Como se prevenir contra um futuro que ninguém prevê?

A previsão do tempo da segunda-feira era de chuva, mas o serviço de meteorologia agiu rapidamente durante a madrugada e conseguiu reverter o clima, fazendo as nuvens se dissiparem com seus canhões de ultrassom. Ótimas notícias, você pensa, enquanto deixa os seus assistentes mecânicos da sua casa lavarem o seu corpo e ajeitarem o seu cabelo enquanto assiste as notícias pelo espelho do banheiro.

Você toma o café da manhã e sai de casa em direção ao ponto do ônibus-cóptero, que irá levá-lo voando até seu local de trabalho. Durante o caminho, alguns vendedores com seus dispositivos voadores pessoais aproximam-se da sua janela para oferecer-lhe algumas barganhas, mas você os dispensa.

Ao chegar no trabalho, estica a mão fora da janela para pegar a correspondência do carteiro que a entrega enquanto contorna o prédio com seu avião pessoal portátil, e começa o batente – mas não consegue parar de pensar nas suas férias mês que vem, quando irá visitar o fundo do mar de submarino e andar de golfinhos com sua família.


Cena de ficção científica? Acredite, esta cena era exatamente o que as pessoas da Europa no ano 1900 imaginaram como seria o ano 2000. Se você procurar por isso no Google, vai encontrar diversas imagens retro-futurísticas sobre os anos 2000 que são simplesmente ridículas para nossos padrões atuais. E ainda assim, não podemos deixar de considerar como as pessoas realmente acreditavam nesta visão do futuro como uma certeza. Certamente, segundo elas, nosso futuro terá tudo isso que temos hoje, além de muito mais e melhor do que temos hoje.

Acredite, este era o ano 2000 conforme imaginado pelos Europeus do ano 1900.

Porém, pouco deste otimismo todo se materializou ao longo da história: houveram duas grandes guerras, grandes crises econômicas e miséria, doenças e diversas outras catástrofes humanas. Sem contar que até hoje parte dos “desejos” dos nossos ancestrais de 100 anos atrás ainda não se materializou, e – desculpem-me, fãs dos carros voadores – nem está próxima de acontecer.

Esta realização nos mostra uma característica interessante da natureza humana sobre a nossa idéia do futuro: sempre temos expectativas positivas sobre eles, costumando imaginar que nossa vida no futuro será uma versão melhorada da nossa atual. A realidade, porém, é como o grande investidor Ray Dalio, gestor da Blackwater and Partners, afirma em seu livro Principles: o futuro frequentemente é radicalmente diferente da nossa expectativa. E ao contrário de uma simples imaginação de ficção, quando se trata do nosso próprio futuro financeiro, as consequências de um “erro de cálculo” podem ser muito mais devastadoras, especialmente se predicarmos em idéias utópicas como a de que nosso salário será sempre garantido.

Como podemos nos prevenir contra um futuro que ninguém consegue prever com consistência, e que frequentemente é pior do que imaginamos? Vejamos neste post.

2020: um exemplo recente

Talvez não haja melhor exemplo para este conceito do que o Cisne Negro da pandemia COVID-19. Ao fim de 2019, um bull market global jubilante trouxe expectativas altas para todos os aspectos da prosperidade mundial. Não haviam impecílios para o crescimento da bolsa brasileira também, que seguia em uma alta crescente batendo os 100 mil e quase os 120 mil pontos, com alguns analistas otimistas prevendo até 200 mil pontos em 2020.

Avançando apenas alguns meses à frente, muitos conheceram em primeira mão o termo circuit breaker da bolsa.

Meme do Twitter: Circuit Breaker da Bolsa: eu fui!

Os efeitos foram devastadores, o “milhão e meio de CPFs” da B3 (número que mais que dobrou entre 2018 e 2019) sentiu o chão se abrir sob os seus pés e muitos no pânico desistiram da “aventura à riqueza”.

número de CPFs na B3 mais que dobrou entre 2018 e 2019

Será que o fim do mundo estava acontecendo? Ou será que era o fim do capitalismo? Muitos predicaram no acontecimento que investir em renda variável não tinha mais sentido, e de fato, talvez investir em geral não fazia mais sentido com uma Selic cada vez mais depreciada. E novamente, estes muitos se enganaram pois poucos meses depois a bolsa recuperou-se significantemente, até praticamente voltando ao mesmo patamar recentemente.

Parece que Dalio estava correto mesmo em dizer que o futuro é bem diferente das nossas expectativas…

Eu mesmo senti em primeira mão este efeito, e não posso dizer que passei por ele sem danos. Felizmente, naquele ponto, eu já possuia experiência suficiente e um mindset preparado, e não deixei que o pânico me levasse. Como resultado, consegui manter a calma e aproveitar a oscilação para justamente aportar mais no fundo e aumentar de forma significante a minha renda passiva mensal. Entre sofrimento e perdas potenciais considerados, consegui sair do meu inverno financeiro sem danos.

O que podemos tirar de lição deste acontecimento? Seria a hora de voltar a comprar ações, colocar aquele CPF que apanhou de volta na bolsa, ou será que estamos no caminho cíclico para mais uma nova crise na bolsa, já que mesmo depois de um ano a situação do Coronavírus ainda não foi resolvida?

Infelizmente, não tenho uma bola de cristal poderosa o suficiente para responder a estas perguntas. E como provavelmente não a terei no meu futuro próximo, preciso arranjar outra ferramenta para planejar meu futuro financeiro. Felizmente, esta ferramenta existe.

Da Grécia antiga para o seu planejamento futuro

Há quem diga que um pessimista consegue acabar com qualquer festa, mas sem sua consideração, a maioria dos projetos seria meros sonhos que nunca saíram do papel. Pessimistas abaixam a bola da imaginação infundada e acrescentam doses saudáveis de realismo, permitindo uma gestão de risco e expectativa mais eficiente.

Se o pessimismo foi criado na Grécia Antiga talvez nunca saberemos, mas existe outra filosofia lá criada que pode obter resultados similares: o Estoicismo. Embora não sejam pessimistas nativos, Estóicos praticam através da visualização negativa um experimento de pessimismo simulado – bem parecido com uma “vacina psicológica.”

Como exemplo, vamos considerar as possibilidades do mercado e das nossas finanças para os próximos dez anos. Praticando a visualização negativa, tiramos os cenários otimistas de foco e tentamos enxergar todas as outras possibilidades ruins que podem vir a acontecer, incluindo:

Cenário deprimente? Incapaz de acontecer? Lembre-se que estas eram as mesmas palavras utilizadas para descrever as possibilidades de uma queda na bolsa em 2019. O bom estóico, porém, utiliza este cenário como uma base para lastrear seu planejamento. E desta forma, podemos fazer com que nosso plano se prepare ao pior, enquanto aproveita quaisquer melhorias que acontecerem durante o período se o “pior” não se materializar.

Planejando e elaborando contra cada uma destas situações adversas, podemos nos resguardar desde agora sobrecompensando contra estas possibilidades:

  • Aumentando nossa renda passiva e obtendo fontes de renda alternativas.
  • Aumentando nosso caixa operacional para compras de oportunidade.
  • Reavaliando nosso estilo de vida e cortando custos desnecessários.
  • Investindo em moeda estrangeira para proteger contra variação cambial e inflação

Utilizando este truque simples, o estoicismo trouxe o duplo benefício de conseguir preparar nosso planejamento contra uma ameaça calculada, e contemplar a nossa situação atual de forma relativa como de conforto e abundância. Não haverão surpresas desagradáveis – estas já terão sido antecipadas – e você passará a ter mais gratidão à vida atual.

Porém, e quanto aos conselhos práticos dos investimentos? Como poderíamos nos preparar para isso? Interessantemente, certa resposta pode vir novamente do próprio Ray Dalio.

Sobrevivendo às quatro estações financeiras

A maior fama de Dalio no mundo dos investimentos vem do fato que seu fundo de investimentos All Weather é considerado um dos mais estáveis do planeta, e que consegue apresentar ganhos mesmo em situações quando todos parecem estar perdendo dinheiro (ex: crise de 2008 e o dotcom). A performance deste portfólio é tão estável que desde a revelação da composição original do All Weather no livro Money: Master the Game de Tony Robbins, outros gestores passaram a copiar e adaptar sua composição em seus próprios fundos.

Dalio descobriu que os dois principais influenciadores da performance do mercado americano são o crescimento da economia e a inflação (podendo estar crescendo ou diminuindo independentemente), que explorando todas as possibilidades resultam em quatro possíveis “estações financeiras.” Preparando-se para estas possibilidades, Dalio designou seu portfólio para que em quaisquer que seja a estação, pelo menos uma parte de seu portfólio ganhará dinheiro e cancelará as perdas das demais porções – uma gestão de risco teoreticamente perfeita.

A alocação de ativos deste portfólio brutalmente eficiente não é mais nenhum segredo. Desde sua publicação no livro de Tony Robbins, a “alocação mágica” foi assunto central de várias matérias e teses divulgadas online. Além de uma dose generosa de títulos públicos (bonds) e ações, ela também contém porções em ouro e commodities, geralmente consideradas raras em carteiras de pequenos investidores individuais:

A alocação "mágica" do fundo de Dalio - Crédito: I will teach you to be rich
A alocação “mágica” do fundo de Dalio – Crédito: I will teach you to be rich by Ramit Sethi.

Então aí está: a receita mágica para o sucesso nos seus investimentos… Ou seria?

Antes de abrir o homebroker e começar a vender e comprar diversos ETFs, é importante se lembrar que esta alocação pode não ser a solução mais próxima para o seu caso; dependendo da sua situação financeira atual, suas prioridades podem ser radicalmente diferentes das de um gestor de um fundo com bilhões de dólares – além de uma reputação ainda mais valiosa – para manter.

Você precisa averiguar o seu caso e seus objetivos de vida para saber se o fundo de estabilidade perfeita é realmente o que você precisa, ou se não seria por exemplo um fundo de crescimento mais agressivo ou focado em geração de renda (meu favorito). É só sabendo deste objetivo primariamente que você conseguirá a sua própria bala de prata – que funciona perfeitamente para o seu caso.

E mesmo assim deve aceitar o fato que suas circunstâncias poderão mudar.


Você acredita que é possível, ou pelo menos plausível, prever o futuro a curto e médio prazo em nossas vidas? Como lida com esta limitação na hora de planejar os seus investimentos? Escreva nos comentários.

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor

Fungibilidade e o valor relativo do dinheiro

Seres humanos têm a capacidade de criar relacionamento com quase tudo ao seu redor. Relacionar-se com outros seres humanos é uma habilidade crucial para a vida em sociedade, e com outros animais é necessário para uma vida sedentária, utilizando-os de forma produtiva à nossa vida. Alguns artistas podem até criar relacionamentos com coisas inanimadas como um pôr-do-sol bonito e inspirador, uma paisagem impressionante, ou sonhos de consumo (você já deve ter visto gente que ama seu carro, casa, etc).

Quando se trata de dinheiro, porém, a situação fica interessante: será que o dinheiro é um conceito puramente inanimado e indistinguível? Ou seria esta percepção diferente para cada orçamento ou “lacuna” para qual dedicamos o dinheiro?

Será que o dinheiro da nossa reserva de emergência é hierarquicamente igual ao que temos investido e nos gerando renda passiva? E aquele dinheiro que gastamos rotineiramente com nossos gastos essenciais como comida, moradia e saúde – mais importantes ou menos do que os gastos com nossos sonhos de consumo? É possível amar mais o dinheiro do que outras pessoas?

Quaisquer que sejam as suas respostas para tais perguntas, estas trazem à luz um viés natural do ser humano contra um conceito rígido das finanças chamado fungibilidade. Palavrinha difícil e engraçada, ela simplesmente significa a característica de algum bem possuir o mesmo valor sob qualquer circunstância, independente da sua aplicação. O dinheiro é quase que o exemplo único deste conceito, que basicamente vem a dizer que um real tem sempre o mesmo valor independente de se aplicado numa coxinha, na passagem do ônibus ou se poupado para posterioridade. Será sempre o mesmo um real.

Este conceito de fungibilidade é importantíssimo para nossas finanças, sendo a base que permite que qualquer um enriqueça independente de quão alto ou baixo seu salário seja – contando que este seja administrado da maneira correta. Mas infelizmente, muitas pessoas não enxergam o dinheiro desta forma, acreditando que o valor do dinheiro muda dependendo no que ele é gasto – o que as leva a tomar decisões financeiras ruins no processo.

Vejamos neste post como isso acontece.

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Podcast do Pinguim: Insourcing vs Outsourcing Pessoal

A lição básica que os empreendedores aprendem sobre o gerenciamento de uma empresa crescente é que o foco da sua energia deve ser o core business do negócio – os demais serviços não críticos devem eventualmente ser terceirizados conforme o negócio cresce.

Por esta razão, há uma tendência enorme no crescimento de empresas de prestação de serviços recentemente, que se expandem desde o suporte técnico até administração virtual de empresas realizadas remotamente. O motoboy já é coisa do passado, sendo contratado independentemente via vários aplicativos de entregas. E as vezes quase que empresas inteiras são relocadas para subcontratados, como no caso de gigantes de tecnologia como a Microsoft.

E embora eficiente para o crescimento de uma empresa grande, o outsourcing desenfreado pode vir a ser danoso quando aplicado ao âmbito pessoal da nossa rotina.

Certamente existe tentação para fazê-lo: contratar uma diarista para cuidar da casa pode livrar algumas horas da semana de faxina, pedir comida online economiza horas de preparo e compras dos ingredientes no supermercado. Mas ao longo do tempo, não só sua carteira começará a sofrer, outros aspectos da sua vida também passam a se definhar.

Veja neste episódio como algumas vezes pode ser melhor realizar o insourcing das tarefas de volta para a sua vida.

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Podcast do Pinguim: Por que as “Zebras” acontecem? Evite que seu planejamento financeiro vá por água abaixo

Já vimos esta cena várias vezes: o campeão, o favorito do torneio vai para a final e a expectativa é que a partida já está no papo. Este campeão está defendendo o título pela enésima vez, e toda a preparação que teve praticamente garante que o jogo está ganho para o lado dele – o adversário não tem chance alguma. O apito dispara e a partida começa…

… e ao fim do jogo, o campeão invicto e até então indestrutível perdeu inexplicavelmente. Simplesmente sua habilidade derreteu e não conseguiram jogar direito.

No linguajar do futebol, acabou-se de se presenciar uma Zebra. Todo o expertise do treinamento e da partida de repente é perdido e o time aparenta ter voltado à época de treinamento quando não tinham aquela habilidade.

Este fenômeno cômico acontece não só no futebol e também não só com os times e jogadores de elite, mas também com nós mesmos, especialmente quando estamos sendo observados por outras pessoas. E por conta desta pressão social, podemos falhar em áreas críticas também, especialmente quando uma recompensa em dinheiro é envolvida.

Veja neste episódio como e por que este efeito acontece, e como você pode evitar que ele arruine as suas finanças no futuro.

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Os 12 tipos de atitude em relação ao dinheiro – onde você se encaixa?

Falar de dinheiro no cotidiano é um verdadeiro paradoxo. De um lado todos evitam o assunto no social, trabalho e até mesmo dentro de casa por considerá-lo um “tabu,” um tema profano que não pertence à conversa civilizada. Por outro, o dinheiro é um dos poucos assuntos que tanto envolvem, permeiam e afetam todos da sociedade igualmente, sem distinção.

Assim, embora quase todos evitam este assunto tão importante e crucial para nosso desenvolvimento adulto, todos sabemos apontar para algumas “figurinhas clássicas” dos nossos círculos sociais quanto aos seus comportamentos em relação ao dinheiro. Existe aquele “mão de vaca,” “pão duro,” “Tio Patinhas” que nunca quer abrir o bolso para nada. Ou o seu oposto diamétrico, aquele que está sempre esbanjando, mostrando ter tudo de bom e do melhor, mas (não) ironicamente sempre está reclamando que não tem dinheiro para nada. E não mencionamos ainda o amigo “pinguço” que é sempre visto marcando o ponto no bar e bebendo o seu suado aporte junto das frustrações da vida.

É claro desde cedo que, dependendo da nossa cultura, personalidade e ambiente, cada um de nós possui atitudes muito diferentes em relação ao dinheiro. E ao passo que podemos ser rápidos para determinar qual é o verdadeiro valor que o dinheiro pode nos trazer, a nossa atitude e mentalidade a respeito ao dinheiro pode ser uma coisa consideravelmente mais complicada. Mais importante, esta atitude também influencia de forma considerável o nosso enriquecimento por conta de atrelar valores emocionais ao quesito do dinheiro.

Enquanto podemos pessoalmente definir atitudes das pessoas de forma binária como “muquirana” versus “gastão,” uma pesquisa realizada nos anos 70 descobriu que este espectro na verdade é muito mais complexo. Não existem dois ou três, mas sim doze atitudes diferentes ao dinheiro conforme publicado pelos psicólogos Herb Goldberg e Robert Lewis numa pesquisa envolvendo a população dos Estados Unidos. E cada uma delas possui uma visão diferente quanto ao que significa o dinheiro e qual é a sua real utilidade.

Onde você se encaixa neste espectro do dinheiro, e o que isto significa para o seu enriquecimento? Vejamos neste post.

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Podcast do Pinguim: FOMO e seus efeitos destrutivos nos investimentos

Não há dúvidas que o conceito de FOMO (sigla em inglês para fear of missing out) é extremamente nocivo para o nosso bem-estar: sentimentos de perda de oportunidade, ansiedade montante e incerteza são constantes sob este efeito. Um bom estóico, porém, sabe aplicar a dicotomia do controle e assim enxerga como não há razão porque se preocupar com estas coisas sob as quais não temos controle nenhum.

Ainda assim, existe um outro ambiente onde FOMO rola solto, rampante e contagiante entre os participantes: a bolsa de valores. Ele explica porque o velho conceito de “sardinhagem,” movimentos de manada em tempos de extremidade (euforia ou pânico) e porque tantos apostam na “ação que é a próxima Magazine Luiza” ou “na Oi porque vai certamente vingar” quando a grande parte da evidência aponta que não dará certo..

Não saber lidar com o FOMO num âmbito pessoal pode parecer inofensivo à primeira vista, mas nos investimentos pode ser destrutivo. Neste episódio, mostro algumas formas que você pode eliminar este sentimento da sua rotina de investimentos.

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Segurança demais pode ser um problema? Porque o risco também é importante

É impossível falar sobre investimentos sem mencionar a palavrinha mágica: risco. Já se fala da máxima “o retorno é proporcional ao risco” como uma medida dos investimentos, e esta é uma das maiores dificuldades para começarmos a ter o mindset correto do investidor.

Somos, por razão evolucionária, uma espécie com uma aversão ao conceito de perda, e a exposição ao risco nos apresenta um potencial para perda que normalmente preferimos evitar. Construímos toda a sociedade baseada na intenção de reduzir riscos de alguma forma de perda. De fato, estudos mostram que na média, para que alguma decisão que pode envolver alguma perda “valha a pena” psicologicamente, a recompensa a ser ganha deve ser o dobro do potencia da perda.

Com tanta orientação para evitar perdas e riscos, poderíamos pensar que evoluímos da maneira certa e que segurança nunca pode ser demais. Ou pode? Surpreendentemente, existem alguns casos onde correr risco de menos pode resultar numa perda maior do que correndo um nível de risco saudável. Embora um conceito contra-intuitivo a princípio, isto se torna compreensível quando entendemos a relação que um risco calculado possui com os retornos de alguma ventura.

Neste post iremos explorar alguns destes casos da vida real, até fora dos investimentos, através de exemplos.

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Podcast do Pinguim: o Princípio de Paretto nas Finanças

O famoso princípio de Paretto, comumente conhecido como princípio do 80-20, é uma ocorrência natural das tendências da nossa rotina. Por exemplo, 80% de toda a riqueza da sociedade é acumulada por 20% das pessoas. 80% do tempo do nosso trajeto entre casa e trabalho é perdido em apenas 20% da distância do percurso.

Enquanto suas causas são desconhecidas, os efeitos do Princípio de Paretto são reais e portanto temos que aceitá-los em nossa vida. E ao passo que a princípio ele possa parecer injusto ou desigual, a verdade é que como investidores racionais, podemos fazer uso dele para nossa própria vantagem, tornando-nos parte dos 20% ou 80% quando nos servir melhor.

Talvez o melhor exemplo disso é na nossa própria educação financeira: 80% dos conceitos que precisamos aprender para investir bem podem ser aprendidos nos primeiros 20% de tempo estudando.

Neste episódio, mostro como nós podemos utilizar o princípio de Paretto para a nossa vantagem em âmbitos financeiros, e sempre nos colocar numa posição vencedora em relação a ele.

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Podcast do Pinguim: FOMO e seus efeitos destrutivos nos investimentos

Não há dúvidas que o conceito de FOMO (sigla em inglês para fear of missing out) é extremamente nocivo para o nosso bem-estar: sentimentos de perda de oportunidade, ansiedade montante e incerteza são constantes sob este efeito. Um bom estóico, porém, sabe aplicar a dicotomia do controle e assim enxerga como não há razão porque se preocupar com estas coisas sob as quais não temos controle nenhum.

Ainda assim, existe um outro ambiente onde FOMO rola solto, rampante e contagiante entre os participantes: a bolsa de valores. Ele explica porque o velho conceito de “sardinhagem,” movimentos de manada em tempos de extremidade (euforia ou pânico) e porque tantos apostam na “ação que é a próxima Magazine Luiza” ou “na Oi que vai certamente vingar” quando a grande parte da evidência aponta que não dará certo..

Não saber lidar com o FOMO num âmbito pessoal pode parecer inofensivo à primeira vista, mas nos investimentos pode ser destrutivo. Neste episódio, mostro algumas formas que você pode eliminar este sentimento da sua rotina de investimentos.

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Como a procura da felicidade difere do prazer

Quando se trata do bem-estar, talvez nenhum termo seja tão onipresente quanto a boa e velha procura da felicidade. Vemos este tema em diversos assuntos e anedotas do nosso cotidiano e nas obras de arte, onde venera-se a felicidade acima de tudo.

Quando a felicidade é confundida com prazer, porém, portas perigosas se abrem, alimentadas pela tendência natural humana à adaptação hedônica. É por esta razão, por exemplo, que as coisas novas e bonitas eventualmente se tornam chatas e batidas, assim como relacionamentos, comidas, e praticamente qualquer outra coisa na vida.

Se você quer felicidade duradoura a longo prazo na sua vida, portanto, deverá aprender a controlar esta adaptação hedônica e trocar a busca do prazer pela felicidade através de meios como o estoicismo. Veja mais sobre isso neste vídeo.

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