O Robin Hood da vida real não se deu bem no final

No começo deste mês, um engenheiro de testes ex-contratado Ucraniano da Microsoft fez a capa de vários jornais e veículos de notícias online com uma manchete que parecia ser tanto assunto de filme policial quanto um conto do Robin Hood na vida real: Volodymyr Kvashuk roubara do seu empregador mais de 10 milhões de dólares durante o curso de dois anos lá trabalhando.

Várias perguntas vêm à mente ao ler uma manchete como estas: como uma empresa de tal porte não detectou um desvio tão grande de dinheiro? Como uma pessoa conseguiu desviar tanto dinheiro por tanto tempo sem ser detectada? Como conseguiu declarar licitamente tanto dinheiro, ou explicar as compras luxuosas que resultaram deste dinheiro?

Uma coisa é certa: não há como simpatizar com o lado do contratado neste caso, nem quando se gosta tanto do Software Livre. A atitude dele foi desonesta e completamente egoísta, buscando nada além do seu ganho próprio e um dinheiro rápido e fácil. Felizmente, a justiça foi feita, mesmo se tardia, e ao fim das contas Kvashuk servirá nove anos de prisão pelos seus atos, seguindo de uma provável deportação dos Estados Unidos.

Ainda assim, o caso traz algumas considerações sobre todo o acontecido e a quantia monstruosa de dinheiro envolvida, que para muitos de nós será mais do que poderíamos pensar em ganhar durante nossas vidas. O que seria possível realizar caso este dinheiro fosse lícito? Qual o padrão de vida que poderia ser comprado? Seria possível se aposentar em qualquer lugar do mundo com esta quantia no bolso?

Vejamos mais sobre este curioso caso neste post.

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Bounty hunters: mais uma ótima razão para manter suas finanças em dia

Você está em casa numa sexta-feira à noite, assistindo TV e relaxando com uma cerveja gelada depois de uma semana difícil e estressante no trabalho. Sua família está também relaxando e aproveitando a noite, aproveitando a folga do dia seguinte para ficar acordados até mais tarde. Tudo perfeitamente tranquilo para começar bem o fim de semana.

Eis que num brusco barulho, a porta da sua casa é arrombada do alicerce e uma equipe de cinco homens trajando uniformes camuflados, completos com máscaras de gás, coletes e escudos balísticos invadem a sala, berrando para todos deitarem no chão. Eles carregam fuzis, tasers, granadas de fumaça e algemas, e não têm tempo para perguntas. Incapaz de reagir, você e sua família obedecem às ordens, sem ter qualquer idéia sobre quem são tais pessoas ou a razão para este ocorrido.

Enquanto outros membros revistam as demais cômodas da casa, o suposto líder do esquadrão te algema enquando recita um ditado pré-memorizado assustador:

“Senhor Fulano, somos caçadores de recompensas autorizados pela XY delegacia da cidade a executar esta prisão. Você está sendo preso por não cumprir as ordens da corte de se apresentar para justificar a falta dos pagamentos do seu carro. A sua ausência no tribunal no dia do julgamento acarretou nesta ordem de prisão.”

Então é isso. Você tem dívidas com o carro e não pôde honrá-las. É por isso que você está sendo arrastado para fora da sua casa em algemas. Sem tempo para poder protestar ou justificar, você é trancado no porta-malas do utilitário preto parado atravessado na rua e levado a caminho da delegacia. “Da próxima vez,” acrescenta o líder acendendo um cigarro, “não compre aquilo que não consegue pagar.”


Enquanto esta cena poderia ser abertura de um filme de ação ou parte do próximo livro de ficção do Pinguim A-Team: Esquadrão Antártica, surpreendentemente, não é. Trata-se de simplesmente mais um dia no trabalho de um Bounty Hunter nos Estados Unidos, cuja missão é apreender aqueles que devem dinheiro ou retomar a propriedade de quem não honrou com seus pagamentos.

Embora esta realidade com indivíduos armados seja pouco provável no Brasil (talvez exceto por agiotas), ela revela um aspecto perigoso das dívidas, e apresenta mais uma razão pela qual um bom planejamento financeiro é crucial para uma vida tranquila e próspera: a sua liberdade literal pode depender disso.

Vejamos mais neste post.

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Acabe com a sua miopia financeira antes que ela acabe com o seu patrimônio

Qual é o melhor investimento para se fazer agora?
Quais investimentos posso fazer para um ou dois anos?
Existe investimento para menos de um ano?

Quando se trata de enriquecer, temos sempre três pilares básicos necessários para alimentar este processo: receita, economia e investimentos. Qualquer um, independente do seu salário, consegue se tornar rico sob qualquer circunstância se simplesmente maximizar estas três variáveis. Porém, há um ingrediente comum necessário por trás de todo o processo: o tempo.

Qualquer pessoa que se aventura no mundo dos investimentos eventualmente passa a conhecer o famoso termo dos Juros Compostos, que rendem sobre o dinheiro aplicado e também sobre os juros rendidos sobre eles mesmos, numa forma de recursividade matemática. E a mágica destes novamente revolve sobre o fator do tempo, é só através do tempo que os rendimentos se acumulam de uma forma apelidada de efeito bola de neve.

Por conta desta dependência crucial sobre o tempo, é ilógico pensar em não utilizar o tempo para contribuir para o seu enriquecimento, mas a presença de perguntas como as do início deste post em vários fóruns na internet nos mostra que muitas pessoas não compreendem este aspecto dos investimentos. Elas sofrem da tão comum miopia financeira, que as força a planejar, pensar e agir a curto prazo. Se a primeira vista levar ao curto prazo é ruim para o enriquecimento, esta prática também se torna detrimental para a sua situação financeira ao longo do tempo.

Veremos neste post como esta miopia financeira pode causar mais problemas do que parece a princípio.

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A bolha do Uber?

Quando o Uber foi lançado e entrou no mercado brasileiro, a inovação foi completa. O aplicativo havia introduzido um novo modelo de negócios que desbancou os negócios dos taxistas e abriu uma competição diversificada antes nunca vista na história. O conceito do sharing economy começou a engatinhar e logo foi tomando espaço.

O transporte foi democratizado e as pessoas finalmente possuiam uma alternativa mais barata para prencher algumas lacunas cruciais do transporte urbano brasileiro. E, colateralmente, o Uber serviu de “colchão de segurança” amenizando o impacto da crise econômica iniciando em 2015, oferecendo uma forma de renda temporária para aqueles que perdiam seus empregos.

Avançando até 2020, a situação se tornou bem diferente. Aplicativos competidores entrando e competindo por mais motoristas e passageiros, continuidade da crise e falta de empregos causou um aumento significante do pool de motoristas fora de proporção com os passageiros, e a remuneração – variável como sempre – hoje tem um apelo mais duvidoso. Não é a primeira vez que falo do Uber no blog, mas desta vez trago luz a um insight que vi num post do SubReddit de Investimentos: estaria o Uber direcionado para uma bolha?

Os insights recebidos desta filosofia servem para além do aplicativo em si, mas para também outros produtos e serviços que entram na moda e crescem rapidamente. Uma bolha como essa pode afetar além do mercado e ir diretamente na vida pessoal das pessoas. Vejamos com mais detalhes.

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Quando o que vende na Bolsa não vale tanto quanto o que vem estampado na bolsa

Para quem acompanha os ultra ricos e outros HNWIs, ler na Forbes sobre a corrida até o topo da riqueza é um passatempo interessante, talvez até uma novela. Quem está no topo agora? Quem irá ultrapassá-lo? Quem são os outros rivais e participantes na corrida? Um verdadeiro BBB da elite!

Por não realmente acrescentar nada em conhecimento para mim como investidor, tendo a me desligar deste tipo de veículo, tal como as outras “notícias” de finanças que cantam as oportunidades douradas apenas depois que estão saturadas e perdem glamour. Porém, quando a notícia que Bernard Arnaut, fundador e CEO do grupo LVMH, se tornou o homem mais rico do mundo apareceu no meu feed, não pude deixar de olhar.

O que me tornou curioso para ler a matéria não foi o fato dele ter superado Bill Gates, dono do título por anos e anos seguidos no passado, ou o Warren Buffett, guruzão e ídolo de quase toda a finansfera. Foi porque ele conseguiu fazer tudo isso numa área para onde poucos olhavam; a indústria do Luxo.

Quando pensamos numa pessoa extremamente rica, bilionária por exemplo, geralmente pensamos em alguém que fez fortuna na área do petróleo, mercado imobiliário, ou até mesmo a alta tecnologia como nos casos dos bilionários recentes. Estes são mercados que tradicionalmente possuem muita demanda crescente e com empresas trilionárias no ramo, de onde tradicionalmente saíram vários dos mais ricos da história. Mas quando tratamos da indústria do Luxo, e de uma empresa principal que literalmente vende bolsas feitas de plástico, temos uma surpresa considerável.

Ao ouvir tais perguntas como estas, algumas pessoas sentem inveja ou são rápidas para comentar negativamente, mas eu vejo de outra forma: me inspiro e procuro analisar que lições posso tirar de tudo isso.

Que lições podemos tirar desta ascenção?

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Automatizando as partes boas: quais os benefícios de um piloto automático financeiro?

Um conceito que tenho frisado muito nos últimos posts do site é o dos hábitos, e como a influência deles e sua utilização com consciência é a melhor combinação para obter e manter sucesso financeiro a longo prazo sem que você se desgaste emocionalmente no processo.

Como uma demonstração prática deste conceito, assisti a um vídeo do YouTuber Ryan Scribner onde ele ensina sobre cinco coisas que você deve fazer assim que você é pago. São poucos aqueles que planejam seus meses com tamanha precisão, e a disciplina dele é comendável neste assunto; a estratégia de Scribner age como um framework para uma pessoa fazer as coisas financeiramente importantes antes que se caia na tentação de gastar este dinheiro em alguma outra coisa não-produtiva.

O vídeo é direto e reto, e consegue cobrir uma quantidade grande de recomendações para serem seguidas. Quais coisas podemos fazer após o pagamento para garantir que nossos interesses financeiros sejam protegidos?

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Vida móvel e liberdade: lições de Amyr Klink para a comunidade FIRE

Uma das primeiras lições que aprendemos quando nos educamos sobre a independência financeira é o conceito de ativos e passivos, e a diferença entre eles. Ironicamente, esta é também uma das mais dolorosas, pois muitas vezes estamos psicologicamente instruídos a acreditar que nossa visão de sucesso envolve acumular bens de consumo que são, essencialmente, passivos e não nos trarão riqueza. Destruir esta crença limitante que coisas como carros ou casas não são ativos e – de fato – te emprobrecem é difícil, e como evidência vemos várias histórias de como celebridades bem pagas rapidamente vão à falência.

Já escrevi em diversos posts anteriores como os passivos se tornam uma âncora pesando nas suas finanças pessoais, mas existe um outro lado menos mencionados sobre os outros malefícios associados com o acúmulo de passivos: a perda da liberdade. Este lado menos explorado da história se tornou claro para mim quando li uma entrevista com o navegador brasileiro Amyr Klink, que se tornou famoso ao cruzar o Atlântico num barco à remo nos anos 80, e circumnavegar a Antártida em 1998.

Esta entrevista me surpreendeu porque à primeira vista não reconhecia Klink como um escritor de finanças, mas posteriormente descobri que ele é formado em economia. Suas experiências vivendo no mar deram a ele alguns insights importantes a respeito de como podemos viver mais eficientes e mais ricos se simplesmente largarmos a possessão de passivos, e passássemos a alugá-los quando necessário.

Este não me é um conceito novo, mas lendo a entrevista de Klink, pude ter um novo insight sobre a não-acumulação de passivos: a mobilidade que ganhamos na vida por não ter algo que nos prenda a um certo lugar ou circunstância.

Quais lições Amyr Klink pode ensinar para a comunidade FIRE?

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Atlas Quantum – uma tragédia de ganância, sardinhagem, e desonestidade

Quando li esta matéria no site do Terra, comecei pensando que era cômico, quase que engraçado, mas terminei sentindo que foi uma história de terror.

No começo, parecia mais um caso de sardinhagem só; algumas pessoas investindo em criptomoedas sem entender e entrando em pânico quando a cotação caiu, e agora reclamando com a corretora por conta das perdas. Porém, ao entrar em detalhes, percebi que o buraco era um pouco mais embaixo, e a sardinhagem mais intensa: pessoas investindo o que não poderiam perder, tentando viver e se aposentar apenas de proventos de criptomoedas e não entendendo os riscos associados com este investimento. E dado o volume de pessoas afetadas, o problema parece que foi bem mais sério do que aparentava na manchete. Foi virando uma espécie de filme de terror.

Quando um grupo de pessoas especula em criptomoedas e assim que as vacas ficam magras e o desespero bate não consegue sacar o seu dinheiro, quais são as lições que podemos tirar? Eu consigo identificar pelo menos quatro erros cometidos pelos investidores nesta história triste.

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Arrependimentos Financeiros e como evitá-los

Todos nós chegamos a errar várias vezes na vida, e sábios são aqueles que tomam estas oportunidades para aprender com os erros e melhorar a vida com base nisso. O resultado de um erro deve ser uma forma positiva de se ver a realidade, senão o progresso não aparece e assim não conseguimos seguir em frente.

Há uma diferença, porém entre ter errado e conseguir aprender para reverter a situação e ter errado para seguir o resto da vida carregando arrependimento nas costas. Isso é um sinal que você fez uma decisão que, na hora, parecia não custar muito, mas que acabou se tornando cara ao longo do tempo. Neste vídeo do gestor de fundos e autor do livro Rule #1 Investing Phil Town, estas decisões são chamadas de Financial Regrets (arrependimentos financeiros), e representam decisões com consequências pesadíssimas lá na frente.

Certamente é difícil dizer que nunca passamos por algum arrependimento assim na vida, e mais difícil ainda prever quais decisões poderão se tornar tais arrependimentos no futuro. Aqui vamos explorar algumas delas que ele descreve.

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Comentário do Pinguim #4 – Investimentos Indiretos, riscos e Desterceirização

Como devo investir meus primeiros mil reais?
Qual é a melhor forma de começar a investir?
Qual é o melhor produto pra se investir quando se tem pouco dinheiro?

Estas são algumas das perguntas clássicas de quem começa a investir, e refletem uma insegurança que todos nós temos ou já tivemos como iniciantes nas finanças pessoais. Atire a primeira pedra quem nunca fez essa pergunta para algum mentor ou procurou no Google ou algum fórum da internet sobre o assunto.

O grande problema por trás deste tipo de pergunta é que ela esconde um outro problema que a pessoa não quer tratar no momento, mas que é fundamental para ela começar e continuar a ter prosperidade financeira na vida: ela não entende os fundamentos de como funcionam os investimentos. Esta falta de educação financeira é a maior razão pela qual tantos iniciantes desistem depois de da euforia inicial de investir, pois o investimento não foi com a expectativa que tinham de enriquecer rapidamente.

Recentemente assisti alguns vídeos do YouTuber Jeff Rose, sobre quem escrevi anteriormente num outro post sobre motivação, onde ele reverbera a minha opinião sobre estas perguntas de quem inicia: no começo, o melhor investimento que você pode fazer é em você mesmo, na forma de conhecimento. Estes investimentos, chamados de Income Accelerators por Rose, são investimentos não-tradicionais que oferecem a você a oportunidade de aprender a ganhar mais dinheiro por você mesmo e desterceirizando o processo.

Medir o retorno destes investimentos é complicado, pois não há o conceito de ROE tradicional, mas eles podem ser os primeiros passos que um investidor pode tomar para iniciar uma carreira com o pé direito. Vamos ver como eles funcionam.

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