É possível ficar rico investindo na poupança?

Seria possível ficar rico investindo apenas na poupança? Eu acredito que sim.

Será que deu a louca no Pinguim? Será que as perdas na crise causaram insanidade e regressão para os seus tempos pré-educação financeira? Será o fim da credibilidade deste site?

Muito pelo contrário. Mesmo com o medo e pânico generalizado na bolsa, estou calmo e mantendo o meu planejamento em curso. E enquanto há várias razões e casos nos quais devemos fazer uso da poupança e dos bancos durante o nosso curso até a independência financeira, acredito que a poupança não deve ser considerada uma forma sequer de investimento.

Ainda assim, concluo que é possível sim enriquecer e talvez até se tornar independente financeiramente até mesmo se o seu único investimento seja a caderneta de poupança. Como isso seria possível? A resposta envolve educação financeira e disciplina na rotina, e de longe não é a forma mais eficiente de se realizar a tarefa – mas não significa que seria impossível de realizar. O que isso prova, porém, é que enriquecer é uma questão matemática, e consequentemente possível para todos.

Vou mostrar como neste post.

Continuar lendo “É possível ficar rico investindo na poupança?”

O paradigma do Taco Bell na Independência Financeira

Na indústria alimentícia um problema frequente é a gestão do estoque. Clientes devem ser servidos com os ingredientes em questão, mas se estes não forem consumidos prontamente o suficiente, há um risco da validade passar e eles serem perdidos como prejuízo. É necessário um equilíbrio precioso para conseguir atender a fome dos clientes sem falta e evitar o prejuízo com comida estragada, que os gestores de restaurantes analizam mês a mês para se aperfeiçoar.

Em meio à este precioso jogo de equilíbrio, uma rede de fast food parece ter se destacado: Taco Bell. O Taco bell possui um diverso menu de vários pratos distintos, mas todos são feitos a partir de oito ingredientes básicos. Ajustando e apresentando cada ingrediente (carne moída, queijo ralado, tortillas…) de uma certa forma específica, cria-se um prato completamente diferente do anterior. Apenas utilizando e reutilizando ingredientes que eles já possuem, a rede de fast food consegue abastecer todo o seu menu sem se preocupar muito com excesso ou falta dos ingredientes. Eles se abastecem e se sustentam com o que têm.

No âmbito da programação de computadores, este “modelo Taco Bell” é utilizado por administradores e desenvolvedores para criar soluções com apenas componentes já prontos do sistema operacional que executam tarefas simples, arranjando-os de forma a performar uma tarefa mais complexa. Conhecido também como Princípio Unix, este modelo permite que você simplifique o desenvolvimento e evite retrabalho em criar a mesma coisa duas vezes.

E, igualmente, você pode aplicar o modelo Taco Bell para a sua vida financeira também. Enquanto algumas pessoas te encorajam a começar a diversificar suas fontes de renda, investir em ativos de alto risco sem compreendê-los bem, ou abandonar o seu emprego para começar um negócio próprio, muitas vezes a sua vida atual, do jeito que está, pode ser o suficiente.

Pode ser simplesmente uma questão de arranjar os fatores da maneira certa.

Continuar lendo “O paradigma do Taco Bell na Independência Financeira”

Estratégia versus Execução: porque as idéias originais nem sempre são as que vingam?

Quem inventou a lâmpada?

Embora muitos apontem o empreendedor e inventor americano Thomas Edison como o pai da lâmpada elétrica moderna, e pioneiro da indústria elétrica moderna, a resposta completa não é tão simples assim. Edison não inventou a lâmpada “do zero.” Ele pegou uma idéia existente desde pelo menos 1841 de um cientista britânico e a aperfeiçoou, contando com a ajuda até de seu futuro rival Nikola Tesla. Porém, eventualmente com muita pesquisa e promoção, o produto se tornou tão popular que foi o suficiente para que ele se consolidasse como o “pai da lâmpada” e da eletricidade em meados dos anos 1880.

A história da invenção da lâmpada é um clássico exemplo da diferença entre a estratégia e a execução na hora de se lançar uma nova idéia no mercado. Em vários casos na história, inovações bem-sucedidas não foram à primeira vista um sucesso, precisando de uma segunda ou terceira proposta para conseguir conquistar o público. A tela sensível ao toque, popularizada pela Apple por seu lançamento do iPhone em 2007, existe desde os anos 80. Carros elétricos parecem hoje ser invenção da Tesla Motors, mas igualmente existem desde o fim do século 19, quando eram tão populares quanto os de gasolina. Até o empreendedor João Gurgel em 1974 apresentou seu primeiro carro elétrico comercial, época quando Elon Musk ainda era um bebê, e nem sonhava com qualquer possibilidade de criar a Tesla.

Por que, se estes pioneiros tiveram tanta genialidade há tanto tempo, eles não conseguiram obter o sucesso dos seus sucessores? Parte da resposta se dá por conta da importância que a execução, não apenas concepção, da idéia tem. A idéia, a estratégia, sem uma execução forte e definitiva não produz sucesso. Esta dualidade de design, pesquisa versus a promoção e execução está presente em quase todos os elementos do nosso cotidiano, e neste post vamos ver como este conceito pode fazer a diferença quando você quiser empreender.

Continuar lendo “Estratégia versus Execução: porque as idéias originais nem sempre são as que vingam?”

A percepção relativa humana e seus impactos nas finanças

Responda rápido, sem procurar no Google: qual é o peso médio de um elefante africano adulto? Você tem dez segundos para responder. Valendo!

Seu tempo está esgotado. Quanto você acha que é? Uma tonelada? Dez toneladas? Vinte?

Procurar uma resposta sensata para esta pergunta foi provavelmente bem difícil. Mas antes de mostrar a resposta, vamos tentar uma pergunta alternativa: quantos rinocerontes pesa um elefante?

A resposta para esta pergunta se torna mais fácil por simplesmente ter se tornado uma questão de comparação entre duas coisas já de certa forma conhecidas.

Quem já passou por um processo seletivo de contratação com certeza já viu as perguntas mais bizarras que os recrutadores fazem ao grupo. Uma das clássicas é: quantas bolas de golfe cabem num Boeing 747? E aqui nem o Google pode te ajudar se é para ser resposta objetiva. Como no exemplo dos elefantes, uma “cola” de comparação poderia lhe ajudar aqui também, mas não se preocupe, não é a resposta objetiva que eles estão procurando.

Perguntas inesperadas à parte, a nossa dificuldade em estimar grandezas como essas do zero se dá em parte porque o cérebro humano é incapaz de processar grandezas absolutas, apenas relativas. Em outras palavras, só conseguimos completamente entender alguma coisa quando colocamos outra coisa familiar ao lado para comparar.

Podemos, por exemplo, fazer o mesmo tipo de pergunta acima para o número de estrelas no céu, quantidade de grãos de areia numa praia, população de um determinado bairro, etc. Mesmo que saiba o número exato, você só irá realmente compreender sua magnitude se compará-lo com outra coisa que realmente entende. E a mesma coisa acontece com os sentimentos: frequentemente nos comparamos com os outros nos quesitos de felicidade e sucesso.

Este fato felizmente (ou não) se derivou da nossa evolução como seres humanos, e tem profundos impactos na nossa psicologia, percepção das coisas e – finalmente – até nas nossas finanças pessoais.

Como a “relatividade humana” pode ter impactos positivos e negativos na suas finanças, e como você pode arranjá-la de modo a ter os melhores resultados desta consequência evolucionária tão naturalmente humana?

Continuar lendo “A percepção relativa humana e seus impactos nas finanças”
Empty fridge with one can

A vantagem da escassez

Somos de tempos em tempos surpresos por uma história de sucesso que aparece e ganha atenção na mídia. Já conhecemos alguns destes “contos da Cinderela” onde uma pessoa que veio do nada, sem recurso nenhum, e armada apenas com a sua força de vontade suprema consegue dar a volta por cima de uma forma completamente inesperada e se tornar alguém altamente bem-sucedido.

E como só tomamos conhecimento quando já estão com sucesso, todos são impressionados. A reação inicial sempre é a mesma: como uma pessoa com tão pouco conseguiu atingir tanto?

Numa época onde todos têm uma grande pressão para obter recursos escolares como faculdade e pós-graduação, e acreditam que apenas com muito dinheiro e recursos é possível obter sucesso, tais histórias soam simplesmente impossíveis de serem realizadas.

A minha visão, porém, não poderia ser mais diferente: para mim, nada é mais natural do que alguém utilizar a falta de recursos para conseguir se tornar bem-sucedido.

Um pensamento contrário à tendência de todos a acharem que é a abundância a receita para sucesso, talvez. Porém, dada a quantidade de casos de sucesso e fracasso que existiram na história da humanidade, me torna cada vez mais mais aparente que é a escassez que forma a nossa base para conseguir alcançar o sucesso na vida. Por quê?

Porque é apenas com o conceito da escassez que podemos aprender a ser altamente eficientes.

Continuar lendo “A vantagem da escassez”

Fechamento Outubro 2019 – Time out, filosofia e preparação

É hora de mais um fechamento do Pinguim!

Outubro foi um ótimo mês para fazer a automanutenção e recarregar as baterias. Isso é porque tive a oportunidade de ir para a casa dos meus pais e tirar umas férias muuuito merecidas. Nesse tempo sabático (que infelizmente já acabou), pude fazer uma retrospectiva e filosofar bastante, o que rendeu alguns posts interessantes.

Adicionalmente, tive a oportunidade de botar a conversa em dia com vários amigos e familiares que não via há tempos, o que me rendeu a oportunidade para educá-los financeiramente e analisar seus casos, o que significa que pode vir matéria nova por aí.

As finanças andaram muito bem. Embora o aporte não tenha sido tão gordo quanto esperava (ser visita inesperadamente aumenta os custos, como vamos ver mais à frente), resolvi “girar” o patrimônio um pouco e terminei minha posição em alguns fundos de renda fixa, visando entrar mais em renda variável. Como resultado, os rendimentos foram mais surpreendentes.

Vamos ver como me saí finaceiramente.

Continuar lendo “Fechamento Outubro 2019 – Time out, filosofia e preparação”

O pacto de Ulysses na Independência Financeira

Diz o épico da Odisséia do poeta grego Homero que no seu caminho de volta da guerra contra Tróia, Ulysses (ou Odisseu em Grego) sentiu uma curiosidade extrema para ouvir o canto das sereias perto dos mares que deveria cruzar para voltar para a Grécia. Ele estava consciente dos riscos que sua escolha poderia trazer, já que ouvira dos antigos que tal canto era mistificante e sedutor a ponto de levar qualquer homem à insanidade para seguí-las até o fundo do mar, e portanto tratou de uma estratégia para evitar este fim trágico junto à tripulação do seu navio.

Ulysses instruiu à tripulação que o amarrassem ao mastro do navio bem firme, de forma que ele não pudesse fisicamente escapar, e que cada membro da tripulação entupisse seus ouvidos com cera, para que assim eles fossem incapazes de ouvir tanto o canto sedutor quanto as ordens insanas do seu capitão para que o soltasse de lá. A estratégia funcionou, com Odisseu conseguindo passar pelas sereias e sua tripulação ignorando com sucesso tanto o canto quanto os pedidos desesperados do capitão, e todos seguiram viagem.

Homero já sabia desde o século 8 antes de cristo o poder que uma decisão como esta – onde fixa-se um “contrato” em presente para evitar uma tragédia no futuro – tem para a produtividade humana. Esta anedota da Odisséia ficou tão famosa, inclusive, que recebeu até um nome: Pacto de Ulysses. Tal pacto é uma decisão onde se fixam termos no presente para se resguardar contra ameaças do futuro mesmo quando elas não se manifestam no momento atual.

Há vários pequenos pactos de Ulysses que fazemos na nossa rotina, ou que são impostos sobre nós por conta de lições aprendidas de desastres passados. Coisas como dispositivos de segurança em máquinas ou utensílios são um exemplo deles. E quando falamos sobre a busca da Independência Financeira, não podemos deixar de pensar neste conceito poderosíssimo, pois é através deles que podemos traçar objetivos grandes, e garantir que eles sejam cumpridos no futuro.

Como funciona o Pacto de Ulysses na busca da IF?

Continuar lendo “O pacto de Ulysses na Independência Financeira”

FIRE no futuro: como acertar um alvo móvel?

A matemática por trás da Independência Financeira é simples, e não requer conhecimento matemático avançado: pegue o valor do seu custo de vida total mensal, adicione uma margem de segurança, e multiplique o resultado por 300. O número que você obter é o valor do seu patrimônio mínimo necessário para obter renda passiva suficiente para cobrir seus custos sem que o patrimônio principal se derreta e com o menor risco disponível.

Simples e direta, esta fórmula é importante e prática na hora de se planejar e estabelecer metas, e eu a utilizo com frequência ao introduzir finanças pessoais para os outros, ou conversar sobre ela com a minha família. Porém, enquanto esta fórmula é manjada por todos no âmbito das finanças pessoais, há um detalhe importantíssimo que esta simples fórmula omite, até porque é fora do seu escopo prevê-la: a inflação.

Esta queridinha é importante análise do FIRE porque coloca dois fatores em campo que muitos se esquecem na ansiedade de decidir em que ponto parar: o tempo e o poder de compra do seu dinheiro. Ambos são indesejáveis, mas são necessários para fazer uma análise de risco completa – sem eles, todo o seu planejamento e execução podem ser penalizados gravemente no futuro quando você descobrir que seu dinheiro planejado tão cuidadosamente lá atrás não consegue suprir suas necessidades ou vontades.

Como você deve considerar a inflação na hora de estabelecer suas metas do FIRE? Incluindo-a como um alvo móvel no alcance da independência financeira.

Continuar lendo “FIRE no futuro: como acertar um alvo móvel?”

Confrontando o cotidiano 4 – O cafezinho de R$60.000,00

Semana passada no trabalho, estava tomando meu cafezinho de tarde quando olhei bem pra caneca e comecei a refletir. Vi as pessoas voltando do almoço trazendo copos do Starbucks pras suas mesas e não pude deixar de pensar.

Lá se vão 14 reais da carteira, transformados em açúcar, leite e um tiquinho de café aguado…

E aí então voltei a atenção ao meu copo. Lá estava um nescafé solúvel que havia preparado eu mesmo com a água quente disponível na copa (meu escritório não fornece café aos empregados, apenas água e maquininhas de refrigerantes com bebidas). Admitidamente não é o melhor café que tomei, mas, depois de fazer algumas contas rápidas, percebi que era o café de maior valor que já tomei na vida.

De fato, este café me economizará mais de sessenta mil reais na vida.

Continuar lendo “Confrontando o cotidiano 4 – O cafezinho de R$60.000,00”

Você consegue enriquecer só com investimentos?

A procura de muitos assim que aprendem sobre a educação financeira é investir. É o passo natural de quase todo mundo já que, de acordo com o triângulo do acúmulo patrimonial, é o único pilar desconhecido depois da renda e da economia. Unido a este espírito estão as notícias e posts sensacionalistas indicando como alguns fulanos de tais conseguiram “ganhar milhões na bolsa.” Embora as boas intenções, infelizmente a perseguição por investimentos e performance começa, atrapalhando o caminho até a independência financeira – e algumas vezes traumatizando o indivíduo que “perdeu tudo.”

A minha opinião é que enriquecer somente com os investimentos – especialmente no início – é altamente arriscado e ineficiente.

Isso é porque nem sempre o investimento é a melhor escolha. Dependendo da sua situação, é melhor direcionar o foco em outros processos que lhe poderão te providenciar um retorno melhor. Um exemplo disso que indiquei no meu post anterior é a quitação das dívidas; é melhor concentrar esforços para quitar todas as dívidas que você possui antes de começar a investir. Neste post explico sobre outros exemplos para você planeje melhor o seu caminho até a IF.

Continuar lendo “Você consegue enriquecer só com investimentos?”