Como a Finlândia ensina a ser feliz, e o que você pode aprender com isso

Os países nórdicos são tidos por muitos como modelos ideais para uma sociedade. Desenvolvimento Humano, liberdade, baixíssima percepção de corrupção e outros valores são presentes em suas sociedades, e isso lhes traz retorno; a Finlândia, por exemplo, foi rankeada o país mais feliz do mundo pela segunda vez consecutiva em 2019.

Certamente a Finlândia soube capitalizar em cima deste fato. Há um programa de turismo promovido sob a tagline Rent a Finn, onde você pode contratar um “especialista em felicidade” como o seu guia turístico para conhecer o jeito Finlandês de ser feliz. E, há alguns meses atrás, tal programa foi viralizado quando foi anunciado que tal programa seria disponibilizado de graça para alguns poucos sortudos que fizessem os melhores vídeos explicando porque mereciam ganhar a campanha.

O deadline para esta campanha infelizmente já passou. Porém, as lições da Finlândia continuam disponíveis, de graça, para você; basta apenas que você comece a ver a vida sob os mesmos olhos que os felizes Finlandeses. Pra mim, muito do que eles praticam e ensinam reverberam com o estoicismo.

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Quebrando a barreira dos 50%

Na foto de capa: Bell X-1, avião experimental movido por motor de foguetes que foi o primeiro a quebrar a barreira do som em 1948.


Como anoto os meus gastos todos os dias, tenho ciência total sobre o que gasto e no que eu gasto. Esta mudança sutil de hábito me levou a descobrir alguns insights interessantes sobre os meus próprios hábitos que documentei num post anterior. Na época, havia comemorado quando vi que pela primeira vez na vida documentada, havia conseguido economizar mais do que 40% do salário líquido, então minha meta mensal, o que me parecia extremamente ambicioso na época.

Avançando alguns meses após esse marco, fechei o relatório de Abril e tive mais uma outra elegante surpresa: 55% do salário mensal aportado para investimentos. Não consegui acreditar meus próprios olhos no começo, mas logo entendi o que se passava: quebrei a barreira dos 50% pela primeira vez, e meu aporte foi finalmente maior do que os meus gastos.

Todos os meus gastos (aluguel, condomínio, e contas inclusas) < 50% do meu salário.

Awesome! Como descrito por Jacob L Fisker em seu livro, eu tecnicamente não precisaria trabalhar o mês seguinte.

Comemorei silenciosamente o feito comigo mesmo e logo depois comecei a refletir: o que foi de diferente desta vez? Mudou alguma coisa do meu mindset? Este post descreve algumas das coisas que aprendi.

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Reflexões: como economizar 45% do salário

Update: novo marco de 50% do salário economizado alcançado!


Todo começo de mês é um ritual pra mim. Fecho os números dos gastos que tive no mês inteiro, analiso o que gastei, com o que gastei, e reajusto o budget para o mês seguinte com a experiência obtida. Talvez a minha estratégia de manter um orçamento seja um papo para um outro post completo, mas o que me supreendeu desta vez foi olhar o número final da planilha: 45% do salário total economizado. 45% de aporte mensal total.

Estive com a meta de economizar 40% do salário já há um tempo, e parece que desta vez a barreira foi quebrada finalmente. Não foi um acontecimento de uma hora pra outra; comecei o mês achando que seria igual aos anteriores e não bateria a meta mas lá para o final consegui ver que as contas se fechariam ao meu favor. Na última semana, tive a certeza exata que não só bateria a minha meta, mas conseguiria inclusive ultrapassar e economizar ainda mais acima dela. Aqui estão alguns insights que tive nesta aventura.

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O difícil caminho para o Minimalismo

Embora não seja um aspecto 100% necessário para atingir a Independência Financeira, muitos adeptos acabam aderindo ao minimalismo como efeito colateral de economizar dinheiro e evitar comprar bens supérfluos e passivos. A sinergia que se desenvolve é incrível: o minimalismo alimenta a ideologia da frugalidade e instiga o pensamento crítico (preciso disso para viver?), enquanto que a frugalidade e investimentos aplicados geram a escassez de recursos que tentariam o indivíduo a ignorar o minimalismo e comprar bens materiais (já gastei todo o dinheiro em investimentos, não posso comprar essa camisa).

Eu listo o minimalismo dentre os seus objetivos de vida, mas ainda não tive oportunidade de abraçá-lo completamente, e de certa forma acho que estou até longe disso. Não vejo este fato como um problema – muito pelo contrário, a experiência e aprendizado até agora são incríveis – mas reconheço que existem algumas coisas que ainda me seguram contra atingir o objetivo. Aqui estão algumas das barreiras que ainda me têm segurado nessa jornada.

O(a) parceiro(a)

A pessoa que te acompanha na vida pode tanto te dar um boost ou te ancorar firmemente dependendo dos conflitos de personalidade da relação.

Sra Pinguim e eu concordamos em muitas coisas a respeito da frugalidade, mas parece que no espectro do minimalismo eu continuo sendo um pouco mais extremo. É difícil convencer, por exemplo, da irracionalidade de se ter uma casa muito grande pra poucas pessoas, de não precisar de muitas roupas (moda básica é apropriada para qualquer situação), de como um ter um carro é mais caro que alugar ou pedir táxi na cidade grande…

Parece que convencer a aderir ao estilo de vida vai demorar mais que eu pensava, mas estou a caminho.

A paixão de criança

Todo mundo tem a sua. E você sabe do que eu estou falando; aquela paixão irracional que você tem desde que era pequeno por carros, ou computadores, celulares, etc e que quando você vê mais um desses na vitrine, inevitavelmente quer tê-lo.

No meu caso, essa paixão é computadores. Em parte por causa do Linux, desenvolvi um instinto de querer “salvar” computadores instalando Linux neles. E nem por isso preciso comprá-los, as vezes faço isso com computadores antigos mesmo que todo mundo já achava que estavam perdidos. Embora não seja exatamente destrutivo ao meu patrimônio, esse hábito incentiva o acúmulo material e é contra-intruitivo ao minimalismo. Ultimamente tenho tentado mitigar esse hábito usando máquinas virtuais, mas volta e meia me bate a vontade de adquirir mais um computador de graça quando alguém reclama que o seu está “ficando velho” ou virou uma porcaria.

Os vícios

Novamente, todos temos um. Muita gente, por exemplo, fuma.

Ah, mas você não fuma? Então bebe.

Não bebe? Come chocolate.

Não come? Toma café.

Não toma? Joga algum joguinho no PC.

Não joga? Assiste Netflix.

Não assiste? Sai pra comer fora nos fins de semana.

Etc. No fundo, você também tem algum hábito láaa dentro que tem pouco controle sobre e é destrutivo ao seu patrimônio. O meu é o café, e tenho tentado diminuir ou segurar a vontade bebendo chá, e até mesmo água. Tem funcionado incrivelmente bem.

A compania / pressão popular

Chega sexta-feira a tarde, lá vem o papo no escritório: qual a boa da noite? E quanto menos você espera lá está no bar lotado e barulhento, bebendo cerveja de qualidade ordinária por preço absurdo no meio de um monte de gente que nem se importa com você. Tchau, aporte!

Essa onda do todo mundo afeta os bens materiais também. A pressão popular te leva a comprar tênis e roupas novas, acessório pro carro, celular novo, etc. E o pior é que não vem das outras pessoas, e sim da sua própria psicologia querendo fit in na popularidade do grupo. É difícil se blindar contra esse tipo de pressão, mas o estoicismo tem me ajudado muito com isso.

A sugestão sutil

Finalmente, as vezes você está sozinho, sem pressão de grupo algum, mas se depara com uma oferta ou algum impulso sutil que faz você tropeçar numa compra e gastar o dinheiro.

Não é fácil resistir a estes impulsos, mas o que você pode fazer é reduzir ou até eliminar a sua exposição à tentação. Pare de ir ao shopping. Instale um bloqueador de anúncios no navegador (recomendo uBlock Origin). Assista menos filmes e mais documentários, ou pare de assistir mídia passiva e leia livros.

Metas do Pinguim pro Minimalismo

Vou começar com o maior desafio de todos: vou tentar não comprar nada que não seja crítico para a minha subsistência no mês de Dezembro, e o ano de 2019. Minhas compras terão de ser justificadas como crucial ao ponto de que se eu não as obtê-las, irei morrer, caso contrário não serão compradas.

Um desafio menor será contar a quantidade de vezes que uso cada coisa na minha casa no decorrer de um mês inteiro, bem parecido com como faço para monitorar meus gastos. O objetivo será obter um registro de frequência de uso dos meus bens materiais e ver o que realmente é supérfluo na vida, o que me traz valor e o que pode ser substituído. Se alguma coisa tiver sido usada zero vezes no fim do experimento, vai ser candidata forte para ser doada ou descartada da minha vida.

Não prevejo isso como sendo fácil em nível algum, mas, novamente, nada sobre a IF é exatamente fácil…

E você? É adepto ao minimalismo? Tentou e não conseguiu? Conta aí nos comentários!

Abraços!

Atenção: Hedonismo mata (e te empobrece no processo)

Em Junho deste ano, a designer de moda Kate Spade, fundadora da marca de bolsas femininas que carrega seu próprio nome cometeu suicídio em Nova Iorque aos 55 anos de idade. Spade, que na época morava em Manhattan, comandava desde 1993 uma empresa com mais de 175 lojas mundialmente e possuía mais de 200 milhões de dólares em patrimônio pessoal, batalhava a depressão já há algum tempo, que culminou no suicídio em questão – completo inclusive com um bilhete final endereçado à filha.

Resumidamente, foram 25 anos de trabalho e 200 milhões de dólares para… literalmente nada.

O ditado “dinheiro não traz felicidade” é das antigas, mas nas décadas recentes caiu no esquecimento quase que total em parte por causa da necessidade de ostentação compulsiva na sociedade contemporânea. São necessárias notícias como essa para relembrar o pessoal quão frágil é o estilo de vida centrado ao consumismo, mas um lado que não é mostrado por estas é a razão pela qual o ditado é verdadeiro: a adaptação hedônica.

A procura infinita da felicidade

O Hedonismo é a filosofia que prega a procura dos prazeres da vida. Segundo os hedonistas, se existem momentos bons e ruins na vida, nós devemos maximizar o tempo passado com os bons e minimizar os ruins. Isso soa como uma boa estratégia, até o momento de traduzí-la para o contexto atual.

Seriam os tais prazeres da vida fazer um piquenique simples no parque na beira do lago com a família? Não no século 21. Que tal uma casa pequena e confortável numa cidade pacata e tranquila? Os 30-e-poucos com carreira crescente de hoje discordam. Frutas frescas pra comer? Só se forem orgânicas vindas do Hortifruti. Tranquilidade mental? É melhor ter 1000 likes na rede social.

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O maior perigo, porém, não é o hedonismo em si, mas a sua combinação com a natureza humana de se adaptar às condições que nos cercam. Essencialmente, como a sociedade igualou felicidade com demonstrações materiais de riqueza, acabamos sempre querendo, ou até precisando de mais. Assim, o feijão com arroz e ovo que enchiam a barriga perfeitamente há alguns anos atrás hoje não te apetecem mais – você quer salmão defumado e bifes suculentos. O carro de 5 anos atrás, que para qualquer propósito no ponto de vista prático está em perfeitas condições, não te presta mais e você está olhando um novo. A casa que te aconchegou e protegeu desde criança não conforma mais ao seu estilo de vida “superior.”

Mas esta insaciação não é boa para o seu crescimento e desenvolvimento pessoal? Absolutamente. Para o seu padrão de vida financeiro? Um veneno lento que te levará ao túmulo, one step at a time.

Enquanto as vacas parecem gordas e, pior, eternas, a pessoa não vê nenhum problema com a filosofia. Quais são as piores coisas que poderão acontecer com este estilo de vida?

A primeira, e mais fácil de acontecer, é as finanças não acompanharem os desejos, causando uma dívida eterna e inalcançável.

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A famosa “rat race” dos anglofônicos

A segunda, se sua vida financeira “der certo,” é seguir os passos da Kate Spade e se afogar numa vida transbordando de grana graças ao veneno do hedonismo.

Existe alguma alternativa?

O estoicismo é uma das filosofias de vida que combate a adaptação hedônica. Em suma, prega o seguinte: aprenda a apreciar o que você tem através da consideração que tudo isso pode a qualquer momento ser perdido. Desta forma, sua felicidade é lastreada no que você já possui, e você não no que você deseja.

O praticante do estoicismo não enxerga o copo meio vazio, nem meio cheio; ele simplesmente enxerga… um copo!

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Credit: SachaChua.com – ps: blog excelente!

Enxergando as coisas atuais que se possui no momento e como elas poderiam ter sido muito piores se algo tivesse dado errado ou alguma circunstância fosse diferente no passado causa o praticante a ser muito mais agradecido pela vida que possui e, conversamente, mais feliz.

Não digo que o estoicismo é a filosofia de vida perfeita, nem que é a mais apropriada para você. Na minha própria experiência, envolve realizar amadurecimento psicológico e uma disciplina intensa que muitos não estão dispostos a praticar. Mas pelo menos, neste quesito, oferece uma alternativa que não depende de consumo compulsivo e descontrolado como uma droga para receber felicidade.

Abraços!