar mais dinheiro, hoje é dia de contar uma história de vida do Pinguim Investidor. Vocês podem ler num dos meus primeiros posts a história dos meus aportes e como eu cheguei até aqui de maneira bem overview, mas sem muitos detalhes.

Muitos blogueiros e outros autores focam somente nas suas histórias de sucesso e escondem o “passado negro” que tiveram. Eu, por outro lado, acho que as partes mais interessantes da vida acontecem quando temos dificuldade e somos testados pela vida. Além disso, é extremamente inspirador ler sobre como uma pessoa superou tais dificuldades.

Hoje, me aprofundo sobre um período da minha vida quando eu me vi desempregado por um longo período, e o que aprendi quando estive durante esta fase difícil. Fiquei desempregado em 2016 no fundo da crise e só fui recuperar o emprego bem depois em 2017. Como sobrevivi, e o que aprendi neste período?

Continuar lendo “Reflexões: o que aprendi no meu ano de desempregado”

Quebrando a barreira dos 50%

Na foto de capa: Bell X-1, avião experimental movido por motor de foguetes que foi o primeiro a quebrar a barreira do som em 1948.


Como anoto os meus gastos todos os dias, tenho ciência total sobre o que gasto e no que eu gasto. Esta mudança sutil de hábito me levou a descobrir alguns insights interessantes sobre os meus próprios hábitos que documentei num post anterior. Na época, havia comemorado quando vi que pela primeira vez na vida documentada, havia conseguido economizar mais do que 40% do salário líquido, então minha meta mensal, o que me parecia extremamente ambicioso na época.

Avançando alguns meses após esse marco, fechei o relatório de Abril e tive mais uma outra elegante surpresa: 55% do salário mensal aportado para investimentos. Não consegui acreditar meus próprios olhos no começo, mas logo entendi o que se passava: quebrei a barreira dos 50% pela primeira vez, e meu aporte foi finalmente maior do que os meus gastos.

Todos os meus gastos (aluguel, condomínio, e contas inclusas) < 50% do meu salário.

Awesome! Como descrito por Jacob L Fisker em seu livro, eu tecnicamente não precisaria trabalhar o mês seguinte.

Comemorei silenciosamente o feito comigo mesmo e logo depois comecei a refletir: o que foi de diferente desta vez? Mudou alguma coisa do meu mindset? Este post descreve algumas das coisas que aprendi.

Continuar lendo “Quebrando a barreira dos 50%”

Orçamentos para quem não gosta de orçamentos

O orçamento é o pilar mestre da independência financeira. Sem ele, sem este primeiro passo primordial, a estrutura inteira da IF desaba, já que sem saber com o que se gasta o dinheiro, não se tem o controle sobre o dinheiro. Infelizmente, a realidade é que muitas pessoas não gostam da idéia do orçamento, que um orçamento irá limitar demais a vida, ou que irão morrer se não tiverem champagne na janta do sábado ou o happy hour de toda sexta.

Bom… cada um tem a sua cruz pra carregar!

Neste post divulgo uma dica que me ajudou muito no desenvolvimento inicial do meu próprio orçamento, e que culminou na minha estratégia de economizar até 45% do meu salário. E a maior vantagem dela a meu ver é que ela não discrimina os seus gastos como um orçamento tradicional, e embora ainda necessite de uma certa disciplina para funcionar, não requer que você consulte mensalmente o seu caixa na hora de gastar com alguma coisa. Vamos ver como funciona.

Continuar lendo “Orçamentos para quem não gosta de orçamentos”

Resenha do Pinguim #2 – “Your Money or Your Life” de Vicki Robin e Joe Dominguez

Comecei a ler este livro como recomendação de alguns blogs de finanças em Inglês que sigo, e só depois de ler uns 30% dele que me dei conta que na verdade ele é um clássico – de fato, um best-seller Americano muito popular em meados dos anos 90. Naquela época, não se falava muito sobre finanças pessoais, e o conceito de aposentadoria precoce era praticamente inexistente, então é possível acreditar que foi este livro que realmente “deu o tranco” no movimento FIRE; inicialmente nos EUA, e depois no mundo inteiro. Confira a sinopse do Goodreads:

“In times like these, it’s more important than ever to know the difference between making a living and making a life. Your Money or Your Life is even more relevant today than it was when the book first hit the stands, and a great publicity campaign will bring this already strong-selling book to a whole new audience.”

O que um livro com mais de 25 anos de idade pode nos ensinar em 2018? Surpreendentemente, muita coisa.

Continuar lendo “Resenha do Pinguim #2 – “Your Money or Your Life” de Vicki Robin e Joe Dominguez”

Confrontando o cotidiano #2 – “A culpa é do RH”

Fim de ano chega e todo mundo começa a comemorar o bônus, o dinheirinho adicional que entra. Alguns pensam na viagem que vão fazer com o dinheiro extra, as comprinhas de fim de ano, pequenas extravagâncias possibilitadas pela curta elevação no padrão de vida em Dezembro, enquanto outros mais responsáveis pensam na economia, aporte e aumentar o patrimônio.

Mas será que esse “ato de caridade” da empresa ajuda quem é comprador compulsivo, gastador, e já está meio caminho a se afogar na dívida? Um camarada daqui do escritório discorda.

Continuar lendo “Confrontando o cotidiano #2 – “A culpa é do RH””

Reflexões: como economizar 45% do salário

Update: novo marco de 50% do salário economizado alcançado!


Todo começo de mês é um ritual pra mim. Fecho os números dos gastos que tive no mês inteiro, analiso o que gastei, com o que gastei, e reajusto o budget para o mês seguinte com a experiência obtida. Talvez a minha estratégia de manter um orçamento seja um papo para um outro post completo, mas o que me supreendeu desta vez foi olhar o número final da planilha: 45% do salário total economizado. 45% de aporte mensal total.

Estive com a meta de economizar 40% do salário já há um tempo, e parece que desta vez a barreira foi quebrada finalmente. Não foi um acontecimento de uma hora pra outra; comecei o mês achando que seria igual aos anteriores e não bateria a meta mas lá para o final consegui ver que as contas se fechariam ao meu favor. Na última semana, tive a certeza exata que não só bateria a minha meta, mas conseguiria inclusive ultrapassar e economizar ainda mais acima dela. Aqui estão alguns insights que tive nesta aventura.

Continuar lendo “Reflexões: como economizar 45% do salário”

Confrontando o cotidiano #1 – “é só vinte reais”

Estou começando uma pequena série para catalogar no blog as experiências hilárias, irônicas e frustrantes que a imersão na IF causa num mundo onde todos são programados para gastar. Espero que gostem!

Outro dia, almoçando no escritório, fui abordado por alguns colegas de trabalho sobre a minha decisão de trazer comida de casa. Quase sempre trago o almoço de casa em marmita, pois além de ser mais barato ganho a vantagem de poder comer exatamente a quantidade que quero, e saber exatamente os ingredientes que foram envolvidos. Este hábito não é exatamente incomum onde trabalho – muitos trazem de casa e passam almoçando ou na própria mesa ou no refeitório, e eu diria que a proporção dos que saem pra almoçar e os que ficam gira em torno de 60 a 40%.

Eis como a conversa fluiu, mais ou menos:

Continuar lendo “Confrontando o cotidiano #1 – “é só vinte reais””

O difícil caminho para o Minimalismo

Embora não seja um aspecto 100% necessário para atingir a Independência Financeira, muitos adeptos acabam aderindo ao minimalismo como efeito colateral de economizar dinheiro e evitar comprar bens supérfluos e passivos. A sinergia que se desenvolve é incrível: o minimalismo alimenta a ideologia da frugalidade e instiga o pensamento crítico (preciso disso para viver?), enquanto que a frugalidade e investimentos aplicados geram a escassez de recursos que tentariam o indivíduo a ignorar o minimalismo e comprar bens materiais (já gastei todo o dinheiro em investimentos, não posso comprar essa camisa).

Eu listo o minimalismo dentre os seus objetivos de vida, mas ainda não tive oportunidade de abraçá-lo completamente, e de certa forma acho que estou até longe disso. Não vejo este fato como um problema – muito pelo contrário, a experiência e aprendizado até agora são incríveis – mas reconheço que existem algumas coisas que ainda me seguram contra atingir o objetivo. Aqui estão algumas das barreiras que ainda me têm segurado nessa jornada.

O(a) parceiro(a)

A pessoa que te acompanha na vida pode tanto te dar um boost ou te ancorar firmemente dependendo dos conflitos de personalidade da relação.

Sra Pinguim e eu concordamos em muitas coisas a respeito da frugalidade, mas parece que no espectro do minimalismo eu continuo sendo um pouco mais extremo. É difícil convencer, por exemplo, da irracionalidade de se ter uma casa muito grande pra poucas pessoas, de não precisar de muitas roupas (moda básica é apropriada para qualquer situação), de como um ter um carro é mais caro que alugar ou pedir táxi na cidade grande…

Parece que convencer a aderir ao estilo de vida vai demorar mais que eu pensava, mas estou a caminho.

A paixão de criança

Todo mundo tem a sua. E você sabe do que eu estou falando; aquela paixão irracional que você tem desde que era pequeno por carros, ou computadores, celulares, etc e que quando você vê mais um desses na vitrine, inevitavelmente quer tê-lo.

No meu caso, essa paixão é computadores. Em parte por causa do Linux, desenvolvi um instinto de querer “salvar” computadores instalando Linux neles. E nem por isso preciso comprá-los, as vezes faço isso com computadores antigos mesmo que todo mundo já achava que estavam perdidos. Embora não seja exatamente destrutivo ao meu patrimônio, esse hábito incentiva o acúmulo material e é contra-intruitivo ao minimalismo. Ultimamente tenho tentado mitigar esse hábito usando máquinas virtuais, mas volta e meia me bate a vontade de adquirir mais um computador de graça quando alguém reclama que o seu está “ficando velho” ou virou uma porcaria.

Os vícios

Novamente, todos temos um. Muita gente, por exemplo, fuma.

Ah, mas você não fuma? Então bebe.

Não bebe? Come chocolate.

Não come? Toma café.

Não toma? Joga algum joguinho no PC.

Não joga? Assiste Netflix.

Não assiste? Sai pra comer fora nos fins de semana.

Etc. No fundo, você também tem algum hábito láaa dentro que tem pouco controle sobre e é destrutivo ao seu patrimônio. O meu é o café, e tenho tentado diminuir ou segurar a vontade bebendo chá, e até mesmo água. Tem funcionado incrivelmente bem.

A compania / pressão popular

Chega sexta-feira a tarde, lá vem o papo no escritório: qual a boa da noite? E quanto menos você espera lá está no bar lotado e barulhento, bebendo cerveja de qualidade ordinária por preço absurdo no meio de um monte de gente que nem se importa com você. Tchau, aporte!

Essa onda do todo mundo afeta os bens materiais também. A pressão popular te leva a comprar tênis e roupas novas, acessório pro carro, celular novo, etc. E o pior é que não vem das outras pessoas, e sim da sua própria psicologia querendo fit in na popularidade do grupo. É difícil se blindar contra esse tipo de pressão, mas o estoicismo tem me ajudado muito com isso.

A sugestão sutil

Finalmente, as vezes você está sozinho, sem pressão de grupo algum, mas se depara com uma oferta ou algum impulso sutil que faz você tropeçar numa compra e gastar o dinheiro.

Não é fácil resistir a estes impulsos, mas o que você pode fazer é reduzir ou até eliminar a sua exposição à tentação. Pare de ir ao shopping. Instale um bloqueador de anúncios no navegador (recomendo uBlock Origin). Assista menos filmes e mais documentários, ou pare de assistir mídia passiva e leia livros.

Metas do Pinguim pro Minimalismo

Vou começar com o maior desafio de todos: vou tentar não comprar nada que não seja crítico para a minha subsistência no mês de Dezembro, e o ano de 2019. Minhas compras terão de ser justificadas como crucial ao ponto de que se eu não as obtê-las, irei morrer, caso contrário não serão compradas.

Um desafio menor será contar a quantidade de vezes que uso cada coisa na minha casa no decorrer de um mês inteiro, bem parecido com como faço para monitorar meus gastos. O objetivo será obter um registro de frequência de uso dos meus bens materiais e ver o que realmente é supérfluo na vida, o que me traz valor e o que pode ser substituído. Se alguma coisa tiver sido usada zero vezes no fim do experimento, vai ser candidata forte para ser doada ou descartada da minha vida.

Não prevejo isso como sendo fácil em nível algum, mas, novamente, nada sobre a IF é exatamente fácil…

E você? É adepto ao minimalismo? Tentou e não conseguiu? Conta aí nos comentários!

Abraços!