O que o voo do balão nos ensina sobre os investimentos?

O primeiro voo da humanidade sem dúvida foi num balão. Relativamente simples, poucos requerimentos de engenharia e construção, e bastando alguns dias de trabalho para arrumar, o balão de ar quente encantou cientistas e aventureiros igualmente, e levou a imaginação de escritores da época em vários livros de ficção científica. Alguns disputam a aplicabilidade da palavra “voo” para descrevê-lo, visto que não meios de controle num balão, e simplesmente torna-se o ar dentro dele menos denso que o de fora para subir, ou o contrário para descer.

Independente da definição formal sobre o que o voo significa no âmbito aviação, existem poucos mecanismos que são tão análogos ao processo de investir como o voo do balão. Num balão, o único controle que existe é o de ascenção e descenção, estando qualquer outro movimento à mercê da direção dos ventos da àrea de voo. O bom balonista precisa ser igualmente um bom geógrafo para saber da direção dos ventos locais para traçar uma rota de voo certeira, caso contrário arriscando perder-se ou ser levado para longe sem forma de retorno.

Igualmente, nos investimentos temos controles muito limitados e indiretos sobre o que podemos fazer quanto ao mercado e, ainda assim, grandes investidores experientes conseguem trazer retornos extraordinários. De quais outras formas o voo do balão explica os investimentos? Vejamos a seguir.

Controlando a situação indiretamente

Num balão de ar quente, o único movimento completamente sob o controle do balonista é a ascenção e descenção. O balonista aciona a tocha, causando o ar dentro do balão a expandir e tornar-se menos denso que o ar exterior. Isso causa o balão a subir, de forma parecida como uma bóia submergida numa piscina sobe até a superfície. Desligando a tocha produz o efeito contrário.

Quaisquer outro movimento como para frente, trás ou lados depende de um fator completamente fora do controle do balonista: o vento. Uma vez fora do solo, o balão é empurrado pelo vento similar a um barco à vela, com uma diferença: não há leme ou controle que possa fazer o barco “costurar” com o vento. O balão é empurrado pelo vento e simplesmente não há como trocar de direção e ir contra ele. Porém, se é possível apenas “ir para frente” com um balão, como é possível produzir qualquer rota ou plano de voo com um balão? Para isso o balonista depende de outra característica geográfica dos ventos: a maioria dos ventos opera em camadas, magicamente trocando de direção dependendo da altura graças ao efeito de convecção dos fluidos:

Ventos mudam de direção dependendo da altura. Crédito: Havasu Balloonfest
Ventos mudam de direção dependendo da altura. Crédito: Havasu Balloonfest

É nestes limites sutis e precisos que o balonista experiente opera, calculando altura e velocidade do vento, ajustando se preciso contra a localização geográfica do balão atualmente. E ainda que arriscadíssimo a princípio, o bom balonista consegue elegantemente navegar grandes extensões sem um motor.

Nos investimentos, igualmente não temos controle algum sobre o movimento dos mercados e das tendências financeiras. Mesmo assim, é possível ganhar grandes quantias de dinheiro através destas movimentações se simplesmente aplicarmos conhecimento e familiaridade do ambiente para o nosso benefício. Se o balonista apenas possui dois movimentos completamente sob seu controle (subir e descer), nós investidores também apenas temos dois movimentos possíveis: comprar e vender ativos financeiros.

Nosso controle se encontra em comprar e vender nossos ativos a fim de chegar numa alocação de ativos de nosso interesse, com exposição de risco e retorno esperado adequados ao nosso gosto. Averso a riscos? Aumente sua posição em renda fixa, ou liquidez no caixa. Possui paciência e quer ver melhores retornos a longo prazo incluindo aumento dos proventos? Carregue em ações e fundos imobiliários.

A chave aqui é que nenhuma destas manobras é limitada e estática. Muito pelo contrário. Baseando-se em informações e previsões sobre as tendências do mercado, um investidor pode (e deve!) se flexibilizar e adaptar suas ações para melhor se posicionar na situação atual, tal como o balonista alterando seu curso. Os grandes investidores realizam isto com através de grandes posicionamentos, giros no portfólio e manobras defensivas conhecidas como hedging.

O pequeno investidor, porém, muitas vezes é mais aconselhado a não vender ou fazer grandes movimentações de patrimônio (custos de corretagem), nem fazer hedging, mas sim comprar de acordo com a oportunidade de preço. Novamente, a palavra-chave é flexibilidade, com agilidade nas decisões.

Siga o vento, não contra ele

Ao contrário do barco à vela, capaz de “costurar” o vento, e capaz de prosseguir em frente mesmo com um vento quase perpendicular a ele, um balão só pode ir na direção onde o vento soprá-lo. O balonista corretamente escolhe, portanto, não lutar contra o vento, mas sim procurar o vento que o propulsione na direção desejada.

Igualmente, o investidor tipicamente é incapaz de controlar as tendências do mercado. Ele apenas consegue controlar onde coloca o seu dinheiro. Mas mesmo assim, pode ser possível aproveitar as situações quando ventos “ruins” estão soprando em sua direção se simplesmente escolher o mindset correto. Por exemplo, se focarmos no fluxo de caixa passivo oriundo dos nossos investimentos, enxergamos que situações de queda na bolsa são grandes oportunidades de compra, e podemos utilizar isto à nossa vantagem.

Tentar remar contra a tendência dos investimentos é uma estratégia perigosa, especialmente com a falta de experiência de operar no mercado. Os grandes investidores e gestores de fundos possuem vários analistas trabalhando para formar suas decisões financeiras, e possuem o capital suficiente para produzir alavancagem suficiente para produzir resultados antes que o resto do mercado acompanhe-os. Uma coisa é certa: se você basear suas decisões nas notícias que são publicadas sobre a bolsa, estará sempre atrasado demais.


Como você responde às movimentações do mercado como um investidor? Quais são as suas formas de resposta mais eficientes? Escreva nos comentários.

Para uma leitura inincial sobre como o voo dos balões de ar quente funcionam, esta página tem uma ótima explicação (em Inglês apenas).

Abraços e seguimos em frente!


Photo by ian dooley on Unsplash

Um comentário sobre “O que o voo do balão nos ensina sobre os investimentos?

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