Qual é o destino das suas coisas velhas?

Durante a minha estadia de férias, voltei e passei algumas semanas na casa dos meus pais que não via há muito tempo. Entre matar a saudade, curtir uma pequena preguicinha de filho e comida muito boa e abundante – highlight de toda visita aos pais – tomei um tempo para dar uma revirada em algumas coisas minhas que ainda ficaram por lá. Queria ver se achava alguma coisa interessante ou jogava fora coisas que já não me têm propósito útil (um ótimo exercício para o minimalismo que ainda busco alcançar).

Encontrei muita coisa interessante, coisas que me trouxeram nostalgia e fizeram rir, e roupas que me fizeram perguntar porque havia comprado em primeiro lugar. Porém, uma das coisas que mais me marcou foi a quantidade de computadores e eletrônicos velhos que haviam sido acumulados nos armários.

Estes, diferente das roupas e outras coisas, eu entendo que foram comprados com um propósito nobre em mente e tinham uma necessidade real na época da compra. Porém, não pude deixar de pensar ao mesmo tempo que eles envelheceram bem precocemente em relação às outras coisas na casa. E não estão sozinhos: no mundo de hoje cada vez mais os bens de consumo de tecnologia estão ficando descartáveis. Celulares novos com vida útil de 1 a 2 anos, computadores que ficam lento quase que da noite pro dia.

No dia da compra, o novo computador ou celular e colocado num pedestal e adorado pelo dono. Que magnífico! Com o decorrer do tempo, porém, a magia passa, a percepção também, e quando se vê, o dono nada mais quer do que substituí-lo por um novo.

Será esse o destino de todas as coisas velhas?

Continuar lendo “Qual é o destino das suas coisas velhas?”
Anúncios

O que você tem feito pra proteger o seu tempo?

Quanto vale o seu tempo?

Não, não estou falando do seu salário atual dividido por horas trabalhadas, embora esse conceito também é interessante. Estou falando do seu tempo, o tempo sob a sua percepção. E também o seu tempo pessoal, free time, o tempo que você controla. Muitos de nós nos preocupamos com a utilização do nosso tempo no trabalho, otimizando as nossas tarefas no escritório para conseguir fazer cada vez mais coisas em menos tempo, mas quando o “dever” não nos chama, ficamos meio que à deriva, sem planejar.

Desde que comecei a me interessar na Independência Financeira e o movimento FIRE, passei a me interessar muito sobre a eficiência como um objetivo de vida, e como posso usar o meu tempo, dentro ou fora do trabalho, da melhor forma possível. Desde que me interessei no assunto, percebi que de nada adiantaria ter quantidades imensas de tempo livre em casa se este é jogado fora através de TV ou surfar aleatoriamente nas redes sociais. É necessário se policiar quanto ao uso do tempo mesmo que fora do trabalho, pois ele é o seu ativo mais importante na vida.

Este conceito começou a ficar cada vez mais claro para mim, mas como um conhecimento subentendido, algo como um hábito no background. Eventualmente, assisti um vídeo do Jeff Rose, um YouTuber que referenciei anteriormente, onde ele dá um nome diferente ao mesmo conceito: proteger o seu tempo. E, simples assim, comecei a me conscientizar ativamente quanto ao uso do meu tempo livre, a fim de protegê-lo e me tornar cada vez mais eficiente.

Aqui estão alguns hábitos que uso pra proteger meu próprio tempo.

Continuar lendo “O que você tem feito pra proteger o seu tempo?”

Confrontando o cotidiano 5 – a história mais triste que eu ouvi

No mês passado, um dos meus colegas de trabalho (chamarei-o de Marcos), gerente de um dos departamentos daqui, anunciou que estaria saindo do emprego em breve para retornar à sua cidade natal. Ele aproveitou o anúncio para também divulgar que, por conta do preço alto da mudança, gostaria de se desfazer da maioria dos bens que tinha na casa. Contatei ele e comecei a negociar algumas coisas interessantes pra casa. Marquei de ir buscá-las na casa dele.

Chegando próximo ao local, notei que a vizinhança era abastada, bem nobre mesmo de vista. Shoppings novos, chiques e grandes ao redor, grandes prédios residenciais de mais de 30 andares, e ruas bem-conservadas. Estava pensando comigo mesmo: “Marcos mora num lugar legal. Pena estar indo embora, mas deve ter feito um bom pé de meia neste momento.”

Encontrei com Marcos na entrada do prédio. Conversando com ele enquanto recebia as coisas, porém, descobri que a situação dele não era tão colorida quanto eu pensei. Muito pelo contrário; Marcos estava voltando para sua cidade natal porque já há anos mal conseguia se manter com o salário, gastando quase tudo o que ganhava e tendo aportes insignificantes. Nas semanas recentes, seus custos cresceram tanto que se tornaram impeditivos de continuar morando na cidade.

Comprei alguns dos móveis menores que ele estava se desfazendo e no caminho de volta não pude deixar de pensar em como esta era sem dúvida a história mais triste que eu já devo ter ouvido na vida. Um pai de família com um cargo bom sendo forçado a sair do emprego e se relocar pra uma cidade mais barata por conta dos custos insustentáveis do seu nível de vida. Como a situação de uma pessoa pode chegar a tal nível assim?

Continuar lendo “Confrontando o cotidiano 5 – a história mais triste que eu ouvi”

Reflexões: o que aprendi no meu ano de desempregado

Ao invés de dar conselhos práticos ou motivar você para ganhar mais dinheiro, hoje é dia de contar uma história de vida do Pinguim Investidor. Vocês podem ler num dos meus primeiros posts a história dos meus aportes e como eu cheguei até aqui de maneira bem overview, mas sem muitos detalhes.

Muitos blogueiros e outros autores focam somente nas suas histórias de sucesso e escondem o “passado negro” que tiveram. Eu, por outro lado, acho que as partes mais interessantes da vida acontecem quando temos dificuldade e somos testados pela vida. Além disso, é extremamente inspirador ler sobre como uma pessoa superou tais dificuldades.

Hoje, me aprofundo sobre um período da minha vida quando eu me vi desempregado por um longo período, e o que aprendi quando estive durante esta fase difícil. Fiquei desempregado em 2016 no fundo da crise e só fui recuperar o emprego bem depois em 2017. Como sobrevivi, e o que aprendi neste período?

Continuar lendo “Reflexões: o que aprendi no meu ano de desempregado”

Quebrando a barreira dos 50%

Na foto de capa: Bell X-1, avião experimental movido por motor de foguetes que foi o primeiro a quebrar a barreira do som em 1948.


Como anoto os meus gastos todos os dias, tenho ciência total sobre o que gasto e no que eu gasto. Esta mudança sutil de hábito me levou a descobrir alguns insights interessantes sobre os meus próprios hábitos que documentei num post anterior. Na época, havia comemorado quando vi que pela primeira vez na vida documentada, havia conseguido economizar mais do que 40% do salário líquido, então minha meta mensal, o que me parecia extremamente ambicioso na época.

Avançando alguns meses após esse marco, fechei o relatório de Abril e tive mais uma outra elegante surpresa: 55% do salário mensal aportado para investimentos. Não consegui acreditar meus próprios olhos no começo, mas logo entendi o que se passava: quebrei a barreira dos 50% pela primeira vez, e meu aporte foi finalmente maior do que os meus gastos.

Todos os meus gastos (aluguel, condomínio, e contas inclusas) < 50% do meu salário.

Awesome! Como descrito por Jacob L Fisker em seu livro, eu tecnicamente não precisaria trabalhar o mês seguinte.

Comemorei silenciosamente o feito comigo mesmo e logo depois comecei a refletir: o que foi de diferente desta vez? Mudou alguma coisa do meu mindset? Este post descreve algumas das coisas que aprendi.

Continuar lendo “Quebrando a barreira dos 50%”

Orçamentos para quem não gosta de orçamentos

O orçamento é o pilar mestre da independência financeira. Sem ele, sem este primeiro passo primordial, a estrutura inteira da IF desaba, já que sem saber com o que se gasta o dinheiro, não se tem o controle sobre o dinheiro. Infelizmente, a realidade é que muitas pessoas não gostam da idéia do orçamento, que um orçamento irá limitar demais a vida, ou que irão morrer se não tiverem champagne na janta do sábado ou o happy hour de toda sexta.

Bom… cada um tem a sua cruz pra carregar!

Neste post divulgo uma dica que me ajudou muito no desenvolvimento inicial do meu próprio orçamento, e que culminou na minha estratégia de economizar até 45% do meu salário. E a maior vantagem dela a meu ver é que ela não discrimina os seus gastos como um orçamento tradicional, e embora ainda necessite de uma certa disciplina para funcionar, não requer que você consulte mensalmente o seu caixa na hora de gastar com alguma coisa. Vamos ver como funciona.

Continuar lendo “Orçamentos para quem não gosta de orçamentos”

Resenha do Pinguim #2 – “Your Money or Your Life” de Vicki Robin e Joe Dominguez

Comecei a ler este livro como recomendação de alguns blogs de finanças em Inglês que sigo, e só depois de ler uns 30% dele que me dei conta que na verdade ele é um clássico – de fato, um best-seller Americano muito popular em meados dos anos 90. Naquela época, não se falava muito sobre finanças pessoais, e o conceito de aposentadoria precoce era praticamente inexistente, então é possível acreditar que foi este livro que realmente “deu o tranco” no movimento FIRE; inicialmente nos EUA, e depois no mundo inteiro. Confira a sinopse do Goodreads:

“In times like these, it’s more important than ever to know the difference between making a living and making a life. Your Money or Your Life is even more relevant today than it was when the book first hit the stands, and a great publicity campaign will bring this already strong-selling book to a whole new audience.”

O que um livro com mais de 25 anos de idade pode nos ensinar em 2018? Surpreendentemente, muita coisa.

Continuar lendo “Resenha do Pinguim #2 – “Your Money or Your Life” de Vicki Robin e Joe Dominguez”

Confrontando o cotidiano #2 – “A culpa é do RH”

Fim de ano chega e todo mundo começa a comemorar o bônus, o dinheirinho adicional que entra. Alguns pensam na viagem que vão fazer com o dinheiro extra, as comprinhas de fim de ano, pequenas extravagâncias possibilitadas pela curta elevação no padrão de vida em Dezembro, enquanto outros mais responsáveis pensam na economia, aporte e aumentar o patrimônio.

Mas será que esse “ato de caridade” da empresa ajuda quem é comprador compulsivo, gastador, e já está meio caminho a se afogar na dívida? Um camarada daqui do escritório discorda.

Continuar lendo “Confrontando o cotidiano #2 – “A culpa é do RH””

Reflexões: como economizar 45% do salário

Update: novo marco de 50% do salário economizado alcançado!


Todo começo de mês é um ritual pra mim. Fecho os números dos gastos que tive no mês inteiro, analiso o que gastei, com o que gastei, e reajusto o budget para o mês seguinte com a experiência obtida. Talvez a minha estratégia de manter um orçamento seja um papo para um outro post completo, mas o que me supreendeu desta vez foi olhar o número final da planilha: 45% do salário total economizado. 45% de aporte mensal total.

Estive com a meta de economizar 40% do salário já há um tempo, e parece que desta vez a barreira foi quebrada finalmente. Não foi um acontecimento de uma hora pra outra; comecei o mês achando que seria igual aos anteriores e não bateria a meta mas lá para o final consegui ver que as contas se fechariam ao meu favor. Na última semana, tive a certeza exata que não só bateria a minha meta, mas conseguiria inclusive ultrapassar e economizar ainda mais acima dela. Aqui estão alguns insights que tive nesta aventura.

Continuar lendo “Reflexões: como economizar 45% do salário”

Confrontando o cotidiano #1 – “é só vinte reais”

Estou começando uma pequena série para catalogar no blog as experiências hilárias, irônicas e frustrantes que a imersão na IF causa num mundo onde todos são programados para gastar. Espero que gostem!

Outro dia, almoçando no escritório, fui abordado por alguns colegas de trabalho sobre a minha decisão de trazer comida de casa. Quase sempre trago o almoço de casa em marmita, pois além de ser mais barato ganho a vantagem de poder comer exatamente a quantidade que quero, e saber exatamente os ingredientes que foram envolvidos. Este hábito não é exatamente incomum onde trabalho – muitos trazem de casa e passam almoçando ou na própria mesa ou no refeitório, e eu diria que a proporção dos que saem pra almoçar e os que ficam gira em torno de 60 a 40%.

Eis como a conversa fluiu, mais ou menos:

Continuar lendo “Confrontando o cotidiano #1 – “é só vinte reais””