O que o iPad Pro me ensinou sobre finanças

Recentemente, surpreendi a Sra Pinguim com um presente especial para o nosso aniversário de casamento: comprei a ela um iPad Pro da Apple. Assim, indo contra todo o meu ethos hacker do Linux, me tornei um proprietário de produtos da Apple. Mas incrivelmente, não comecei imediatamente a morar no Starbucks, usar óculos de armação preta grossa, e nem usar roupas de marcas desconhecidas. Acho que sou imune ao vírus do hipster.

Após toda a hype de comprar o vangloriado produto, finalmente nos recostamos e começamos a usar o aparelho em casa. Para a grande surpresa de muitos, não fiquei nada impressionado pelo iPad e – muito pelo contrário – acabei achando ele meio esquisito de usar. Não há como acessar o filesystem por baixo dos aplicativos para buscar arquivos individuais? Todo comando “abrir com” é chamado “compartilhar?” Você precisa instalar um aplicativo para transferir arquivos entre um computador e o iPad? Me parece que várias funcionalidades básicas de um computador pessoal foram casualmente “removidas” em prol de… de que mesmo? Segurança? Simplicidade? Ou seria simplesmente “porque somos Apple e somos diferentes?” Não consigo dizer exatamente.

Talvez seja porque cresci com e vivo atualmente usando teclado e mouse, e a idéia de ficar sempre tocando na tela para fazer qualquer coisa não vai muito com a minha idéia de produtividade. Mas claro, eu não sou o usuário final do dispositivo, e para a Sra Pinguim eu tenho certeza que o iPad irá serví-la bem, já que é uma ótima plataforma para fazer arte e design.

Deixando opiniões pessoais a parte, enxerguei um paralelo claro entre a utilização do iPad Pro vs algum outro computador e a nossa forma de gerir nossas finanças. Talvez a Apple ache que retirar a capacidade de trabalhar como um computador comum traga “segurança” ao sistema por inteiro, mas custa a flexibilidade de uso por alguém experiente. Esta falta de flexibilidade e “terceirização da gestão” são coisas que os bancos também nos oferecem como um serviço de “conveniência,” para aliviar-nos do fardo de ter que aprender a investir.

Esta é uma das metáforas que existem entre os dois casos. Vejamos outras neste post.

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Guest post Maluzeando Lettering: Cadê o Salário que estava aqui?

As ilustrações deste post são uma cortesia da Sra. Pinguim, que posta ilustrações diversas do cotidiano feminino em seu blog Maluzeando Lettering, e também no seu Instagram.

Quem nunca passou por uma situação dessas? No dia do pagamento se sente um rei ou rainha, aproveita o breve momento de riqueza para se esbanjar em seus desejos e logo percebe que todo o dinheiro foi embora e agora se encontra na mesma situação que começou. Que mais fazer senão esperar o próximo salário cair na conta para se sentir novamente rico e empoderado para tão naturalmente cair na mesma armadilha e repetir tudo de novo?

Esta é a conhecida rotina da tão famosa corrida dos ratos, a praxe pela qual a sociedade vive de consumir e trabalhar para consumir mais, e contra qual a finansfera luta para obter uma vida verdadeiramente livre. Ainda assim, há algumas nuances nesta história tão batida que as pessoas simplesmente não enxergam por estarem tão absorvidas e acostumadas nesta “rotina,” e a má notícia é que, se não conscientizadas, podem levar qualquer um ao desastre financeiro. Vamos analisar esta história mais a fundo.

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Podcast do Pinguim: Pare de dar o nome errado aos bois financeiros

É comum, ao aprendermos novos conceitos, que demos nomes e apelidos às coisas que vamos aprendendo. É natural, e algumas vezes até nos ajudam a memorizá-las (quanto mais engraçado, memorável ou diferente pintamos um conceito na nossa memória, mais rápido e naturalmente conseguimos acessá-lo).

Embora nas finanças estes apelidos, analogias e outras coisas também nos auxiliem no nosso aprendizado, alguns nomes e conceitos precisam ser cuidadosamente estudados para não causar dúvida, confusão ou – pior – decisões erradas no decorrer do prazo. É fato que muitos dos termos do mercado financeiro são associados para justamente causar confusão e parecer complexos, e acompanhado de um Marketing que busca cada vez mais proteger as corretoras, temos um prato cheio para pessoas confusas e fazendo escolhas erradas.

Vejamos a palavra “investimento,” por exemplo. Ela está tão corrompida atualmente que bens como carro e casas próprias são chamadas de investimentos, igualando-as com ativos financeiros de qualidade como ações ou o Tesouro Direto. E embora este desentendimento a princípio pareça apenas ingenuidade, ao longo prazo é a fonte perfeita para o desastre financeiro. Veja neste episódio o por quê.

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Mais um emprego não vai te salvar

Quando se trata do esporte favorito de todos, reclamar deveria estar rankeado entre um dos top 5. Infelizmente, a maioria pratica este hábito destrutivo com tanta naturalidade que ne chegam a perceber que estão de fato perpetuando o hábito. Reclama-se de tudo, da vida, da cidade, da política, da família e – acima de tudo – da situação financeira atual.

Tratando do assunto das suas finanças pessoais, a maioria acredita que, não importa qual a sua situação financeira atual, tudo seria melhor se simplesmente tivessem um emprego melhor. Um chefe mais compreensivo, uma rotina menos estressante, um local de trabalho mais acessível. Ah sim, e com certeza um salário maior. Elas predicam o se sucesso financeiro (ou falta de) num único fator fora do seu controle que é o trabalho e o salário recebido. Não só esta visão de dependência completa sobre o trabalho é extremamente limitante, mas ela também se torna o fator primário pelo qual elas passam a detestar o trabalho.

O grande problema é que, ao contrário do que as gerações anteriores acreditavam e seguiam, hoje em dia apenas um emprego melhor não vai salvar a sua vida financeira. Existem muitos fatores na atualidade que jogam contra você que simplesmente não existiam nas gerações passadas, que acreditavam em salários vitalícios, empresas perenes e um Estado “coruja” capaz de sustentar a todos. Uma população cada vez mais velha, competição cada vez maior e uma cultura de crescente outsourcing significa que o conceito de salário se torna cada dia menos poderoso e mais incerto quando se olha para o futuro.

Como, num cenário incerto e caótico como este, você deve então garantir a sua segurança financeira? A resposta, novamente, é: investindo.

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De quem você obtém seus conselhos financeiros?

Quando começamos a investir, é normal termos muitas dúvidas e perguntas sobre ao assunto. Para aprender mais, utilizamos do mesmo método de sempre: perguntar aos mais experientes. Porém, ao nos consultarmos, especialmente para um serviço gratuito, temos que nos atentar quanto à possibilidade daquela pessoa estar com segundas intenções por trás da aparente vontade de te ajudar. E quando se trata de auxílio financeiro, quase sempre o gerente do seu banco possui outros interesses além dos seus. Tal como influencers e outras “estrelas” das finanças.

Por que esta tendência existe? Pela mesma razão pela qual você não iria pedir a um açougueiro conselhos de dieta.

Veja a explicação em detalhes neste vídeo.

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Podcast do Pinguim – Nunca é tarde para começar a enriquecer

“Eu deveria ter começado a investir 10 anos atrás, quando era jovem e tinha muito tempo em frente”

“Investir é coisa de jovem, que tem tempo e energia pra ganhar dinheiro. Agora eu tenho que aproveitar a vida.”

“Se eu juntar só isso de dinheiro não é suficiente, então pra quê tentar?”

Todas estas frases são sintomas que a pessoa não compreende exatamente o valor que o dinheiro possui, e como objetivos grandes são conquistados dia atrás de dia com disciplina aplicada. Infelizmente, o melhor dia para investir é ontem. Felizmente, o segundo melhor é hoje.

Ao passo que muitos seriam rápidos para desistir quando as condições são menos que ótimas, é justamente de um começo determinado com ações regulares e hábitos disciplinados que podemos construir nossa riqueza. Mostro neste episódio como é possível para todos se tornarem ricos, independente de quando começam ou com quanto.

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Pinguim Investidor lança seu primeiro livro!

Hoje é um dia muito especial.

É com muito orgulho que, depois de quase dois anos de muito material de qualidade aqui no site, apresento meu primeiro livro publicado:

RICAmente: Virando o jogo financeiro da sua vida em 40 dias.

O primeiro passo para se tornar rico é mudar a sua percepção financeira e do dinheiro para enxergá-lo como uma medida de liberdade, capacidade e prosperidade – caso contrário, qualquer corrida ao dinheiro será fútil. Enriquecer começa na mente, e é isso que trabalharemos aqui: a RICA mente.

Neste livro, apresento os fundamentos da educação financeira necessários para revolucionar a sua percepção do dinheiro e sua situação financeira reunidos nos mais de 40 melhores posts do Pinguim Investidor, seguido de exercícios práticos para conseguir aplicá-los imediatamente em sua vida financeira e dissertações exclusivas, inéditas no blog.

Foram muitos meses de preparação com muito estudo providenciado de vários livros e cursos, compilados numa publicação didática e fácil de ler, disponível para o Amazon Kindle, e nos formatos PDF e EPUB (ótimo para ler no celular!).

Veja mais detalhes sobre o livro e seu conteúdo neste link.

Bônus para assinantes – desconto na compra por tempo limitado

Como assinante do site por tão longo tempo, gostaria de oferecer à você uma surpresa especial: desconto de 20% na compra deste livro na versão PDF ou EPUB.

Você me acompanha desde os primórdios e viu o blog desde o comecinho, quando nem o domínio pinguiminvestidor.com tinha ainda, quando me tornei o 9º melhor blog de finanças pessoais do Brasil, e quando comecei a expandir para outras mídias. Seus comentários me inspiram a escrever diariamente, e você merece uma recompensa especial.

Para receber o seu cupom de desconto exclusivo na compra da versão em PDF ou EPUB, entre em contato comigo aqui e me escreva pedindo o seu cupom. Irei retornar com o seu código assim que puder, assim como um ebook gratuito de amostra do conteúdo do livro. Mas aproveite: este desconto é por tempo limitado, e expirará depois de uma semana.


Agradeço novamente a você por me seguir aqui no site, e deixo uma pequena promessa: muito conteúdo de qualidade ainda está por vir nos meus diversos canais. Portanto, se você ainda não fez isso ainda, inscreva-se no meu Canal do YouTube e no meu Podcast para não perder nenhum conteúdo que publico sobre nestes canais.

E, como sempre digo,

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor

Como comprar um carro de maneira inteligente

Quando se trata de passivos financeiros, sabemos que quase sempre são uma furada financeira esperando para acontecer. Passivos são tudo aquilo que não se valoriza com o tempo, possui custos adicionais de possessão, ou não produz um fluxo de caixa positivo para o investidor. Nesta categoria se enquadram sonhos de consumo comuns das pessoas como a casa própria, carro, e outros bens como eletrônicos e roupas.

Particularmente se tratando da casa e do carro, muitos possuem uma reação emocional adversa forte quando ditos que estes não são ativos financeiros, com suas depreciações, custos adicionais e impostos recorrentes. A verdade matemática, porém, não mente: o acúmulo compulsivo de passivos ao longo da vida é capaz de arruinar qualquer patrimônio, independente do salário que se recebe.

Na prática, porém, a situação nunca é tão preto-no-branco, e muitas pessoas acabam por depender de um carro particular para compensar a falta do transporte público em sua cidade ou no caso de famílias grandes que precisam de mobilidade. Portanto, mesmo que a vida sem passivos represente a perfeição teórica de uma vida financeiramente eficiente, na vida real pode ser necessário adquirir passivos ao longo da vida. Porém, a grande maioria realiza estas aquisições da maneira errada, financiando e se endividando para comprar e pagando uma quantia muito maior que o preço original no fim das contas.

Neste post, irei elaborar sobre como podemos comprar um passivo – como um carro próprio – de maneira correta, inteligente, e com o menor impacto financeiro possível.

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Qual é o melhor investimento que você pode fazer hoje?

Estou começando agora, qual é o melhor investimento que posso fazer?
Tenho X anos. Qual é o melhor produto que posso investir?
Qual é o melhor investimento para XYZ?

Perguntas como estas frequentemente aparecem nos fóruns de iniciantes nos investimentos e são sintomas de que a verdadeira natureza dos investimentos não é compreendida. Não culpo as pessoas que as fazem; quando iniciei na minha própria educação financeira também queria saber quais eram os investimentos mágicos que me trariam riqueza da forma mais eficiente possível. O que estas perguntas transparecem, porém, é uma incompreensão sobre como cada classe de investimento consegue ajudar cada um em seu estágio de desenvolvimento financeiro.

Como uma metáfora, um copo d’água pode ter valores e utilidades diferentes dependendo para quem ele é oferecido. Uma pessoa num bar bebendo com os amigos pode zombá-lo e rejeitá-lo como inútil num ambiente onde há tantas outras bebidas mais saborosas e interessantes para serem consumidas. Para uma pessoa naufragada ou perdida num deserto há alguns dias, porém, este mesmo copo d’água se torna extremamente atraente e útil. Na sua vida financeira, a mesma coisa acontece, e diferentes classes de investimentos lhe servirão benefícios variados dependendo da sua situação e evolução financeira.

Como consequência, existem coisas diferentes que podemos considerar como investimentos, com retornos diretos e indiretos variados sobre o seu tempo e dinheiro investidos. Vamos explorar mais sobre como cada um deles se encaixa melhor em cada estágio da sua evolução financeira neste post.

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A diferença palpável entre poupar e investir

Abril é o mês da educação financeira no Pinguim Investidor! Em comemoração à este fato, vamos revisar alguns conceitos básicos da educação financeira. Veja outros posts desta série aqui


Quando começamos a aprender sobre finanças, aprendemos que economizar dinheiro é geralmente o primeiro e mais simples passo que podemos dar em direção ao grande objetivo de nos tornarmos independentes financeiramente.

Nestes primeiros momentos de iluminação financeira, podemos ver a importância de viver uma vida mais financeiramente eficiente é a chave para começar a “virar o jogo” e propriamente enriquecer, mas tendemos a não distinguir muito bem qual é a diferença entre eles. No começo, esta falta de distinção não causa muito problemas, pois nossas prioridades nesta etapa são diferentes: precisamos sair das dívidas e aumentar nossa renda antes de começar a pensar em investir.

Porém, conforme avançamos e nos tornamos mais amadurecidos financeiramente, temos que parar e compreender a diferença por completo. Misturar os conceitos de poupança e investimento pode causar confusão grande, como evidenciada em perguntas como “qual é o melhor investimento para curto prazo?” ou “qual investimento posso sacar em um ano?” E, finalmente, com a queda constante da Selic desde o ano passado, muitos se questionam até se a renda fixa se classifica como um investimento.

Este post clarificará a diferença entre os dois através de duas variáveis cruciais.

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