Seguindo sem reservas: contra-exemplo do Mr Money Mustache

Quando falamos sobre educação financeira, podemos traçar uma pequena “grade” contendo todos os passos e aprendizados necessários para alguém se tornar financialmente alfabetizado e pronto para traçar sua rota até – finalmente – a independência financeira. Dependendo de onde você se encontra, financeiramente falando, alguns conceitos podem ser já bem simples, enquanto outros, novidades. Por exemplo, se você nunca se importou com dinheiro até agora, conhecer o seu dinheiro em detalhe pode ser uma grande surpresa, com muitas descobertas interessantes.

Entretanto, todas as boas práticas financeiras tendem a se converger a alguns pontos comuns, que se tornam conselhos financeiros gerais. Não acumule dívida, gaste menos o que você ganha, invista a diferença, etc. Imagine, então, a minha surpresa quando eu descobri que um dos “gurus” de finanças pessoais e mentor indireto de muitos na Finansfera – Mr Money Mustache – quebra uma das “regras” mais básicas: ele não possui reserva de emergência.

Sim, MMM afirmou em um dos seus vídeos que ele não possui uma parte do seu capital alocado numa reserva de emergência, indo contra a recomendação de segurança básica da finansfera inteira. Ele possui, como veremos, uma boa lógica por trás da sua decisão, e anos de experiência com este tipo de vida, mas ainda assim esta notícia é surpreendente, ainda mais vindo de um dos autores mais seguidos de finanças.

Como ele segue sem reservas financeiras no planejamento, e o que podemos aprender com este contra-exemplo?

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Consumismo japonês: o primeiro mundo não é tão melhor assim com as finanças pessoais…

Quando se trata de frugalidade, nós do FIRE caímos entre dois hábitos; ou achamos que somos melhores que todos os outros ao nosso redor, ou que a maioria é melhor que nós e precisamos ainda melhorar muito. Na maioria dos casos que vejo e leio na internet, os FIREs apreciam olhar o consumismo alheio no seu cotidiano e reportar isso de uma forma relativamente anônima. Eu mesmo faço isso de vez em quando!

Essa realidade dopada de consumismo descrevida na Finansfera como “matrix” é comum no Brasil, onde 40% da população se encontra endividada em 2019, mesmo na economia em boas marés e um sentimento econômico otimista em geral no país, como comentei anteriormente.Mas e quanto ao mundo em geral? Será que os outros países também têm problemas com dívidas e consumismo demasiado?

Certamente, existem alguns países que são exemplos a serem seguidos, como a Finlândia com uma sociedade que valoriza a Natureza como fonte de felicidade. Porém, poderia ser essa a realidade onipresente do mundo desenvolvido? Infelizmente, não.

Ao contrário que muitos brasileiros pensam, o primeiro mundo não é muito diferente de nós no quesito de consumismo ou frugalidade. É verdade, a realidade de fora é bem diferente, e poderíamos dizer que o “baseline” da riqueza é significantemente mais alto, mas o comportamento individual consumista e falta de frugalidade são males que afetam quase o mundo todo igualmente.

Poderia ser que uma “abundância de dinheiro” percebida, ou uma economia mais estável, fazem a percepção gringa a acreditar que o dinheiro é infinito, e que nunca irá faltar um salário no fim do mês? Parcialmente por base neste mito, neste post descrevo como a sociedade japonesa possui um consumismo tão forte que quase a iguala à brasileira em termos de dívida e má gestão do dinheiro.

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