Resenha do Pinguim #1 – “The Subtle Art of not giving a Fuck” de Mark Manson

Resolvi iniciar outra série de posts, desta vez são resenhas de livros / filmes / documentários e outras coisas que tenho experimentado ultimamente. Infelizmente, pode-se esperar que 90% do material aqui seja em Inglês, pois essa é a minha preferência de leitura. Assuntos geralmente serão centrados em finanças pessoais e investimentos, mas outros off-topic poderão surgir. Vamos lá!


Confesso que peguei este livro pra ler quase que apenas por conta do título, que achei parte hilária, parte desafiante, e 100% interessante para inspirar a leitura. Acabou sendo uma decisão ótima e sem qualquer arrependimento da minha parte.

Para ter uma idéia mais ou menos qual é o tom de voz desse livro, leia essa sinopse do Goodreads:

In this generation-defining self-help guide, a superstar blogger cuts through the crap to show us how to stop trying to be “positive” all the time so that we can truly become better, happier people. For decades, we’ve been told that positive thinking is the key to a happy, rich life. “F**k positivity,” Mark Manson says. “Let’s be honest, shit is f**ked and we have to live with it.”

O cara já chega chutando a porta e metendo a faca. Awesome. Vamos ver o recheio desse livro.

Continuar lendo “Resenha do Pinguim #1 – “The Subtle Art of not giving a Fuck” de Mark Manson”

O difícil caminho para o Minimalismo

Embora não seja um aspecto 100% necessário para atingir a Independência Financeira, muitos adeptos acabam aderindo ao minimalismo como efeito colateral de economizar dinheiro e evitar comprar bens supérfluos e passivos. A sinergia que se desenvolve é incrível: o minimalismo alimenta a ideologia da frugalidade e instiga o pensamento crítico (preciso disso para viver?), enquanto que a frugalidade e investimentos aplicados geram a escassez de recursos que tentariam o indivíduo a ignorar o minimalismo e comprar bens materiais (já gastei todo o dinheiro em investimentos, não posso comprar essa camisa).

Eu listo o minimalismo dentre os seus objetivos de vida, mas ainda não tive oportunidade de abraçá-lo completamente, e de certa forma acho que estou até longe disso. Não vejo este fato como um problema – muito pelo contrário, a experiência e aprendizado até agora são incríveis – mas reconheço que existem algumas coisas que ainda me seguram contra atingir o objetivo. Aqui estão algumas das barreiras que ainda me têm segurado nessa jornada.

O(a) parceiro(a)

A pessoa que te acompanha na vida pode tanto te dar um boost ou te ancorar firmemente dependendo dos conflitos de personalidade da relação.

Sra Pinguim e eu concordamos em muitas coisas a respeito da frugalidade, mas parece que no espectro do minimalismo eu continuo sendo um pouco mais extremo. É difícil convencer, por exemplo, da irracionalidade de se ter uma casa muito grande pra poucas pessoas, de não precisar de muitas roupas (moda básica é apropriada para qualquer situação), de como um ter um carro é mais caro que alugar ou pedir táxi na cidade grande…

Parece que convencer a aderir ao estilo de vida vai demorar mais que eu pensava, mas estou a caminho.

A paixão de criança

Todo mundo tem a sua. E você sabe do que eu estou falando; aquela paixão irracional que você tem desde que era pequeno por carros, ou computadores, celulares, etc e que quando você vê mais um desses na vitrine, inevitavelmente quer tê-lo.

No meu caso, essa paixão é computadores. Em parte por causa do Linux, desenvolvi um instinto de querer “salvar” computadores instalando Linux neles. E nem por isso preciso comprá-los, as vezes faço isso com computadores antigos mesmo que todo mundo já achava que estavam perdidos. Embora não seja exatamente destrutivo ao meu patrimônio, esse hábito incentiva o acúmulo material e é contra-intruitivo ao minimalismo. Ultimamente tenho tentado mitigar esse hábito usando máquinas virtuais, mas volta e meia me bate a vontade de adquirir mais um computador de graça quando alguém reclama que o seu está “ficando velho” ou virou uma porcaria.

Os vícios

Novamente, todos temos um. Muita gente, por exemplo, fuma.

Ah, mas você não fuma? Então bebe.

Não bebe? Come chocolate.

Não come? Toma café.

Não toma? Joga algum joguinho no PC.

Não joga? Assiste Netflix.

Não assiste? Sai pra comer fora nos fins de semana.

Etc. No fundo, você também tem algum hábito láaa dentro que tem pouco controle sobre e é destrutivo ao seu patrimônio. O meu é o café, e tenho tentado diminuir ou segurar a vontade bebendo chá, e até mesmo água. Tem funcionado incrivelmente bem.

A compania / pressão popular

Chega sexta-feira a tarde, lá vem o papo no escritório: qual a boa da noite? E quanto menos você espera lá está no bar lotado e barulhento, bebendo cerveja de qualidade ordinária por preço absurdo no meio de um monte de gente que nem se importa com você. Tchau, aporte!

Essa onda do todo mundo afeta os bens materiais também. A pressão popular te leva a comprar tênis e roupas novas, acessório pro carro, celular novo, etc. E o pior é que não vem das outras pessoas, e sim da sua própria psicologia querendo fit in na popularidade do grupo. É difícil se blindar contra esse tipo de pressão, mas o estoicismo tem me ajudado muito com isso.

A sugestão sutil

Finalmente, as vezes você está sozinho, sem pressão de grupo algum, mas se depara com uma oferta ou algum impulso sutil que faz você tropeçar numa compra e gastar o dinheiro.

Não é fácil resistir a estes impulsos, mas o que você pode fazer é reduzir ou até eliminar a sua exposição à tentação. Pare de ir ao shopping. Instale um bloqueador de anúncios no navegador (recomendo uBlock Origin). Assista menos filmes e mais documentários, ou pare de assistir mídia passiva e leia livros.

Metas do Pinguim pro Minimalismo

Vou começar com o maior desafio de todos: vou tentar não comprar nada que não seja crítico para a minha subsistência no mês de Dezembro, e o ano de 2019. Minhas compras terão de ser justificadas como crucial ao ponto de que se eu não as obtê-las, irei morrer, caso contrário não serão compradas.

Um desafio menor será contar a quantidade de vezes que uso cada coisa na minha casa no decorrer de um mês inteiro, bem parecido com como faço para monitorar meus gastos. O objetivo será obter um registro de frequência de uso dos meus bens materiais e ver o que realmente é supérfluo na vida, o que me traz valor e o que pode ser substituído. Se alguma coisa tiver sido usada zero vezes no fim do experimento, vai ser candidata forte para ser doada ou descartada da minha vida.

Não prevejo isso como sendo fácil em nível algum, mas, novamente, nada sobre a IF é exatamente fácil…

E você? É adepto ao minimalismo? Tentou e não conseguiu? Conta aí nos comentários!

Abraços!

5 coisas que aprendi anotando todos os meus gastos por 2 meses

Resolvi recentemente controlar meu orçamento para melhor anotar os aportes mensais. No primeiro mês inteiro, o estudo foi 100% passivo: simplesmente anotava os gastos e separava por data e categoria e arquivava, sem esforço nenhum para controlar. Após um mês de dados arquivados, consegui separar as categorias e tive uma base para melhor conseguir me planejar, onde reduzir, onde aumentar, onde cortar, etc. O segundo mês teve uma aplicação mais ativa, onde eu com meu orçamento em mente resolvi controlar melhor as finanças.

Aqui estão algumas coisas que aprendi neste experimento:

Continuar lendo “5 coisas que aprendi anotando todos os meus gastos por 2 meses”

Atenção: Hedonismo mata (e te empobrece no processo)

Em Junho deste ano, a designer de moda Kate Spade, fundadora da marca de bolsas femininas que carrega seu próprio nome cometeu suicídio em Nova Iorque aos 55 anos de idade. Spade, que na época morava em Manhattan, comandava desde 1993 uma empresa com mais de 175 lojas mundialmente e possuía mais de 200 milhões de dólares em patrimônio pessoal, batalhava a depressão já há algum tempo, que culminou no suicídio em questão – completo inclusive com um bilhete final endereçado à filha.

Resumidamente, foram 25 anos de trabalho e 200 milhões de dólares para… literalmente nada.

O ditado “dinheiro não traz felicidade” é das antigas, mas nas décadas recentes caiu no esquecimento quase que total em parte por causa da necessidade de ostentação compulsiva na sociedade contemporânea. São necessárias notícias como essa para relembrar o pessoal quão frágil é o estilo de vida centrado ao consumismo, mas um lado que não é mostrado por estas é a razão pela qual o ditado é verdadeiro: a adaptação hedônica.

A procura infinita da felicidade

O Hedonismo é a filosofia que prega a procura dos prazeres da vida. Segundo os hedonistas, se existem momentos bons e ruins na vida, nós devemos maximizar o tempo passado com os bons e minimizar os ruins. Isso soa como uma boa estratégia, até o momento de traduzí-la para o contexto atual.

Seriam os tais prazeres da vida fazer um piquenique simples no parque na beira do lago com a família? Não no século 21. Que tal uma casa pequena e confortável numa cidade pacata e tranquila? Os 30-e-poucos com carreira crescente de hoje discordam. Frutas frescas pra comer? Só se forem orgânicas vindas do Hortifruti. Tranquilidade mental? É melhor ter 1000 likes na rede social.

hedonism.jpg

O maior perigo, porém, não é o hedonismo em si, mas a sua combinação com a natureza humana de se adaptar às condições que nos cercam. Essencialmente, como a sociedade igualou felicidade com demonstrações materiais de riqueza, acabamos sempre querendo, ou até precisando de mais. Assim, o feijão com arroz e ovo que enchiam a barriga perfeitamente há alguns anos atrás hoje não te apetecem mais – você quer salmão defumado e bifes suculentos. O carro de 5 anos atrás, que para qualquer propósito no ponto de vista prático está em perfeitas condições, não te presta mais e você está olhando um novo. A casa que te aconchegou e protegeu desde criança não conforma mais ao seu estilo de vida “superior.”

Mas esta insaciação não é boa para o seu crescimento e desenvolvimento pessoal? Absolutamente. Para o seu padrão de vida financeiro? Um veneno lento que te levará ao túmulo, one step at a time.

Enquanto as vacas parecem gordas e, pior, eternas, a pessoa não vê nenhum problema com a filosofia. Quais são as piores coisas que poderão acontecer com este estilo de vida?

A primeira, e mais fácil de acontecer, é as finanças não acompanharem os desejos, causando uma dívida eterna e inalcançável.

rat_race.png
A famosa “rat race” dos anglofônicos

A segunda, se sua vida financeira “der certo,” é seguir os passos da Kate Spade e se afogar numa vida transbordando de grana graças ao veneno do hedonismo.

Existe alguma alternativa?

O estoicismo é uma das filosofias de vida que combate a adaptação hedônica. Em suma, prega o seguinte: aprenda a apreciar o que você tem através da consideração que tudo isso pode a qualquer momento ser perdido. Desta forma, sua felicidade é lastreada no que você já possui, e você não no que você deseja.

O praticante do estoicismo não enxerga o copo meio vazio, nem meio cheio; ele simplesmente enxerga… um copo!

amazing glass.png
Credit: SachaChua.com – ps: blog excelente!

Enxergando as coisas atuais que se possui no momento e como elas poderiam ter sido muito piores se algo tivesse dado errado ou alguma circunstância fosse diferente no passado causa o praticante a ser muito mais agradecido pela vida que possui e, conversamente, mais feliz.

Não digo que o estoicismo é a filosofia de vida perfeita, nem que é a mais apropriada para você. Na minha própria experiência, envolve realizar amadurecimento psicológico e uma disciplina intensa que muitos não estão dispostos a praticar. Mas pelo menos, neste quesito, oferece uma alternativa que não depende de consumo compulsivo e descontrolado como uma droga para receber felicidade.

Abraços!

Reclamar não vai te levar a nenhum lugar.

Pergunta rápida: qual é o esporte nacional?

Tirando o futebol, eu diria que, julgando somente pela popularidade, o hábito mais comum do Brasileiro (ou até mesmo do homo sapiens) é reclamar. Pense nisso por um momento. Você reclama, sua mãe reclama, sua namorada reclama, seus colegas no escritório reclamam, o pessoal militante político de cantos obscuros da sua rede social reclamam do governo atual, ou do próximo… e ainda assim, dia vem e dia vai, ninguém muda, pois ninguém faz nada. Por que será?

Reclamar é barato. Quase não tem custo pra fazer, e a oportunidade de ganhar suporte e compaixão alheia é grade. Afinal, quem não concordaria com aquelas frasesinhas do tipo aahh que droga, odeio ter que acordar cedo pra ir trabalhar e pegar um trânsito fudido / metrô cheio / ônibus fedorento e ter que falar com meu chefe babaca / fulaninha fofoqueira / ter que fazer sala pro time aah buáaa como minha vida é ruim

unhappy
Oh! Como sou infeliz!

Se fosse investimento, até soaria atrativo. Gaste pouca energia e ganhe bastante suporte alheio… Mas infelizmente, na última vez que olhei, compaixão de terceiros ainda não era aceitada como forma de pagamento das minhas contas.

Claro que existe uma necessidade psicológica para que você desestresse e se alivie do que te têm pressionado. Todo mundo precisa disso pra manter a sanidade. Mas aqui está o pulo do gato: exceto se você fizer alguma coisa em cima da sua reclamação, nada vai mudar e você nunca vai melhorar de vida. Você simplesmente vai gastar sua energia à toa.

complaining

Lição óbvia, certo? Aparentemente não, visto que a maioria das pessoas com quem convivo continua reclamando, e sequer faz alguma coisa para resolver a situação. E pior: ainda esperam que eu concorde com qualquer que seja a reclamação sob a pena de me tornar o babaca canalha insensível que obviamente não entende a dura realidade que eles estão sofrendo.

Se ao invés disso fizessem a coisa inteligente, pensassem no assunto e trabalhassem na solução, talvez não precisariam gastar tanta energia emocional mais na vida. Porém, por alguma misteriosa razão eles nunca fazem isso. Seria porque…

  • … analisar, estudar, achar a causa-raíz do problema requerem esforço?

  • … quem analisa a situação não recebe a tão desejada compaixão dos colegas por tentar sair do buraco sozinho e abandonar a manada?

  • … é muito mais fácil só ficar sentado e jogando complementos vazios (“é, é isso mesmo,” “foda né?” “que bosta, eu também”) ao invés de prover uma solução?

  • … jogar a culpa nos outros e nas circunstâncias remotas que não estão no nosso alcance direto é mais fácil do que tentar mudar as coisas?

Essa última apresenta uma questão interessante – se você tem um problema com alguma coisa, você muda a coisa em si ou muda você mesmo? Isso daria um bom tópico em si pra descobrir, mas por agora vamos dizer que eu descobri que mudar a sua percepção e (mais importante) a sua reação às coisas da vida é muito mais fácil e eficiente (stoic alert).

Novamente, fica a lição pra todo mundo: sem uma ação, não haverão resultados. Pra qualquer coisa! Olhar pra frente, ser ativo e procurar sempre a melhoria é o único caminho.

Mas por favor, não pensem que “tomar ação” inclui beber no bar com os colegas enquanto vocês descascam fulano ou sicrano que te desagradou, ou chapar em casa com vodka canalha e sprite enquanto assiste Netflix até 2 da manhã. Isso é passar metiolate num joelho que você rala todo dia – por que você não para de ralá-lo em primeiro lugar?

Finalmente, pode parecer que eu mesmo estou entrando no jogo e reclamando ao escrever este post. Talvez seja o caso, sim, afinal não sou de ferro. Mas pelo menos joguei algumas propostas de soluções no decorrer do post, então é meio caminho andado.

Abraços e até a próxima!

O jeito Pinguim de investir – minhas guidelines

Olá, pessoal,

Como estou sempre aprendendo mais todo dia neste bravo mundo dos investimentos, tenho elaborado minha estratégia formal de investimentos. Isso não significa, porém, que não tenho um framework elaborado que utilizo para basear as minhas decisões.

Apresento aqui então algumas guidelines, ordenadas levemente do mais pro menos importante, sobre as quais eu baseio minhas decisões financeiras:

Continuar lendo “O jeito Pinguim de investir – minhas guidelines”