E se tributarem os dividendos? E outros medos dos impostos

Recentemente, as redes sociais da finansfera foram atingidas por uma notícia que tremeu a fundação do movimento FIRE: o ministro da economia Paulo Guedes propôs em entrevista que dividendos e proventos de ações sejam taxados. Guedes afirmou que não acha justo que um trabalhador tenha 27% do seu salário tributado como imposto de renda enquanto um acionista consiga receber proventos, muitas vezes mensais, completamente isentos do dever fiscal, e estaria buscando uma medida para “equalizar” esta medida.

Tal notícia causou um grande alvoroço para a comunidade de investimentos, que enxergam (corretamente!) os dividendos da renda variável como uma espécie de oitava maravilha do mundo, e contam com eles para financiar seu plano de aposentadoria. Com esta proposta passando, não só não seria mais possível aproveitar da antiga alta taxa Selic para obter rendimentos passivos com a segurança da renda fixa (sonho dos rentistas), mas também quaisquer planos de criar um patrimônio de investimentos previdenciários também seria afetado significantemente.

Muitos nessas horas fazem esta primeira pergunta: e agora? Como fica o meu planejamento? É hora de parar de investir em renda variável? Estas dúvidas são naturais por conta da ameaça percebida e a falta de certeza no futuro. Porém, mais importante, elas revelam um aspecto muito mais fundamental que a população possui: o medo dos impostos.

Para ficar claro, acredito que mesmo com isto passando, não é razão para parar de acreditar no potencial e nos benefícios que o investimento em renda variável possui. Seria, porém, uma hora de você rever o impacto que os impostos (ou a sua percepção deles) tem no seu planejamento financeiro. Veja como neste artigo.

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Seu salário não vai te salvar

“Se eu tivesse um emprego melhor, tudo estaria resolvido.”
“Se meu chefe fosse outro, não teria tantos problemas”
“Se meu salário fosse maior, não estaria neste marasmo.”

Quando não se tem muita noção de educação financeira, é comum procurar um fator externo para culpar os problemas da vida, e frequentemente este se torna o salário ou o emprego atual.

Ao passo que, especialmente no começo, um salário tem muita influência na sua situação financeira, é preciso realizar que ele não irá manter você rico se você não encontrar outras formas de obter renda e fazer seu dinheiro trabalhar para você. Muito pelo contrário: se você sempre depender do seu salário, será um escravo do seu emprego para sempre.

Como você pode virar o jogo numa situação como esta? Como sempre, a resposta é investindo. Veja mais detalhes neste vídeo.

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podcast do pinguim

Podcast do Pinguim: o Fly-by-wire e os investimentos

Na aviação moderna, os pilotos são treinados a, especialmente sob condições ruins de tempo ou durante combate, esquecer as janelas e seus sensos e confiar apenas naquilo que seus instrumentos de voo lhe trazem de informação. Aviões são complexos e grandes, portanto este grande número de instrumentos sempre trará informações mais precisas do que o instinto do piloto poderá prever.

É por isso que, por exemplo, as aeronaves passam por uma checagem extensa em solo antes de decolar para garantir que todos os instrumentos estejam calibrados, e falhas em tais sistemas tendem a ser fatais para o voo.

Nos investimentos, acontece algo parecido: enquanto muitos tentam “medir a temperatura” do mercado através de variáveis como tendências históricas e preço dos ativos, o verdadeiro controle e informações valiosas estão em outras variáveis que o mercado não mostra: P/L, margens operacionais, histórico de lucro e dívida, etc. E tal como nos voos, quem pilota seus investimentos sem confiar nestes instrumentos frequentemente acaba na miséria.

Veja mais neste episódio.

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Como funciona a margem de segurança nos investimentos?

The three most important words in investing: Margin of Safety. – Warren Buffett.

Se você já leu alguma literatura sobre o Warren Buffett, é provável que já tenha ouvido falar do termo margem de segurança, um conceito tão fundamental sobre o jeito dele investir e uma estratégia crucial em diversos outros conceitos da vida. Desde o gerenciamento de riscos, planejamento financeiro pensando em reserva de emergência, e na sua própria alocação de ativos compondo sua carteira de investimentos, sempre há o conceito da margem de segurança por trás da sua estratégia, silenciosa mas certamente garantindo que você estará resguardado no caso do pior acontecer.

Buffett é provavelmente a figura mais famosa a referenciar tanto este conceito da margem de segurança, mas a verdade é que não foi ele o autor original desta idéia. Como quase tudo na história das coisas de sucesso, Buffett adaptou a idéia original criada pelo seu mentor Benjamin Graham, que teve que aprendê-la na marra após ver quase todo seu patrimônio derreter no Crash de 1929.

Lastreando-se em alguns conceitos simples, Graham e Buffett desenvolveram uma estratégia que ao longo do tempo se tornou extremamente eficiente para produzir retornos aos investidores, sendo provada novamente geração atrás de geração – inclusive até pela estrela do crash do Subprime Americano de 2008, Michael J Burry.

Como uma estratégia tão simples e tão antiga consegue até hoje trazer tantos retornos ao investidor? Como ela funciona? Vejamos neste artigo.

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Fechamento Junho 2020 – vai ou racha?

Primeira semana do Segundo semestre de 2020, e aparentemente grande parte do mundo continua meio que parado no tempo. Ruas vazias, países e cidades paradas, eventos grandes serialmente cancelados, mas em alguns lugares como no Japão as pessoas estão cada vez mais decididas que o COVID-19 foi “vencido” e a situação pode retornar à normalidade.

Podem aproveitar a Disney, mas fiquem separados um do outro!
Podem vir à Disney tranquilamente! Mas fiquem distantes uns dos outros, não andem juntos nos carrinhos e – mais importante – não gritem para não espalhar o vírus! Crédito da Imagem: Soranews24

Nesta briguinha do vai-não-vai, o Pinguim Investidor continuou fazendo aquilo que faz melhor: trabalhar para ganhar dinheiro, investir o capital aportado, aumentar a renda passiva e procurar fontes de renda alternativas para diversificar.

Em meio a tudo isso, deparei com a notícia que o Brasil atualmente se encontra rankeado como o pior país no tratamento do COVID-19, acirradamente disputando o título contra o USA NUMBER ONE. Não sei dizer se as notícias estão exageradas, mas desejo uma recuperação rápida e tranquila quanto à situação.

Vamos ver como me saí financeiramente.

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O que o iPad Pro me ensinou sobre finanças

Recentemente, surpreendi a Sra Pinguim com um presente especial para o nosso aniversário de casamento: comprei a ela um iPad Pro da Apple. Assim, indo contra todo o meu ethos hacker do Linux, me tornei um proprietário de produtos da Apple. Mas incrivelmente, não comecei imediatamente a morar no Starbucks, usar óculos de armação preta grossa, e nem usar roupas de marcas desconhecidas. Acho que sou imune ao vírus do hipster.

Após toda a hype de comprar o vangloriado produto, finalmente nos recostamos e começamos a usar o aparelho em casa. Para a grande surpresa de muitos, não fiquei nada impressionado pelo iPad e – muito pelo contrário – acabei achando ele meio esquisito de usar. Não há como acessar o filesystem por baixo dos aplicativos para buscar arquivos individuais? Todo comando “abrir com” é chamado “compartilhar?” Você precisa instalar um aplicativo para transferir arquivos entre um computador e o iPad? Me parece que várias funcionalidades básicas de um computador pessoal foram casualmente “removidas” em prol de… de que mesmo? Segurança? Simplicidade? Ou seria simplesmente “porque somos Apple e somos diferentes?” Não consigo dizer exatamente.

Talvez seja porque cresci com e vivo atualmente usando teclado e mouse, e a idéia de ficar sempre tocando na tela para fazer qualquer coisa não vai muito com a minha idéia de produtividade. Mas claro, eu não sou o usuário final do dispositivo, e para a Sra Pinguim eu tenho certeza que o iPad irá serví-la bem, já que é uma ótima plataforma para fazer arte e design.

Deixando opiniões pessoais a parte, enxerguei um paralelo claro entre a utilização do iPad Pro vs algum outro computador e a nossa forma de gerir nossas finanças. Talvez a Apple ache que retirar a capacidade de trabalhar como um computador comum traga “segurança” ao sistema por inteiro, mas custa a flexibilidade de uso por alguém experiente. Esta falta de flexibilidade e “terceirização da gestão” são coisas que os bancos também nos oferecem como um serviço de “conveniência,” para aliviar-nos do fardo de ter que aprender a investir.

Esta é uma das metáforas que existem entre os dois casos. Vejamos outras neste post.

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A Selic caiu novamente – como ficam os investimentos?

Na semana passada, o COPOM se reuniu novamente e reduziu a taxa Selic para (outra) nova mínima histórica – 2.25% ao ano.

Como sempre, decisões como esta causam um alvoroço na comunidade de investimentos, tanto por parte dos antigos rentistas (investidores da renda fixa) que lamentam pelos dias da alta Selic e o 1% ao mês garantido do passado, e por quem investe em renda variável também (seria hora de aportar mais? Matar o caixa em CDB ou tesouro?)

No caso de uma taxa baixíssima assim, também há o medo de perder dinheiro por conta da inflação próxima, senão maior, que a rentabilidade da Selic. Estaria o seu dinheiro em risco aplicado no Tesouro Direto agora? Veja mais neste vídeo.

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