Três lições aprendidas do livro “O milionário mora ao lado”

Os livros do autor e pesquisador americano Thomas J Stanley sobre milionários nos Estados Unidos se tornaram clássicos da bibliografia FIRE mundial. Lançado em 1996, o livro O Milionário Mora ao Lado se tornou um best-seller do New York Times daquele ano, mas são poucos os que conheceram a sua sequência A Mente Milionária publicada em 2001.

Não há dúvida que o conteúdo deles e sua pesquisa foram valiosíssimas para finanças pessoais no mundo todo, começando pela sua desmistificação sobre o que é necessário para se tornar um milionário nos Estados Unidos: não é nascença, sorte, nem afiliação política, e sim uma questão simples de acumulação de patrimônio.

Dentre as inúmeras lições de Stanley publicada nesta série, três conceitos em particular são importantes para mim, e merecem um grande destaque para qualquer um que almeja enriquecer ou alcançar a independência financeira em sua vida. Neste episódio, exploro tais conceitos e os livros a fundo.

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Como a Frugalidade traz mais Abundância na sua vida

Quando se trata de juntar dinheiro e enriquecer, a frugalidade é um fator essencial, um requerimento quase que mandatório no processo inteiro. Infelizmente, muitos ainda tendem a associar esta palavra a um conceito negativo, como um sinônimo de pão-duro, mão de vaca, e de alguém que não aproveita a vida.

Nada, porém, poderia ser mais longe da verdade. A frugalidade é o exato oposto de uma fraqueza, e sim o autocontrole e a capacidade de colocar a sua racionalidade à frente dos desejos e enxergar os objetivos sob uma lente de longo prazo. E o melhor: os benefícios da frugalidade se estendem além do âmbito financeiro, e podem contribuir (e muito!) para o seu bem estar geral também. Veja como neste vídeo.

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O problema de dez reais versus problema de dez mil reais

Há um ditado na finansfera que diz que finanças pessoais não são complicadas – quem as complica somos nós*.

E realmente, não há razão para nós tornarmos complicado o processo de enriquecer: ganhe dinheiro, gaste menos que você ganha, invista as suas economias. Outras melhorias terão um efeito mínimo na sua performance fora estas três variáveis.

Ainda assim, se o processo é tão simples e descomplicado como costumo descrever, existe uma realidade paradóxica: quase ninguém consegue enriquecer consistentemente. A maioria esmagadora ainda depende dos seus empregos, acredita que o INSS irá sustentá-los até o fim da vida, e acredita que esta situação é perfeitamente normal, já que é perpetuada pela sociedade.

Existem várias causas para esta situação atual mas, recentemente, escutei no Podcast do The Minimalists uma entrevista que realizaram com o autor de finanças pessoais americano Ramit Sethi, autor do best-seller I will teach you to be Rich, onde ele averiguava uma coisa que ele chamou de “problemas de 3 dólares” versus “problemas de 30,000 dólares.” Neste episódio, Ramit argumentou que muitas pessoas acabam por confundir a necessidade de frugalidade com mesquinheza e “pão-dureza” extrema, e ao aderí-la esquecem-se dos seus problemas financeiros maiores, como quitação de um financiamento enorme da casa ou carro ou pagamento de suas dívidas.

Em outras palavras, concentrando-se num problema de dez reais (“este café de R$10 sai por R$5 lá na esquina”), elas se esquecem do problema de dez mil reais (“empurra com a barriga esse financiamento, mês que vem a gente vê de novo”) que realmente lhes assola e mantém pobres.

Ao passo que eu acredito muito no poder da frugalidade e que ela pode nos auxiliar, sim, em juntar muito dinheiro ao longo prazo, o ponto dele também é importante: afinal, de nada adianta tirar a água de dentro do navio sem antes tapar o buraco do casco que enche o convés. E assim, temos que prestar atenção para não perder o longo prazo de vista com o foco no imediatismo financeiro.

Vejamos neste post alguns exemplos de como isso pode acontecer e como evitar.

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Como solicitar o auxílio coronavírus do Japão?

A crise do COVID-19 continua se extendendo e seus impactos se alastraram por todas as economias do globo. Seu impacto devastador vem por conta de um efeito dominó na economia. Incapacitadas de fazer negócios de forma tradicional, pequenas e médias empresas viram seu tão esperado fluxo de caixa secar, e com isso não puderam segurar muitas despesas com suas reservas de emergência, descontando o resultado despejando a maioria dos seus funcionários, resultando num desemprego múltiplo em cadeia.

Desta forma, governos ao redor do mundo acionaram pacotes emergenciais de auxílio financeiro para garantir a sobrevivência da população neste momento de desemprego – ou sub-emprego – forçado. Por exemplo, no Brasil o governo federal habilitou o Auxílio Emergencial da Caixa, consistindo de R$600 mensais por três meses para quem qualificar, e nos Estados Unidos, o congresso aprovou o CARES Act que destina um pagamento de US$1200 para cada indivíduo entre outros benefícios.

No Japão, a decisão de passar um auxílio financeiro foi debatida por um bom tempo pelo governo federal e atrasada em comparação aos demais países, mas em Abril foi aprovada uma medida de auxílio emergencial para todos os moradores do Japão. A medida é em geral bem mais generosa do que a instituída no Brasil, mas sua forma de solicitação é um pouco mais complicada. Depois de garimpar e procurar bastante sobre como a solicitação deve ser realizada, resolvi explicar aqui os passos que devem ser seguidos neste processo.

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podcast do pinguim

Podcast do Pinguim – Proteja seu tempo

Qual é a importância que você dá para o seu tempo? Você acha que é possível “fazer mais tempo” em meio à sua rotina atual, ou você está saturado completamente?

A verdade é que mesmo em meio a muitas tarefas, é possível descobrir lacunas de tempo oriundas justamente da nossa ineficiência. Quando passamos tempo sem consciência em nossas ações, tendemos a perder mais tempo do que necessário. É por isso que quando dividimos e alocamos nosso tempo por lacunas (ex: de 1h ou 30min) tendemos a produzir mais.

Eu particularmente acredito que sempre é possível “resgatar” um pouco mais de tempo dos nossos dias, especialmente se considerarmos algumas partes comuns onde perdemos muito tempo, como o horário de almoço e o ir e vir do trabalho. Adicionalmente, tempo pode ser feito em casa se simplesmente optarmos por acordar um pouco mais cedo que de costume.

Neste episódio mostro como é possível recuperar parte do seu tempo diariamente simplesmente aplicando a consciência do tempo utilizado, e como isso pode fazer a diferença ao redor dos meses e anos acumulados.

Veja mais sobre a importância desta aplicação neste post.


O que você faz para viver uma vida mais consciente no dia a dia? Toma algum cuidado para proteger o seu tempo? Escreva nos comentários!

Se você ainda não fez, aproveite para se inscrever no meu podcast na Anchor.FM ou Spotify onde posto semanalmente um novo episódio.

Abraços e seguimos em frente!

Resource Scoping, ou por que você não deve pegar sempre o maior e mais bonito

Afinal, vale a pena pagar bem mais e comprar o iPhone ao invés de outros smartphones baratos, já que ele tem especificações boas e pode durar por mais tempo no futuro?

Esta pode ser a pergunta mais feita durante a última década inteira com a popularização dos smartphones e aumento de explosivo dos dispositivos Android em competição aos iPhones. Ainda mais com as emoções e preferências fortes de cada usuário, com “guerrinhas” de Android vs iPhone pipocando em vários fóruns e cantos da internet com argumentos de veracidade duvidosa.

Deixando de lado os argumentos pessoais e de preferência pessoal, porém, esta pergunta ainda esconde um dilema maior das finanças pessoais: vale a pena gastar a mais para ter um bem que pode durar mais tempo até a troca? Existem várias histórias que parecem suportar este argumento. Alguns minimalistas, por exemplo, passaram a comprar coisas como roupas de marca porque embora o custo inicial ser maior, a qualidade e a durabilidade delas é superior. Será que esta idéia, porém, poderia ser levada para outras coisas da vida?

Embora o apelo à primeira vista faça sentido – você gastar uma quantia maior de antemão, mas ser compensado no fato que o seu produto não precisará ser reposto tão cedo – existem outros fatores que devem ser considerados, senão uma jogada de marketing poderá tomar do seu julgamento. Entra aqui um fator bem conhecido entre aqueles que trabalham na TI, chamado de Resource Scoping, que ajuda você a pagar apenas aquilo que você precisará.

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Efeitos do FIRE: 30 coisas que eu não compro ou faço mais

Certo dia, quando voltei pra casa, percebi o caderno da Sra. Pinguim aberto numa página interessante, onde ela havia feito alguma forma de lista. Haviam várias coisas escritas, como “TV a cabo,” “Netflix,” “salão de beleza” que nem ela ou eu fazemos ou queremos fazer. Na hora, me deu um pequeno pânico: será que, finalmente, desalinhamos nossos valores e ela quer se desfazer da vida frugal?

Para meu alívio, ela logo veio me explicar. Não era nada de desejo, era simplesmente uma lista que ela conjurou durante a tarde pensando em como a nossa vida frugal evoluiu junto: tudo o que estava listado lá era alguma coisa que ela já fez como hábito anteriormente, mas não pratica mais, graças à mudança de mindset que tivemos.

Só de ver a lista dela, percebi que a evolução que tivemos era enorme. Gostei tanto da idéia que resolvi acrescentar algumas outras observações minhas e a lista cresceu ainda mais. Este post é uma listagem de todas estas observações, com alguns comentários sobre a minha opinião atual da coisa ou hábito.

O que eu constumava comprar ou fazer que hoje, como frugal, não faço mais?

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Dez anos depois: por que é tão difícil associar mudanças pequenas com grandes resultados?

Diz a história que quando Galileu Galilei tentou provar à sociedade italiana do século 16 que a terra girava em torno do Sol, os céticos retrucaram o argumento olhando as gaiolas de passarinhos da praça. Se a terra gira em torno do Sol como ele dizia, por que os pássaros da praça não caem das suas gaiolas?

O resto, como dizem, é história, mas desde aqueles tempos podemos ver que a mente humana não consegue visualizar mudanças sutis, surpreendendo-se apenas com uma mudança enorme ao longo do tempo.

Podemos ver este efeito em ação toda vez que alguém nas redes sociais posta alguma transformação antes e depois, ou algum throwback da vida; só percebemos os resultados quando eles têm uma transformação significante. Por isso nos impressionamos quando vemos fotos antes e depois da academia, prédios depois de completos vs durante o terreno baldio, e milionários que aparecem “da noite para o dia” sem ninguém ter acompanhado os anos de trabalho duro que eles tiveram que passar.

Para nós do FIRE esta realidade é rotina, pois sabemos que nosso projeto é para o longo prazo, e conversamente não podemos esperar mudanças grandes rápidas. Porém, alguns aspirantes e observadores do movimento FIRE e educação financeira se decepcionam com este fato; eles não veem o poder que pequenas mudanças – mas mudanças-chave – podem causar ao longo de uma grande jornada.

Este pode acabar sendo o maior tesouro do movimento FIRE: são aqueles menores hábitos, como escolher a fazer seu próprio café ao invés de comprar pronto todo dia, utilizar as lacunas de tempo que existem no seu dia, e simplesmente encontrar felicidade e conhecimento na rotina da sua vida que lhe levará à independência financeira ao longo da viagem.

Como as mudanças grandes se tornam resultado direto das nossas mudanças pequenas cruciais?

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Consumismo japonês: o primeiro mundo não é tão melhor assim com as finanças pessoais…

Quando se trata de frugalidade, nós do FIRE caímos entre dois hábitos; ou achamos que somos melhores que todos os outros ao nosso redor, ou que a maioria é melhor que nós e precisamos ainda melhorar muito. Na maioria dos casos que vejo e leio na internet, os FIREs apreciam olhar o consumismo alheio no seu cotidiano e reportar isso de uma forma relativamente anônima. Eu mesmo faço isso de vez em quando!

Essa realidade dopada de consumismo descrevida na Finansfera como “matrix” é comum no Brasil, onde 40% da população se encontra endividada em 2019, mesmo na economia em boas marés e um sentimento econômico otimista em geral no país, como comentei anteriormente.Mas e quanto ao mundo em geral? Será que os outros países também têm problemas com dívidas e consumismo demasiado?

Certamente, existem alguns países que são exemplos a serem seguidos, como a Finlândia com uma sociedade que valoriza a Natureza como fonte de felicidade. Porém, poderia ser essa a realidade onipresente do mundo desenvolvido? Infelizmente, não.

Ao contrário que muitos brasileiros pensam, o primeiro mundo não é muito diferente de nós no quesito de consumismo ou frugalidade. É verdade, a realidade de fora é bem diferente, e poderíamos dizer que o “baseline” da riqueza é significantemente mais alto, mas o comportamento individual consumista e falta de frugalidade são males que afetam quase o mundo todo igualmente.

Poderia ser que uma “abundância de dinheiro” percebida, ou uma economia mais estável, fazem a percepção gringa a acreditar que o dinheiro é infinito, e que nunca irá faltar um salário no fim do mês? Parcialmente por base neste mito, neste post descrevo como a sociedade japonesa possui um consumismo tão forte que quase a iguala à brasileira em termos de dívida e má gestão do dinheiro.

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Qual é o destino das suas coisas velhas?

Durante a minha estadia de férias, voltei e passei algumas semanas na casa dos meus pais que não via há muito tempo. Entre matar a saudade, curtir uma pequena preguicinha de filho e comida muito boa e abundante – highlight de toda visita aos pais – tomei um tempo para dar uma revirada em algumas coisas minhas que ainda ficaram por lá. Queria ver se achava alguma coisa interessante ou jogava fora coisas que já não me têm propósito útil (um ótimo exercício para o minimalismo que ainda busco alcançar).

Encontrei muita coisa interessante, coisas que me trouxeram nostalgia e fizeram rir, e roupas que me fizeram perguntar porque havia comprado em primeiro lugar. Porém, uma das coisas que mais me marcou foi a quantidade de computadores e eletrônicos velhos que haviam sido acumulados nos armários.

Estes, diferente das roupas e outras coisas, eu entendo que foram comprados com um propósito nobre em mente e tinham uma necessidade real na época da compra. Porém, não pude deixar de pensar ao mesmo tempo que eles envelheceram bem precocemente em relação às outras coisas na casa. E não estão sozinhos: no mundo de hoje cada vez mais os bens de consumo de tecnologia estão ficando descartáveis. Celulares novos com vida útil de 1 a 2 anos, computadores que ficam lento quase que da noite pro dia.

No dia da compra, o novo computador ou celular e colocado num pedestal e adorado pelo dono. Que magnífico! Com o decorrer do tempo, porém, a magia passa, a percepção também, e quando se vê, o dono nada mais quer do que substituí-lo por um novo.

Será esse o destino de todas as coisas velhas?

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