Ganbare – até quando vale a pena?

Quando as pessoas no Japão querem motivar uns aos outros, geralmente desejam uma palavra chamada Ganbare. Este termo é frequentemente traduzido como “boa sorte,” e utilizado antes de acontecimentos como competições, apresentações e outros eventos envolvendo sorte. Porém, seu significado literal é mais próximo de “esforce-se,” dos Kanjis 頑張れ.

Esta discrepância se dá do fato de muitas pessoas confundirem a tradução, e ao fato de que os Japoneses são, de fato, uma das sociedades mais esforçadas quando se trata de algum objetio de bem comum. Isso se reflete bem no mundo corporativo, onde o Japão é um dos países com maior número de horas extras trabalhadas no mundo. Certamente, esta posição vem com um preço: o trabalho excessivo constante traz várias ocorrências do chamado karoushi, literalmente “morte por sobretrabalho”.

Os países do terceiro mundo olham para o Japão e outros países desenvolvidos como metas para o futuro, assim como nós olhamos para as pessoas bem-sucedidas como objetivos de vida. Queremos alcançar, com a IF por exemplo, um patamar de riqueza que nos permita viver com liberdade, mesmo que isto acarrete em alguns sacrifícios nos dias atuais. Porém, ao olhar para tantas fatalidades e sacrifício, não podemos deixar de nos perguntar: até quando vale a pena tal sacrifício?

O culto ao trabalho, por exemplo, custa ao Japão o desenvolvimento da sociedade como um todo por conta da repressão constante. O que, então, uma devoção demasiada para o trabalho poderia estar te custando?

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O que você tem feito pelos seus dois melhores amigos?

Quando começamos a conhecer os investimentos, geralmente o primeiro passo é um trabalho psicológico nos provando – convencendo, até – que investir é o caminho correto para enriquecer. Para uma pessoa frugal por natureza, este passo é bem curto, talvez até desnecessário, já que os valores são alinhados naturalmente com os hábitos da pessoa. Porém, uma pessoa consumista pode perceber os hábitos de poupar e investir a diferença como perda de oportunidade, seja para fazer algum programa ou comprar algo com o dinheiro.

Neste último caso, o trabalho geralmente é mais difícil; a pessoa precisa se convencer que os ganhos trazidos de aportes regulares e investidos com sabedoria possuem valor maior que os passivos imediatistas que o dinheiro poderia comprar. Com isso, com este artifício de comparação, a pessoa pode descobrir e decidir por si mesma que vale mais a pena investir do que gastar.

Esta técnica é útil na hora de aplicar a razão diante das emoções em tomar uma decisão financeira, mas ficar fazendo estas comparações analíticas na prática é maçante e não nos lembramos de tal utilidade. Como você pode se lembrar de fazer a escolha racional e melhor para o seu futuro diariamente?

Lembrando dos seus dois melhores amigos para a vida toda: você no passado e você no futuro.

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Resenha do Pinguim #7 – People Tools for Business de Alan C. Fox

Mais uma resenha do Pinguim saindo do forno. Desta vez faço um pequeno desvio do meu caminho de leituras sobre investimentos e empreendimentos e volto a um assunto sobre o qual escrevi as minhas primeiras resenhas: auto-ajuda.

Quando compramos algum eletrodoméstico ou dispositivo novo, ele geralmente vem com um manual do usuário, assim como o seu carro, mas na maioria das vezes não os lemos. Quando você vai fazer alguma coisa de novo, você também recebe algumas instruções e geralmente as segue (do caso contrário, pular de asa delta ou mergulhar de cilindro teriam muito mais fatalidades!)

Na vida, porém, não recebemos esse manual de como proceder, e assim temos que aprender por nós mesmo a nos virar; errando e até mesmo nos acidentando pelo caminho do aprendizado. Não seria muito mais fácil se pudéssemos ter um manual de instruções ou um guia para nos orientar como proceder em diversas situações na vida e nos negócios com outras pessoas?

Enquanto este manual não vem, o livro People Tools for Business do emprendedor, investidor imobiliário e escritor Alan C. Fox é o mais próximo que já encontrei. Parecido como um manual de instruções filosófico, o livro é estruturado na forma de 50 breves anedotas para serem utilizadas em diversos contextos e ocasiões, chamadas de people tools. Este livro é a continuação de seu livro anterior e com ênfase na parte de negócios, mas é aplicável também pra parte da convivência pessoal.

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Estoicismo: lições diárias da vida

Embora aqui no Pinguim Investidor eu tenha escrito bastante sobre desenvolvimento pessoal e frequentemente menciono o Estoicismo como um dos pilares que me baseio pra desenvolver a minha filosofia pessoal, percebi que ainda não havia escrito um post falando do Estoicismo especificamente. Já escrevi há um tempo sobre o hedonismo, que seria o extremo oposto do estoicismo por focar puramente no prazer humano, mas nunca abordei o tópico diretamente. Seria injusto eu deixar este tópico que tanto menciono no blog sem o seu próprio post, então tomei a iniciativa de dissertar ao máximo que sei sobre ele.

O estoicismo, se eu tivesse que sumarizar em algumas palavras, é uma filosofia sobre as lições diárias da vida. É sobre como você aprende a lidar com os momentos inesperados e não ser afetado tão negativamente, e melhora continuamente com cada dia que passa. Como toda habilidade humana, é necessário a prática contínua e diária para aprendermos com a experiência e melhorarmos. Não adianta simplesmente ler os textos estóicos e se achar o iluminado no assunto.

Este aprendizado constante necessário para entrar no approach estóico pode frustrar um pouco o iniciante (foi assim comigo no começo) então com este post espero conseguir clarificar um pouco sobre esta filosofia, e possivelmente, convencer alguns leitores curiosos a experimentá-la para o benefício próprio.

Vamos ver como que é.

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A pérola

Outro dia na rua, passei na frente de uma joalheria e vi na vitrine uma bela pérola. Uma pérola grande, com brilho misterioso, formato perfeitamente esférico, daquelas que ficamos naturalmente mesmerizados ao olhar. O preço na etiqueta eu nem me dei o trabalho de olhar, sabia que não ia me agregar valor nenhum mesmo.

Não são todos que sabem sobre a origem da pérola, de como ela é formada e de onde vem. Alguns sabem que vêm das ostras, aquelas mesmas que comemos gratinadas, ou arriscando na praia mesmo com limão e sal na hora. Iguaria deliciosa pra uns, jóia rara pra outros. Eu vejo a pérola sob outros olhos; vejo um trabalho dedicado, superação… e paciência.

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Alinhamento preço-valor: o post definitivo

Um dos conceitos que eu falo com mais frequência no blog é sobre valor. Neste assunto, há uma frase do Warren Buffet que muitos outros blogs de finanças gostam de mencionar que fala que Preço é o que você paga, valor é o que você recebe. E ele está certo, especialmente no âmbito dos investimentos, onde muitas vezes o valor recebido ao comprar uma empresa está muito além do que uma cotação ou valuation pode dizer.

A partir deste conceito se derivam as histórias da bolsa como as 10-baggers, 100-baggers, e seus opostos diamétricos, mas hoje quero falar de uma visão diferente sobre o conceito do valor. É uma visão do valor ainda relacionado ao preço, mas é o valor agregado relativo de algum custo que você inferiu.

Este conceito para mim é importantíssimo, e um fator crucial para o meu planejamento orçamentário e de gastos mensais. Tomei conhecimento deste conceito pela primeira vez no livro Your Money or Your Life de Vicky Robin e Joe Dominguez, e toquei brevemente no assunto durante a resenha, mas nunca me aprofundei no que ele significa, e como ele pode ser utilizado, ainda que tenho me referido a ele em vários outros posts.

Neste post irei explicar o conceito definitivamente, e mostrar como ele mudou e pode mudar a sua visão sobre gastos e orçamentos definitivamente.

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Comentário do Pinguim: InfoMoney – 7 sinais de que você nunca será rico

Este post completa 50 posts no Pinguim Investidor! Fiquem ligados para outros 50 em breve!


Olá, Finansfera! Esta semana um leitor me enviou um artigo do InfoMoney sobre alguns hábitos financeiros ruins que impedem as pessoas de alcançar a independência financeira.

InfoMoney – 7 sinais de que você nunca será rico

O artigo é rápidamente digerido é recheado de insights interessantes, alguns que se alinham com a filosofia do Pinguim, outros soam esquisito aos meus ouvidos frugais.

Vamos ver como este artigo do InfoMoney se alinha com a filosofia do Pinguim.

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Jeito Pinguim Explicado #2 – Simples é melhor do que complexo

Mais um post da série Jeito Pinguim Explicado


O ser humano gosta de complicar. Quando se está aprendendo algo, procura-se os básicos, as explicações simples e o modo “Easy” do jogo. Porém, graças à nossa adaptação hedônica, perdemos a satisfação com a situação atual e eventualmente queremos aumentar a dificuldade, incrementar a receita e experimentar.

Isto é ótimo para aumentar os seus horizontes, diversificar as oportunidades e habilidades, mas a expansão rápida demais pode mais prejudicar do que ajudar. Ao expandir muito rápido e sem metas definidas perde-se foco, visão da meta e o esforço diluido com a falta de experiência passa a se traduzir em menor rendimento.

Infelizmente, uma busca simples na internet hoje em dia dá a impressão que você precisa ter nada menos que algumas 483734290592 habilidades ou fontes de renda diferente para conseguir alcançar o Graal da independência financeira. Vídeos com títulos como “VOCÊ PRECISA VER ISSO PRA ENRIQUECER,” “POR QUE VOCÊ NÃO ENRIQUECEU AINDA,” etc causam um sentimento de culpa por não estar aprendendo ou explorando o suficiente. Eu discordo.

É possível, sim, atingir a independência financeira de maneira simples, seguindo um plano altamente eficiente, e simplesmente aumentando as proporções e o esforço dedicado.

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Fazer é aprender

Post rápido sobre outro assunto que muitas pessoas conhecem, mas prestam pouca atenção no seu cotidiano. Recentemente, refleti sobre uma passagem do livro que estou lendo atualmente (Early Retirement Extreme, de Jacob L Fisker), onde o autor prega uma revolução na forma de se aprender, trabalhar e viver a vida de forma mais eficiente, onde o benefício por tabela é a independência financeira.

Neste livro, o autor aborda um conceito interessante, polêmico, e que faria muitos pais e jovens de 18 anos recém-saídos da escola tremerem na base: o sistema de educação atual prejudica o indivíduo e satisfaz somente o sistema, e precisa ser repensado se o indivíduo quiser se tornar independente.

O assunto não é necessariamente pristino (muitos já debateram a reforma do sistema escolar, incluindo esta palestra excelente que recomendo assistir), mas Fisker elabora sobre uma faceta menos debatida: a maioria do que se é ensinado não recebe prática, perdendo-se assim dentre as habilidades aprendidas na vida. Dizem por aí que quem sabe faz… mas será que sabe mesmo?

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Resenha do Pinguim #2 – “Your Money or Your Life” de Vicki Robin e Joe Dominguez

Comecei a ler este livro como recomendação de alguns blogs de finanças em Inglês que sigo, e só depois de ler uns 30% dele que me dei conta que na verdade ele é um clássico – de fato, um best-seller Americano muito popular em meados dos anos 90. Naquela época, não se falava muito sobre finanças pessoais, e o conceito de aposentadoria precoce era praticamente inexistente, então é possível acreditar que foi este livro que realmente “deu o tranco” no movimento FIRE; inicialmente nos EUA, e depois no mundo inteiro. Confira a sinopse do Goodreads:

“In times like these, it’s more important than ever to know the difference between making a living and making a life. Your Money or Your Life is even more relevant today than it was when the book first hit the stands, and a great publicity campaign will bring this already strong-selling book to a whole new audience.”

O que um livro com mais de 25 anos de idade pode nos ensinar em 2018? Surpreendentemente, muita coisa.

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