Ninguém se importa com o que você faz – e por isso, você é livre

Aqui está uma realização poderosíssima, e que poderá libertar você de quase toda a sua ansiedade: independente do que você acredite e se preocupe, na verdade, ninguém se importa com o que você escolhe fazer ou não.

Releia a frase anterior. Pronto? Releia mais uma vez. Tem certeza que você entendeu tudo o que ela significa? Então ótimo, pode fechar esta página e começar tudo aquilo que você se inibiu de fazer antes por medo do julgamento alheio. Você está livre. Vá!

Ainda por aqui? Excelente, então acho que posso elaborar um pouco mais sobre o significado desta realização nas nossas vidas.

Desde criança, aprendemos sobre o valor que aceitação coletiva possui em nossas vidas. Queremos satisfazer nossos pais sendo bons filhos, nos comportando bem, fazendo nossas tarefas e mostrando nossas conquistas da escola. Olha o que eu fiz hoje, a minha nota da prova, os resultado do jogo. Colhemos a atenção e os elogios como fonte de prazer. Mesma coisa com os nossos coleguinhas de sala, queremos pertencer ao grupo colhendo aceitação e um senso de identidade fora de nós, e predicado naquilo que os outros pensam de nós.

Dizer que isto não persiste após a adolescência é uma mentira. Como adultos, continuamos vivendo a vida olhando sempre para trás e para os lados, procurando aprovação alheia e fugindo daquilo que seria “mau-visto” pela maioria. E ao passo que muitos pensam que não há problema com isso, e que vivem simplesmente uma vida “normal,” a realidade é que silenciosamente esta forma de pensar pode estar limitando o seu potencial da pior forma possível: internamente.

Preciso fazer isso porque todo mundo no escritório está fazendo. Tenho que comer naquele restaurante caro porque é onde todo mundo também vai. Tenho que comprar um carro e uma casa, essa é a forma que posso mostrar para todos que ganhei na vida. Estas roupas não são dignas de uma pessoa do meu novo círculo social.

Realizar que o julgamento alheio é um medo irracional e que, na verdade, são pouquíssimas as pessoas que se importam com aquilo que você faz, é libertador. Esta forma de pensar é necessária para obter a vitória num âmbito como o FIRE, mas seus benefícios se transpõem além do que simplesmente as finanças.

Vejamos o poder que existe por trás desta filosofia neste post.

O poder de dizer “não”

Ao passo que inicialmente acreditamos que a receptividade e a aceitação de tudo que nos é imposto é o melhor para nos tornarmos aceitos e parte de um grupo, ao longo do tempo este mindset nos causa a perda de nossa identidade pessoal e daquilo que nos providencia realização e valor pessoal.

Ironicamente, pode ser justamente quando começamos a falar “não” no lugar do sim que começamos a crescer pessoalmente. A habilidade de negar a opinião do grupo quando você sabe o que lhe traz o verdadeiro valor é importante em dois aspectos: primeiramente, você consegue posicionar exatamente aquilo que lhe traz felicidade à frente da pressão comum, e desta forma, também consegue colocar dentro do seu controle e responsabilidade o que lhe traz valor (ao contrário de um fator externo).

Os famosos minimalistas Josh e Ryan representam um destes casos onde dizer “não” tornou suas vidas melhores. Armados de cargos de renome, salários, bens materiais e um padrão de vida que, para muitos seria a encarnação do estilo de vida perfeito, por baixo dos panos ambos tinham problemas pessoais e financeiros enormes. Insatisfação com a vida, e a falta de realização que um trabalho tão superficial trazia, e para piorar uma dívida enorme contraída por uma década de consumismo desenfreado para compensar as insatisfações.

Como eles descrevem em seu livro autobiográfico Everything that remains, eles estavam na beira do abismo levando suas vidas conforme o script da sociedade indicava, e os próximos passos sem dúvida seriam ao caixão por estresse no trabalho, conforme Josh descreve no livro ter acontecido com um de seus colegas de trabalho. Porém, numa reviravolta, eles conseguiram negar este estilo de vida e literalmente começar do zero (inclusive limpando todas as suas dívidas) ao adotar um estilo de vida diferente, fora dos padrões estabelecidos, no minimalismo.

Esta história pode soar como um golpe de sorte, pois afinal poderíamos dizer que eles se tornaram muito mais bem-sucedidos como estrelas do movimento minimalista, mas mostra bem como negar a aceitação de uma norma e seguir aquilo que você realmente deseja pode ser a melhor saída num mundo de conformidade. Claro que existem contra-exemplos, sair de um emprego sem ter nada em mente é arriscadíssimo se você não tem uma reserva de emergência formada, e tentar um empreendimento do zero possui uma grande quantidade de riscos. Mas o caso ilustra o poder de dizer “não” a determinadas coisas.

Num âmbito mais pessoal, eu poderia ter deixado levar os meus antigos hábitos sociais de beber com os colegas de trabalho após o expediente. Afinal, era “sociável,” e me trazia bons pontos de aceitação com meu grupo. Eu optei em parar com este hábito danoso, porém, e como resultado ambos a minha saúde, minhas finanças e o meu tempo agradeceram bastante.

Não houve dúvida que esta foi a melhor escolha.

Feito é melhor que Perfeito

Outro efeito que predicar as suas decisões de vida na opinião e aceitação alheia é que você acaba por nunca tentar nada novo. Medo de falhar e aparecer ruim em frente ao público é um grande inibidor de novas tentativas e de desenvolver-se em alguma nova habilidade.

Graças às mídias sociais, basta rolar por algum feed de notícias para achar que todos são perfeitos na vida, extremamente bem-sucedidos e sem vaga para defeitos. Não só esta ilusão de perfeição causa uma sensação de inveja e conflito, ela também desencoraja você de tentar alguma coisa nova, por medo (próprio) de não alcançar tais “padrões” exibidos pelas outras pessoas nos feeds. Isso inibe o crescimento pessoal e causa você a inibir a sua melhor forma de aprendizado: fazendo e tentando coisas novas.

Novamente, você não precisa ser perfeito, nem o melhor em alguma coisa para se tornar um sucesso em alguma coisa; você precisa estabelecer metas sobre o que significa o sucesso para você num âmbito pessoal, e fazer dele a sua jornada pessoal, trilhando-a e aproveitando tudo o que ela tem para oferecer até lá.

O guru do marketing em mídias sociais Gary Vaynerchuk é um grande crítico desta ilusão criada e acreditada nas mídias sociais: para ele, o sucesso começa quando você despeja qualquer expectativa que você acha que os outros têm de você. Não é seguindo o que os seus pais querem que você seja, o que seus colegas estão fazendo ou o que você acha que os outros irão aprovar ou desprovar que você terá realização pessoal e uma vida com felicidade.

Nugget of truth by Gary Vee

Gary vai ainda mais à fundo e afirma em seu best-seller de marketing Jab, jab, jab, Right hook (versão em português aqui) que, não importa o quanto de talento você possui, qualquer um consegue alcançar seus objetivos se aplicar uma grande quantidade de esforço. Não importa o quanto a sua versão inicial de um projeto ou habilidade seja boa ou não – aplicando (ou deixando de aplicar) esforço, a cena muda completamente.

Feito é melhor do que perfeito.

Ninguém vai viver a sua vida por você

Se você se permite auto-censurar, e impedir de tentar coisas novas por conta de algum fator externo nas redes sociais ou o medo da expectativa e desaprovação alheia, a última lição que eu deixo com você é a seguinte: a vida é sua, e ninguém vai vivê-la por você.

Pode ser que você esteja desencorajado por medo do desconhecido, algo perfeitamente racional por conta da nossa aversão natural a aquilo que desconhecemos. Isto pode ser consertado simplesmente tomando conhecimento e experiência, tal como eu fiz quando entrei na bolsa ou investi pela primeira vez na vida. Ter medo da desaprovação alheia, porém, é irracional. As pessoas ao seu redor não se importam ou têm tempo de julgar aquilo que você faz ou deixa de fazer – elas estão simplesmente ocupadas demais com as suas próprias rotinas.

O que você faz ou deixa de fazer não será julgado por quase ninguém, assim como não há como afirmar que você “perdeu” alguma coisa ou “deixou de viver” outra coisa se você estava vivendo a sua vida plenamente conforme o bom uso do seu tempo. Realizar isto é o primeiro passo para a sua tranquilidade mental e o seu bem estar ao longo prazo.


Você costuma ter ansiedade ou receio por conta do medo da aceitação ou expectativas alheias? Como faz (ou fez) para quebrar este ciclo e finalmente fazer aquilo que sempre desejou fazer? Escreva nos comentários.

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor


Photo by Rowan Heuvel on Unsplash

4 comentários sobre “Ninguém se importa com o que você faz – e por isso, você é livre

    1. Cinthia

      Texto espetacular, tenho pensado muito nisso… A gente parece que se prende em tentar descobrir e fazer o que os outros querem de nós, quando ninguém está sequer nós enxergando…. Kkkkkk! Biazarro!

      Curtido por 1 pessoa

      1. Olá Cinthia!

        É verdade, a gente cresce predicando a vida nos outros desde criança, aí quando viramos adultos nos indagamos que não conseguimos ser “nós mesmos” mais.

        Se libertar deste auto-julgamento é o primeiro passo para o sucesso.

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