A importância de começar

Quando se trata de aprendizado e desenvolvimento de alguma habilidade, há um passo mais importante do que fazer um planejamento perfeito ou ter as metas mais ambiciosas com o plano de ação mais perfeito. Este passo é justamente o ato de começar. Começar um novo projeto, começar a aprender alguma nova habilidade, tomar novos hábitos e recomeçar a vida; para tudo, existe aquele primeiro passo crucial, o começo que origina tudo.

Infelizmente, o simples ato de começar geralmente se torna muito mais complexo que deveria ser por conta dos nossos próprios pensamentos nos enganando e nos desencorajando. Começamos a pensar naquilo que pode dar errado e assim sabotamos os nossos próprios planos, adiando as datas de início e algumas vezes nunca vendo o projeto sair do papel. Isso não pode acontecer.

Recentemente, assisti um vídeo do YouTuber Jeff Rose, que já referenciei no blog em alguns posts anteriores, que aborda este assunto de uma maneira interessante: como é que o ato de começar foi o suficiente para que ele transformasse $100 em alguns milhões. Rose explica que foi o ato de começar dele, desde quando ele começou a se interessar pela primeira vez pela educação financeira; e desde então aquele primeiro passo se tornou o ponto de partida para que ele pudesse começar a jornada financeira.

Como é que apenas começar ajuda tanto no desenvolvimento de novos projetos e habilidades? Evitando que uma coisa chamada analysis paralysis aconteça.

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Arrependimentos Financeiros e como evitá-los

Todos nós chegamos a errar várias vezes na vida, e sábios são aqueles que tomam estas oportunidades para aprender com os erros e melhorar a vida com base nisso. O resultado de um erro deve ser uma forma positiva de se ver a realidade, senão o progresso não aparece e assim não conseguimos seguir em frente.

Há uma diferença, porém entre ter errado e conseguir aprender para reverter a situação e ter errado para seguir o resto da vida carregando arrependimento nas costas. Isso é um sinal que você fez uma decisão que, na hora, parecia não custar muito, mas que acabou se tornando cara ao longo do tempo. Neste vídeo do gestor de fundos e autor do livro Rule #1 Investing Phil Town, estas decisões são chamadas de Financial Regrets (arrependimentos financeiros), e representam decisões com consequências pesadíssimas lá na frente.

Certamente é difícil dizer que nunca passamos por algum arrependimento assim na vida, e mais difícil ainda prever quais decisões poderão se tornar tais arrependimentos no futuro. Aqui vamos explorar algumas delas que ele descreve.

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O pacto de Ulysses na Independência Financeira

Diz o épico da Odisséia do poeta grego Homero que no seu caminho de volta da guerra contra Tróia, Ulysses (ou Odisseu em Grego) sentiu uma curiosidade extrema para ouvir o canto das sereias perto dos mares que deveria cruzar para voltar para a Grécia. Ele estava consciente dos riscos que sua escolha poderia trazer, já que ouvira dos antigos que tal canto era mistificante e sedutor a ponto de levar qualquer homem à insanidade para seguí-las até o fundo do mar, e portanto tratou de uma estratégia para evitar este fim trágico junto à tripulação do seu navio.

Ulysses instruiu à tripulação que o amarrassem ao mastro do navio bem firme, de forma que ele não pudesse fisicamente escapar, e que cada membro da tripulação entupisse seus ouvidos com cera, para que assim eles fossem incapazes de ouvir tanto o canto sedutor quanto as ordens insanas do seu capitão para que o soltasse de lá. A estratégia funcionou, com Odisseu conseguindo passar pelas sereias e sua tripulação ignorando com sucesso tanto o canto quanto os pedidos desesperados do capitão, e todos seguiram viagem.

Homero já sabia desde o século 8 antes de cristo o poder que uma decisão como esta – onde fixa-se um “contrato” em presente para evitar uma tragédia no futuro – tem para a produtividade humana. Esta anedota da Odisséia ficou tão famosa, inclusive, que recebeu até um nome: Pacto de Ulysses. Tal pacto é uma decisão onde se fixam termos no presente para se resguardar contra ameaças do futuro mesmo quando elas não se manifestam no momento atual.

Há vários pequenos pactos de Ulysses que fazemos na nossa rotina, ou que são impostos sobre nós por conta de lições aprendidas de desastres passados. Coisas como dispositivos de segurança em máquinas ou utensílios são um exemplo deles. E quando falamos sobre a busca da Independência Financeira, não podemos deixar de pensar neste conceito poderosíssimo, pois é através deles que podemos traçar objetivos grandes, e garantir que eles sejam cumpridos no futuro.

Como funciona o Pacto de Ulysses na busca da IF?

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Educação Financeira #4 – o feedback positivo e a origem das bolhas

História era uma das minhas matérias favoritas na escola. Sempre tive uma certa fascinação por eventos determinantes da história humana. Era fascinado pelos grandes eventos que causavam mudanças astronômicas nos destinos das nações, como guerras, batalhas, sucessões de governos, mudanças climáticas e crises econômicas.

E assim, desde que estudei o crash da bolsa de Nova Iorque em 1929, fiquei interessado em aprender mais sobre as causas e efeitos das crises econômicas na geopolítica mundial. Como é que pequenas mudanças encadeadas, pequenos erros acumulados ao longo do tempo podem mudar a rota da civilização do mundo? Estes estudos me fascinaram.

Avançando para o mundo presente, me tornei investidor e me encontrei numa posição onde estava exposto aos riscos diretamente, e poderia sentir em primeira mão os efeitos da economia nas minhas finanças. Lendo bastante sobre o assunto, me deparei com o livro A Random Walk down Wall Street do economista Burton G Malkiel onde ele dedica o primeiro capítulo do livro para explicar sobre bolhas econômicas na história da humanidade, indo desde a primeira bolha recordada na história – a mania das tulipas na Holanda no século 17 – até as bolhas recentes dos anos 2000.

Malkiel sumariza em sua explicação que todas as bolhas financeiras podem ter suas origens traçadas de volta à uma aplicação de um feedback positivo errático e recorrente, que ilude os envolvidos a acreditarem que aquilo no que estão investindo e apostando é realmente o correto a se fazer.

Como este ciclo funciona e consegue carregar uma bolha para frente? E, talvez mais importante, como você entender a causa das bolhas e se preparar para não ser impactado por elas?

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FIRE no futuro: como acertar um alvo móvel?

A matemática por trás da Independência Financeira é simples, e não requer conhecimento matemático avançado: pegue o valor do seu custo de vida total mensal, adicione uma margem de segurança, e multiplique o resultado por 300. O número que você obter é o valor do seu patrimônio mínimo necessário para obter renda passiva suficiente para cobrir seus custos sem que o patrimônio principal se derreta e com o menor risco disponível.

Simples e direta, esta fórmula é importante e prática na hora de se planejar e estabelecer metas, e eu a utilizo com frequência ao introduzir finanças pessoais para os outros, ou conversar sobre ela com a minha família. Porém, enquanto esta fórmula é manjada por todos no âmbito das finanças pessoais, há um detalhe importantíssimo que esta simples fórmula omite, até porque é fora do seu escopo prevê-la: a inflação.

Esta queridinha é importante análise do FIRE porque coloca dois fatores em campo que muitos se esquecem na ansiedade de decidir em que ponto parar: o tempo e o poder de compra do seu dinheiro. Ambos são indesejáveis, mas são necessários para fazer uma análise de risco completa – sem eles, todo o seu planejamento e execução podem ser penalizados gravemente no futuro quando você descobrir que seu dinheiro planejado tão cuidadosamente lá atrás não consegue suprir suas necessidades ou vontades.

Como você deve considerar a inflação na hora de estabelecer suas metas do FIRE? Incluindo-a como um alvo móvel no alcance da independência financeira.

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Errando

Recentemente, errei. Novamente. Fiz uma decisão que parecia ser a coisa certa na hora, mas finalmente percebi que não era e as consequências vieram. Errei depois de ter errado várias outras vezes numa vida inteira, e provavelmente não será a última vez. Mas, ainda assim, averiguei a situação, percebi que o erro não era nada fatal, me reergui e segui em frente, com muitas novas lições aprendidas a mais no bolso.

O parágrafo acima poderia ter sido completamente omitido e esquecido em meio ao meu cotidiano, mas eu optei por escrevê-lo por possuir uma coisa que poucos param para apreciar o seu valor verdadeiro: errar. Desde pequenos, somos condicionados a temer erros quando, tal como diz o ditado, eles são naturais ao ser humano, e cruciais no nosso aprendizado diário.

Ainda assim, porém, parece que todos nós temos uma persistência em abominar erros e qualquer desvio da perfeição procurada. Aqui, somos rápidos para apontar as pessoas ao nosso redor como os culpados, como as escolas, os professores, os pais e a sociedade, por exemplo. Mas a verdade é que mais do que qualquer outro, quem abomina e pune nossos erros somos nós próprios. Aprendemos desde cedo na vida que quem erra ou pratica algo fora do aceitado como certo é punido, então desenvolvemos uma defesa própria interna para nos punir e policiar contra estes erros.

Esta manobra, porém, não é sem consequência, já que reprimir os erros significa reprimir a criatividade e o espírito de experimentar que é necessário para o desenvolvimento pessoal. E assim, limita-se a vontade de tentar novamente ou querer evoluir para melhorar e conseguir acertar.

Quais são as coisas que nossos erros podem trazer que podem nos melhorar?

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O dinheiro é igualmente verde para todos

Os livros da série dos Milionários de Thomas Stanley são uma leitura duplamente construtiva: não só servem como um guia prático sobre o que a riqueza realmente é, como também servem como uma inspiração importante para quem está na buscando enriquecer e alcançar a independência financeira.

Uma das partes mais inspiradoras é que Stanley explica como pessoas com origens humildes, ou até mesmo miseráveis, conseguiram eventualmente “virar o jogo” e enriquecer – e muito! – no decorrer de suas vidas. Por exemplo, Stanley descreve um HNWI dos EUA que era um motorista de ônibus escolar que aprendeu a investir por conta de querer trazer um futuro melhor para o filho. Seus retornos foram tão altos e complexos que ele não só ficou milionário, como entrou para o ranking de multi-milionário.

Muitas lições podem ser tiradas destas histórias: aporte mais e gaste menos, esteja sempre aprendendo coisas novas, persistência ganha de perfeição, etc. Mas a lição central mais comum e poderosa é outra: o dinheiro não discrimina a ninguém.

Pense naquela pessoa que enriqueceu catando lixo, pegando coisas usadas, restaurando e revendendo, mas hoje comanda uma rede de varejo nacional. Se esta pessoa tivesse parado para pensar que estava revirando lixo para se sustentar e deixasse o seu orgulho tomar conta, com certeza não estaria na posição de poder de hoje. Mas esta pessoa não julgou a fonte de renda que tinha e acreditou – e o retorno contou.

E mesmo assim, vejo que muitos, no escritório e à parte na vida, ainda discriminam o dinheiro de forma brutal.

Todos conhecemos alguém assim. Alguém que aceita trabalhar de supervisor técnico de operações de gerenciamento do departamento de organização da divisão XYZ, ganhando R$3200 ao mês, mas descarta qualquer idéia de ganhar a mesma coisa mas trabalhar a metade do tempo revendendo coisas usadas ou atacado online pois “não estudou pra fazer este tipo de coisa.”

Ou aquela que se mata de trabalhar como secretária 12 horas por dia atendendo a uma diretoria selvagem que não está nem aí para a situação dela, mas despreza os amigos que se aventuraram abrindo uma franquia, pois “é arriscado demais, e com a crise temos mais é que procurar segurança.”

E que tal aquele outro zomba do colega que tirou o Sábado para dar aulas particulares de Inglês e Matemática e tirar R$500 a mais enquanto ele mesmo passou o dia bebendo num bar encarecido e reclamando que nunca sobra dinheiro no fim do mês.

Eu não sei o que foi que o dinheiro fez pra eles, mas deve ter sido feio para eles estarem julgando o dinheiro assim, tão fortemente. Se eles apenas soubessem que o dinheiro nunca os julgaria de volta, talvez suas situações financeiras estivessem melhores.

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A melhor coisa que o dinheiro pode comprar: F-you Money

O caminho até a independência financeira é trilhado a partir de uma série de mudanças que desviam um indivíduo de uma vida medíocre até tomar ações que o levam para acumular capital o suficiente para viver apenas de renda passiva. O desafio maior desta mudança geralmente está no mindset da pessoa, que geralmente vem com crenças e conceitos já solidificados com experiência que precisam ser provados contra e trocados por conceitos melhores.

Durante o meu aprendizado, um dos maiores conceitos que me ajudou a me estabelecer no FIRE foi descobrir que o dinheiro, na sua forma produtiva como capital essencialmente funciona como uma fonte de liberdade individual. Quando me deparei com este conceito, minha abordagem à educação financeira mudou competamente. O aporte se tornou uma medida de libertação, e os gastos uma forma de aprisionamento.

Como podemos manter este mindset sempre em mente no dia a dia e proteger assim os aportes? Utilizando o conceito de F-you Money.

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O que você tem feito pra proteger o seu tempo?

Quanto vale o seu tempo?

Não, não estou falando do seu salário atual dividido por horas trabalhadas, embora esse conceito também é interessante. Estou falando do seu tempo, o tempo sob a sua percepção. E também o seu tempo pessoal, free time, o tempo que você controla. Muitos de nós nos preocupamos com a utilização do nosso tempo no trabalho, otimizando as nossas tarefas no escritório para conseguir fazer cada vez mais coisas em menos tempo, mas quando o “dever” não nos chama, ficamos meio que à deriva, sem planejar.

Desde que comecei a me interessar na Independência Financeira e o movimento FIRE, passei a me interessar muito sobre a eficiência como um objetivo de vida, e como posso usar o meu tempo, dentro ou fora do trabalho, da melhor forma possível. Desde que me interessei no assunto, percebi que de nada adiantaria ter quantidades imensas de tempo livre em casa se este é jogado fora através de TV ou surfar aleatoriamente nas redes sociais. É necessário se policiar quanto ao uso do tempo mesmo que fora do trabalho, pois ele é o seu ativo mais importante na vida.

Este conceito começou a ficar cada vez mais claro para mim, mas como um conhecimento subentendido, algo como um hábito no background. Eventualmente, assisti um vídeo do Jeff Rose, um YouTuber que referenciei anteriormente, onde ele dá um nome diferente ao mesmo conceito: proteger o seu tempo. E, simples assim, comecei a me conscientizar ativamente quanto ao uso do meu tempo livre, a fim de protegê-lo e me tornar cada vez mais eficiente.

Aqui estão alguns hábitos que uso pra proteger meu próprio tempo.

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Alinhamento preço-valor: o post definitivo

Um dos conceitos que eu falo com mais frequência no blog é sobre valor. Neste assunto, há uma frase do Warren Buffet que muitos outros blogs de finanças gostam de mencionar que fala que Preço é o que você paga, valor é o que você recebe. E ele está certo, especialmente no âmbito dos investimentos, onde muitas vezes o valor recebido ao comprar uma empresa está muito além do que uma cotação ou valuation pode dizer.

A partir deste conceito se derivam as histórias da bolsa como as 10-baggers, 100-baggers, e seus opostos diamétricos, mas hoje quero falar de uma visão diferente sobre o conceito do valor. É uma visão do valor ainda relacionado ao preço, mas é o valor agregado relativo de algum custo que você inferiu.

Este conceito para mim é importantíssimo, e um fator crucial para o meu planejamento orçamentário e de gastos mensais. Tomei conhecimento deste conceito pela primeira vez no livro Your Money or Your Life de Vicky Robin e Joe Dominguez, e toquei brevemente no assunto durante a resenha, mas nunca me aprofundei no que ele significa, e como ele pode ser utilizado, ainda que tenho me referido a ele em vários outros posts.

Neste post irei explicar o conceito definitivamente, e mostrar como ele mudou e pode mudar a sua visão sobre gastos e orçamentos definitivamente.

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