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Podcast do Pinguim: Pare de dar o nome errado aos bois financeiros

É comum, ao aprendermos novos conceitos, que demos nomes e apelidos às coisas que vamos aprendendo. É natural, e algumas vezes até nos ajudam a memorizá-las (quanto mais engraçado, memorável ou diferente pintamos um conceito na nossa memória, mais rápido e naturalmente conseguimos acessá-lo).

Embora nas finanças estes apelidos, analogias e outras coisas também nos auxiliem no nosso aprendizado, alguns nomes e conceitos precisam ser cuidadosamente estudados para não causar dúvida, confusão ou – pior – decisões erradas no decorrer do prazo. É fato que muitos dos termos do mercado financeiro são associados para justamente causar confusão e parecer complexos, e acompanhado de um Marketing que busca cada vez mais proteger as corretoras, temos um prato cheio para pessoas confusas e fazendo escolhas erradas.

Vejamos a palavra “investimento,” por exemplo. Ela está tão corrompida atualmente que bens como carro e casas próprias são chamadas de investimentos, igualando-as com ativos financeiros de qualidade como ações ou o Tesouro Direto. E embora este desentendimento a princípio pareça apenas ingenuidade, ao longo prazo é a fonte perfeita para o desastre financeiro. Veja neste episódio o por quê.

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Podcast do Pinguim – o custo das coisas é por uso, não tempo

Quem nunca viu algum rodízio de beira de estrada ou num lugar onde não costuma passar anunciando uma promoção imperdível: só por hoje R$30. Você mede mentalmente a sua fome, capacidade de comer contra o preço que pagaria se pedisse a mesma quantidade num restaurante a quilo e conclui: hoje vou dar prejuízo para esse local.

Sabemos como esta história termina: sensação que a barriga irá explodir, azia, sonolência e – surpresa – nenhum prejuízo para o dono do restaurante. Ele já havia considerado o custo até mesmo de casos extremos no restaurante e incluiu tudo na conta que você pagou, pois sabe que o custo das coisas é por uso, e não tempo de utilização.

Quando temos algo como um carro, ficamos tentados a pensar que uma vez que o compramos temos mais é que utilizá-lo para “recuperar o investimento.” Porém, o efeito de utilizá-lo é justamente o contrário: só irá aumentar o seu custo ao longo prazo (gasolina, pedágio, estacionamento, seguro). Se você conseguir enxergar este conceito mais vezes na sua vida, poderá reduzir significantemente seus custos corriqueiros de vida. Veja como isso acontece neste episódio.

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Adaptação Hedônica: a razão pela qual você desmerece a sua vida

Já sentiu aquele “cheirinho de carro novo?” Ele se desfaz depois de alguns meses de uso. Seu computador que antes era o top de linha hoje parece um grande inútil. Seu restaurante favorito se torna batido quando você almoça lá muitas vezes. Por que o ser humano é tão difícil de saciar?

A resposta está na nossa tendência natural de adaptação hedônica. Ela é a nossa tendência natural a se acostumar às mudanças com o tempo, e com isso, desejar mais também.

Ao passo que a adaptação hedônica foi crucial em nossa evolução (nos dá resistência e resiliência para viver a vida), se não a mantermos em cheque, ela pode arruinar nossa felicidade a longo prazo. Por isso, é necessário saber buscar felicidade de outras formas. O estoicismo, por exemplo, procura combater nossa adaptação hedônica através da racionalidade e procura interna da felicidade.

Neste vídeo, mostro como você pode aplicar estes conceitos também na sua vida, e impedir que a adaptação hedônica acabe com a sua vida financeira.

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A bolha do Uber?

Quando o Uber foi lançado e entrou no mercado brasileiro, a inovação foi completa. O aplicativo havia introduzido um novo modelo de negócios que desbancou os negócios dos taxistas e abriu uma competição diversificada antes nunca vista na história. O conceito do sharing economy começou a engatinhar e logo foi tomando espaço.

O transporte foi democratizado e as pessoas finalmente possuiam uma alternativa mais barata para prencher algumas lacunas cruciais do transporte urbano brasileiro. E, colateralmente, o Uber serviu de “colchão de segurança” amenizando o impacto da crise econômica iniciando em 2015, oferecendo uma forma de renda temporária para aqueles que perdiam seus empregos.

Avançando até 2020, a situação se tornou bem diferente. Aplicativos competidores entrando e competindo por mais motoristas e passageiros, continuidade da crise e falta de empregos causou um aumento significante do pool de motoristas fora de proporção com os passageiros, e a remuneração – variável como sempre – hoje tem um apelo mais duvidoso. Não é a primeira vez que falo do Uber no blog, mas desta vez trago luz a um insight que vi num post do SubReddit de Investimentos: estaria o Uber direcionado para uma bolha?

Os insights recebidos desta filosofia servem para além do aplicativo em si, mas para também outros produtos e serviços que entram na moda e crescem rapidamente. Uma bolha como essa pode afetar além do mercado e ir diretamente na vida pessoal das pessoas. Vejamos com mais detalhes.

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Dependências cumulativas irão te levar à desgraça

No fim de semana passado, fui a um shopping perto de casa e tive uma visão assustadora.

Ao passar do lado da entrada do estacionamento, me deparei com uma fila enorme do lado de fora contornando o quarteirão composta apenas por carros que queriam entrar para ainda estacionar dentro dele. Embora esta pode ser um acontecimento comum, ou até mesmo uma ótima notícia para o administrador do shopping ou quem investe nele, o que me assustou foi a realização de quanto essas pessoas se tornaram dependentes dos seus carros.

Essas pessoas cobriram a real necessidade de ir ao shopping com esta dependência, tendo, assim, que ter um carro em primeiro lugar, gastar gasolina para levá-lo até o shopping, morgar na fila imensa fora do shopping, procurar vagas dentro dele, pagar o estacionamento caríssimo, arriscar ter que pagar valet se as vagas comuns acabarem para depois, sim, conseguirem entrar e fazer o que precisam no estabelecimento.

Você vê alguma coisa errada aqui? Muitas? Eu vejo, essencialmente, apenas uma: dependência cumulativa. O carro, uma vez tido como um bem supérfluo hoje foi condicionado à ser uma dependência da qual o cidadão não consegue mais viver sem na vida moderna.

Infelizmente, o carro é apenas uma das muitas outras dependências que a sociedade cultiva atualmente por conta da influência da tecnologia. Porém ao passo que podemos ver claramente os benefícios trazidos por tais tecnologias, as consequências não-intendidas que se acumulam são muitas vezes desastrosas. No caso dos carros, temos experiência disso primeira mão: congestionamentos diários dominam nossa jornada ao trabalho, e a escassez de vagas infla os preços dos estacionamentos nas cidades.

No âmbito pessoal, também temos dependências cumulativas oriundas de fatores externos e internos. Ao analisarmos nossa rotina diária, podemos ver várias destas impregnando silenciosamente nossas vidas: a máquina de espresso cara de cápsula exclusiva que sobrepõe o café barato de filtro, ler as notícias num tablet que toma o lugar de apreciar o café da manhã de maneira própria, etc.

Se continuada sem limitações, nos tornamos escravos de tais dependências e perdemos nossa adaptabilidade, sem contar no desastre que acontece em nossas finanças. Como podemos então evitar que as dependências cumulativas tomem conta de nossas vidas?

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