Como comprar um carro de maneira inteligente

Quando se trata de passivos financeiros, sabemos que quase sempre são uma furada financeira esperando para acontecer. Passivos são tudo aquilo que não se valoriza com o tempo, possui custos adicionais de possessão, ou não produz um fluxo de caixa positivo para o investidor. Nesta categoria se enquadram sonhos de consumo comuns das pessoas como a casa própria, carro, e outros bens como eletrônicos e roupas.

Particularmente se tratando da casa e do carro, muitos possuem uma reação emocional adversa forte quando ditos que estes não são ativos financeiros, com suas depreciações, custos adicionais e impostos recorrentes. A verdade matemática, porém, não mente: o acúmulo compulsivo de passivos ao longo da vida é capaz de arruinar qualquer patrimônio, independente do salário que se recebe.

Na prática, porém, a situação nunca é tão preto-no-branco, e muitas pessoas acabam por depender de um carro particular para compensar a falta do transporte público em sua cidade ou no caso de famílias grandes que precisam de mobilidade. Portanto, mesmo que a vida sem passivos represente a perfeição teórica de uma vida financeiramente eficiente, na vida real pode ser necessário adquirir passivos ao longo da vida. Porém, a grande maioria realiza estas aquisições da maneira errada, financiando e se endividando para comprar e pagando uma quantia muito maior que o preço original no fim das contas.

Neste post, irei elaborar sobre como podemos comprar um passivo – como um carro próprio – de maneira correta, inteligente, e com o menor impacto financeiro possível.

Continuar lendo “Como comprar um carro de maneira inteligente”

Qual é o melhor investimento que você pode fazer hoje?

Estou começando agora, qual é o melhor investimento que posso fazer?
Tenho X anos. Qual é o melhor produto que posso investir?
Qual é o melhor investimento para XYZ?

Perguntas como estas frequentemente aparecem nos fóruns de iniciantes nos investimentos e são sintomas de que a verdadeira natureza dos investimentos não é compreendida. Não culpo as pessoas que as fazem; quando iniciei na minha própria educação financeira também queria saber quais eram os investimentos mágicos que me trariam riqueza da forma mais eficiente possível. O que estas perguntas transparecem, porém, é uma incompreensão sobre como cada classe de investimento consegue ajudar cada um em seu estágio de desenvolvimento financeiro.

Como uma metáfora, um copo d’água pode ter valores e utilidades diferentes dependendo para quem ele é oferecido. Uma pessoa num bar bebendo com os amigos pode zombá-lo e rejeitá-lo como inútil num ambiente onde há tantas outras bebidas mais saborosas e interessantes para serem consumidas. Para uma pessoa naufragada ou perdida num deserto há alguns dias, porém, este mesmo copo d’água se torna extremamente atraente e útil. Na sua vida financeira, a mesma coisa acontece, e diferentes classes de investimentos lhe servirão benefícios variados dependendo da sua situação e evolução financeira.

Como consequência, existem coisas diferentes que podemos considerar como investimentos, com retornos diretos e indiretos variados sobre o seu tempo e dinheiro investidos. Vamos explorar mais sobre como cada um deles se encaixa melhor em cada estágio da sua evolução financeira neste post.

Continuar lendo “Qual é o melhor investimento que você pode fazer hoje?”

Seguindo sem reservas: contra-exemplo do Mr Money Mustache

Quando falamos sobre educação financeira, podemos traçar uma pequena “grade” contendo todos os passos e aprendizados necessários para alguém se tornar financialmente alfabetizado e pronto para traçar sua rota até – finalmente – a independência financeira. Dependendo de onde você se encontra, financeiramente falando, alguns conceitos podem ser já bem simples, enquanto outros, novidades. Por exemplo, se você nunca se importou com dinheiro até agora, conhecer o seu dinheiro em detalhe pode ser uma grande surpresa, com muitas descobertas interessantes.

Entretanto, todas as boas práticas financeiras tendem a se converger a alguns pontos comuns, que se tornam conselhos financeiros gerais. Não acumule dívida, gaste menos o que você ganha, invista a diferença, etc. Imagine, então, a minha surpresa quando eu descobri que um dos “gurus” de finanças pessoais e mentor indireto de muitos na Finansfera – Mr Money Mustache – quebra uma das “regras” mais básicas: ele não possui reserva de emergência.

Sim, MMM afirmou em um dos seus vídeos que ele não possui uma parte do seu capital alocado numa reserva de emergência, indo contra a recomendação de segurança básica da finansfera inteira. Ele possui, como veremos, uma boa lógica por trás da sua decisão, e anos de experiência com este tipo de vida, mas ainda assim esta notícia é surpreendente, ainda mais vindo de um dos autores mais seguidos de finanças.

Como ele segue sem reservas financeiras no planejamento, e o que podemos aprender com este contra-exemplo?

Continuar lendo “Seguindo sem reservas: contra-exemplo do Mr Money Mustache”

Consumismo japonês: o primeiro mundo não é tão melhor assim com as finanças pessoais…

Quando se trata de frugalidade, nós do FIRE caímos entre dois hábitos; ou achamos que somos melhores que todos os outros ao nosso redor, ou que a maioria é melhor que nós e precisamos ainda melhorar muito. Na maioria dos casos que vejo e leio na internet, os FIREs apreciam olhar o consumismo alheio no seu cotidiano e reportar isso de uma forma relativamente anônima. Eu mesmo faço isso de vez em quando!

Essa realidade dopada de consumismo descrevida na Finansfera como “matrix” é comum no Brasil, onde 40% da população se encontra endividada em 2019, mesmo na economia em boas marés e um sentimento econômico otimista em geral no país, como comentei anteriormente.Mas e quanto ao mundo em geral? Será que os outros países também têm problemas com dívidas e consumismo demasiado?

Certamente, existem alguns países que são exemplos a serem seguidos, como a Finlândia com uma sociedade que valoriza a Natureza como fonte de felicidade. Porém, poderia ser essa a realidade onipresente do mundo desenvolvido? Infelizmente, não.

Ao contrário que muitos brasileiros pensam, o primeiro mundo não é muito diferente de nós no quesito de consumismo ou frugalidade. É verdade, a realidade de fora é bem diferente, e poderíamos dizer que o “baseline” da riqueza é significantemente mais alto, mas o comportamento individual consumista e falta de frugalidade são males que afetam quase o mundo todo igualmente.

Poderia ser que uma “abundância de dinheiro” percebida, ou uma economia mais estável, fazem a percepção gringa a acreditar que o dinheiro é infinito, e que nunca irá faltar um salário no fim do mês? Parcialmente por base neste mito, neste post descrevo como a sociedade japonesa possui um consumismo tão forte que quase a iguala à brasileira em termos de dívida e má gestão do dinheiro.

Continuar lendo “Consumismo japonês: o primeiro mundo não é tão melhor assim com as finanças pessoais…”