Enriquecer é redundante?

Olá! Excelente post. Eu assiti alguns vídeos desse Primo Rico e até cheguei a comprar o livro dele na época. Pra ser sincero, não sei se vi os vídeos errados, ou as lives erradas dele, mas sinceramente não consegui aprender nada sobre investir ou comprar ações. Senti que ele cria conteúdo “dando voltas” no assunto e sem especificar de fato o que fazer. Tipo como muitos dizem: trabalhe, poupe e invista. Do meu ponto de vista isso é bem redundante se você não disser COMO se faz. Poderia indicar algum conteúdo dele que mudasse minha opinião? Ou de outra pessoa? Não senti confiança no Thiago Nigro, essa que é a verdade.

Quando li este comentário no meu post sobre o Primo Rico a.k.a. Thiago Nigro e seu vídeo onde ensina a obter R$195 mil de dinheiro extra ao longo de alguns anos, a primeira reação que tive foi pensar que o autor não havia entendido o sentido do post. Lendo mais aprofundadamente, porém, percebi que o ele tinha um ponto bem válido: algumas vezes, ler sobre educação financeira, especialmente para quem já possui uma noção bem avançada, pode parecer meio maçante ou até mesmo redundante.

E há, sim, uma dose de verdade nesta opinião: enriquecer, na sua melhor forma, precisa ser um processo simples. Enriquecer precisa ser simples da mesma forma que a matemática necessária para se aposentar é simples. Quanto mais simples, melhor, mas claro que isso não significa necessariamente que vai ser fácil; o seu esforço sempre será necessário, uma parte integral de todo o processo do desenvolvimento pessoal.

E esta mesma simplicidade que torna o FIRE tão poderoso pode se tornar uma pequena problemática entre os criadores de conteúdo sobre o assunto: sobre o que falar quando a sua esfera do assunto é tão, eventualmente, simples e direta? A verdade, porém é que a aparente “redundância” do assunto é uma consequência necessária. Isso porque muitos não acreditam que enriquecer pode ser um processo tão simples, e começam a procurar maneiras de “acelerar” o processo, ou “complementá-lo” por fora, e acabam sacrificando todo o seu trabalho árduo no caminho.

Quando começamos a acreditar que para enriquecer é necessário especular, acertar na mosca a próxima empresa mina de ouro, ou investir em ativos esotéricos, tornamo-nos cegos aos riscos destas promessas de enriquecimento rápido e fácil, e arriscamos perder quando na verdade, tudo o que precisávamos fazer era seguir uma estratégia mais simples.

Neste post, explico por que a estratégia simples, passiva e de longo prazo é a vencedora, e por que adicionar complicação demasiada pode ser até nocivo para o seu patrimônio.

Analogia do exercício

Antes de explorar à fundo os conceitos financeiros, gosto de começar com uma pequena analogia sobre este mesmo conceito: exercício físico.

Não há dúvidas que, para manter um nível de saúde constante e satisfatório, tudo o que você precisa fazer é se exercitar regularmente com um certo nível de esforço e ter uma dieta balanceada e saudável. Fazendo apenas estas duas coisas, você conseguirá um resultado extremamente eficiente ao longo do tempo, o suficiente para você manter o seu bem estar físico e mental balanceado por muito tempo – e o melhor: por um custo baixíssimo, grátis se você se exercitar na rua.

Há um grupo de pessoas, porém, que acredita que este procedimento simples não é suficiente. Eles querem performance. Eles querem resultados. Ganhos e potência. Simplesmente comer de forma limpa e se exercitar não é suficiente – é necessário suplementar o processo. Então eles gastam centenas de reais mensais com uma linha de produtos com nomes e siglas esotéricas, feitos em laboratórios e com contra-indicações duvidosas para suplementar sua dieta.

E alguns deles ainda assim não se encontram satisfeitos e querem mais. Eles cruzam a linha da legalidade e da própria saúde e usam esteróides, anabolizantes e outros produtos com efeitos colaterais controversos, gastando outras centenas de reais em cima de todos os outros gastos básicos.

Será que seus objetivos são realizados agora? Algumas vezes sim, outras vezes não, mas quanto ao quesito da saúde básica e bem estar, não se encontram em nenhuma forma melhor do que as pessoas que simplesmente optaram pelo simples método da dieta e exercício balanceados. A diferença é que estas economizaram centenas a milhares de reais optando pelo simples, enquanto os obcecados ficaram no vermelho.

Esta história soa óbvio para você? Então tenho ótimas notícias: é exatamente igual quando se trata de enriquecer. “Marombeiros financeiros” buscam métodos de enriquecer da noite pro dia, “atalhos” financeiros, e gastam ou arriscam grandes quantidades de dinheiro quando a forma mais certeira e segura de se enriquecer continua sendo a mais simples: trabalhe, economize, invista a diferença.

Os requisitos mínimos necessários para você enriquecer

Você não precisa investir em commodities ou moeda estrangeira para conseguir um hedge que inflará a sua carteira em tempos de crise. Você também não precisa passar 90% do seu tempo livre analisando a fundo todas as small caps para achar aquela pepita de ouro que se transformará na próxima MGLU3 e inflar 200x seu valor inicial (arriscando errar feio na aposta).

Tudo isso só irá consumir seu tempo, dinheiro e sanidade mental em troca de um benefício pequeno ou um risco de perda, quando a opção certeira é segura, mesmo que tome mais tempo.

Não subestime o quão longe conseguirá ir se simplesmente manter os conceitos básicos. Recapitulando:

  • Ganhar dinheiro (renda).
  • Economizar o máximo possível dele (economia).
  • Investir a diferença.

Este triângulo de acumulação patrimonial é a ferramenta básica que garante que você conseguirá chegar ao seu objetivo, não importa o quão ambicioso ele seja. Não há a necessidade de complexidade e complicação, embora seja necessário sim uma grande dose de paciência, que é o “fermento” financeiro da equação.

Uma lição do princípio Unix

Por fim, uma das histórias mais fascinantes que gosto de lembrar quando se trata do poder da simplicidade é emprestada do bom e velho Linux, ou melhor dizendo, do seu antecessor: o Unix.

Or arquitetos originais do Unix ao longo de suas gerações e versões elaboraram um set de princípios que auxiliariam desenvolvedores futuros a manter os padrões de qualidade e performance do sistema Unix, que vieram a ser conhecidos como Princípios Unix. Estes foram adotados por derivativos do Unix como o Linux, adaptações como FreeBSD, e até hoje é seguido por desenvolvedores de aplicativos de alta performance e sistemas operacionais.

Uma das cláusulas do princípio Unix em particular chama atenção: a que afirma que programas devem “fazer uma única coisa, e fazê-la bem.” O princípio Unix diz que ao invés de complicar programas existentes adicionando mais funcionalidades, você deve colocar estas novas funcionalidades num novo programa. A coordenação entre todas as funcionalidades, por sua vez, deve ser feita pelo sistema operacional.

É igual com o nosso triângulo de acumulação patrimonial: nossos “programas” são a capacidade de ganhar dinheiro, economizá-lo e investí-lo bem, com nosso poder de julgamento e decisão saber qual é a hora de maximizar qual deles.

E para quem acha que esta simplicidade do Unix não vingou, pense outra vez: nos seus quase 60 anos de existência, o legado do Unix existe em todos os âmbitos da computação moderna. O Unix serviu de base para o Linux, que roda a maioria dos servidores dos sites da internet e o sistema Mac OS é um descendente direto. O legado do Unix se estende ao mundo dos gadgets com o sistema Android sendo baseado no kernel do Linux, e ao espaço, como o sistema operacional das sondas e missões da NASA.


O apelo de tentar algum “atalho” para enriquecer é grande, mas não deve superar a sua racionalidade de como enriquecer funciona de fato. No fim das contas, enriquecer deve ser simples, previsível e escalável, e simplesmente mantendo em mente o triângulo de acumulação patrimonial já permite você a atingir todos estes pontos.

Na sua opinião, enriquecer é melhor quando tornamos os pontos difíceis e complexos ou simples e compreensíveis? Quais são as suas ferramentas na hora do enriquecimento? Escreva nos comentários.

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor


Photo by Ashim D’Silva on Unsplash

Um comentário sobre “Enriquecer é redundante?

  1. Pingback: O problema de dez reais versus problema de dez mil reais – Pinguim Investidor

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