Dependências cumulativas irão te levar à desgraça

No fim de semana passado, fui a um shopping perto de casa e tive uma visão assustadora.

Ao passar do lado da entrada do estacionamento, me deparei com uma fila enorme do lado de fora contornando o quarteirão composta apenas por carros que queriam entrar para ainda estacionar dentro dele. Embora esta pode ser um acontecimento comum, ou até mesmo uma ótima notícia para o administrador do shopping ou quem investe nele, o que me assustou foi a realização de quanto essas pessoas se tornaram dependentes dos seus carros.

Essas pessoas cobriram a real necessidade de ir ao shopping com esta dependência, tendo, assim, que ter um carro em primeiro lugar, gastar gasolina para levá-lo até o shopping, morgar na fila imensa fora do shopping, procurar vagas dentro dele, pagar o estacionamento caríssimo, arriscar ter que pagar valet se as vagas comuns acabarem para depois, sim, conseguirem entrar e fazer o que precisam no estabelecimento.

Você vê alguma coisa errada aqui? Muitas? Eu vejo, essencialmente, apenas uma: dependência cumulativa. O carro, uma vez tido como um bem supérfluo hoje foi condicionado à ser uma dependência da qual o cidadão não consegue mais viver sem na vida moderna.

Infelizmente, o carro é apenas uma das muitas outras dependências que a sociedade cultiva atualmente por conta da influência da tecnologia. Porém ao passo que podemos ver claramente os benefícios trazidos por tais tecnologias, as consequências não-intendidas que se acumulam são muitas vezes desastrosas. No caso dos carros, temos experiência disso primeira mão: congestionamentos diários dominam nossa jornada ao trabalho, e a escassez de vagas infla os preços dos estacionamentos nas cidades.

No âmbito pessoal, também temos dependências cumulativas oriundas de fatores externos e internos. Ao analisarmos nossa rotina diária, podemos ver várias destas impregnando silenciosamente nossas vidas: a máquina de espresso cara de cápsula exclusiva que sobrepõe o café barato de filtro, ler as notícias num tablet que toma o lugar de apreciar o café da manhã de maneira própria, etc.

Se continuada sem limitações, nos tornamos escravos de tais dependências e perdemos nossa adaptabilidade, sem contar no desastre que acontece em nossas finanças. Como podemos então evitar que as dependências cumulativas tomem conta de nossas vidas?

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A importância de estar consciente

Em 2016 arranjei um ingresso para assistir uma competição de Taekwondo no Parque Olímpico do Rio de Janeiro. Era uma das mais acessíveis, já que não é tão popular. Chegando lá, ao entrar no estádio, fui comprar uma água para tomar, e vi uma cena que nunca mais me esqueci.

As bebidas estavam sendo vendidas nas barraquinhas em copos plásticos decorados à moda do Rio 2016, e eram recebidas com a compra de uma bebida alcóolica, como cerveja, para não se ter o problema de latas e garrafas de vidro sendo jogadas ao redor dos estádios. Com isso, recebia-se um copo por cerveja comprada. Um indivíduo na fila havia acabado de comprar mais uma cerveja quando percebi que ele passou do meu lado carregando uma pequena “torre” de nada menos que uns vinte e quatro copos, montados um dentro do outro. Sim, esta pessoa deveria ter bebido no mínimo umas vinte e poucas cervejas durante o seu dia no Parque Olímpico, e ainda voltava para pegar mais.

Meu pensamento na hora foi: esse cara pensa que está num churrasco na casa dele? Pra quê beber tanto ao invés de aproveitar esse momento único da vida, quando os Jogos Olímpicos estão na sua cidade, acessíveis pra você pela primeira vez? Uma pessoa que bebeu tanto assim não pode ter tido memórias sóbrias e sólidas de como foi a experiência Olímpica no Brasil; deve ter sido nada mais do que apenas mais um outro dia ocioso onde se bebeu a tarde toda.

Como já mencionei antes, embora eu não beba mais, não tenho problemas com a bebida, ou quem bebe. Mas esta história revela uma coisa importantíssima que aprendi no decorrer do meu aprendizado financeiro e pessoal: independente do que você faz no seu dia, deve ter sempre a consciência das suas ações, tanto sobre o quê está fazendo quanto no que tal ato acarretará como consequência.

Esta consciência é fundamentalmente diferente daquela “força do hábito” onde sua mente entra em piloto automático e você não questiona se está fazendo da maneira certa ou melhor. Muito pelo contrário: esta é a consciência onde você consegue abstrair da ação, averiguar a situação, se conscientizar de como esta ação afeta você ou seu ambiente e como você pode mudar ou melhorá-la.

A falta desta consciência possui consequências graves, e pode levar a formação de hábitos nocivos às suas finanças e vida pessoal. Se você já sofreu algum dia de procrastinação, por exemplo, é provável que a causa esteja relacionada à não-consciência de algum hábito seu.

Como funciona este fator crucial de estar consciente, e como ele contribui para o seu crescimento? Vejamos a seguir.

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O pacto de Ulysses na Independência Financeira

Diz o épico da Odisséia do poeta grego Homero que no seu caminho de volta da guerra contra Tróia, Ulysses (ou Odisseu em Grego) sentiu uma curiosidade extrema para ouvir o canto das sereias perto dos mares que deveria cruzar para voltar para a Grécia. Ele estava consciente dos riscos que sua escolha poderia trazer, já que ouvira dos antigos que tal canto era mistificante e sedutor a ponto de levar qualquer homem à insanidade para seguí-las até o fundo do mar, e portanto tratou de uma estratégia para evitar este fim trágico junto à tripulação do seu navio.

Ulysses instruiu à tripulação que o amarrassem ao mastro do navio bem firme, de forma que ele não pudesse fisicamente escapar, e que cada membro da tripulação entupisse seus ouvidos com cera, para que assim eles fossem incapazes de ouvir tanto o canto sedutor quanto as ordens insanas do seu capitão para que o soltasse de lá. A estratégia funcionou, com Odisseu conseguindo passar pelas sereias e sua tripulação ignorando com sucesso tanto o canto quanto os pedidos desesperados do capitão, e todos seguiram viagem.

Homero já sabia desde o século 8 antes de cristo o poder que uma decisão como esta – onde fixa-se um “contrato” em presente para evitar uma tragédia no futuro – tem para a produtividade humana. Esta anedota da Odisséia ficou tão famosa, inclusive, que recebeu até um nome: Pacto de Ulysses. Tal pacto é uma decisão onde se fixam termos no presente para se resguardar contra ameaças do futuro mesmo quando elas não se manifestam no momento atual.

Há vários pequenos pactos de Ulysses que fazemos na nossa rotina, ou que são impostos sobre nós por conta de lições aprendidas de desastres passados. Coisas como dispositivos de segurança em máquinas ou utensílios são um exemplo deles. E quando falamos sobre a busca da Independência Financeira, não podemos deixar de pensar neste conceito poderosíssimo, pois é através deles que podemos traçar objetivos grandes, e garantir que eles sejam cumpridos no futuro.

Como funciona o Pacto de Ulysses na busca da IF?

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Errando

Recentemente, errei. Novamente. Fiz uma decisão que parecia ser a coisa certa na hora, mas finalmente percebi que não era e as consequências vieram. Errei depois de ter errado várias outras vezes numa vida inteira, e provavelmente não será a última vez. Mas, ainda assim, averiguei a situação, percebi que o erro não era nada fatal, me reergui e segui em frente, com muitas novas lições aprendidas a mais no bolso.

O parágrafo acima poderia ter sido completamente omitido e esquecido em meio ao meu cotidiano, mas eu optei por escrevê-lo por possuir uma coisa que poucos param para apreciar o seu valor verdadeiro: errar. Desde pequenos, somos condicionados a temer erros quando, tal como diz o ditado, eles são naturais ao ser humano, e cruciais no nosso aprendizado diário.

Ainda assim, porém, parece que todos nós temos uma persistência em abominar erros e qualquer desvio da perfeição procurada. Aqui, somos rápidos para apontar as pessoas ao nosso redor como os culpados, como as escolas, os professores, os pais e a sociedade, por exemplo. Mas a verdade é que mais do que qualquer outro, quem abomina e pune nossos erros somos nós próprios. Aprendemos desde cedo na vida que quem erra ou pratica algo fora do aceitado como certo é punido, então desenvolvemos uma defesa própria interna para nos punir e policiar contra estes erros.

Esta manobra, porém, não é sem consequência, já que reprimir os erros significa reprimir a criatividade e o espírito de experimentar que é necessário para o desenvolvimento pessoal. E assim, limita-se a vontade de tentar novamente ou querer evoluir para melhorar e conseguir acertar.

Quais são as coisas que nossos erros podem trazer que podem nos melhorar?

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Fechamento Agosto 2019 – fight my way back

Agosto foi um mês “animado” pro Pinguim Investidor, assim como pro mercado em geral. Tiveram alguns acontecimentos interessantes, como o incidente com o meu celular, o estoicismo sendo colocado em teste diariamente no trabalho e outras situações no cotidiano que deixaram as semanas corridas e desafiantes.

Consegui um aporte melhor e mais tranquilo que o do mês passado, mas mesmo assim abaixo do orçado da faixa de 40-50% das receitas. Porém, aproveitei bastante tudo o que fiz fora do expediente, e realmente compreendi o significado de quality time no contexto das poucas horas disponíveis. Estas horas bem passadas com quem realmente importa (i.e. família) são importantíssimas. Não ignorem-as, pessoal!

Vamos aos números:

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A Selic caindo e a pedra rolante

Recentemente foi oficializado que a taxa Selic foi reduzida novamente, desta vez para 6%, com especulações que esta seja reduzida ainda mais para 5% futuramente. As massas começaram aquele movimento de pânico e especulação como não sabendo o que esperar do tesouro direto. Devo vender? O que comprar? Qual é a melhor rentabilidade a curto prazo agora?

Os mais centrados deram um momento para deixar a racionalidade tomar conta novamente e pensarem que este ciclo não é diferente da realidade da bolsa, e que juros e outras políticas monetárias são igualmente variáveis.

Um vídeo do Rafael Seabra, porém, tomou uma direção diferente à da especulação, e mostrou um caminho diferente. Inicialmente falando sobre a rentabilidade da antiga poupança vs o Tesouro Direto, ele nos informa que não há porque se afobar por causa desta mudança, ainda mais porque a poupança antiga é um investimento que nunca mais poderá ser feito.

Ainda assim, ninguém gosta de ver rentabilidade da carteira caindo. O que se pode fazer neste caso? A resposta é: continuar em movimento com a mudança.

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Estoicismo na prática: sobrevivendo a perda de um celular

Recentemente publiquei no site uma introdução sobre o Estoicismo, a filosofia dos gregos antigos que busca maximizar a felicidade através do uso extensivo da razão e lógica. Quase que como planejado, alguns dias após ter terminado de escrever o artigo, meu celular parou de funcionar sem qualquer aviso prévio.

Parecia mesmo que o universo estava testando as minhas habilidades estóicas. Se esse cara acha que sabe mesmo sobre o estoicismo, vamos ver se ele está preparado de verdade! E assim, voltando pra casa depois de um domingo longo, percebi que o telefone não ligava mais e o problema não era a bateria. Quando comecei a pesquisar sobre o problema, mais assustador ficava, e no fim da cruzada, acabei aceitando que o celular estava irrecuperável.

Durante os próximos 15 minutos ocorreu uma chuva de pensamentos na minha mente sobre o que aconteceria nos próximos dias, mas ao fim dessa novela tive sucesso ao aplicar o mindset estóico ao problema. Foi mais um dos muitos exemplos de estoicismo na prática que tenho realizado como aprendizado diário, e as lições com certeza vão se propagar. Vejamos como a situação se desenrolou.

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Resenha do Pinguim #7 – People Tools for Business de Alan C. Fox

Mais uma resenha do Pinguim saindo do forno. Desta vez faço um pequeno desvio do meu caminho de leituras sobre investimentos e empreendimentos e volto a um assunto sobre o qual escrevi as minhas primeiras resenhas: auto-ajuda.

Quando compramos algum eletrodoméstico ou dispositivo novo, ele geralmente vem com um manual do usuário, assim como o seu carro, mas na maioria das vezes não os lemos. Quando você vai fazer alguma coisa de novo, você também recebe algumas instruções e geralmente as segue (do caso contrário, pular de asa delta ou mergulhar de cilindro teriam muito mais fatalidades!)

Na vida, porém, não recebemos esse manual de como proceder, e assim temos que aprender por nós mesmo a nos virar; errando e até mesmo nos acidentando pelo caminho do aprendizado. Não seria muito mais fácil se pudéssemos ter um manual de instruções ou um guia para nos orientar como proceder em diversas situações na vida e nos negócios com outras pessoas?

Enquanto este manual não vem, o livro People Tools for Business do emprendedor, investidor imobiliário e escritor Alan C. Fox é o mais próximo que já encontrei. Parecido como um manual de instruções filosófico, o livro é estruturado na forma de 50 breves anedotas para serem utilizadas em diversos contextos e ocasiões, chamadas de people tools. Este livro é a continuação de seu livro anterior e com ênfase na parte de negócios, mas é aplicável também pra parte da convivência pessoal.

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Estoicismo: lições diárias da vida

Embora aqui no Pinguim Investidor eu tenha escrito bastante sobre desenvolvimento pessoal e frequentemente menciono o Estoicismo como um dos pilares que me baseio pra desenvolver a minha filosofia pessoal, percebi que ainda não havia escrito um post falando do Estoicismo especificamente. Já escrevi há um tempo sobre o hedonismo, que seria o extremo oposto do estoicismo por focar puramente no prazer humano, mas nunca abordei o tópico diretamente. Seria injusto eu deixar este tópico que tanto menciono no blog sem o seu próprio post, então tomei a iniciativa de dissertar ao máximo que sei sobre ele.

O estoicismo, se eu tivesse que sumarizar em algumas palavras, é uma filosofia sobre as lições diárias da vida. É sobre como você aprende a lidar com os momentos inesperados e não ser afetado tão negativamente, e melhora continuamente com cada dia que passa. Como toda habilidade humana, é necessário a prática contínua e diária para aprendermos com a experiência e melhorarmos. Não adianta simplesmente ler os textos estóicos e se achar o iluminado no assunto.

Este aprendizado constante necessário para entrar no approach estóico pode frustrar um pouco o iniciante (foi assim comigo no começo) então com este post espero conseguir clarificar um pouco sobre esta filosofia, e possivelmente, convencer alguns leitores curiosos a experimentá-la para o benefício próprio.

Vamos ver como que é.

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Comentário do Pinguim #2 – Sobre a Tributação e Independência

Mais um comentário do Pinguim para você, e desta vez trago um vídeo que apareceu no meu feed de inscrições no YouTube feito pelo Rafael Seabra. O canal dele foi um dos primeiros que eu comecei a seguir assim que comecei a me aprofundar na educação financeira, e o assisto regularmente até hoje.

Seabra postou um vídeo com um título de opinião meio forte, falando sobre os tributos absurdos pagos no Brasil sobre bens e commodities básicos em comparação a outros países desenvolvidos ou não. Eis o link do vídeo:

Embora a tributação seja um assunto delicado, que causa muitas discussões sem fim nos cantos da internet, eu acredito que o ponto do Seabra é mais interessante para quem procura se desenvolver e buscar independência financeira. A lição que o vídeo nos traz é que a sua preparação deve estar pronta para que quaisquer que sejam os problemas e decisões alheias.

Em outras palavras, o que é melhor: reclamar sobre o governo, a situação da economia ou do emprego, ou tomar as rédeas da sua vida e começar a se educar financeiramente?

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