Efeitos do FIRE: 30 coisas que eu não compro ou faço mais

Certo dia, quando voltei pra casa, percebi o caderno da Sra. Pinguim aberto numa página interessante, onde ela havia feito alguma forma de lista. Haviam várias coisas escritas, como “TV a cabo,” “Netflix,” “salão de beleza” que nem ela ou eu fazemos ou queremos fazer. Na hora, me deu um pequeno pânico: será que, finalmente, desalinhamos nossos valores e ela quer se desfazer da vida frugal?

Para meu alívio, ela logo veio me explicar. Não era nada de desejo, era simplesmente uma lista que ela conjurou durante a tarde pensando em como a nossa vida frugal evoluiu junto: tudo o que estava listado lá era alguma coisa que ela já fez como hábito anteriormente, mas não pratica mais, graças à mudança de mindset que tivemos.

Só de ver a lista dela, percebi que a evolução que tivemos era enorme. Gostei tanto da idéia que resolvi acrescentar algumas outras observações minhas e a lista cresceu ainda mais. Este post é uma listagem de todas estas observações, com alguns comentários sobre a minha opinião atual da coisa ou hábito.

O que eu constumava comprar ou fazer que hoje, como frugal, não faço mais?

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Qual é a cara que o sucesso tem para você?

Nós adeptos do FIRE estamos acostumados a ter planejamento, metas e objetivos bem-calculados que utilizamos para focar nossos esforços e nos guiar durante a execução. Ter estes objetivos financeiros nos auxilia e nos motiva a continuar no caminho quando temos dificuldade ou nos falta motivação. Começando do despertar financeiro e amadurecendo nossa educação financeira, temos um plano e objetivo financeiro bem definido, nos guiando como um farol no horizonte.

Para muitos, porém, esta certeza e constância pode não ser tão exata quanto os números de patrimônio que obtemos através da Regra dos 4%. Muitos ainda estão condicionados através de seus arredores e a sociedade para seguir algum tipo de modelo pré-fabricado de vida: estudar, fazer faculdade, arranjar um trabalho no nível mais baixo, trabalhar e subir na hierarquia gradativamente, criar uma família, se aposentar como diretor e se aposentar na velhice. Ou entram na onda do materialismo e assim que o primeiro salário cai, a corrida de gastos começa: comprar o primeiro carro, financiar a primeira casa, trocar de carro assim que a primeira promoção acontece, reformar e/ou trocar de casa, enquanto usam cada lacuna de folga para participar de viagens para longe e de duração curtíssima apenas para produzir fotos bonitas para o Instagram. Tudo isso enquanto suas finanças derretem.

Não podemos apontar dedos para quem segue estes “roteiros” cegamente porque, de uma forma ou de outra, até quem é FIRE regrado não tem seus objetivos de vida 100% definidos. Ao passo que muitos se esquivam da velha pergunta sobre “o que é o sentido da vida,” é prudente fazer este questionamento conosco mesmos de vez em quando. Além de nos trazer uma boa oportunidade para trazer consciência em nossas vidas, a verdade é que se você não descobrir qual é a sua própria definição de sucesso, outra pessoa irá definí-lo por você – e usar isso para te vender seus produtos.

E embora não queremos mergulhar em filosofia teórica eterna, temos que pensar nesta definição com uma certa regularidade. E isso pode ser feito respondendo uma pergunta simples: qual é a cara do sucesso para você?

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A pessoa mais rica do cemitério

Há algumas semanas, recebi a notícia que uma pessoa com quem trabalhei num projeto passado havia falecido. Ela não era muito próxima de mim, mas havia trabalhado com ela por um tempo e pude evidenciar que ela era muito querida entre as pessoas do seu time, e rapidamente as condolências foram aparecendo pelas redes sociais e grupos de WhatsApp. Uma mulher com uma carreira de sucesso, trabalhando em vários países e com vasta experiência e vários contatos.

O fator que mais chocou a desta notícia foi que ela não tinha muita idade, nem problema de saúde qualquer aparente. Tinha provavelmente em volta dos seus 40 e poucos, e se foi da noite pro dia – sem adoecimento e sem acidente. E sem um plano sobre para onde iriam seus bens e ativos.

Este acontecimento me lembrou de uma frase que li a um tempo atrás sobre como, independente dos seus objetivos financeiros e de vida, você não deve querer ser a pessoa mais rica do cemitério. O dinheiro tem os seus usos, e cada um deve utilizá-lo conforme suas prioridades e percepção de valores. Porém, se você prioriza o dinheiro apenas para ter dinheiro, você está num caminho perdedor.

Viver a vida significa aproveitá-la, mas também significa fazer a manutenção dela, cuidando para que você possa aproveitá-la durante o maior tempo possível com recursos e saúde abundantes. Como você pode fazer uma conciliação entre estes dois extremos desta forma?

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Hábitos formam ou destroem você – quais você irá adotar hoje?

Você ouve o despertador tocar e aperta o botão para silenciá-lo. Levanta meio grogue, caminha até o banheiro. Prossegue para a cozinha, prepara aquela comida de sempre para o café da manhã. Pega o celular e começa a ver quais notificações recebeu na noite anterior e perde alguns minutos surfando nas redes sociais enquanto come.

Sai para ir trabalhar, pega o ônibus ou metrô, segue aquele caminho tão batido que às vezes faz enquanto está olhando no celular, chega ao trabalho. Passado um tempo levanta para o café, faz o caminho à cafeteira e quando menos espera lá está botando o cafezinho. Volta pra casa vendo o celular na mão a viagem toda, e quando chega lá está de TV ligada novamente enquanto janta.

Enfim, se eu fosse descrever um dia típico de um trabalhador num post, ele seria uma bíblia. Fazemos uma quantidade enorme de tarefas durante o tempo de um dia apenas, mas não sentimos passar: este é o poder que um hábito instalado tem na sua rotina.

Há muito tempo comento sobre hábitos no blog, mas nunca cheguei a elaborar com mais detalhes a respeito dos seus efeitos em nossas vidas em geral. Embora muitos não percebam, são seus hábitos que controlam a maior parte da sua vida, deixando em “background” tudo aquilo que você não tem consciência direta sobre. Sem esses hábitos, seria impossível conseguir fazer tantas coisas num dia. Mas enquanto isso traz um alívio de energia mental para nós, se não observado com consciência, podem trazer vícios e outras consequências ruins para a vida.

Quais são os pontos fortes e fracos dos hábitos e como devemos nos policiar a respeito deles?

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A importância de estar consciente

Em 2016 arranjei um ingresso para assistir uma competição de Taekwondo no Parque Olímpico do Rio de Janeiro. Era uma das mais acessíveis, já que não é tão popular. Chegando lá, ao entrar no estádio, fui comprar uma água para tomar, e vi uma cena que nunca mais me esqueci.

As bebidas estavam sendo vendidas nas barraquinhas em copos plásticos decorados à moda do Rio 2016, e eram recebidas com a compra de uma bebida alcóolica, como cerveja, para não se ter o problema de latas e garrafas de vidro sendo jogadas ao redor dos estádios. Com isso, recebia-se um copo por cerveja comprada. Um indivíduo na fila havia acabado de comprar mais uma cerveja quando percebi que ele passou do meu lado carregando uma pequena “torre” de nada menos que uns vinte e quatro copos, montados um dentro do outro. Sim, esta pessoa deveria ter bebido no mínimo umas vinte e poucas cervejas durante o seu dia no Parque Olímpico, e ainda voltava para pegar mais.

Meu pensamento na hora foi: esse cara pensa que está num churrasco na casa dele? Pra quê beber tanto ao invés de aproveitar esse momento único da vida, quando os Jogos Olímpicos estão na sua cidade, acessíveis pra você pela primeira vez? Uma pessoa que bebeu tanto assim não pode ter tido memórias sóbrias e sólidas de como foi a experiência Olímpica no Brasil; deve ter sido nada mais do que apenas mais um outro dia ocioso onde se bebeu a tarde toda.

Como já mencionei antes, embora eu não beba mais, não tenho problemas com a bebida, ou quem bebe. Mas esta história revela uma coisa importantíssima que aprendi no decorrer do meu aprendizado financeiro e pessoal: independente do que você faz no seu dia, deve ter sempre a consciência das suas ações, tanto sobre o quê está fazendo quanto no que tal ato acarretará como consequência.

Esta consciência é fundamentalmente diferente daquela “força do hábito” onde sua mente entra em piloto automático e você não questiona se está fazendo da maneira certa ou melhor. Muito pelo contrário: esta é a consciência onde você consegue abstrair da ação, averiguar a situação, se conscientizar de como esta ação afeta você ou seu ambiente e como você pode mudar ou melhorá-la.

A falta desta consciência possui consequências graves, e pode levar a formação de hábitos nocivos às suas finanças e vida pessoal. Se você já sofreu algum dia de procrastinação, por exemplo, é provável que a causa esteja relacionada à não-consciência de algum hábito seu.

Como funciona este fator crucial de estar consciente, e como ele contribui para o seu crescimento? Vejamos a seguir.

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Maior que Zero

Se você quer uma lição matemática, mas não manja muito de exatas, aqui está uma bem simples e muito poderosa para você levar no seu dia: qualquer número positivo é infinitamente maior do que zero. Ou, de forma ainda mais simplificada, 0.01 > 0.

O que isso significa? Na busca do sucesso, o que conta no final é o esforço, e este esforço conta em todos os níveis – grandes e pequenos. Muitos falam sobre “dar o sangue,” trabalhar o máximo, virar noites para entregar e muito mais na hora de atingir um objetivo, mas esquecem-se que também conta o tanto quanto fazer uso daqueles 10-15 minutos que sobram quando você quando volta do almoço, ou a meia hora que têm em casa antes do café da manhã e se trocar, ou o tempo que passam no transporte público indo e vindo do trabalho.

Há muitas oportunidades para se conseguir arranjar tempo e esforço para realizar alguma tarefa ou atingir objetivo, se a motivação por trás existir. O verdadeiro esforço existe neste contexto: aproveitar os momentos disponíveis para sair do zero. É a frase que uso para me motivar: No more zero days!

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Errando

Recentemente, errei. Novamente. Fiz uma decisão que parecia ser a coisa certa na hora, mas finalmente percebi que não era e as consequências vieram. Errei depois de ter errado várias outras vezes numa vida inteira, e provavelmente não será a última vez. Mas, ainda assim, averiguei a situação, percebi que o erro não era nada fatal, me reergui e segui em frente, com muitas novas lições aprendidas a mais no bolso.

O parágrafo acima poderia ter sido completamente omitido e esquecido em meio ao meu cotidiano, mas eu optei por escrevê-lo por possuir uma coisa que poucos param para apreciar o seu valor verdadeiro: errar. Desde pequenos, somos condicionados a temer erros quando, tal como diz o ditado, eles são naturais ao ser humano, e cruciais no nosso aprendizado diário.

Ainda assim, porém, parece que todos nós temos uma persistência em abominar erros e qualquer desvio da perfeição procurada. Aqui, somos rápidos para apontar as pessoas ao nosso redor como os culpados, como as escolas, os professores, os pais e a sociedade, por exemplo. Mas a verdade é que mais do que qualquer outro, quem abomina e pune nossos erros somos nós próprios. Aprendemos desde cedo na vida que quem erra ou pratica algo fora do aceitado como certo é punido, então desenvolvemos uma defesa própria interna para nos punir e policiar contra estes erros.

Esta manobra, porém, não é sem consequência, já que reprimir os erros significa reprimir a criatividade e o espírito de experimentar que é necessário para o desenvolvimento pessoal. E assim, limita-se a vontade de tentar novamente ou querer evoluir para melhorar e conseguir acertar.

Quais são as coisas que nossos erros podem trazer que podem nos melhorar?

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Resenha do Pinguim #7 – People Tools for Business de Alan C. Fox

Mais uma resenha do Pinguim saindo do forno. Desta vez faço um pequeno desvio do meu caminho de leituras sobre investimentos e empreendimentos e volto a um assunto sobre o qual escrevi as minhas primeiras resenhas: auto-ajuda.

Quando compramos algum eletrodoméstico ou dispositivo novo, ele geralmente vem com um manual do usuário, assim como o seu carro, mas na maioria das vezes não os lemos. Quando você vai fazer alguma coisa de novo, você também recebe algumas instruções e geralmente as segue (do caso contrário, pular de asa delta ou mergulhar de cilindro teriam muito mais fatalidades!)

Na vida, porém, não recebemos esse manual de como proceder, e assim temos que aprender por nós mesmo a nos virar; errando e até mesmo nos acidentando pelo caminho do aprendizado. Não seria muito mais fácil se pudéssemos ter um manual de instruções ou um guia para nos orientar como proceder em diversas situações na vida e nos negócios com outras pessoas?

Enquanto este manual não vem, o livro People Tools for Business do emprendedor, investidor imobiliário e escritor Alan C. Fox é o mais próximo que já encontrei. Parecido como um manual de instruções filosófico, o livro é estruturado na forma de 50 breves anedotas para serem utilizadas em diversos contextos e ocasiões, chamadas de people tools. Este livro é a continuação de seu livro anterior e com ênfase na parte de negócios, mas é aplicável também pra parte da convivência pessoal.

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Abril: o mês da educação financeira

Sempre tem uma coisa especial com o mês de Abril. Quando você é criança, espera ansiosamente a Páscoa para se encher de chocolate. Tem uns feriados legais como Tiradentes e o descobrimento do Brasil. Ou então o Outono começa a trazer finalmente a brisa fresca pra finalmente poder desligar o ar condicionado. Ou, se mora no hemisfério norte, vem a Primavera florir a paisagem e derreter o gelo no chão.

Abril também significa obrigações fiscais no mundo inteiro. É engraçado, mas o mundo inteiro por algum motivo coordena a declaração de impostos ao redor deste mês, com a única diferença sendo qual dia do Mês isso ocorre. No Japão o ano fiscal começa já no dia primeiro. Nos Estados Unidos, geralmente é 15 de Abril, e no Brasil temos até o último dia pra fazer o notório IR.

Com tanto foco em finanças, proponho fazer de Abril o mês da educação financeira. Não vamos mais reclamar de Abril e os deadlines dos impostos, mas ao invés disso investir nosso tempo para aprender mais sobre finanças pessoais e aumentar nosso conhecimento.

Vamos arranjar soluções para quitar nossas dívidas, que já afetam quase 90% de todos os Brasileiros, e que nos levam a cada vez mais procurar empréstimos mais baratos ao invés de diminuir os gastos e aumentar a renda, que solucionaria o problema de uma vez por todas.

O primeiro passo para caminhar nesta direção é conhecer o assunto, mas infelizmente a maioria das pessoas (inclusive eu no passado!) ignora finanças por terem idéias pré-concebidas a respeito (dinheiro não traz felicidade, dinheiro é ganância, etc), ou por considerarem um assunto chato, sem interesse nenhum. Esta é a forma errada de pensar. Vamos fazer do desenvolvimento pessoal nossa fonte de sucesso.

Não precisa ser complicado, também. Quite suas dívidas. Junte 3 a 6 meses de custos de vida na poupança como reserva. Se chegar até aqui já está melhor que 90% da população. Aí sim comece a investir, ou nos títulos públicos ou leia mais sobre a renda variável, indo devagar e sempre, distribuindo os riscos.

E é isso aí. Durante o resto do mês, vou tentar postar mais coisas sobre este pilar crucial que é a educação financeira, então fiquem ligados

Ah, e enquanto isso, vamos tentar maneirar no ovo de páscoa? É um favor para tanto a sua saúde quanto pra sua carteira.

Abraços!