Como se prevenir contra um futuro que ninguém prevê?

A previsão do tempo da segunda-feira era de chuva, mas o serviço de meteorologia agiu rapidamente durante a madrugada e conseguiu reverter o clima, fazendo as nuvens se dissiparem com seus canhões de ultrassom. Ótimas notícias, você pensa, enquanto deixa os seus assistentes mecânicos da sua casa lavarem o seu corpo e ajeitarem o seu cabelo enquanto assiste as notícias pelo espelho do banheiro.

Você toma o café da manhã e sai de casa em direção ao ponto do ônibus-cóptero, que irá levá-lo voando até seu local de trabalho. Durante o caminho, alguns vendedores com seus dispositivos voadores pessoais aproximam-se da sua janela para oferecer-lhe algumas barganhas, mas você os dispensa.

Ao chegar no trabalho, estica a mão fora da janela para pegar a correspondência do carteiro que a entrega enquanto contorna o prédio com seu avião pessoal portátil, e começa o batente – mas não consegue parar de pensar nas suas férias mês que vem, quando irá visitar o fundo do mar de submarino e andar de golfinhos com sua família.


Cena de ficção científica? Acredite, esta cena era exatamente o que as pessoas da Europa no ano 1900 imaginaram como seria o ano 2000. Se você procurar por isso no Google, vai encontrar diversas imagens retro-futurísticas sobre os anos 2000 que são simplesmente ridículas para nossos padrões atuais. E ainda assim, não podemos deixar de considerar como as pessoas realmente acreditavam nesta visão do futuro como uma certeza. Certamente, segundo elas, nosso futuro terá tudo isso que temos hoje, além de muito mais e melhor do que temos hoje.

Acredite, este era o ano 2000 conforme imaginado pelos Europeus do ano 1900.

Porém, pouco deste otimismo todo se materializou ao longo da história: houveram duas grandes guerras, grandes crises econômicas e miséria, doenças e diversas outras catástrofes humanas. Sem contar que até hoje parte dos “desejos” dos nossos ancestrais de 100 anos atrás ainda não se materializou, e – desculpem-me, fãs dos carros voadores – nem está próxima de acontecer.

Esta realização nos mostra uma característica interessante da natureza humana sobre a nossa idéia do futuro: sempre temos expectativas positivas sobre eles, costumando imaginar que nossa vida no futuro será uma versão melhorada da nossa atual. A realidade, porém, é como o grande investidor Ray Dalio, gestor da Blackwater and Partners, afirma em seu livro Principles: o futuro frequentemente é radicalmente diferente da nossa expectativa. E ao contrário de uma simples imaginação de ficção, quando se trata do nosso próprio futuro financeiro, as consequências de um “erro de cálculo” podem ser muito mais devastadoras, especialmente se predicarmos em idéias utópicas como a de que nosso salário será sempre garantido.

Como podemos nos prevenir contra um futuro que ninguém consegue prever com consistência, e que frequentemente é pior do que imaginamos? Vejamos neste post.

2020: um exemplo recente

Talvez não haja melhor exemplo para este conceito do que o Cisne Negro da pandemia COVID-19. Ao fim de 2019, um bull market global jubilante trouxe expectativas altas para todos os aspectos da prosperidade mundial. Não haviam impecílios para o crescimento da bolsa brasileira também, que seguia em uma alta crescente batendo os 100 mil e quase os 120 mil pontos, com alguns analistas otimistas prevendo até 200 mil pontos em 2020.

Avançando apenas alguns meses à frente, muitos conheceram em primeira mão o termo circuit breaker da bolsa.

Meme do Twitter: Circuit Breaker da Bolsa: eu fui!

Os efeitos foram devastadores, o “milhão e meio de CPFs” da B3 (número que mais que dobrou entre 2018 e 2019) sentiu o chão se abrir sob os seus pés e muitos no pânico desistiram da “aventura à riqueza”.

número de CPFs na B3 mais que dobrou entre 2018 e 2019

Será que o fim do mundo estava acontecendo? Ou será que era o fim do capitalismo? Muitos predicaram no acontecimento que investir em renda variável não tinha mais sentido, e de fato, talvez investir em geral não fazia mais sentido com uma Selic cada vez mais depreciada. E novamente, estes muitos se enganaram pois poucos meses depois a bolsa recuperou-se significantemente, até praticamente voltando ao mesmo patamar recentemente.

Parece que Dalio estava correto mesmo em dizer que o futuro é bem diferente das nossas expectativas…

Eu mesmo senti em primeira mão este efeito, e não posso dizer que passei por ele sem danos. Felizmente, naquele ponto, eu já possuia experiência suficiente e um mindset preparado, e não deixei que o pânico me levasse. Como resultado, consegui manter a calma e aproveitar a oscilação para justamente aportar mais no fundo e aumentar de forma significante a minha renda passiva mensal. Entre sofrimento e perdas potenciais considerados, consegui sair do meu inverno financeiro sem danos.

O que podemos tirar de lição deste acontecimento? Seria a hora de voltar a comprar ações, colocar aquele CPF que apanhou de volta na bolsa, ou será que estamos no caminho cíclico para mais uma nova crise na bolsa, já que mesmo depois de um ano a situação do Coronavírus ainda não foi resolvida?

Infelizmente, não tenho uma bola de cristal poderosa o suficiente para responder a estas perguntas. E como provavelmente não a terei no meu futuro próximo, preciso arranjar outra ferramenta para planejar meu futuro financeiro. Felizmente, esta ferramenta existe.

Da Grécia antiga para o seu planejamento futuro

Há quem diga que um pessimista consegue acabar com qualquer festa, mas sem sua consideração, a maioria dos projetos seria meros sonhos que nunca saíram do papel. Pessimistas abaixam a bola da imaginação infundada e acrescentam doses saudáveis de realismo, permitindo uma gestão de risco e expectativa mais eficiente.

Se o pessimismo foi criado na Grécia Antiga talvez nunca saberemos, mas existe outra filosofia lá criada que pode obter resultados similares: o Estoicismo. Embora não sejam pessimistas nativos, Estóicos praticam através da visualização negativa um experimento de pessimismo simulado – bem parecido com uma “vacina psicológica.”

Como exemplo, vamos considerar as possibilidades do mercado e das nossas finanças para os próximos dez anos. Praticando a visualização negativa, tiramos os cenários otimistas de foco e tentamos enxergar todas as outras possibilidades ruins que podem vir a acontecer, incluindo:

Cenário deprimente? Incapaz de acontecer? Lembre-se que estas eram as mesmas palavras utilizadas para descrever as possibilidades de uma queda na bolsa em 2019. O bom estóico, porém, utiliza este cenário como uma base para lastrear seu planejamento. E desta forma, podemos fazer com que nosso plano se prepare ao pior, enquanto aproveita quaisquer melhorias que acontecerem durante o período se o “pior” não se materializar.

Planejando e elaborando contra cada uma destas situações adversas, podemos nos resguardar desde agora sobrecompensando contra estas possibilidades:

  • Aumentando nossa renda passiva e obtendo fontes de renda alternativas.
  • Aumentando nosso caixa operacional para compras de oportunidade.
  • Reavaliando nosso estilo de vida e cortando custos desnecessários.
  • Investindo em moeda estrangeira para proteger contra variação cambial e inflação

Utilizando este truque simples, o estoicismo trouxe o duplo benefício de conseguir preparar nosso planejamento contra uma ameaça calculada, e contemplar a nossa situação atual de forma relativa como de conforto e abundância. Não haverão surpresas desagradáveis – estas já terão sido antecipadas – e você passará a ter mais gratidão à vida atual.

Porém, e quanto aos conselhos práticos dos investimentos? Como poderíamos nos preparar para isso? Interessantemente, certa resposta pode vir novamente do próprio Ray Dalio.

Sobrevivendo às quatro estações financeiras

A maior fama de Dalio no mundo dos investimentos vem do fato que seu fundo de investimentos All Weather é considerado um dos mais estáveis do planeta, e que consegue apresentar ganhos mesmo em situações quando todos parecem estar perdendo dinheiro (ex: crise de 2008 e o dotcom). A performance deste portfólio é tão estável que desde a revelação da composição original do All Weather no livro Money: Master the Game de Tony Robbins, outros gestores passaram a copiar e adaptar sua composição em seus próprios fundos.

Dalio descobriu que os dois principais influenciadores da performance do mercado americano são o crescimento da economia e a inflação (podendo estar crescendo ou diminuindo independentemente), que explorando todas as possibilidades resultam em quatro possíveis “estações financeiras.” Preparando-se para estas possibilidades, Dalio designou seu portfólio para que em quaisquer que seja a estação, pelo menos uma parte de seu portfólio ganhará dinheiro e cancelará as perdas das demais porções – uma gestão de risco teoreticamente perfeita.

A alocação de ativos deste portfólio brutalmente eficiente não é mais nenhum segredo. Desde sua publicação no livro de Tony Robbins, a “alocação mágica” foi assunto central de várias matérias e teses divulgadas online. Além de uma dose generosa de títulos públicos (bonds) e ações, ela também contém porções em ouro e commodities, geralmente consideradas raras em carteiras de pequenos investidores individuais:

A alocação "mágica" do fundo de Dalio - Crédito: I will teach you to be rich
A alocação “mágica” do fundo de Dalio – Crédito: I will teach you to be rich by Ramit Sethi.

Então aí está: a receita mágica para o sucesso nos seus investimentos… Ou seria?

Antes de abrir o homebroker e começar a vender e comprar diversos ETFs, é importante se lembrar que esta alocação pode não ser a solução mais próxima para o seu caso; dependendo da sua situação financeira atual, suas prioridades podem ser radicalmente diferentes das de um gestor de um fundo com bilhões de dólares – além de uma reputação ainda mais valiosa – para manter.

Você precisa averiguar o seu caso e seus objetivos de vida para saber se o fundo de estabilidade perfeita é realmente o que você precisa, ou se não seria por exemplo um fundo de crescimento mais agressivo ou focado em geração de renda (meu favorito). É só sabendo deste objetivo primariamente que você conseguirá a sua própria bala de prata – que funciona perfeitamente para o seu caso.

E mesmo assim deve aceitar o fato que suas circunstâncias poderão mudar.


Você acredita que é possível, ou pelo menos plausível, prever o futuro a curto e médio prazo em nossas vidas? Como lida com esta limitação na hora de planejar os seus investimentos? Escreva nos comentários.

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor

Fungibilidade e o valor relativo do dinheiro

Seres humanos têm a capacidade de criar relacionamento com quase tudo ao seu redor. Relacionar-se com outros seres humanos é uma habilidade crucial para a vida em sociedade, e com outros animais é necessário para uma vida sedentária, utilizando-os de forma produtiva à nossa vida. Alguns artistas podem até criar relacionamentos com coisas inanimadas como um pôr-do-sol bonito e inspirador, uma paisagem impressionante, ou sonhos de consumo (você já deve ter visto gente que ama seu carro, casa, etc).

Quando se trata de dinheiro, porém, a situação fica interessante: será que o dinheiro é um conceito puramente inanimado e indistinguível? Ou seria esta percepção diferente para cada orçamento ou “lacuna” para qual dedicamos o dinheiro?

Será que o dinheiro da nossa reserva de emergência é hierarquicamente igual ao que temos investido e nos gerando renda passiva? E aquele dinheiro que gastamos rotineiramente com nossos gastos essenciais como comida, moradia e saúde – mais importantes ou menos do que os gastos com nossos sonhos de consumo? É possível amar mais o dinheiro do que outras pessoas?

Quaisquer que sejam as suas respostas para tais perguntas, estas trazem à luz um viés natural do ser humano contra um conceito rígido das finanças chamado fungibilidade. Palavrinha difícil e engraçada, ela simplesmente significa a característica de algum bem possuir o mesmo valor sob qualquer circunstância, independente da sua aplicação. O dinheiro é quase que o exemplo único deste conceito, que basicamente vem a dizer que um real tem sempre o mesmo valor independente de se aplicado numa coxinha, na passagem do ônibus ou se poupado para posterioridade. Será sempre o mesmo um real.

Este conceito de fungibilidade é importantíssimo para nossas finanças, sendo a base que permite que qualquer um enriqueça independente de quão alto ou baixo seu salário seja – contando que este seja administrado da maneira correta. Mas infelizmente, muitas pessoas não enxergam o dinheiro desta forma, acreditando que o valor do dinheiro muda dependendo no que ele é gasto – o que as leva a tomar decisões financeiras ruins no processo.

Vejamos neste post como isso acontece.

Continuar lendo “Fungibilidade e o valor relativo do dinheiro”

Até quando você será útil para os outros? O que acontece depois?

No fim dos anos 90, a trilogia Matrix revolucionou tudo que o conceito de cinema apresentava para nós. A partir de 1997 quase todos os filmes de ação começaram a colocar câmera lenta em suas cenas de armas de fogo, Kung-Fu virou o modo de combate principal dos protagonistas, e roupas escuras se tornaram a vestimenta de escolha para o protagonista cool.

E em paralelo ao enredo poderoso de efeitos especiais e estilização, a filosofia e a história dos filmes também foram responsáveis por cativar milhões de fãs pela série, incluindo várias referências de trabalhos históricos, como a Alegoria da Caverna descrita por Platão na antiguidade e provavelmente apenas conhecida em massa hoje por conta deste filme.

Em meio a tantos temas interessantes e outros highlights de uma série literalmente revolucionária, há uma cena em particular que me chama atenção do ponto de vista FIRE e da minha filosofia de vida pessoal que desenvolvi ao longo da minha jornada pela educação financeira. Nela, debate-se um dos pontos cruciais sobre o sentido da vida: até que ponto você é útil para a sociedade? Talvez mais importante é a pergunta que segue: o que acontece quando você passa a não ser mais útil?

A verdade é que, quanto mais cedo você obter uma resposta para estas duas perguntas, mais preparado estará para enfrentar uma situação adversa que venha a envolver o seu salário, e mais apto estará a levar a vida nos seus próprios termos. Vejamos porque interpretar estas perguntas é tão crucial ao nosso planejamento pessoal, e o que pode acontecer com quem ignora ou posterga esta decisão.

Continuar lendo “Até quando você será útil para os outros? O que acontece depois?”

O que a NASA e a renascença me ensinaram sobre a independência financeira?

Durante os anos dourados da exploração espacial nos anos 60, o ápice da pesquisa científica e engenharia se encontrava nas agências espaciais dos Estados Unidos (NASA) e seu rival Soviético (SSSR). Desenvolver materiais mais leves, resistentes, baratos e eficientes era uma das muitas missões que o programa espacial buscava resolver, e a cada missão completa ou falha, muitas lições eram aprendidas.

Uma das observações interessantes neste período foi que, num ambiente de microgravidade como na órbita da Terra, a tradicional caneta esferográfica tipo BIC não funciona, pois não possui o puxo da gravidade para descer a tinta até o papel. Embora uma pequena inconveniência à primeira vista, num momento de constante pesquisa não poder anotar observações durante a missão possui um impacto significante. E a NASA colocou sua engenharia para atacar o problema.

Como resultado, uma caneta especial foi desenvolvida, que poderia escrever sob qualquer condição de gravidade, pressão e temperatura, dentro ou fora da espaçonave, e em qualquer superfície e material – garantida de funcionar em qualquer missão espacial. O projeto custou alguns milhões de dólares, com a caneta saindo por algumas centenas de dólares a unidade.

Do outro lado do mundo, os soviéticos simplesmente usaram lápis.

Muitos séculos antes desta história, a Europa saía da cansada idade média com suas disputas e pandemias em direção à uma nova era – a Renascença. Desenvolvimento humano era a nova moda da vez, e se refletia na nova capacidade das cidades para produzir novas artes, música, descobertas científicas além de mudanças nos governos e na política.

Tamanho foi o desenvolvimento do potencial humano nesta época que vários nomes de engenheiros, artistas, músicos e cientistas deste período sobrevivem e são ensinados até hoje em escolas e universidades ao redor do globo – sem contar que servem de inspiração para os atuais cientistas.

Mas há uma diferença: ao passo que cientistas modernos são especialistas e focam estritamente na sua fina área de atuação, os renascentes procuravam aprender o máximo de tudo que podiam. Eram cientistas, artistas, músicos e engenheiros ao mesmo tempo, e de fato têm até um nome específico para descrevê-los: Polímata. Talvez o exemplo mais famoso deste “homem da Renascença” seja Leonardo da Vinci.

Embora estes dois universos separados no tempo aparentemente não têm muito relacionado além da ciência, ambos me apresentaram lições importantes relacionadas ao conceito de se tornar financeiramente independente. Podemos enxergar dois aspectos antigos que nos servem até hoje para nos tornarmos independentes, e realmente os mestres dos nossos destinos. Neste post, exploro estas lições e como podem lhe ajudar.

Continuar lendo “O que a NASA e a renascença me ensinaram sobre a independência financeira?”

Será que finalmente a poupança passou a valer mais a pena que o Tesouro Selic?

A morte da taxa Selic para os míseros patamares dos 2% ao ano de atualmente (leitor do futuro: vide data de publicação!) não é nenhuma surpresa para o investidor de longo prazo: ela vem sido lentamente anunciada desde o começo de 2019. Muitos pularam o barco desde a primeira vez que ela baixou para os 6% ou até mesmo antes, alegando que a renda fixa já era a “perda fixa” desde sempre.

Cada vez que a Selic caía, era interessante ver como as opiniões reagindo às notícias se dividiam em alguns grandes grupos: de um lado, os pró-renda variável que comemorávam que seus ativos iriam subir com a nova facilidade das empresas realizarem empréstimos e financiamentos. Do outro, rentistas se desesperando ao ver sua grande promessa de retornos seguros e garantidos se esfarelando meio porcento de cada vez. E o mais curioso sem dúvida é um excêntrico terceiro grupo.

Estes são os não-investidores que nunca saíram da poupança, e que zombam de quem esteve investindo em renda fixa por esta estar igualada – senão pior! – à tradicional poupança bancária atualmente. Finalmente eles venceram! – ou pelo menos é o que acham.

Artigos comparando a poupança, tanto antiga quanto nova, com o Tesouro Selic pipocaram com as mais recentes quedas da taxa Selic, mas como o rendimento da poupança desde 2012 está atrelado e menor que a própria Selic, é um pouco estranho afirmar que a partir de um certo ponto um investimento como o Tesouro Selic “perderá” para a poupança. Ainda assim, existem taxas extras (administração, imposto de renda) que não são aplicáveis à poupança – será que com tudo considerado a poupança pode chegar a ganhar?

Neste post compartilho meus cálculos e minha conclusão para esta pergunta que não quer calar em nesta fase de 2020.

Continuar lendo “Será que finalmente a poupança passou a valer mais a pena que o Tesouro Selic?”

Os 12 tipos de atitude em relação ao dinheiro – onde você se encaixa?

Falar de dinheiro no cotidiano é um verdadeiro paradoxo. De um lado todos evitam o assunto no social, trabalho e até mesmo dentro de casa por considerá-lo um “tabu,” um tema profano que não pertence à conversa civilizada. Por outro, o dinheiro é um dos poucos assuntos que tanto envolvem, permeiam e afetam todos da sociedade igualmente, sem distinção.

Assim, embora quase todos evitam este assunto tão importante e crucial para nosso desenvolvimento adulto, todos sabemos apontar para algumas “figurinhas clássicas” dos nossos círculos sociais quanto aos seus comportamentos em relação ao dinheiro. Existe aquele “mão de vaca,” “pão duro,” “Tio Patinhas” que nunca quer abrir o bolso para nada. Ou o seu oposto diamétrico, aquele que está sempre esbanjando, mostrando ter tudo de bom e do melhor, mas (não) ironicamente sempre está reclamando que não tem dinheiro para nada. E não mencionamos ainda o amigo “pinguço” que é sempre visto marcando o ponto no bar e bebendo o seu suado aporte junto das frustrações da vida.

É claro desde cedo que, dependendo da nossa cultura, personalidade e ambiente, cada um de nós possui atitudes muito diferentes em relação ao dinheiro. E ao passo que podemos ser rápidos para determinar qual é o verdadeiro valor que o dinheiro pode nos trazer, a nossa atitude e mentalidade a respeito ao dinheiro pode ser uma coisa consideravelmente mais complicada. Mais importante, esta atitude também influencia de forma considerável o nosso enriquecimento por conta de atrelar valores emocionais ao quesito do dinheiro.

Enquanto podemos pessoalmente definir atitudes das pessoas de forma binária como “muquirana” versus “gastão,” uma pesquisa realizada nos anos 70 descobriu que este espectro na verdade é muito mais complexo. Não existem dois ou três, mas sim doze atitudes diferentes ao dinheiro conforme publicado pelos psicólogos Herb Goldberg e Robert Lewis numa pesquisa envolvendo a população dos Estados Unidos. E cada uma delas possui uma visão diferente quanto ao que significa o dinheiro e qual é a sua real utilidade.

Onde você se encaixa neste espectro do dinheiro, e o que isto significa para o seu enriquecimento? Vejamos neste post.

Continuar lendo “Os 12 tipos de atitude em relação ao dinheiro – onde você se encaixa?”

Segurança demais pode ser um problema? Porque o risco também é importante

É impossível falar sobre investimentos sem mencionar a palavrinha mágica: risco. Já se fala da máxima “o retorno é proporcional ao risco” como uma medida dos investimentos, e esta é uma das maiores dificuldades para começarmos a ter o mindset correto do investidor.

Somos, por razão evolucionária, uma espécie com uma aversão ao conceito de perda, e a exposição ao risco nos apresenta um potencial para perda que normalmente preferimos evitar. Construímos toda a sociedade baseada na intenção de reduzir riscos de alguma forma de perda. De fato, estudos mostram que na média, para que alguma decisão que pode envolver alguma perda “valha a pena” psicologicamente, a recompensa a ser ganha deve ser o dobro do potencia da perda.

Com tanta orientação para evitar perdas e riscos, poderíamos pensar que evoluímos da maneira certa e que segurança nunca pode ser demais. Ou pode? Surpreendentemente, existem alguns casos onde correr risco de menos pode resultar numa perda maior do que correndo um nível de risco saudável. Embora um conceito contra-intuitivo a princípio, isto se torna compreensível quando entendemos a relação que um risco calculado possui com os retornos de alguma ventura.

Neste post iremos explorar alguns destes casos da vida real, até fora dos investimentos, através de exemplos.

Continuar lendo “Segurança demais pode ser um problema? Porque o risco também é importante”

Seria o Value Investing a bala de prata financeira?

Quando estamos aprendendo alguma coisa nova, é comum deixarmos que alguma forma de autoridade do conhecimento guie nossos estudos e decisões na fase inicial por conta de falta de conhecimento melhor. Afinal, estamos apenas aprendendo, precisamos de alguma entidade com conhecimento para nos guiar melhor, e quem melhor do que os mestres para nos auxiliar nestes casos?

No caso dos investimentos, não há dúvida que a melhor abordagem que podemos adotar é o clássico buy & hold a longo prazo. Há vários estudos publicados que documentam o espetacular retorno que esta estratégia possui ao longo prazo, mesmo com os altos e baixos que a bolsa experiencia. E, central ao conceito do buy & hold, há um outro pilar importantíssimo, necessário para um investimento sensato: o value investing.

Venerado como a escolha primária de investidores famosos e bem-sucedidos como o Warren Buffett e Charlie Munger, value investing com certeza possui um nome bem estabelecido entre os círculos de investimentos. Por outro lado, outros o consideram uma teoria ultrapassada, pois a eficiência do mercado eventualmente consegue nivelar diferenças na precificação ao curto prazo, e que um hábito de pequenos investimentos regulares é mais fácil e eficiente do que “acertar o fundo” do mercado.

Felizmente, não precisamos adotar monoliticamente o Value Investing para conseguir investir, mas adicionar partes dos seus conceitos pode melhorar incrivelmente a sua performance de investimentos. Neste post, explico como funciona o Value Investing, e como você pode começar a integrá-lo na sua própria estratégia.

Continuar lendo “Seria o Value Investing a bala de prata financeira?”

Convertibilidade ao dinheiro: a melhor medida do pragmatismo financeiro

Virou Outubro e com ele, talvez seja hora de largar os conceitos avançados de investimentos e voltar um pouco aos básicos da educação financeira e rever a filosofia de como o dinheiro possui valor.

Mesmo que nem sempre queremos nos tornar Platão ou Freud e fixar na metafísica sobre o dinheiro representa, é bom de vez em quando nos perguntarmos da onde vem o valor que tiramos de uma quantia de dinheiro para alinharmos nossos objetivos e termos certeza que estejamos caminhando na direção certa, qualquer que seja o âmbito. E quando se trata de dinheiro, é importante sabermos e revermos a importância que ele possui na nossa vida para não cometermos um grande erro com nossas economias e gastarmos ele da forma errada.

Ouvimos muitas coisas sobre o valor e a utilidade do dinheiro, mas no fim das contas, o pragmatismo dele nos aponta a apenas uma possível resposta: uma medida de valor e padronização de troca, que viabiliza o comércio além do tradicional “escambo.” Nesta definição, porém, revela-se uma grande fraqueza sobre o dinheiro: ele é, essencialmente, efêmero. Uma vez utilizado, ele se acaba, e não poderá lhe servir mais de qualquer outra forma.

Esta realização realmente nos força a pensar cuidadosamente sobre como utilizamos o nosso dinheiro: procuramos evitar a compra de passivos financeiros e acumular ativos que se valorizam conforme o tempo, procuramos gastar apenas com aquilo que nos traz valor e realização pessoal, e temos uma tendência natural a economizar. E ainda assim, um detalhe muito importante passa despercebido em meio a este fato, e nos cega novamente a outro detalhe importante para o planejamento financeiro tranquilo e o enriquecimento.

Vejamos a importância da convertibilidade ao dinheiro neste post.

Continuar lendo “Convertibilidade ao dinheiro: a melhor medida do pragmatismo financeiro”

E se o tempo fosse literalmente dinheiro? Reflexões sobre “In Time”

Existe uma regra de ouro clássica no mundo das finanças pessoais que afirma que “tempo é dinheiro.”

Esta afirmação é verdade em vários sentidos, um deles com relação diretamente aos investimentos – juros compostos simplesmente não funcionam sem que tempo suficiente seja alocado para trazer resultados. No ramo do empreendedorismo, o tempo permite você realizar mais contatos com seus clientes e mais vendas. A relação entre o tempo e o dinheiro é clara sob esta luz, e muitos os veem como intercambiáveis.

Porém, e se o tempo e o dinheiro fossem literalmente a mesma coisa? Ou, mais interessante, e se o dinheiro equivalesse a sua vida, conforme o título do famoso livro de Vicki Robin?

Estes são os temas centrais de um filme menos conhecido lançado em 2011 chamado In Time, onde no futuro não existe mais o conceito de “dinheiro:” as pessoas trabalham para ganhar tempo, e morrem uma vez que seu tempo disponível se esgota.

Ficção a parte, o tema deste filme levanta a discussão antiga entre o desejo da humanidade pelo dinheiro versus o real valor e aplicabilidade dele: muitos seriam rápidos para afirmar que o dinheiro não traz felicidade, por exemplo, mas uma vez que este é igualado ao seu tempo de vida restante, as implicações são alteradas dramaticamente. Não só mais dinheiro = tempo, dinheiro também se iguala à sua vida restante. E de certa forma, partes dos conceitos deste filme já são realidade hoje mesmo.

Vejamos alguns insights que podemos tirar destra obra de ficção para nossa realidade.

Continuar lendo “E se o tempo fosse literalmente dinheiro? Reflexões sobre “In Time””