Os 12 tipos de atitude em relação ao dinheiro – onde você se encaixa?

Falar de dinheiro no cotidiano é um verdadeiro paradoxo. De um lado todos evitam o assunto no social, trabalho e até mesmo dentro de casa por considerá-lo um “tabu,” um tema profano que não pertence à conversa civilizada. Por outro, o dinheiro é um dos poucos assuntos que tanto envolvem, permeiam e afetam todos da sociedade igualmente, sem distinção.

Assim, embora quase todos evitam este assunto tão importante e crucial para nosso desenvolvimento adulto, todos sabemos apontar para algumas “figurinhas clássicas” dos nossos círculos sociais quanto aos seus comportamentos em relação ao dinheiro. Existe aquele “mão de vaca,” “pão duro,” “Tio Patinhas” que nunca quer abrir o bolso para nada. Ou o seu oposto diamétrico, aquele que está sempre esbanjando, mostrando ter tudo de bom e do melhor, mas (não) ironicamente sempre está reclamando que não tem dinheiro para nada. E não mencionamos ainda o amigo “pinguço” que é sempre visto marcando o ponto no bar e bebendo o seu suado aporte junto das frustrações da vida.

É claro desde cedo que, dependendo da nossa cultura, personalidade e ambiente, cada um de nós possui atitudes muito diferentes em relação ao dinheiro. E ao passo que podemos ser rápidos para determinar qual é o verdadeiro valor que o dinheiro pode nos trazer, a nossa atitude e mentalidade a respeito ao dinheiro pode ser uma coisa consideravelmente mais complicada. Mais importante, esta atitude também influencia de forma considerável o nosso enriquecimento por conta de atrelar valores emocionais ao quesito do dinheiro.

Enquanto podemos pessoalmente definir atitudes das pessoas de forma binária como “muquirana” versus “gastão,” uma pesquisa realizada nos anos 70 descobriu que este espectro na verdade é muito mais complexo. Não existem dois ou três, mas sim doze atitudes diferentes ao dinheiro conforme publicado pelos psicólogos Herb Goldberg e Robert Lewis numa pesquisa envolvendo a população dos Estados Unidos. E cada uma delas possui uma visão diferente quanto ao que significa o dinheiro e qual é a sua real utilidade.

Onde você se encaixa neste espectro do dinheiro, e o que isto significa para o seu enriquecimento? Vejamos neste post.

O espectro da atitude ao dinheiro

Goldberg e Lewis concluiram em seu livro Money madness de 1978 que as pessoas tendem a cair em uma das seguintes doze categorias quando se tratando da sua opinião sobre o dinheiro e o que este significa para suas vidas.

Estereotipos ou ciência? Quanto mais adentro se lê, menos claro isso se torna. As categorias em si são:

  1. Comprador de liberdade: utiliza o dinheiro como uma forma de comprar a sua autonomia e não fazer o que os outros lhe impôem. A “taxa da liberdade” é o destino mais importante do seu dinheiro.
  2. Lutador por liberdade: não gosta como o dinheiro limita alguns e promove desigualdade. Usa o dinheiro como forma de ativismo – ou nihilismo.
  3. Poupador compulsivo: economiza o dinheiro sem algum objetivo específico, simplesmente por poupar. Chega a ser parecido com alguém que paga um “imposto de economia” a toda oportunidade que tem de ganhar dinheiro.
  4. Auto-privador: sente-se culpado por qualquer dinheiro que é gasto consigo mesmo, vivendo puramente para apaziguar os outros e guardar o dienheiro. Mora em condições piores que a sua condição financeira permitiria.
  5. Barganhador compulsivo: não gasta sem ter antes uma barganha para procurar e trabalhar. Pesquisa e recorta cupons de desconto, faz compras em vários supermercados diferentes tudo em prol da mais mínima economia. Não são as compras que o satisfaz, e sim as economias em cada uma.
  6. Colecionador fanático: acumula não só dinheiro, mas qualquer coisa que se torna uma demonstração dele e do seu valor. O acúmulo só tem um caminho – de acumular mais e mais – e não tem volta. É extremamente competitivo em paralelo.
  7. Comprador de amor: generoso com o seu dinheiro, mas o utiliza para comprar adimiração, atenção e tentar fazer as pessoas ao seu redor gostarem dele. Oferece gorjetas generosas, e presenteia a família com frequência, mas sempre com uma segunda agenda por trás.
  8. Vendedor de amor: elogia e lisongeia os outros sem limitação, mas está realmente vendendo o seu carinho em troca do dinheiro dos outros que estão em posições mais poderosas do que ele. Quando algum deles cai do cavalo, o amor por ele termina.
  9. Roubador de amor: uma pessoa em posição de poder que finge amar e tomar conta dos seus subordinados, mas secretamente espera que estes não percebam que ele não dá a mínima por eles. Exemplo: um chefe que é legal com o time só para não precisar acrescentar mais motivação através de aumentos.
  10. Manipulador: utiliza o dinheiro para obter mais poder e dinheiro, e não apenas de maneiras lícitas. Explora pessoas para seu ganho pessoal e não sente qualquer culpa em fazê-lo.
  11. Imperador: um líder nato porque acha que quem “segue” é fraco. Não suporta que os outros questionem seus métodos e decisões, e sua independência dos outros é importante. Determinado a pegar “atalhos” se estes tratão dinheiro mais rápido.
  12. Padrinho: coloca suas “crianças” sob suas asas, pagando-as propinas para que sejam boas e façam o bem. É bom e carinhoso com os outros, provado que estes façam sempre aquilo que ele queira. Está disposto a pagar para comprar a lealdade alheia.

Ufa! Algumas delas eu pessoalmente considero um pouco bizarras por serem algo que eu nunca consideraria possível na minha situação, mas ainda assim consigo imaginar como algumas pessoas podem considerar o dinheiro desta forma. Também não acredito que estas categorias sejam rígidais e finais – afinal, muitas podem ser consideradas estereotipos e não realísticos para a representação de alguns.

Como isso afeta as suas finanças?

Certamente ser classificado de acordo com estas categorias soa estereotípico e condescendente, e eu acredito que felizmente não precisamos ser limitados a estes valores. Ainda assim, uma grande lição pode ser tirada desta pesquisa: a sua percepção do dinheiro influencia muito o seu progresso no caminho ao enriquecimento. A longo prazo, a sua atitude ao dinheiro irá determinar suas crenças sobre ele, e portanto sua capacidade para acumulá-lo.

É preciso se conscientizar das consequências ruins da frugalidade limitante extrema (exemplo: Poupador compulsivo, Auto-privador), onde não se corre risco e nem se traz valor à vida própria por aversão à gastar dinheiro, mas também de que gastar compulsivamente, acumular-se de coisas sem valor financeiro e tentar usar o dinheiro como influência maliciosa (exemplo: Colecionador e comprador de amor) também não é o caminho à prosperidade financeira.

A maioria de nós se encaixa em meio a mais de uma das categorias descritas anteriormente, mas um aspecto mais importante – e talvez mais sutil – é como estas atitudes revolvem em torno da sua percepção do seu grau de controle em relação ao dinheiro. De maneira crua, existem apenas duas visões a respeito do controle: ou ele pertence à você (internalizado) ou não (externalizado).

Certas pessoas naturalmente tendem a internalizar sua esfera de controle, acreditando que conseguem “controlar” o seu destino mais do que este sobre elas. Empreendedores são um clássico caso, que ao levar a sua própria fonte de renda em suas mãos ao invés de outros, acabam por crer que possuem mais controle sobre suas finanças. Por outro lado, pessoas com um passado de miséria, pobreza ou algum trauma financeiro são mais suscetíveis a externalizar o controle, pois afinal durante uma parte significante das suas vidas este sempre esteve fora do seu alcance (salário do empregador, crise econômica, etc).

Eu particularmente acredito que a mentalidade internalizadora é um componente crucial para o sucesso pessoal: se você mesmo não acreditar na sua própria capacidade de suceder, como acha que vai conseguir chegar lá? Ao agir como se o seu sucesso depende de mais nada exceto pelo seu próprio esforço, você torna o jogo ganhável e sob o seu controle. E esta não é apenas a minha opinião: tanto a filosofia Estóica e o coach de desenvolvimento pessoal Mark Manson possuem opiniões congruentes.

Finalmente, é preciso saber qual é o seu objetivo final em relação às suas finanças ao longo prazo. Uma boa notícia é que a abundância financeira não precisa ser “binária” – enriquecer ou empobrecer com cada escolha – mas sim uma questão de alocar mais ou menos entre os objetivos de curto e longo prazo. Será que tentar impressionar os outros com as possessões materiais é mais importante do que a sua eterna liberdade? Será que o retorno financeiro de mais uma pós-graduação duvidosa vai ser maior do que o seu aporte em investimentos previdenciários? Estas são algumas questões a serem pensadas.

Se você não tiver um objetivo financeiro, alguém com segundas intenções irá definí-lo para você

Independente de onde você supostamente se encaixa nas 12 classificações de Lewis e Goldberg, você precisa de um objetivo e um plano financeiro sólidos e prosseguir focado neles.

A incerteza neste âmbito é o que leva tantos esquemas de pirâmides e vendedores disfarçados de conselheiros a levarem seus esquemas com tanto sucesso. Eles sabem o poder que sentimentos de incerteza, ganância e medo possuem quando manipulados corretamente e investem anualmente dezenas de bilhões de dólares em propaganda para atrair o seu dinheiro.

Não existe uma única resposta correta para a grande questão da independência financeira, já que cada história de vida é única e bem diferente de pessoa a pessoa. Ainda assim, um objetivo, mesmo que revisitado e mudado de tempos em tempos, é uma das coisas mais importantes que você pode manter no seu planejamento. Isto e uma mentalidade positiva ao conceito do dinheiro são a melhor forma de manter uma mente tranquila e não cair em alguma armadilha movida pela ganância.

Para o mindset positivo sobre o dinheiro, um livro que me trouxe um grande insight foi a Mind over Money de Claudia Hammond. Para quem tem um bom domínio de Inglês e quer ter mais insights sobre a psicologia do dinheiro, este livro é uma altamente recomendado!


Em qual(is) das doze categorias de Lewis e Goldberg você se encaixa em relação ao dinheiro? Acredita que estas categorizações são mais estereotipos ou de carater científico? Como acha que estas categorias se encaixam em relação ao sucesso financeiro? Escreva nos comentários.

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor

2 comentários sobre “Os 12 tipos de atitude em relação ao dinheiro – onde você se encaixa?

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