podcast do pinguim

Podcast do Pinguim: “Esteja na montanha!”

Diante de um mundo onde a sua atenção é procurada e comercializada tão agressivamente quanto outros ativos, algumas vezes parece que obter e manter o foco em alguma tarefa é uma espécie de superpoder. E não é por menos: por termos uma sobra cognitiva significante, acabamos nos tornando “reféns” do nosso próprio desejo de preenchê-la.

Combinando um mundo minado de distrações com uma pressão paralela por “produtividade” em termos de multi-tarefa, temos a receita perfeita para uma vida onde vivemos fisicamente em um certo lugar, mas mentalmente estamos em outro completamente diferente. Sentamos para trabalhar mas deixamos nossa cabeça em casa esperando pelas 18h ou o fim de semana. Entramos em call mas já deixamos uma aba aberta para ver outras coisas. E a mudança para home office não ajudou nem um pouco.

Neste episódio, falo sobre como um pequeno ditado supostamente mencionado rapidamente numa passagem da bíblia nos ensina como a tomada do foco é importante para manter nossa paz de espírito e qualidade do nosso trabalho.

Continuar lendo “Podcast do Pinguim: “Esteja na montanha!””

Como se prevenir contra um futuro que ninguém prevê?

A previsão do tempo da segunda-feira era de chuva, mas o serviço de meteorologia agiu rapidamente durante a madrugada e conseguiu reverter o clima, fazendo as nuvens se dissiparem com seus canhões de ultrassom. Ótimas notícias, você pensa, enquanto deixa os seus assistentes mecânicos da sua casa lavarem o seu corpo e ajeitarem o seu cabelo enquanto assiste as notícias pelo espelho do banheiro.

Você toma o café da manhã e sai de casa em direção ao ponto do ônibus-cóptero, que irá levá-lo voando até seu local de trabalho. Durante o caminho, alguns vendedores com seus dispositivos voadores pessoais aproximam-se da sua janela para oferecer-lhe algumas barganhas, mas você os dispensa.

Ao chegar no trabalho, estica a mão fora da janela para pegar a correspondência do carteiro que a entrega enquanto contorna o prédio com seu avião pessoal portátil, e começa o batente – mas não consegue parar de pensar nas suas férias mês que vem, quando irá visitar o fundo do mar de submarino e andar de golfinhos com sua família.


Cena de ficção científica? Acredite, esta cena era exatamente o que as pessoas da Europa no ano 1900 imaginaram como seria o ano 2000. Se você procurar por isso no Google, vai encontrar diversas imagens retro-futurísticas sobre os anos 2000 que são simplesmente ridículas para nossos padrões atuais. E ainda assim, não podemos deixar de considerar como as pessoas realmente acreditavam nesta visão do futuro como uma certeza. Certamente, segundo elas, nosso futuro terá tudo isso que temos hoje, além de muito mais e melhor do que temos hoje.

Acredite, este era o ano 2000 conforme imaginado pelos Europeus do ano 1900.

Porém, pouco deste otimismo todo se materializou ao longo da história: houveram duas grandes guerras, grandes crises econômicas e miséria, doenças e diversas outras catástrofes humanas. Sem contar que até hoje parte dos “desejos” dos nossos ancestrais de 100 anos atrás ainda não se materializou, e – desculpem-me, fãs dos carros voadores – nem está próxima de acontecer.

Esta realização nos mostra uma característica interessante da natureza humana sobre a nossa idéia do futuro: sempre temos expectativas positivas sobre eles, costumando imaginar que nossa vida no futuro será uma versão melhorada da nossa atual. A realidade, porém, é como o grande investidor Ray Dalio, gestor da Blackwater and Partners, afirma em seu livro Principles: o futuro frequentemente é radicalmente diferente da nossa expectativa. E ao contrário de uma simples imaginação de ficção, quando se trata do nosso próprio futuro financeiro, as consequências de um “erro de cálculo” podem ser muito mais devastadoras, especialmente se predicarmos em idéias utópicas como a de que nosso salário será sempre garantido.

Como podemos nos prevenir contra um futuro que ninguém consegue prever com consistência, e que frequentemente é pior do que imaginamos? Vejamos neste post.

2020: um exemplo recente

Talvez não haja melhor exemplo para este conceito do que o Cisne Negro da pandemia COVID-19. Ao fim de 2019, um bull market global jubilante trouxe expectativas altas para todos os aspectos da prosperidade mundial. Não haviam impecílios para o crescimento da bolsa brasileira também, que seguia em uma alta crescente batendo os 100 mil e quase os 120 mil pontos, com alguns analistas otimistas prevendo até 200 mil pontos em 2020.

Avançando apenas alguns meses à frente, muitos conheceram em primeira mão o termo circuit breaker da bolsa.

Meme do Twitter: Circuit Breaker da Bolsa: eu fui!

Os efeitos foram devastadores, o “milhão e meio de CPFs” da B3 (número que mais que dobrou entre 2018 e 2019) sentiu o chão se abrir sob os seus pés e muitos no pânico desistiram da “aventura à riqueza”.

número de CPFs na B3 mais que dobrou entre 2018 e 2019

Será que o fim do mundo estava acontecendo? Ou será que era o fim do capitalismo? Muitos predicaram no acontecimento que investir em renda variável não tinha mais sentido, e de fato, talvez investir em geral não fazia mais sentido com uma Selic cada vez mais depreciada. E novamente, estes muitos se enganaram pois poucos meses depois a bolsa recuperou-se significantemente, até praticamente voltando ao mesmo patamar recentemente.

Parece que Dalio estava correto mesmo em dizer que o futuro é bem diferente das nossas expectativas…

Eu mesmo senti em primeira mão este efeito, e não posso dizer que passei por ele sem danos. Felizmente, naquele ponto, eu já possuia experiência suficiente e um mindset preparado, e não deixei que o pânico me levasse. Como resultado, consegui manter a calma e aproveitar a oscilação para justamente aportar mais no fundo e aumentar de forma significante a minha renda passiva mensal. Entre sofrimento e perdas potenciais considerados, consegui sair do meu inverno financeiro sem danos.

O que podemos tirar de lição deste acontecimento? Seria a hora de voltar a comprar ações, colocar aquele CPF que apanhou de volta na bolsa, ou será que estamos no caminho cíclico para mais uma nova crise na bolsa, já que mesmo depois de um ano a situação do Coronavírus ainda não foi resolvida?

Infelizmente, não tenho uma bola de cristal poderosa o suficiente para responder a estas perguntas. E como provavelmente não a terei no meu futuro próximo, preciso arranjar outra ferramenta para planejar meu futuro financeiro. Felizmente, esta ferramenta existe.

Da Grécia antiga para o seu planejamento futuro

Há quem diga que um pessimista consegue acabar com qualquer festa, mas sem sua consideração, a maioria dos projetos seria meros sonhos que nunca saíram do papel. Pessimistas abaixam a bola da imaginação infundada e acrescentam doses saudáveis de realismo, permitindo uma gestão de risco e expectativa mais eficiente.

Se o pessimismo foi criado na Grécia Antiga talvez nunca saberemos, mas existe outra filosofia lá criada que pode obter resultados similares: o Estoicismo. Embora não sejam pessimistas nativos, Estóicos praticam através da visualização negativa um experimento de pessimismo simulado – bem parecido com uma “vacina psicológica.”

Como exemplo, vamos considerar as possibilidades do mercado e das nossas finanças para os próximos dez anos. Praticando a visualização negativa, tiramos os cenários otimistas de foco e tentamos enxergar todas as outras possibilidades ruins que podem vir a acontecer, incluindo:

Cenário deprimente? Incapaz de acontecer? Lembre-se que estas eram as mesmas palavras utilizadas para descrever as possibilidades de uma queda na bolsa em 2019. O bom estóico, porém, utiliza este cenário como uma base para lastrear seu planejamento. E desta forma, podemos fazer com que nosso plano se prepare ao pior, enquanto aproveita quaisquer melhorias que acontecerem durante o período se o “pior” não se materializar.

Planejando e elaborando contra cada uma destas situações adversas, podemos nos resguardar desde agora sobrecompensando contra estas possibilidades:

  • Aumentando nossa renda passiva e obtendo fontes de renda alternativas.
  • Aumentando nosso caixa operacional para compras de oportunidade.
  • Reavaliando nosso estilo de vida e cortando custos desnecessários.
  • Investindo em moeda estrangeira para proteger contra variação cambial e inflação

Utilizando este truque simples, o estoicismo trouxe o duplo benefício de conseguir preparar nosso planejamento contra uma ameaça calculada, e contemplar a nossa situação atual de forma relativa como de conforto e abundância. Não haverão surpresas desagradáveis – estas já terão sido antecipadas – e você passará a ter mais gratidão à vida atual.

Porém, e quanto aos conselhos práticos dos investimentos? Como poderíamos nos preparar para isso? Interessantemente, certa resposta pode vir novamente do próprio Ray Dalio.

Sobrevivendo às quatro estações financeiras

A maior fama de Dalio no mundo dos investimentos vem do fato que seu fundo de investimentos All Weather é considerado um dos mais estáveis do planeta, e que consegue apresentar ganhos mesmo em situações quando todos parecem estar perdendo dinheiro (ex: crise de 2008 e o dotcom). A performance deste portfólio é tão estável que desde a revelação da composição original do All Weather no livro Money: Master the Game de Tony Robbins, outros gestores passaram a copiar e adaptar sua composição em seus próprios fundos.

Dalio descobriu que os dois principais influenciadores da performance do mercado americano são o crescimento da economia e a inflação (podendo estar crescendo ou diminuindo independentemente), que explorando todas as possibilidades resultam em quatro possíveis “estações financeiras.” Preparando-se para estas possibilidades, Dalio designou seu portfólio para que em quaisquer que seja a estação, pelo menos uma parte de seu portfólio ganhará dinheiro e cancelará as perdas das demais porções – uma gestão de risco teoreticamente perfeita.

A alocação de ativos deste portfólio brutalmente eficiente não é mais nenhum segredo. Desde sua publicação no livro de Tony Robbins, a “alocação mágica” foi assunto central de várias matérias e teses divulgadas online. Além de uma dose generosa de títulos públicos (bonds) e ações, ela também contém porções em ouro e commodities, geralmente consideradas raras em carteiras de pequenos investidores individuais:

A alocação "mágica" do fundo de Dalio - Crédito: I will teach you to be rich
A alocação “mágica” do fundo de Dalio – Crédito: I will teach you to be rich by Ramit Sethi.

Então aí está: a receita mágica para o sucesso nos seus investimentos… Ou seria?

Antes de abrir o homebroker e começar a vender e comprar diversos ETFs, é importante se lembrar que esta alocação pode não ser a solução mais próxima para o seu caso; dependendo da sua situação financeira atual, suas prioridades podem ser radicalmente diferentes das de um gestor de um fundo com bilhões de dólares – além de uma reputação ainda mais valiosa – para manter.

Você precisa averiguar o seu caso e seus objetivos de vida para saber se o fundo de estabilidade perfeita é realmente o que você precisa, ou se não seria por exemplo um fundo de crescimento mais agressivo ou focado em geração de renda (meu favorito). É só sabendo deste objetivo primariamente que você conseguirá a sua própria bala de prata – que funciona perfeitamente para o seu caso.

E mesmo assim deve aceitar o fato que suas circunstâncias poderão mudar.


Você acredita que é possível, ou pelo menos plausível, prever o futuro a curto e médio prazo em nossas vidas? Como lida com esta limitação na hora de planejar os seus investimentos? Escreva nos comentários.

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor

A importância de começar – como dar o primeiro passo mesmo sem saber de tudo?

Não há dúvidas de que é necessário tomar um primeiro passo antes de concluir a jornada de milhares de quilômetros, e qualquer que seja o seu objetivo – financeiro, pessoal, etc – ele nunca será atingido de fato se você não tomar o primeiro passo para caminhar em sua direção.

Diante deste fato “óbvio,” é apenas irônico que quando olhamos ao nosso redor, são poucas as pessoas que realmente se arriscam e iniciam projetos novos em suas vidas. A maioria deseja, sonha alto até, mas suas realizações ficam apenas no papel.

Há várias razões para este comportamento: alguns vivem apenas de se manter no conteúdo motivacional, outros acreditam que não há porque perseguir uma ambição que custará tanto trabalho, mas eu acredito que a principal razão pela qual os projetos não decolam é outra: inação pela falta de conhecimento. Este é o medo que temos do desconhecido, de errar por não saber 100% o que vem pela frente, que nos impede de nem começar a tentar.

Neste episódio mostro como é possível vencer este medo e prosseguir em frente com qualquer projeto pessoal mesmo quando não se sabe de tudo 100% com uma lição emprestada do desenvolvimento de software.

Continuar lendo “A importância de começar – como dar o primeiro passo mesmo sem saber de tudo?”
podcast do pinguim

Podcast do Pinguim: o Princípio de Paretto nas Finanças

O famoso princípio de Paretto, comumente conhecido como princípio do 80-20, é uma ocorrência natural das tendências da nossa rotina. Por exemplo, 80% de toda a riqueza da sociedade é acumulada por 20% das pessoas. 80% do tempo do nosso trajeto entre casa e trabalho é perdido em apenas 20% da distância do percurso.

Enquanto suas causas são desconhecidas, os efeitos do Princípio de Paretto são reais e portanto temos que aceitá-los em nossa vida. E ao passo que a princípio ele possa parecer injusto ou desigual, a verdade é que como investidores racionais, podemos fazer uso dele para nossa própria vantagem, tornando-nos parte dos 20% ou 80% quando nos servir melhor.

Talvez o melhor exemplo disso é na nossa própria educação financeira: 80% dos conceitos que precisamos aprender para investir bem podem ser aprendidos nos primeiros 20% de tempo estudando.

Neste episódio, mostro como nós podemos utilizar o princípio de Paretto para a nossa vantagem em âmbitos financeiros, e sempre nos colocar numa posição vencedora em relação a ele.

Continuar lendo “Podcast do Pinguim: o Princípio de Paretto nas Finanças”

O que faz um investimento seguro?

Qual é o segundo investimento mais seguro que existe depois do Tesouro Direto?

Calma. Releia a frase antes de tentar começar a responder. Respire. Pense com cuidado a respeito da pergunta.

Respirou? Beleza, pode responder agora.

Se você começou a pensar sobre algum CDB, LCI ou LCA por causa da garantia do FGC… pode parar. Você acabou de cair na pegadinha do óbvio-mas-não-óbvio.

Mas e aquele papo de ser um investimento seguro, afinal é renda fixa e garantida pelo FGC até R$250,000…?

Se você pensa desta forma, as chances são que você não está exatamente entendendo o que significa segurança nos investimentos. Não só esta mesma “garantia” lhe limita o horizonte de pensamento (“enquanto eu ficar abaixo dos 250 mil beleza!”), ela também nos torna cego para os riscos inerentes de qualquer investimento – incluindo a renda fixa.

Porém, há um outro quesito pouco explorado quando se trata de segurança em meio aos investimentos que até há relativamente pouco tempo era pouco considerado. Este é a proteção do poder de compra do seu dinheiro. Isso mesmo – a velha inflação que sileciosamente mas certeiramente irá reduzir o valor do seu patrimônio ao longo do tempo.

Combinando o poder corrosivo da inflação com um pavor irracional que muitos possuem quanto a imprevisibilidade da bolsa de valores no curto prazo, vemos que não começar a investir se torna o real risco de segurança financeira. Vejamos mais sobre isto, e como podemos reverter esta aversão a riscos neste post.

Continuar lendo “O que faz um investimento seguro?”

Tenchō – o poder do ownership pessoal

A sociedade Japonesa tem uma cultura hierárquica e tradicional que aloca muito valor em títulos e posições em um determinado grupo. Tradicionalismo e cultura para uns, burocracia para outros, esta realidade é um fato no cotidiano Japonês, e sentido em diversas situações e locais onde frequentamos. Em empresas, por exemplo, todos colocam seus títulos e posições nos cartões de visita, assinaturas de email e nas reuniões.

Este efeito é refletido até na própria linguagem, onde a hierarquia de tratamento modifica até as conjugações verbais e o pronome de tratamento utilizado na comunicação. O famoso sufixo “-san” do estereotipo japonês é apenas um dos vários existentes, dependendo da hierarquia da comunicação.

No topo da hierarquia, um sufixo indica a supremacia dentro da organização: ~長 (-chō, lê-se TCHÔ em Português). Literalmente significando “comprido” ou “alto,” quem recebe este sufixo possui responsabilidade completa sobre um estabelecimento ou grupo. Porém, ao passo que em alguns lugares isso poderia instigar abuso de poder ou algum início de corrupção, no Japão o efeito é diferente: aqueles que recebem tal título de -cho tomam responsabilidade pessoal sobre o estabelecimento no qual trabalham.

Seja o gerente da loja (, tencho), estação de trem (, ekicho), CEO da empresa (, shacho) ou presidente de alguma sociedade (, kaicho), a pessoa indicada acumula um grau de responsabilidade e o leva para o âmbito pessoal, onde entregar valor e excelência se tornam sua missão pessoal.

É parte por conta deste ownership pessoal que serviços e departamentos governamentais do Japão têm a curiosa característica de funcionarem, e serem até eficientes, coisa que no Brasil seria basicamente impensável. Um exemplo são os correios japoneses: eficientes, e com entregas sempre pontuais, uma verdadeira utopia em compraração com os correios do Brasil. Embora ambos sejam operacionalizados por concursados governamentais, há algo sobre este fator de ownership que faz a diferença crucial: os gerentes e responsáveis se atrelam num envolvimento mais fundo, quase que pessoal, onde gerar excelência é a norma.

Há uma grande lição que podemos tirar deste conceito de ownership pessoal tão empregado pelos japoneses: se quisermos realmente nos melhorar em algum âmbito pessoal em nossas vidas, temos que assumir por completo a responsabilidade e todos os fatores envolvidos nestes processos. Para melhorar a sua vida, você deve tomar o controle dela primeiro. Soa óbvio como uma lição, talvez, mas é impressionante como a maioria concorda na superfície, mas logo se esquiva de tomar tal responsabilidade pessoal. Ao invés de aceitar e tentar melhorar, reclamam e culpam os outros, buscando justificar a não realização.

Vejamos neste post como o ownership pessoal pode lhe ajudar a atingir excelência, e como você pode aplicá-lo em sua vida.

Continuar lendo “Tenchō – o poder do ownership pessoal”
podcast do pinguim

Podcast do Pinguim: o poder da constância nas suas finanças

Investir e enriquecer são processos, e assim, beneficiam-se de uma rotina, hábito e disciplina. De nada, por exemplo, adiantaria economizar 80% do salário um único mês mas gastar 80% todos os outros. É a constância, primariamente auxiliada dos seus hábitos, que faz a máquina de enriquecer produzir os melhores resultados.

Nos investimentos também não é diferente: embora muitos erroneamente concluem que investir é um hábito apenas para os ricos, que possuem dinheiro para “fazer uma diferença,” não é tanto no tamanho do aporte quanto na frequência dele que a real diferença aparece. Aportar tanto em alta ou baixa é o que fará a diferença no longo prazo.

Neste episódio, exploro o poder da constância ao investir, e como poderá fazer a diferença no decorrer da vida.

Continuar lendo “Podcast do Pinguim: o poder da constância nas suas finanças”

Ninguém se importa com o que você faz – e por isso, você é livre

Aqui está uma realização poderosíssima, e que poderá libertar você de quase toda a sua ansiedade: independente do que você acredite e se preocupe, na verdade, ninguém se importa com o que você escolhe fazer ou não.

Releia a frase anterior. Pronto? Releia mais uma vez. Tem certeza que você entendeu tudo o que ela significa? Então ótimo, pode fechar esta página e começar tudo aquilo que você se inibiu de fazer antes por medo do julgamento alheio. Você está livre. Vá!

Ainda por aqui? Excelente, então acho que posso elaborar um pouco mais sobre o significado desta realização nas nossas vidas.

Desde criança, aprendemos sobre o valor que aceitação coletiva possui em nossas vidas. Queremos satisfazer nossos pais sendo bons filhos, nos comportando bem, fazendo nossas tarefas e mostrando nossas conquistas da escola. Olha o que eu fiz hoje, a minha nota da prova, os resultado do jogo. Colhemos a atenção e os elogios como fonte de prazer. Mesma coisa com os nossos coleguinhas de sala, queremos pertencer ao grupo colhendo aceitação e um senso de identidade fora de nós, e predicado naquilo que os outros pensam de nós.

Dizer que isto não persiste após a adolescência é uma mentira. Como adultos, continuamos vivendo a vida olhando sempre para trás e para os lados, procurando aprovação alheia e fugindo daquilo que seria “mau-visto” pela maioria. E ao passo que muitos pensam que não há problema com isso, e que vivem simplesmente uma vida “normal,” a realidade é que silenciosamente esta forma de pensar pode estar limitando o seu potencial da pior forma possível: internamente.

Preciso fazer isso porque todo mundo no escritório está fazendo. Tenho que comer naquele restaurante caro porque é onde todo mundo também vai. Tenho que comprar um carro e uma casa, essa é a forma que posso mostrar para todos que ganhei na vida. Estas roupas não são dignas de uma pessoa do meu novo círculo social.

Realizar que o julgamento alheio é um medo irracional e que, na verdade, são pouquíssimas as pessoas que se importam com aquilo que você faz, é libertador. Esta forma de pensar é necessária para obter a vitória num âmbito como o FIRE, mas seus benefícios se transpõem além do que simplesmente as finanças.

Vejamos o poder que existe por trás desta filosofia neste post.

Continuar lendo “Ninguém se importa com o que você faz – e por isso, você é livre”

Enriquecer é redundante?

Olá! Excelente post. Eu assiti alguns vídeos desse Primo Rico e até cheguei a comprar o livro dele na época. Pra ser sincero, não sei se vi os vídeos errados, ou as lives erradas dele, mas sinceramente não consegui aprender nada sobre investir ou comprar ações. Senti que ele cria conteúdo “dando voltas” no assunto e sem especificar de fato o que fazer. Tipo como muitos dizem: trabalhe, poupe e invista. Do meu ponto de vista isso é bem redundante se você não disser COMO se faz. Poderia indicar algum conteúdo dele que mudasse minha opinião? Ou de outra pessoa? Não senti confiança no Thiago Nigro, essa que é a verdade.

Quando li este comentário no meu post sobre o Primo Rico a.k.a. Thiago Nigro e seu vídeo onde ensina a obter R$195 mil de dinheiro extra ao longo de alguns anos, a primeira reação que tive foi pensar que o autor não havia entendido o sentido do post. Lendo mais aprofundadamente, porém, percebi que o ele tinha um ponto bem válido: algumas vezes, ler sobre educação financeira, especialmente para quem já possui uma noção bem avançada, pode parecer meio maçante ou até mesmo redundante.

E há, sim, uma dose de verdade nesta opinião: enriquecer, na sua melhor forma, precisa ser um processo simples. Enriquecer precisa ser simples da mesma forma que a matemática necessária para se aposentar é simples. Quanto mais simples, melhor, mas claro que isso não significa necessariamente que vai ser fácil; o seu esforço sempre será necessário, uma parte integral de todo o processo do desenvolvimento pessoal.

E esta mesma simplicidade que torna o FIRE tão poderoso pode se tornar uma pequena problemática entre os criadores de conteúdo sobre o assunto: sobre o que falar quando a sua esfera do assunto é tão, eventualmente, simples e direta? A verdade, porém é que a aparente “redundância” do assunto é uma consequência necessária. Isso porque muitos não acreditam que enriquecer pode ser um processo tão simples, e começam a procurar maneiras de “acelerar” o processo, ou “complementá-lo” por fora, e acabam sacrificando todo o seu trabalho árduo no caminho.

Quando começamos a acreditar que para enriquecer é necessário especular, acertar na mosca a próxima empresa mina de ouro, ou investir em ativos esotéricos, tornamo-nos cegos aos riscos destas promessas de enriquecimento rápido e fácil, e arriscamos perder quando na verdade, tudo o que precisávamos fazer era seguir uma estratégia mais simples.

Neste post, explico por que a estratégia simples, passiva e de longo prazo é a vencedora, e por que adicionar complicação demasiada pode ser até nocivo para o seu patrimônio.

Continuar lendo “Enriquecer é redundante?”

O que dá mais felicidade: dinheiro ou liberdade?

A vida pode ser resumida como um processo de procura. Procura de comida, recursos, segurança, relacionamentos e – por que não – felicidade. Nada é estático, e nada é igual ao que passou, tornando viver um real processo de mudança constante. Não só isso significa que temos que ter flexibilidade e agilidade em nossas ações e planejamento, mas também que devemos ter nossos objetivos e horizontes bem demarcados em nossa visão quando estamos correndo na direção deles.

Alguns dizem que o dinheiro não traz felicidade, outros discordam completamente – e este assunto tão velho quanto o mundo prossegue sem uma resposta comum, provavelmente para sempre. Porém, uma visão moderna sobre este assunto, pensada pelo lado FIRE, traz um novo ponto de vista à mesa: o verdadeiro valor do dinheiro está em prover liberdade. Podemos ver o dinheiro de várias formas – um recurso escasso ou abundante, medida de poder, ganância – mas é na liberdade individual provida através da renda passiva que obtemos o melhor uso dele.

Enxergar o dinheiro como uma medida de liberdade nos auxilia a enxergar os objetivos de forma melhor, mas e se tivéssemos a possibilidade de obter puramente a liberdade independente do dinheiro – seríamos mais felizes? Segundo um estudo realizado nos Estados Unidos em 2016, a resposta parece ser sim. Será que isso significa que não devemos, então, procurar por dinheiro e repensar por inteiro nossos objetivos FIRE? Não exatamente, mas os insights desta pesquisa nos agregam considerações interessantes para agregar na nossa jornada.

Vejamos mais neste post.

Continuar lendo “O que dá mais felicidade: dinheiro ou liberdade?”