Como começar a usar o Linux plantou a semente do meu sucesso

Em 2010, estava voltando da faculdade para o meu quarto quando notei que meu computador estava agindo de forma estranha. A tela estava acizentada e nada que eu fizesse conseguia tirá-lo daquele estado. Tentei utilizar a solução prática e resetá-lo, mas ele nunca mais acordou. Tive que levá-lo ao suporte técnico do campus, e, como resultado, ficaria sem um computador por alguns dias.

Ficaria, pois eis que surge o meu amigo que cursava ciências da computação e me fez uma oferta que me transformou a vida.

Não tem problema, Pinguim, se você quiser, eu empresto o meu laptop secundário pra você. Mas ele roda Linux. Pode ser?

Escolhi o Linux mais por receio de não ter um computador por alguns dias, mas não pude deixar de pensar: não é aquela coisa de nerds e hackers de computador? Será que vou conseguir usar? Algumas semanas depois, o Linux se tornou o meu sistema operacional primário, e com ele, um valor importantíssimo se instalou na minha vida.

Na hora, não havia percebido isso como pertinente, mas hoje, olhando para trás, posso ver como foi importante realizar esta decisão na minha vida. E ao passo que várias melhorias – inclusive financeiras – surgiram em questão de começar a utilizar o Linux, marco um bom hábito em especial como a origem de tudo: o mindset do autodidata.

Você é o suporte técnico

Se o seu carro quebra, salvo por um problema bem simples como falta de carga na bateria ou pneu furado, dificilmente irá tentar consertá-lo você mesmo. É muito mais seguro e rápido delegar o conserto a um especialista terceiro que está qualificado para realizar o serviço. Com computadores e dispositivos de tecnologia pessoais, muitos pensam desta mesma forma também, já que geralmente tendem a utilizá-los apenas para tarefas simples. Deu problema? Chame o suporte técnico.

Quando se trata do Linux, porém, uma das primeiras surpresas de quando começamos a utilizá-lo é que não existe um suporte técnico para ele: quase 100% do tempo você é o suporte técnico. Esta idéia, que a princípio pode parecer um pouco assustadora, é na verdade libertadora. Isso porque todo o poder do seu computador está em suas mãos para ser utilizado, configurado e tanto quebrar ou consertar. De maneira similar à dicotomia estóica, isso traz o controle todo para as suas mãos, e você passa a nunca mais depender de um terceiro para obtê-lo.

Este conceito também tem um poderoso efeito colateral como consequência porque reforça a necessidade do aprendizado para melhor utilização de um sistema Linux. Enquanto algumas distribuições Linux orientadas a iniciantes como o Ubuntu podem ser utilizadas sem aprender algo novo, o verdadeiro poder de se utilizar Linux é desencadeado conforme se descobre o que ele tem para oferecer. Conhecimento é poder, e igualmente nos investimentos, a sede de aprender que o Linux instiga no usuário é o mesmo espírito que nos leva a procurar cada vez mais educação financeira para melhorar nossos investimentos e situação financeira.

Olhando para trás, foi exatamente este mindset de “procure, você é responsável pelo seu sistema” que me levou a querer aprender mais, ler mais e, finalmente, melhorar a minha situação financeira. Nada mau para um sistema operacional gratuito, não?

Sucesso vem do aprendizado e da prática aperfeiçoada

Para utilizar bem o Linux e explorar bem a capacidade que o seu computador tem para oferecer, é necessário mudar partes da sua rotina de utilização do seu computador, e a melhor forma de se fazer isso é através da prática de todas as habilidades que são aprendidas. Meus primeiros dias e meses usando Linux foram um misto de muita curiosidade com queimação de cuca em conta de tantos programas e funcionalidades novas que apareciam.

Uma das grandes críticas feitas ao Linux é que, por nem sempre seguir o “padrão” dos outros sistemas de fazer as coisas, a curva de aprendizado é muito difícil, o que torna sua adoção difícil. A verdade é que os programas utilizados no Linux não são nem difíceis nem complexos – eles são diferentes.

Qualquer um que já usou Firefox, Google Chrome, ou alguma versão do Windows não sentirá diferença nenhuma ao usar o Linux. Porém, alguns dos programas mais poderosos são bem diferentes do que a maioria está acostumada a usar. Tornar-se um mestre nelas requer esforço e prática repetida, mas isso não é diferente de como acontece na educação financeira. Da mesma forma que aprendemos a analisar ativos para investimento, gerenciar nossas finanças e utilizar ferramentas dos bancos e Home Brokers, foi dedicação e repetição para obter o expertise do Linux que possuo hoje.

VIM vs Emacs vs Notepad
O infame editor de texto VIM é a sua arma secreta… uma vez que você conseguir entendê-lo!…

Este é o mesmo mindset que mantenho até hoje quando estou para aprender alguma coisa nova: eu sei que qualquer habilidade importante levará esforço para ser aprendida, e é apenas com esta dedicação que vou conseguir dominá-la.

Atualize-se ou desapareça

Por fim, usar o Linux significa ficar na ponta de um ambiente em mudança constante: a tecnologia. Ao contrário do que muitos pensam, o Linux é o sistema mais nativo à internet – de fato, a maior parte esmagadora da internet funciona por causa do Linux.

Ao usar o Linux, forçei-me a atualizar constantemente enquanto o ecossistema ao meu redor também mudava. Novas tecnologias, novas ferramentas e procedimentos aparecem, e você precisa se adaptar e preparar à elas, senão sucumbirá.

Esta mesma necessidade de adaptação e flexibilidade existe no mundo dos investimentos, onde muitos dos fatores que influenciam os mercados se encontram fora do nosso controle. Tanto na queda ou alta do dólar, movimentos das taxas de juros ou crises financeiras generalizadas, há quase nada que podemos controlar sobre os fatores, exceto por nossa capacidade de atualizar e adaptar aos novos ambientes.

No âmbito do Linux, houveram grandes mudanças ao longo dos dez anos que estive utilizando que me formaram como o usuário experiente que sou hoje: introdução do Unity no Ubuntu em 2011, conflito entre WayLand e xorg, e a transição de quase todas as distribuições para SystemD em 2015. Embora na época tenham sido pequenas “crises” para os usuários, todas foram assimiladas e superadas por miml. Será o mesmo com a crise atual e qualquer outra que vier.

Conclusão

Utilizar o Linux começou como um hobby mas implantou grandes hábitos positivos na minha vida que começaram a mudar a minha vida para frente. Se tenho bons hábitos sobre proatividade, autodidatismo e disciplina para praticar novos conceitos, posso traçar todos de volta à adoção do Linux, e o novo mindset que se tornou necessário. E eu sou grato à esta escolha e todas as suas consequências que seguiram.

Finalmente, como talvez meu maior legado, é em prol do Linux que eu tenho o meu handle de Pinguim Investidor aqui na finansfera. Será que alguém não havia pescado esta relação ainda?

Tux – o mascote pinguim do Linux.

Você tem algum hobby que lhe rendeu bons hábitos e uma mentalidade construtiva ao longo dos anos? Qual foi? Já sabia o por quê do “Pinguim” neste site? Escreva nos comentários!

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor

6 comentários sobre “Como começar a usar o Linux plantou a semente do meu sucesso

  1. Tenho muita curiosidade em usar o Linux.

    Na infância lembro de uma vez ligar um computador com o pinguim e não entendia nada, não conseguia fazer nada. Nem sequer um copy spider eu consegui abrir.

    Acho que foi uma experiência traumática e desde então nunca vi um PC com esse SO por perto rs

    Curtido por 1 pessoa

    1. Haha boa Engenheiro!

      Pior que há alguns programas do Linux (especialmente aqueles descendentes diretos do Unix dos anos 70 e 80) que são bem assim: carregam e se você não conhece não consegue nem sair do programa. Hoje em dia, porém, está muito mais simples.

      Recomendo que experimente o Ubuntu Linux ou Linux Mint, que são bem amigáveis e próximos do Windows em termos de interface.

      Abraços e seguimos em frente!

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