Como funciona a margem de segurança nos investimentos?

The three most important words in investing: Margin of Safety. – Warren Buffett.

Se você já leu alguma literatura sobre o Warren Buffett, é provável que já tenha ouvido falar do termo margem de segurança, um conceito tão fundamental sobre o jeito dele investir e uma estratégia crucial em diversos outros conceitos da vida. Desde o gerenciamento de riscos, planejamento financeiro pensando em reserva de emergência, e na sua própria alocação de ativos compondo sua carteira de investimentos, sempre há o conceito da margem de segurança por trás da sua estratégia, silenciosa mas certamente garantindo que você estará resguardado no caso do pior acontecer.

Buffett é provavelmente a figura mais famosa a referenciar tanto este conceito da margem de segurança, mas a verdade é que não foi ele o autor original desta idéia. Como quase tudo na história das coisas de sucesso, Buffett adaptou a idéia original criada pelo seu mentor Benjamin Graham, que teve que aprendê-la na marra após ver quase todo seu patrimônio derreter no Crash de 1929.

Lastreando-se em alguns conceitos simples, Graham e Buffett desenvolveram uma estratégia que ao longo do tempo se tornou extremamente eficiente para produzir retornos aos investidores, sendo provada novamente geração atrás de geração – inclusive até pela estrela do crash do Subprime Americano de 2008, Michael J Burry.

Como uma estratégia tão simples e tão antiga consegue até hoje trazer tantos retornos ao investidor? Como ela funciona? Vejamos neste artigo.

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Guest post Maluzeando Lettering: Cadê o Salário que estava aqui?

As ilustrações deste post são uma cortesia da Sra. Pinguim, que posta ilustrações diversas do cotidiano feminino em seu blog Maluzeando Lettering, e também no seu Instagram.

Quem nunca passou por uma situação dessas? No dia do pagamento se sente um rei ou rainha, aproveita o breve momento de riqueza para se esbanjar em seus desejos e logo percebe que todo o dinheiro foi embora e agora se encontra na mesma situação que começou. Que mais fazer senão esperar o próximo salário cair na conta para se sentir novamente rico e empoderado para tão naturalmente cair na mesma armadilha e repetir tudo de novo?

Esta é a conhecida rotina da tão famosa corrida dos ratos, a praxe pela qual a sociedade vive de consumir e trabalhar para consumir mais, e contra qual a finansfera luta para obter uma vida verdadeiramente livre. Ainda assim, há algumas nuances nesta história tão batida que as pessoas simplesmente não enxergam por estarem tão absorvidas e acostumadas nesta “rotina,” e a má notícia é que, se não conscientizadas, podem levar qualquer um ao desastre financeiro. Vamos analisar esta história mais a fundo.

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Aposentadoria móvel e flexibilidade – ainda podemos confiar na regra dos 4%?

A maior fraqueza dos adeptos à filosofia FIRE (acrônimo para independência financeira, aposentadoria precoce em inglês) é a mesma coisa que os torna poderosos em primeiro lugar: os seus investimentos. Quando seguimos a filosofia à risca, buscamos acumular patrimônio investido para obter renda passiva o suficiente para cobrir todos os nossos gastos de vida – numa condição conhecida como Independência Financeira. Um conceito simples, mas que revolve em torno de uma questão de ouro: quanto, exatamente, é necessário para isso acontecer?

Como praxe, utiliza-se uma famosa guia conhecida como regra dos 4%, descoberta inicialmente pelo americano William P. Bengen em 1996. O estudo de Bengen e o Trinity Institute concluiu que, historicamente falando, recém-aposentados poderiam sacar anualmente até 4% das suas carteiras de investimento sem ficar sem dinheiro durante o resto da vida. Este número ficou tão famoso que nomeou a regra, e ficou conhecida como taxa segura de retirada (TSR).

Por trás da brilhante simplicidade desta fórmula, porém, existem vários pressupostos ocultos que, embora comuns no ambiente estudado por Bengen, podem ser longe da realidade de um FIRE brasileiro. E quando sua estratégia inteira de aposentadoria se baseia nesta única fórmula, um erro de cálculo pode se tornar um desastre no longo prazo.

Durante o começo da crise do coronavírus em 2020, muitos corretamente se questionaram sobre a validade da regra dos 4% num ambiente econômico mais volátil e menos maduro como o Brasil, culminando com o post da Yuka do Viver Sem Pressa onde ela disserta sobre a necessidade da flexibilidade numa vida pós-FIRE no Brasil. E em meio a tudo isso, com a bolsa novamente se recuperando, a velha pergunta permanece: ainda podemos confiar na regra dos 4%, afinal?

A realidade é que, embora sua aplicabilidade seja duvidosa num cenário de países em desenvolvimento, ainda podemos utilizá-la como um guia para o nosso macroplanejamento financeiro. Veja neste post como.

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Mais um emprego não vai te salvar

Quando se trata do esporte favorito de todos, reclamar deveria estar rankeado entre um dos top 5. Infelizmente, a maioria pratica este hábito destrutivo com tanta naturalidade que ne chegam a perceber que estão de fato perpetuando o hábito. Reclama-se de tudo, da vida, da cidade, da política, da família e – acima de tudo – da situação financeira atual.

Tratando do assunto das suas finanças pessoais, a maioria acredita que, não importa qual a sua situação financeira atual, tudo seria melhor se simplesmente tivessem um emprego melhor. Um chefe mais compreensivo, uma rotina menos estressante, um local de trabalho mais acessível. Ah sim, e com certeza um salário maior. Elas predicam o se sucesso financeiro (ou falta de) num único fator fora do seu controle que é o trabalho e o salário recebido. Não só esta visão de dependência completa sobre o trabalho é extremamente limitante, mas ela também se torna o fator primário pelo qual elas passam a detestar o trabalho.

O grande problema é que, ao contrário do que as gerações anteriores acreditavam e seguiam, hoje em dia apenas um emprego melhor não vai salvar a sua vida financeira. Existem muitos fatores na atualidade que jogam contra você que simplesmente não existiam nas gerações passadas, que acreditavam em salários vitalícios, empresas perenes e um Estado “coruja” capaz de sustentar a todos. Uma população cada vez mais velha, competição cada vez maior e uma cultura de crescente outsourcing significa que o conceito de salário se torna cada dia menos poderoso e mais incerto quando se olha para o futuro.

Como, num cenário incerto e caótico como este, você deve então garantir a sua segurança financeira? A resposta, novamente, é: investindo.

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Ouro é investimento? E prata? E o dólar? E bitcoin?

Em tempos de crise, é comum que as pessoas percam a fé nos investimentos tradicionais da bolsa como ações e fundos imobiliários e comecem a pensar em maneiras de se proteger contra oscilações “arriscadas” do mercado. Nestas horas, tornam-se populares as medidas de hedging que os grandes gestores de fundos de investimentos adquirem para “amenizar” as quedas da renda variável, mas para amaior parte dos investidores pequenos e iniciantes, seus patrimônios não possuem alavancagem o suficiente para ter um efeito significante.

É comum ouvirmos nessas horas sobre alguns ativos como ouro, prata e o dólar como “seguros” contra a crise, e que o bom investidor deve tê-las sempre com um certo peso em suas carteiras. Ao passo que estes veículos são mesmo ativos no sentido de tenderem a se valorizar com o tempo ao contrário de passivos financeiros, eu não os incluo na minha definição formal sobre o que um investimento deve ser e prover.

Isso não significa que você não deve investir em metais preciosos, commodities, moedas ou terrenos – apenas que para mim, todas estas classes não se enquadram com a minha filosofia de investimentos. Explicarei neste post o por quê.

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Confisco da Poupança? Só botando a mão no vespeiro

Em épocas de crises financeiras que prosseguem as bolhas, é comum um grande ar de pessimismo que beira um tom apocalíptico, onde muitos acreditam que a economia não irá se recuperar e será o fim do mundo como o conhecemos. Mas embora muitos vejam a bolsa caindo e as ações se desvalorizando como um mero efeito colateral sem muito impacto para eles em si (principalmente por conta deles não investirem), o verdadeiro pânico se inicia quando é mencionado um velho “fantasma” da economia brasileira: o confisco da poupança.

Leitores mais velhos podem até ter seus calafrios sobre o início do Plano Collor em 16 de março de 1990, quando a poupança foi congelada da noite para o dia numa tentativa nada delicada de conter a grande inflação monetária do país. E enquanto a eficiência desta abordagem com uma delicadeza de elefante é debatível, o trauma na população foi definitivo: até hoje, quando existem sombras de crise, as pessoas entram em pânico com a mera possibilidade disso acontecer novamente. Felizmente, porém, o cenário financeiro atual é bem diferente do anterior e algumas medidas legais e financeiras atuais tornam esta possibilidade muito mais remota.

Embora nós como investidores estejamos muito mais preocupados com o movimento da bolsa e dos nossos investimentos, um confisco ou congelamento da poupança ainda afetaria a todos. Elaborarei sobre como um cenário destes atualmente é pouco provável e como prosseguir a respeito disso neste post.

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Como solicitar o auxílio coronavírus do Japão?

A crise do COVID-19 continua se extendendo e seus impactos se alastraram por todas as economias do globo. Seu impacto devastador vem por conta de um efeito dominó na economia. Incapacitadas de fazer negócios de forma tradicional, pequenas e médias empresas viram seu tão esperado fluxo de caixa secar, e com isso não puderam segurar muitas despesas com suas reservas de emergência, descontando o resultado despejando a maioria dos seus funcionários, resultando num desemprego múltiplo em cadeia.

Desta forma, governos ao redor do mundo acionaram pacotes emergenciais de auxílio financeiro para garantir a sobrevivência da população neste momento de desemprego – ou sub-emprego – forçado. Por exemplo, no Brasil o governo federal habilitou o Auxílio Emergencial da Caixa, consistindo de R$600 mensais por três meses para quem qualificar, e nos Estados Unidos, o congresso aprovou o CARES Act que destina um pagamento de US$1200 para cada indivíduo entre outros benefícios.

No Japão, a decisão de passar um auxílio financeiro foi debatida por um bom tempo pelo governo federal e atrasada em comparação aos demais países, mas em Abril foi aprovada uma medida de auxílio emergencial para todos os moradores do Japão. A medida é em geral bem mais generosa do que a instituída no Brasil, mas sua forma de solicitação é um pouco mais complicada. Depois de garimpar e procurar bastante sobre como a solicitação deve ser realizada, resolvi explicar aqui os passos que devem ser seguidos neste processo.

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Como comprar um carro de maneira inteligente

Quando se trata de passivos financeiros, sabemos que quase sempre são uma furada financeira esperando para acontecer. Passivos são tudo aquilo que não se valoriza com o tempo, possui custos adicionais de possessão, ou não produz um fluxo de caixa positivo para o investidor. Nesta categoria se enquadram sonhos de consumo comuns das pessoas como a casa própria, carro, e outros bens como eletrônicos e roupas.

Particularmente se tratando da casa e do carro, muitos possuem uma reação emocional adversa forte quando ditos que estes não são ativos financeiros, com suas depreciações, custos adicionais e impostos recorrentes. A verdade matemática, porém, não mente: o acúmulo compulsivo de passivos ao longo da vida é capaz de arruinar qualquer patrimônio, independente do salário que se recebe.

Na prática, porém, a situação nunca é tão preto-no-branco, e muitas pessoas acabam por depender de um carro particular para compensar a falta do transporte público em sua cidade ou no caso de famílias grandes que precisam de mobilidade. Portanto, mesmo que a vida sem passivos represente a perfeição teórica de uma vida financeiramente eficiente, na vida real pode ser necessário adquirir passivos ao longo da vida. Porém, a grande maioria realiza estas aquisições da maneira errada, financiando e se endividando para comprar e pagando uma quantia muito maior que o preço original no fim das contas.

Neste post, irei elaborar sobre como podemos comprar um passivo – como um carro próprio – de maneira correta, inteligente, e com o menor impacto financeiro possível.

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Qual é o melhor investimento que você pode fazer hoje?

Estou começando agora, qual é o melhor investimento que posso fazer?
Tenho X anos. Qual é o melhor produto que posso investir?
Qual é o melhor investimento para XYZ?

Perguntas como estas frequentemente aparecem nos fóruns de iniciantes nos investimentos e são sintomas de que a verdadeira natureza dos investimentos não é compreendida. Não culpo as pessoas que as fazem; quando iniciei na minha própria educação financeira também queria saber quais eram os investimentos mágicos que me trariam riqueza da forma mais eficiente possível. O que estas perguntas transparecem, porém, é uma incompreensão sobre como cada classe de investimento consegue ajudar cada um em seu estágio de desenvolvimento financeiro.

Como uma metáfora, um copo d’água pode ter valores e utilidades diferentes dependendo para quem ele é oferecido. Uma pessoa num bar bebendo com os amigos pode zombá-lo e rejeitá-lo como inútil num ambiente onde há tantas outras bebidas mais saborosas e interessantes para serem consumidas. Para uma pessoa naufragada ou perdida num deserto há alguns dias, porém, este mesmo copo d’água se torna extremamente atraente e útil. Na sua vida financeira, a mesma coisa acontece, e diferentes classes de investimentos lhe servirão benefícios variados dependendo da sua situação e evolução financeira.

Como consequência, existem coisas diferentes que podemos considerar como investimentos, com retornos diretos e indiretos variados sobre o seu tempo e dinheiro investidos. Vamos explorar mais sobre como cada um deles se encaixa melhor em cada estágio da sua evolução financeira neste post.

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A diferença palpável entre poupar e investir

Abril é o mês da educação financeira no Pinguim Investidor! Em comemoração à este fato, vamos revisar alguns conceitos básicos da educação financeira. Veja outros posts desta série aqui


Quando começamos a aprender sobre finanças, aprendemos que economizar dinheiro é geralmente o primeiro e mais simples passo que podemos dar em direção ao grande objetivo de nos tornarmos independentes financeiramente.

Nestes primeiros momentos de iluminação financeira, podemos ver a importância de viver uma vida mais financeiramente eficiente é a chave para começar a “virar o jogo” e propriamente enriquecer, mas tendemos a não distinguir muito bem qual é a diferença entre eles. No começo, esta falta de distinção não causa muito problemas, pois nossas prioridades nesta etapa são diferentes: precisamos sair das dívidas e aumentar nossa renda antes de começar a pensar em investir.

Porém, conforme avançamos e nos tornamos mais amadurecidos financeiramente, temos que parar e compreender a diferença por completo. Misturar os conceitos de poupança e investimento pode causar confusão grande, como evidenciada em perguntas como “qual é o melhor investimento para curto prazo?” ou “qual investimento posso sacar em um ano?” E, finalmente, com a queda constante da Selic desde o ano passado, muitos se questionam até se a renda fixa se classifica como um investimento.

Este post clarificará a diferença entre os dois através de duas variáveis cruciais.

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