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Podcast do Pinguim – o custo das coisas é por uso, não tempo

Quem nunca viu algum rodízio de beira de estrada ou num lugar onde não costuma passar anunciando uma promoção imperdível: só por hoje R$30. Você mede mentalmente a sua fome, capacidade de comer contra o preço que pagaria se pedisse a mesma quantidade num restaurante a quilo e conclui: hoje vou dar prejuízo para esse local.

Sabemos como esta história termina: sensação que a barriga irá explodir, azia, sonolência e – surpresa – nenhum prejuízo para o dono do restaurante. Ele já havia considerado o custo até mesmo de casos extremos no restaurante e incluiu tudo na conta que você pagou, pois sabe que o custo das coisas é por uso, e não tempo de utilização.

Quando temos algo como um carro, ficamos tentados a pensar que uma vez que o compramos temos mais é que utilizá-lo para “recuperar o investimento.” Porém, o efeito de utilizá-lo é justamente o contrário: só irá aumentar o seu custo ao longo prazo (gasolina, pedágio, estacionamento, seguro). Se você conseguir enxergar este conceito mais vezes na sua vida, poderá reduzir significantemente seus custos corriqueiros de vida. Veja como isso acontece neste episódio.

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O poder da Gratificação Atrasada para a sua vida financeira

Quando se trata de desenvolvimento pessoal e financeiro, temos algumas “super armas” que nos auxiliam para alcançarmos nossos objetivos. Uma das mais poderosas no seu arsenal é a gratificação atrasada.

De forma simples, através dela você aprende a recusar uma gratificação imediata em busca de uma recompensa maior a longo prazo. Alternativamente, é a forma de trocar uma gratificação danificante a curto prazo pelo bem maior a longo prazo.

Se você não está contente com a sua forma física atual, você poderia comer um chocolate e amenizar a dor temporariamente, sem benefícios ao longo prazo. Ou você poderia começar a se exercitar e, com o tempo, ver a sua forma melhorar.

A gratificação atrasada é poderosíssima quando utilizada como gatilho financeiro pois tem sinergia com os objetivos de longo prazo necessários para as finanças e investimentos. Utilizada da forma correta, ela pode se tornar uma grande aliada. Veja neste vídeo como.

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Qual o custo que o seu orgulho tem nas suas finanças?

Quando se trata de dinheiro, invariavelmente pensamos sobre questões de poder e liberdade pessoal que o dinheiro pode vir a trazer. Não há nada de errado com sonhar – de fato, é o que nos leva cada vez mais longe durante o nosso planejamento.

Quando o nosso próprio orgulho se envolve no processo, porém, temos que tomar uma camada de cuidado a mais. Isto é porque as emoções oriundas do orgulho podem acabar tomando o controle das nossas próprias decisões financeiras, acabando com o planejamento e racionalidade por trás dele.

Neste vídeo, mostro um exemplo de uma leitora que, por vontade de morar fora da casa dos pais, arriscaria viver a vida numa corda bamba de 250 reais ao mês. Será que o orgulho dela justifica realmente os custos?

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Enriquecer precisa ser um Sacrifício?

Quando investimos, sem dúvida nosso maior inimigo é nós mesmos, especificamente nossas emoções – que jogam contra nós quando precisamos ser racionais e tomar decisões calculadas.

Muitas vezes, elas nos impedem até mesmo de começar a investir por medo ou a sensação que estamos “deixando de aproveitar” ao investir o dinheiro ao invés de gastá-lo.

Na realidade, porém, nada poderia ser mais distante da verdade. Investir nunca deve significar sacrifício.

As sensações de segurança, prosperidade e conforto que provém de um portfólio avançado de investimentos são razão mais do que suficiente para “acalmar” qualquer um destes pensamentos de medo que podem surgir. E na prática, você não está se privando da oportunidade de gastar e aproveitar – você pode separar os horizontes e escopos dos investimentos que faz. Um exemplo seria aportar 50% para longo prazo (aposentadoria, etc), e 50% para curto prazo (viagens, uma compra grande, faculdade ou curso, etc).

Descubra neste vídeo como você se prepara mentalmente para lidar com estas tentações emocionais sobre investir e poupar.

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Sobre o Adultear

Sem dúvida um dos maiores desafios da vida é se preparar para a vida adulta. Tenho certeza que você também passou por tempos turbulentos durante a fase dos 18 aos 20 anos de idade, quando a escola estava para se acabar e as escolhas da vida adulta começaram a aparecer na sua frente, demandando ação direta: qual vestibular vai prestar? Qual faculdade você vai? Quando vai tirar a carteira de motorista? Qual carreira vai seguir no emprego?

Até então a sua vida era sempre o mesmo esquema: ir à escola, fazer o dever de casa, passar nas provas e talvez fazer os cursos extracurriculares à tarde. Todas as demais decisões eram gerenciadas por outras pessoas na sua vida, como pais, professores e diretores de escola. De repente, quando os 18 anos chegaram, você se tornou o único responsável, o piloto da sua própria vida. E você deve assumir o controle rápido porque as decisões estão só aumentando.

Entre mortos e feridos, todos nós sobrevivemos este período conturbado. Embora alguns olhem para este período com arrependimento, temos que nos lembrar que foram estas mesmas escolhas que trouxeram todas as nossas vitórias até agora. Elas são um motivo para nos orgulharmos. Porém, há de se dizer que poderia ter sido melhor. A falta de disseminação de conhecimento financeiro é um grande cúlprito entre a desinformação generalizada do período.

Nós podemos fazer da fase de “adultear” uma fase melhor para as próximas gerações, e neste post explico como isso pode ser possível se focarmos em ensinar conceitos mais práticos e sólidos. Talvez algumas das opiniões aqui soem um pouco controversas ou extremas, mas o importante é considerá-las – não necessariamente seguí-las. Se você possui filhos, este post pode lhe ajudar na hora de ver os ensinamentos que os passará quando a época chegar.

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Resolvendo a curto e longo prazo

No decorrer da rotina diária da cidade, temos aquela impressão que sempre estamos na correria. Não tenho tempo para isso, não vai dar para fazer aquilo. Estou ocupado, me desculpe. Quem tem tempo para cuidar disso, diante da correria da vida moderna? Desculpa, não tive tempo para ver isso.

Quem nunca viveu por estas situações desde adulto? Enquanto nossa percepção é relativa, e muitas vezes a falta de tempo é simplesmente a vontade de fazer coisas demais, ela nos leva a acreditar que temos que resolver nossos problemas da maneira mais rápida possível a fim de nos economizar tempo para outras tarefas importantes.

Infelizmente, este mindset de operar sempre no ambiente mais próximo pode ser exatamente a razão pela qual os problemas diários se tornam recorrentes. Essencialmente, ao optar por uma solução a curto prazo, frequentemente estamos sacrificando uma solução definitiva eficiente por uma paliativa que nos custa menos tempo ou esforço.

Ao pensarmos sempre no imediatismo, naquilo que nos facilitará imediatamente, estamos simplesmente resolvendo uma ocorrência a curto prazo, mas deixando de solucionar a causa do problema maior ao longo prazo. Ao fazer isto, uma pessoa essencialmente tenta tapar o sol com a peneira, porque o tempo que ela passará resolvendo o mesmo problema corriqueiramente seria o tempo que ela poderia ter utilizado para resolver a causa-raíz do problema de uma vez para sempre.

Esta dualidade infelizmente também se reflete no âmbito financeiro. O imediatismo nos causa a “apagar nossos incêndios” financeiros com soluções paliativas que muitas vezes se tornam problemas consequentes em si mesmas – pense nas consequências que um empréstimo não pago pode ter. Como, então, podemos nos resguardar destas situações perigosas e sermos mais eficientes com nossas soluções ao longo prazo? Vejamos neste post.

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Você tem medo de aprender?

Há uma razão pela qual a maioria dos blogs de finanças pessoais incluem seções sobre o desenvolvimento pessoal. O próprio Pinguim Investidor é assim. E esta é que para a pessoa ter seu despertar da educação financeira, ela precisa de um conceito central que inicia o processo: o desejo de aprender.

Podemos ver que todos inovadores, empreendedores e outras pessoas bem-sucedidas possuem este traço comum de personalidade, e assim conseguem prosseguem se aperfeiçoando a cada dia para um sucesso constante. As formas disponíveis para aperfeiçoar são várias, e hoje são muito mais diversificadas e disponíveis do que nunca: conteúdo gratuito na internet, cursos online, seminários, livros e ebooks, etc. Porém, existe um elemento comum por trás de todas as formas disponíveis de aprendizado: uma pessoa mais experiente que compartilha o seu conhecimento.

Quando se fala de investimentos, existe uma curiosidade enorme para aprender, mas recursos didáticos nem sempre conseguem atender à demanda das pessoas, especialmente quando hoje muitas pessoas começaram a investir com a alta da bolsa.

Infelizmente, por ser um nicho tão específico e tradicionalmente fechado, muitos iniciantes com perguntas naturalmente ingênuas acabam recebendo atravessadas ou as vezes até como piada. E quando este é o caso, nosso espírito natural de querer aprender é desencorajado, e algumas vezes se apaga nos fazendo desistir.

Se você teve alguma experiência ruim ao tentar aprender uma coisa nova, leia este artigo até o final.

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Kit de Sobrevivência Japonês e o planejamento financeiro

O Japão está localizado exatamente em cima do que é conhecido geologicamente como o Círculo de Fogo do Pacífico, e com isso possui uma incidência grande de terremotos naturalmente. Além disso, está situado num corredor de tufões, onde durante o verão as águas aquecidas do Pacífico geram vários tufões todos os anos. Em meio a tantos desastres naturais, o cotidiano e estilo de vida da população não poderiam sair completamente ilesos. A preparação e as contramedidas estão construídas dentro da infraestrutura do país, nos prédios, ruas e casas.

Esta influência também leva a população a aderir à preparação como parte da sua rotina. Uma das preparações recomendadas é que cada residência mantenha um Kit de Sobrevivência pessoal, cuja função é garantir a sobrevivência dos residentes por até 72h sem assitência caso algum desastre os force a abandonar a casa. Este kit de sobrevivência é parte da cultura local, e há vários guias online com instruções de como você pode construí-lo, com quantidade variável de recursos.

Não posso deixar de enxergar a semelhança entre este kit de sobrevivência com a tradicional reserva de emergência recomendada de praxe na educação financeira. Ambas são necessárias para situações inesperadas, imprevisíveis, e existe mais de uma forma de criá-las dependendo da sua situação pessoal, e nem sempre é todo mundo que se prepara corretamente quando a tragédia bate. No ano de 2019 apenas, dois tufões (Faxai e Hagibis) causaram grandes danos em Tokyo em um espaço de tempo relativamente curto, uma ocorrência incomum na região, e que mostrou que a emergência nem sempre é uma probabilidade remota.

O que podemos aprender com o kit de emergência japonês, e como isso aplica à nossa própria preparação financeira?

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Educação Financeira #5 – o Dinheiro e a ilusão do valor

“Eu não invisto na bolsa porque não quero perder dinheiro quando o mercado cair.”

No caminho da educação financeira, muitos mitos são destruídos e novos conceitos aprendidos. Alguns são simples e fáceis de serem absorvidos, mas outros são contra-intuitivos ao conhecimento financeiro e levam mais tempo para serem realmente compreendidos. Crenças financeiras, por exemplo as que “o dinheiro é a raíz de todos os males,” ou que “o dinheiro corrompe as pessoas,” são parte de nossa educação desde pequenos e levam tempo para serem desfeitas. Igualmente, compreender que o ato de investir para independência financeira não tem um prazo estipulado também não é rapidamente aceitável em nossa sociedade imediatista.

Um conceito que inicialmente foi difícil de compreender, mas a cada dia que passa se torna mais verdadeiro é o seguinte: o dinheiro é mais ilusão do que real. Li sobre este conceito pela primeira vez no livro Pai Rico, Pai Pobre do Robert Kiyosaki, onde ele menciona que uma das diferenças entre os ricos e os pobres é que Os ricos sabem que o dinheiro é uma ilusão.

No livro, Kiyosaki usa como exemplo deste conceito o fato que ele conseguiu comprar e vender um imóvel por um grande lucro usando apenas um empréstimo bancário e seus contatos de negócios, nunca vendo o dinheiro em si durante a transação, mas eu acredito que o conceito é vai além disso. Enxergar o dinheiro não como dinheiro em si, mas como uma forma de obter liberdade, por exemplo, é uma forma poderosíssima de treinar a sua mente para enriquecer e obter segurança e independência financeira.

Além disso, nossa percepção de risco, valor e utilidade do dinheiro é um diferencial enorme na hora de saber utilizá-lo ou se preparar contra as oscilações da bolsa e outras coisas situações adversas na sua vida.

Como ver o dinheiro como uma ilusão pode te ajudar a investir melhor?

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Qual é a cara que o sucesso tem para você?

Nós adeptos do FIRE estamos acostumados a ter planejamento, metas e objetivos bem-calculados que utilizamos para focar nossos esforços e nos guiar durante a execução. Ter estes objetivos financeiros nos auxilia e nos motiva a continuar no caminho quando temos dificuldade ou nos falta motivação. Começando do despertar financeiro e amadurecendo nossa educação financeira, temos um plano e objetivo financeiro bem definido, nos guiando como um farol no horizonte.

Para muitos, porém, esta certeza e constância pode não ser tão exata quanto os números de patrimônio que obtemos através da Regra dos 4%. Muitos ainda estão condicionados através de seus arredores e a sociedade para seguir algum tipo de modelo pré-fabricado de vida: estudar, fazer faculdade, arranjar um trabalho no nível mais baixo, trabalhar e subir na hierarquia gradativamente, criar uma família, se aposentar como diretor e se aposentar na velhice. Ou entram na onda do materialismo e assim que o primeiro salário cai, a corrida de gastos começa: comprar o primeiro carro, financiar a primeira casa, trocar de carro assim que a primeira promoção acontece, reformar e/ou trocar de casa, enquanto usam cada lacuna de folga para participar de viagens para longe e de duração curtíssima apenas para produzir fotos bonitas para o Instagram. Tudo isso enquanto suas finanças derretem.

Não podemos apontar dedos para quem segue estes “roteiros” cegamente porque, de uma forma ou de outra, até quem é FIRE regrado não tem seus objetivos de vida 100% definidos. Ao passo que muitos se esquivam da velha pergunta sobre “o que é o sentido da vida,” é prudente fazer este questionamento conosco mesmos de vez em quando. Além de nos trazer uma boa oportunidade para trazer consciência em nossas vidas, a verdade é que se você não descobrir qual é a sua própria definição de sucesso, outra pessoa irá definí-lo por você – e usar isso para te vender seus produtos.

E embora não queremos mergulhar em filosofia teórica eterna, temos que pensar nesta definição com uma certa regularidade. E isso pode ser feito respondendo uma pergunta simples: qual é a cara do sucesso para você?

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