Confrontando o Cotidiano #6 – “Como isso é diferente de apostar num Jóquei?”

Numa destas tardes durante o meu horário de almoço, estava como sempre aproveitando para ganhar um pouco de tempo e acompanhar os meus estudos de finanças pessoais através de alguns vídeos do pessoal da finansfera. Eis que passa uma colega de trabalho por trás da minha tela, e fica durante um tempo tentando entender sobre o quê se trata os vídeos que estou assistindo (como sempre assisto de fone de ouvido e velocidade 2x, é difícil mesmo tentar entender do que se trata do lado de fora).

Não conseguindo controlar a curiosidade, ela chega do meu lado e me interrompe educadamente:

— Oi Pinguim, desculpa te perguntar, o que é que você está assistindo aí? Parece sério, é alguma coisa política?

Imagino que ela deve ter perguntado por conta dos gráficos que aparecem nos vídeos, que poderiam sinalizar várias coisas sem saber do contexto.

— Oi fulana. Não é nada político não. Estou assistindo alguns vídeos de investimentos.
— Ah, interessante. Que tipo de investimentos?

Geralmente tenho cautela depois deste ponto: como a maioria das pessoas têm zero conhecimento sobre investimentos em geral, tal como exemplificado nesta série de posts, geralmente fazem comentários ignorantes ou tentam desmerecer a procura da Independência Financeiras com argumentos baratos e pouco sofisticados. Felizmente, esta colega é bem simpática, e respeitou o contexto.

— Investimentos na bolsa de valores, o mercado de ações, sabe?
— Ah, nossa, parece ser complicado.
— É necessário fazer uma boa análise das empresas onde você quer investir, sim. Mas acho que as pessoas demonizam o processo mais do que ele realmente é.
— Pois é, ouvi falar de muita gente que perdeu dinheiro assim.
— Existe sempre um risco, mas com uma análise própria, podemos eliminar uma parte suficiente para conseguir investir com uma certa segurança.

E aí veio uma pergunta que eu acho que jamais vou esquecer:

Mas como isso consegue ser diferente de apostar numa corrida de jóquei?

Resumi a minha resposta à ela assim:

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Confrontando o cotidiano 5 – a história mais triste que eu ouvi

No mês passado, um dos meus colegas de trabalho (chamarei-o de Marcos), gerente de um dos departamentos daqui, anunciou que estaria saindo do emprego em breve para retornar à sua cidade natal. Ele aproveitou o anúncio para também divulgar que, por conta do preço alto da mudança, gostaria de se desfazer da maioria dos bens que tinha na casa. Contatei ele e comecei a negociar algumas coisas interessantes pra casa. Marquei de ir buscá-las na casa dele.

Chegando próximo ao local, notei que a vizinhança era abastada, bem nobre mesmo de vista. Shoppings novos, chiques e grandes ao redor, grandes prédios residenciais de mais de 30 andares, e ruas bem-conservadas. Estava pensando comigo mesmo: “Marcos mora num lugar legal. Pena estar indo embora, mas deve ter feito um bom pé de meia neste momento.”

Encontrei com Marcos na entrada do prédio. Conversando com ele enquanto recebia as coisas, porém, descobri que a situação dele não era tão colorida quanto eu pensei. Muito pelo contrário; Marcos estava voltando para sua cidade natal porque já há anos mal conseguia se manter com o salário, gastando quase tudo o que ganhava e tendo aportes insignificantes. Nas semanas recentes, seus custos cresceram tanto que se tornaram impeditivos de continuar morando na cidade.

Comprei alguns dos móveis menores que ele estava se desfazendo e no caminho de volta não pude deixar de pensar em como esta era sem dúvida a história mais triste que eu já devo ter ouvido na vida. Um pai de família com um cargo bom sendo forçado a sair do emprego e se relocar pra uma cidade mais barata por conta dos custos insustentáveis do seu nível de vida. Como a situação de uma pessoa pode chegar a tal nível assim?

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Confrontando o cotidiano 4 – O cafezinho de R$60.000,00

Semana passada no trabalho, estava tomando meu cafezinho de tarde quando olhei bem pra caneca e comecei a refletir. Vi as pessoas voltando do almoço trazendo copos do Starbucks pras suas mesas e não pude deixar de pensar.

Lá se vão 14 reais da carteira, transformados em açúcar, leite e um tiquinho de café aguado…

E aí então voltei a atenção ao meu copo. Lá estava um nescafé solúvel que havia preparado eu mesmo com a água quente disponível na copa (meu escritório não fornece café aos empregados, apenas água e maquininhas de refrigerantes com bebidas). Admitidamente não é o melhor café que tomei, mas, depois de fazer algumas contas rápidas, percebi que era o café de maior valor que já tomei na vida.

De fato, este café me economizará mais de sessenta mil reais na vida.

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Confrontando o cotidiano #3 – “Ninguém nunca ficou mais pobre por quinze reais.”

Mais um post da série confrontando o cotidiano.


A hora do almoço é uma hora interessante. É a única hora onde se pode parar para observar o comportamento pessoal das pessoas em âmbito profissional. Uma das coisas que observo é que ao passo que muitos fazem desta hora como se fosse sua hora da recompensa, quase que um mini ou pré-happy hour. Isso significa bons restaurantes, pratos finos com direito a bebida e – dado o dia certo (sexta-feira) – até uma cerveja de extravagância. Boa, né?

Significa também que o dinheiro vai embora despercebido, diluido em refeições água abaixo que não trazem nada de especial, custam muito mais do que o justo pelo valor nutricional, demoram muito mais tempo do que o necessário para uma refeição e que te roubam do tempo que você poderia aproveitar para estudar ou refletir sobre o seu próprio enriquecimento.

Oops.

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Confrontando o cotidiano #2 – “A culpa é do RH”

Fim de ano chega e todo mundo começa a comemorar o bônus, o dinheirinho adicional que entra. Alguns pensam na viagem que vão fazer com o dinheiro extra, as comprinhas de fim de ano, pequenas extravagâncias possibilitadas pela curta elevação no padrão de vida em Dezembro, enquanto outros mais responsáveis pensam na economia, aporte e aumentar o patrimônio.

Mas será que esse “ato de caridade” da empresa ajuda quem é comprador compulsivo, gastador, e já está meio caminho a se afogar na dívida? Um camarada daqui do escritório discorda.

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Confrontando o cotidiano #1 – “é só vinte reais”

Estou começando uma pequena série para catalogar no blog as experiências hilárias, irônicas e frustrantes que a imersão na IF causa num mundo onde todos são programados para gastar. Espero que gostem!

Outro dia, almoçando no escritório, fui abordado por alguns colegas de trabalho sobre a minha decisão de trazer comida de casa. Quase sempre trago o almoço de casa em marmita, pois além de ser mais barato ganho a vantagem de poder comer exatamente a quantidade que quero, e saber exatamente os ingredientes que foram envolvidos. Este hábito não é exatamente incomum onde trabalho – muitos trazem de casa e passam almoçando ou na própria mesa ou no refeitório, e eu diria que a proporção dos que saem pra almoçar e os que ficam gira em torno de 60 a 40%.

Eis como a conversa fluiu, mais ou menos:

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