O dinheiro não compra felicidade, mas…

Dinheiro não traz felicidade!
O dinheiro corrompe as pessoas! Ele não vai te trazer sentimentos genuínos e significantes!
Você não vai poder levar o dinheiro consigo depois da morte.

Atire a primeira pedra quem nunca ouviu alguma coisa do gênero. Crenças limitantes e destrutivas do dinheiro, idéias que mentalmente limitam a sua capacidade de enriquecer são basicamente parte do cotidiano daqueles que não conhecem o verdadeiro valor do dinheiro em trazer liberdade. Ao mesmo tempo, temos uma reação defensiva de deboche quando confrontados com uma situação envolvendo muito dinheiro, como bilionários velhos se casando com pessoas jovens de origens humildes.

Embora precisemos policiar nossas percepções para não limitarem quanto aquilo que acreditamos ser possível, temos que admitir que ainda assim existem coisas abstratas que o dinheiro não consegue comprar diretamente: felicidade e amor, por exemplo. Alguns componentes cruciais da felicidade humana não estão à venda, e esta pode ser a explicação por trás das várias histórias de milionários que caem em depressão ou até se suicidam. O dinheiro, por mais que um superpoder, ainda não é onipotente.

Ainda assim, uma proposta que parece desafiar este conceito recentemente chocou a internet: um bilionário japonês chamado Yusaku Maeda lançou em Janeiro deste ano um concurso mundial para escolher sua parceira para juntar-se a ele no primeiro voo interplanetário comercial da história. Maeda está tão confiante no potencial deste concurso para encontrar-lhe o par perfeito que colocou condições específicas e datas limites em cada parte do processo seletivo; as vagas para aplicação inclusive já se fecharam no dia 17 de Janeiro. E ele tem pressa: ao final de Março 2020 já podemos esperar que a felizarda seja escolhida.

Será que o dinheiro se tornou capaz de comprar até isso, o amor? Só a história entre os dois pombinhos dirá. Enquanto isso, a maioria de nós pode abstrair de casos excepcionais como o de Maeda, e focar ao invés disso em outra coisa muito mais realista que o dinheiro pode trazer para você, eu e todos: capacidade.

Qual é o papel do dinheiro utilizado, e por que casos como o de Maeda possuem tanto apelo emocional para as pessoas?

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Educação Financeira #5 – o Dinheiro e a ilusão do valor

“Eu não invisto na bolsa porque não quero perder dinheiro quando o mercado cair.”

No caminho da educação financeira, muitos mitos são destruídos e novos conceitos aprendidos. Alguns são simples e fáceis de serem absorvidos, mas outros são contra-intuitivos ao conhecimento financeiro e levam mais tempo para serem realmente compreendidos. Crenças financeiras, por exemplo as que “o dinheiro é a raíz de todos os males,” ou que “o dinheiro corrompe as pessoas,” são parte de nossa educação desde pequenos e levam tempo para serem desfeitas. Igualmente, compreender que o ato de investir para independência financeira não tem um prazo estipulado também não é rapidamente aceitável em nossa sociedade imediatista.

Um conceito que inicialmente foi difícil de compreender, mas a cada dia que passa se torna mais verdadeiro é o seguinte: o dinheiro é mais ilusão do que real. Li sobre este conceito pela primeira vez no livro Pai Rico, Pai Pobre do Robert Kiyosaki, onde ele menciona que uma das diferenças entre os ricos e os pobres é que Os ricos sabem que o dinheiro é uma ilusão.

No livro, Kiyosaki usa como exemplo deste conceito o fato que ele conseguiu comprar e vender um imóvel por um grande lucro usando apenas um empréstimo bancário e seus contatos de negócios, nunca vendo o dinheiro em si durante a transação, mas eu acredito que o conceito é vai além disso. Enxergar o dinheiro não como dinheiro em si, mas como uma forma de obter liberdade, por exemplo, é uma forma poderosíssima de treinar a sua mente para enriquecer e obter segurança e independência financeira.

Além disso, nossa percepção de risco, valor e utilidade do dinheiro é um diferencial enorme na hora de saber utilizá-lo ou se preparar contra as oscilações da bolsa e outras coisas situações adversas na sua vida.

Como ver o dinheiro como uma ilusão pode te ajudar a investir melhor?

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Conhecer o seu dinheiro é o primeiro passo para se tornar financeiramente independente

O caminho para a independência financeira pode ser dividido em três grandes fases principais: o despertar, a acumulação e a realização. Cada uma delas representa um estágio de maturidade do investidor, e as prioridades variam entre um e outro. Como um leitor ávido de história do mundo, eu sempre tive uma admiração pela primeira fase do despertar; como as pessoas descobrem o FIRE, a educação financeira, o que abrem os olhos delas?

Na minha opinião, é nesta fase do descobrir que o resto da jornada FIRE da pessoa é traçado, pois é quando os objetivos e os drivers que motivam as pessoas são traçados e – igualmente importantíssimo – sonhados. Mas para que a jornada comece, é necessário saber onde você se encontra no caminho para começar. Quão longe você está da linha de chegada? Será que você precisa “arrumar a casa” antes de sair e pegar a estrada?

Hoje venho a compartilhar mais uma história pessoal do Pinguim Investidor e falar mais sobre o meu próprio momento de despertar do FIRE e uma lição importantíssima que eu aprendi com isso: conhecer o seu dinheiro é o primeiro passo para aprender atingir a independência financeira.

Como ter conhecimento da sua situação financeira é a melhor forma para iniciar a sua jornada para o FIRE? O que podemos aprender com isso? Vejamos a seguir.

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Feliz dia Mundial da Poupança!

Saudações, investidores! Outubro é o mês da virada do tempo; no hemisfério sul, temos o começo da primavera deixando o inverno, e no norte, o tempo começa a esfriar com o outono. Esse friozinho indica a época das colheitas e, com o escurecer mais cedo, vem também o feriado do Halloween no dia 31, o dia das bruxas nos países anglofônicos. A tradição se tornou tão popular e festejada, porém, que muitos outros países na Europa e o mundo adotaram a tradição, e hoje vemos comemoração de Halloween em países onde nem Outono é, como no Brasil (o que é uma jogada de marketing genial).

Para mim, porém, esse dia tem um significado mais importante, poreḿ menos conhecido: o Dia Mundial da Poupança. É isso mesmo; um dia onde se celebra – mundialmente – o ato de poupar! Acredito que não existe uma celebração que combina mais com a finansfera que esse. E para quem acha que esta é uma celebração recente, pense de novo: ele é celebrado desde 1924, quando foi acordado na Europa entre vários economistas e banqueiros..

É meio irônico que em meio ao consumismo do Halloween (festas, bebidas, tematização), temos um dia vizinho frugal que glorifica justamente o aporte. O que podemos aprender com esta celebração tão mais produtiva e útil do que o Halloween?

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Educação Financeira #4 – o feedback positivo e a origem das bolhas

História era uma das minhas matérias favoritas na escola. Sempre tive uma certa fascinação por eventos determinantes da história humana. Era fascinado pelos grandes eventos que causavam mudanças astronômicas nos destinos das nações, como guerras, batalhas, sucessões de governos, mudanças climáticas e crises econômicas.

E assim, desde que estudei o crash da bolsa de Nova Iorque em 1929, fiquei interessado em aprender mais sobre as causas e efeitos das crises econômicas na geopolítica mundial. Como é que pequenas mudanças encadeadas, pequenos erros acumulados ao longo do tempo podem mudar a rota da civilização do mundo? Estes estudos me fascinaram.

Avançando para o mundo presente, me tornei investidor e me encontrei numa posição onde estava exposto aos riscos diretamente, e poderia sentir em primeira mão os efeitos da economia nas minhas finanças. Lendo bastante sobre o assunto, me deparei com o livro A Random Walk down Wall Street do economista Burton G Malkiel onde ele dedica o primeiro capítulo do livro para explicar sobre bolhas econômicas na história da humanidade, indo desde a primeira bolha recordada na história – a mania das tulipas na Holanda no século 17 – até as bolhas recentes dos anos 2000.

Malkiel sumariza em sua explicação que todas as bolhas financeiras podem ter suas origens traçadas de volta à uma aplicação de um feedback positivo errático e recorrente, que ilude os envolvidos a acreditarem que aquilo no que estão investindo e apostando é realmente o correto a se fazer.

Como este ciclo funciona e consegue carregar uma bolha para frente? E, talvez mais importante, como você entender a causa das bolhas e se preparar para não ser impactado por elas?

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"Egg" by Revolt on Unsplash

Educação Financeira #3: Investir não tem prazo

Qual o melhor investimento que posso fazer pra seis meses?

A alíquota do IR é muito significante pra menos de um ano?

Devo investir no Tesouro Selic ou IPCA+ 2035? Não sei se posso esperar tanto tempo!

Estas são as perguntas erradas a se fazer.

Quando iniciei no mundo dos investimentos, tinha várias concepções erradas quanto o que significava investir. Acho que todo mundo passa por essa fase de transição de sardinha querendo procurar bons rendimentos, etc até propriamente aprender a investir de forma correta.

Felizmente, esta época passou depois de ter tomado algumas bordoadas da comunidade de finanças pessoais, e formei os conceitos que tomo de base para as minhas decisões financeiras. Alguns conceitos eram simples e até mesmo óbvios, como diversificação dos ativos, risco x retorno, etc. Outros levaram muita reflexão e filosofia pra eu finalmente entender.

Um dos conceitos mais difíceis de aprender pra mim foi que investir não tem prazo e que você não deve se preocupar tanto com o prazo do investimento quanto com a sua liquidez.

Parte da dificuldade em entender isso se dá do fato que ele é a princípio extremamente contra-intuitivo com a crença popular – se eu investi hoje, tenho que receber daqui a algum tempo, certo? Neste post vou explicar como eu entendi este conceito, e como ele é fundamental para o investidor de longo prazo.

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Você consegue enriquecer só com investimentos?

A procura de muitos assim que aprendem sobre a educação financeira é investir. É o passo natural de quase todo mundo já que, de acordo com o triângulo do acúmulo patrimonial, é o único pilar desconhecido depois da renda e da economia. Unido a este espírito estão as notícias e posts sensacionalistas indicando como alguns fulanos de tais conseguiram “ganhar milhões na bolsa.” Embora as boas intenções, infelizmente a perseguição por investimentos e performance começa, atrapalhando o caminho até a independência financeira – e algumas vezes traumatizando o indivíduo que “perdeu tudo.”

A minha opinião é que enriquecer somente com os investimentos – especialmente no início – é altamente arriscado e ineficiente.

Isso é porque nem sempre o investimento é a melhor escolha. Dependendo da sua situação, é melhor direcionar o foco em outros processos que lhe poderão te providenciar um retorno melhor. Um exemplo disso que indiquei no meu post anterior é a quitação das dívidas; é melhor concentrar esforços para quitar todas as dívidas que você possui antes de começar a investir. Neste post explico sobre outros exemplos para você planeje melhor o seu caminho até a IF.

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Educação Financeira #2 – Como começar a Investir?

Abril é o mês da Educação Financeira no Pinguim Investidor! Veja mais posts desta categoria aqui.


No post passado, mostrei quais são os conceitos básicos na educação financeira. Vimos o que é cash flow, como se acumula o patrimônio até chegar na renda passiva, o que pode te possibilitar a atingir a independência financeira.

O investimento é central para atingir esta meta: sem ele não é possível obter renda passiva. Por isso, muitos ao descobrirem a educação financeira começam a focar toda as suas energias para o ato de investir, procurando estudar a fundo a melhor forma de investir, os melhores produtos e rentabilidades com menor risco.

Este approach não necessariamente é ruim, mas acaba por omitir alguns passos importantes do processo, que é a preparação antes do investimento. Desta forma, a pedidos de outro leitor, escrevi este guia rápido para explicar quais cuidados e preparação você deve tomar antes de começar a entrar no mundo dos investimentos.

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Educação Financeira #1 – O básico do básico

Abril é o mês da Educação Financeira! Seguindo o espírito, o Pinguim Investidor está voltando aos básicos e ensinando os fundamentos do caminho à independência financeira.


Um dos primeiros posts que coloquei no site é entitulado de “O que significa ficar rico, afinal?” Neste post expliquei o conceito da regra dos 4% e o que ela significa para alcançar o estado de “riqueza” mas percebi que talvez alguns fundamentos necessários para entender por completo não haviam sido esclarecidos no post. Então, a pedido de alguns leitores do blog, decidi voltar ao básico para esclarecer os conceitos básicos da independência financeira. Cada sessão desse post será expandida em um artigo dentro desta série.

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Abril: o mês da educação financeira

Sempre tem uma coisa especial com o mês de Abril. Quando você é criança, espera ansiosamente a Páscoa para se encher de chocolate. Tem uns feriados legais como Tiradentes e o descobrimento do Brasil. Ou então o Outono começa a trazer finalmente a brisa fresca pra finalmente poder desligar o ar condicionado. Ou, se mora no hemisfério norte, vem a Primavera florir a paisagem e derreter o gelo no chão.

Abril também significa obrigações fiscais no mundo inteiro. É engraçado, mas o mundo inteiro por algum motivo coordena a declaração de impostos ao redor deste mês, com a única diferença sendo qual dia do Mês isso ocorre. No Japão o ano fiscal começa já no dia primeiro. Nos Estados Unidos, geralmente é 15 de Abril, e no Brasil temos até o último dia pra fazer o notório IR.

Com tanto foco em finanças, proponho fazer de Abril o mês da educação financeira. Não vamos mais reclamar de Abril e os deadlines dos impostos, mas ao invés disso investir nosso tempo para aprender mais sobre finanças pessoais e aumentar nosso conhecimento.

Vamos arranjar soluções para quitar nossas dívidas, que já afetam quase 90% de todos os Brasileiros, e que nos levam a cada vez mais procurar empréstimos mais baratos ao invés de diminuir os gastos e aumentar a renda, que solucionaria o problema de uma vez por todas.

O primeiro passo para caminhar nesta direção é conhecer o assunto, mas infelizmente a maioria das pessoas (inclusive eu no passado!) ignora finanças por terem idéias pré-concebidas a respeito (dinheiro não traz felicidade, dinheiro é ganância, etc), ou por considerarem um assunto chato, sem interesse nenhum. Esta é a forma errada de pensar. Vamos fazer do desenvolvimento pessoal nossa fonte de sucesso.

Não precisa ser complicado, também. Quite suas dívidas. Junte 3 a 6 meses de custos de vida na poupança como reserva. Se chegar até aqui já está melhor que 90% da população. Aí sim comece a investir, ou nos títulos públicos ou leia mais sobre a renda variável, indo devagar e sempre, distribuindo os riscos.

E é isso aí. Durante o resto do mês, vou tentar postar mais coisas sobre este pilar crucial que é a educação financeira, então fiquem ligados

Ah, e enquanto isso, vamos tentar maneirar no ovo de páscoa? É um favor para tanto a sua saúde quanto pra sua carteira.

Abraços!