Confrontando o Cotidiano #6 – “Como isso é diferente de apostar num Jóquei?”

Numa destas tardes durante o meu horário de almoço, estava como sempre aproveitando para ganhar um pouco de tempo e acompanhar os meus estudos de finanças pessoais através de alguns vídeos do pessoal da finansfera. Eis que passa uma colega de trabalho por trás da minha tela, e fica durante um tempo tentando entender sobre o quê se trata os vídeos que estou assistindo (como sempre assisto de fone de ouvido e velocidade 2x, é difícil mesmo tentar entender do que se trata do lado de fora).

Não conseguindo controlar a curiosidade, ela chega do meu lado e me interrompe educadamente:

— Oi Pinguim, desculpa te perguntar, o que é que você está assistindo aí? Parece sério, é alguma coisa política?

Imagino que ela deve ter perguntado por conta dos gráficos que aparecem nos vídeos, que poderiam sinalizar várias coisas sem saber do contexto.

— Oi fulana. Não é nada político não. Estou assistindo alguns vídeos de investimentos.
— Ah, interessante. Que tipo de investimentos?

Geralmente tenho cautela depois deste ponto: como a maioria das pessoas têm zero conhecimento sobre investimentos em geral, tal como exemplificado nesta série de posts, geralmente fazem comentários ignorantes ou tentam desmerecer a procura da Independência Financeiras com argumentos baratos e pouco sofisticados. Felizmente, esta colega é bem simpática, e respeitou o contexto.

— Investimentos na bolsa de valores, o mercado de ações, sabe?
— Ah, nossa, parece ser complicado.
— É necessário fazer uma boa análise das empresas onde você quer investir, sim. Mas acho que as pessoas demonizam o processo mais do que ele realmente é.
— Pois é, ouvi falar de muita gente que perdeu dinheiro assim.
— Existe sempre um risco, mas com uma análise própria, podemos eliminar uma parte suficiente para conseguir investir com uma certa segurança.

E aí veio uma pergunta que eu acho que jamais vou esquecer:

Mas como isso consegue ser diferente de apostar numa corrida de jóquei?

Resumi a minha resposta à ela assim:

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Estoicismo na prática: sobrevivendo a perda de um celular

Recentemente publiquei no site uma introdução sobre o Estoicismo, a filosofia dos gregos antigos que busca maximizar a felicidade através do uso extensivo da razão e lógica. Quase que como planejado, alguns dias após ter terminado de escrever o artigo, meu celular parou de funcionar sem qualquer aviso prévio.

Parecia mesmo que o universo estava testando as minhas habilidades estóicas. Se esse cara acha que sabe mesmo sobre o estoicismo, vamos ver se ele está preparado de verdade! E assim, voltando pra casa depois de um domingo longo, percebi que o telefone não ligava mais e o problema não era a bateria. Quando comecei a pesquisar sobre o problema, mais assustador ficava, e no fim da cruzada, acabei aceitando que o celular estava irrecuperável.

Durante os próximos 15 minutos ocorreu uma chuva de pensamentos na minha mente sobre o que aconteceria nos próximos dias, mas ao fim dessa novela tive sucesso ao aplicar o mindset estóico ao problema. Foi mais um dos muitos exemplos de estoicismo na prática que tenho realizado como aprendizado diário, e as lições com certeza vão se propagar. Vejamos como a situação se desenrolou.

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Confrontando o cotidiano #3 – “Ninguém nunca ficou mais pobre por quinze reais.”

Mais um post da série confrontando o cotidiano.


A hora do almoço é uma hora interessante. É a única hora onde se pode parar para observar o comportamento pessoal das pessoas em âmbito profissional. Uma das coisas que observo é que ao passo que muitos fazem desta hora como se fosse sua hora da recompensa, quase que um mini ou pré-happy hour. Isso significa bons restaurantes, pratos finos com direito a bebida e – dado o dia certo (sexta-feira) – até uma cerveja de extravagância. Boa, né?

Significa também que o dinheiro vai embora despercebido, diluido em refeições água abaixo que não trazem nada de especial, custam muito mais do que o justo pelo valor nutricional, demoram muito mais tempo do que o necessário para uma refeição e que te roubam do tempo que você poderia aproveitar para estudar ou refletir sobre o seu próprio enriquecimento.

Oops.

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Confrontando o cotidiano #2 – “A culpa é do RH”

Fim de ano chega e todo mundo começa a comemorar o bônus, o dinheirinho adicional que entra. Alguns pensam na viagem que vão fazer com o dinheiro extra, as comprinhas de fim de ano, pequenas extravagâncias possibilitadas pela curta elevação no padrão de vida em Dezembro, enquanto outros mais responsáveis pensam na economia, aporte e aumentar o patrimônio.

Mas será que esse “ato de caridade” da empresa ajuda quem é comprador compulsivo, gastador, e já está meio caminho a se afogar na dívida? Um camarada daqui do escritório discorda.

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Confrontando o cotidiano #1 – “é só vinte reais”

Estou começando uma pequena série para catalogar no blog as experiências hilárias, irônicas e frustrantes que a imersão na IF causa num mundo onde todos são programados para gastar. Espero que gostem!

Outro dia, almoçando no escritório, fui abordado por alguns colegas de trabalho sobre a minha decisão de trazer comida de casa. Quase sempre trago o almoço de casa em marmita, pois além de ser mais barato ganho a vantagem de poder comer exatamente a quantidade que quero, e saber exatamente os ingredientes que foram envolvidos. Este hábito não é exatamente incomum onde trabalho – muitos trazem de casa e passam almoçando ou na própria mesa ou no refeitório, e eu diria que a proporção dos que saem pra almoçar e os que ficam gira em torno de 60 a 40%.

Eis como a conversa fluiu, mais ou menos:

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Reclamar não vai te levar a nenhum lugar.

Pergunta rápida: qual é o esporte nacional?

Tirando o futebol, eu diria que, julgando somente pela popularidade, o hábito mais comum do Brasileiro (ou até mesmo do homo sapiens) é reclamar. Pense nisso por um momento. Você reclama, sua mãe reclama, sua namorada reclama, seus colegas no escritório reclamam, o pessoal militante político de cantos obscuros da sua rede social reclamam do governo atual, ou do próximo… e ainda assim, dia vem e dia vai, ninguém muda, pois ninguém faz nada. Por que será?

Reclamar é barato. Quase não tem custo pra fazer, e a oportunidade de ganhar suporte e compaixão alheia é grade. Afinal, quem não concordaria com aquelas frasesinhas do tipo aahh que droga, odeio ter que acordar cedo pra ir trabalhar e pegar um trânsito fudido / metrô cheio / ônibus fedorento e ter que falar com meu chefe babaca / fulaninha fofoqueira / ter que fazer sala pro time aah buáaa como minha vida é ruim

unhappy
Oh! Como sou infeliz!

Se fosse investimento, até soaria atrativo. Gaste pouca energia e ganhe bastante suporte alheio… Mas infelizmente, na última vez que olhei, compaixão de terceiros ainda não era aceitada como forma de pagamento das minhas contas.

Claro que existe uma necessidade psicológica para que você desestresse e se alivie do que te têm pressionado. Todo mundo precisa disso pra manter a sanidade. Mas aqui está o pulo do gato: exceto se você fizer alguma coisa em cima da sua reclamação, nada vai mudar e você nunca vai melhorar de vida. Você simplesmente vai gastar sua energia à toa.

complaining

Lição óbvia, certo? Aparentemente não, visto que a maioria das pessoas com quem convivo continua reclamando, e sequer faz alguma coisa para resolver a situação. E pior: ainda esperam que eu concorde com qualquer que seja a reclamação sob a pena de me tornar o babaca canalha insensível que obviamente não entende a dura realidade que eles estão sofrendo.

Se ao invés disso fizessem a coisa inteligente, pensassem no assunto e trabalhassem na solução, talvez não precisariam gastar tanta energia emocional mais na vida. Porém, por alguma misteriosa razão eles nunca fazem isso. Seria porque…

  • … analisar, estudar, achar a causa-raíz do problema requerem esforço?

  • … quem analisa a situação não recebe a tão desejada compaixão dos colegas por tentar sair do buraco sozinho e abandonar a manada?

  • … é muito mais fácil só ficar sentado e jogando complementos vazios (“é, é isso mesmo,” “foda né?” “que bosta, eu também”) ao invés de prover uma solução?

  • … jogar a culpa nos outros e nas circunstâncias remotas que não estão no nosso alcance direto é mais fácil do que tentar mudar as coisas?

Essa última apresenta uma questão interessante – se você tem um problema com alguma coisa, você muda a coisa em si ou muda você mesmo? Isso daria um bom tópico em si pra descobrir, mas por agora vamos dizer que eu descobri que mudar a sua percepção e (mais importante) a sua reação às coisas da vida é muito mais fácil e eficiente (stoic alert).

Novamente, fica a lição pra todo mundo: sem uma ação, não haverão resultados. Pra qualquer coisa! Olhar pra frente, ser ativo e procurar sempre a melhoria é o único caminho.

Mas por favor, não pensem que “tomar ação” inclui beber no bar com os colegas enquanto vocês descascam fulano ou sicrano que te desagradou, ou chapar em casa com vodka canalha e sprite enquanto assiste Netflix até 2 da manhã. Isso é passar metiolate num joelho que você rala todo dia – por que você não para de ralá-lo em primeiro lugar?

Finalmente, pode parecer que eu mesmo estou entrando no jogo e reclamando ao escrever este post. Talvez seja o caso, sim, afinal não sou de ferro. Mas pelo menos joguei algumas propostas de soluções no decorrer do post, então é meio caminho andado.

Abraços e até a próxima!