Hedging: as vezes, a melhor defesa é o ataque

Em tempos de crise como o atual, fala-se muito sobre o conceito de Hedging nas carteiras dos grandes fundos de investimento, e como é possível fazer que as perdas das quedas da bolsa sejan limitadas aplicando certas técnicas. Estas provam que por conta de fatores históricos e correlações estatísticas, certos investimentos conseguem subir ou se manter embora a queda generalizada da bolsa.

As notícias também citam que os grandes investidores como Ray Dalio estão com suas carteiras protegidas através de investimentos em ouro – mas só se menciona este fato durante os tempos de crise, e nunca durante os tempos de bonança.

E assim, muitos pequenos investidores e iniciantes se questionam, lamentando a “perda de oportunidade” para ter preparado seus portfólios. Eles querem tentar se planejar definitivamente, procurando novamente quais são os melhores hedges que dariam um boost em seus investimentos.

Ao passo que técnicas de hedging são importantes para gestão de grandes fundos de investimentos, eu acredito que o investidor individual iniciante estará se precipitando em tentar incluir tais instrumentos numa carteira relativamente pequena, e cujo objetivo principal é o crescimento. Hedging, como instrumento de defesa de uma carteira, é importante para o investidor individual durante tempos que requerem mais estabilidade e confiabilidade em carteiras maduras, como para aqueles que precisam viver dos seus proventos.

Falarei mais sobre a minha opinião sobre Hedging, e porque acredito não ser tão importante para o investidor iniciante neste post.

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Como declarar os FIIs no seu Imposto de Renda

Abril é definitivamente o Mês da Educação Financeira, e ano passado fiz a minha contribuição iniciando uma série de posts detalhando o básico da educação financeira aqui no Pinguim Investidor.

No decorrer daquele ano, muitas coisas mudaram na minha situação financeira, e tive um novo desafio na declaração do meu imposto de renda: Fundos de Investimentos Imobiliários. Com o meu desvirginamento na renda variável e começo de geração de renda passiva via FIIs, que detalhei a cada fechamento mensal, meu patrimônio financeiro se tornou mais complexo, e finalmente na virada do ano tive que finalmente declará-los no imposto de renda.

No início, eu tinha um pequeno receio de entrar na renda variável porque temia que a declaração se tornaria muito complicada, mas eventualmente percebi que era o contrário: o tornar complexo do meu patrimônio se tornou um sinal que a minha situação financeira estava evoluindo! Portanto, passei algumas semanas pesquisando e consultando com o meu contador, e ao final de tudo declarado, resolvi documentar o passo a passo aqui.

Acredito no conceito de que quem sabe, ensina, portanto novamente vim trazer mais educação financeira para mais um mês de Abril na sua vida.

Acompanhe mais neste post o passo a passo de como declarar seus FIIs – e provavelmente muito se aplica às ações também – no IRPF deste ano.

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O real custo das coisas é por uso, não tempo

Quando se trata de enriquecimento, uma regra é clara: devemos economizar e concentrar nossos gastos em ativos financeiros, que se valorizam com o tempo e nos trazem dinheiro, e minimizar os gastos que temos com passivos que só tendem a depreciar e acumular custos ao longo do tempo. Neste ponto, fale a pena lembrar da frase clássica de Robert Kiyosaki, que explica que Ativos colocam dinheiro no seu bolso, passivos tiram dinheiro do seu bolso.

No meio deste caminho trilhado, várias perguntas começam a surgir na luz deste simples conceito. Existem disputas emocionais e culturais, como a questão do carro e da casa própria sendo passivos numa sociedade que os valoriza como símbolo de status social. Ou até mesmo se quando se mora em cidade pequena ou isolada é necessário ter o carro próprio. Infelizmente, para a maioria destas perguntas não há resposta comum correta, pois mesmo que fizermos um ponto racional, nossas crenças e cultura emocional nos tenta provar o contrário.

Não há como escapar de ter passivos acumulando no decorrer das nossas vidas. Afinal, ainda precisamos de roupas, comida, certos bens e meios de produção para sobreviver. E convenhamos que nunca conhecemos ninguém que fica alegre só de comprar ativos. Porém, existe ainda mais uma regra que devemos nos conscientizar toda vez que cogitamos comprar ou usar um passivo, e esta é a do custo por uso.

Simplificadamente, ela diz que o custo de cada um dos nossos passivos aumenta a cada vez que optamos por utilizá-los. Uma afirmação simples, até meio óbvia a princípio, mas que muitos se esquecem ou preferem ignorar quando um novo passivo aparece em suas vidas. Porém, se não respeitada, a regra do custo por uso pode trazer um desastre financeiro na sua vida. Vamos explorar mais as implicações deste princípio financeiro neste post.

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Enriquecer precisa ser um Sacrifício?

Quando investimos, sem dúvida nosso maior inimigo é nós mesmos, especificamente nossas emoções – que jogam contra nós quando precisamos ser racionais e tomar decisões calculadas.

Muitas vezes, elas nos impedem até mesmo de começar a investir por medo ou a sensação que estamos “deixando de aproveitar” ao investir o dinheiro ao invés de gastá-lo.

Na realidade, porém, nada poderia ser mais distante da verdade. Investir nunca deve significar sacrifício.

As sensações de segurança, prosperidade e conforto que provém de um portfólio avançado de investimentos são razão mais do que suficiente para “acalmar” qualquer um destes pensamentos de medo que podem surgir. E na prática, você não está se privando da oportunidade de gastar e aproveitar – você pode separar os horizontes e escopos dos investimentos que faz. Um exemplo seria aportar 50% para longo prazo (aposentadoria, etc), e 50% para curto prazo (viagens, uma compra grande, faculdade ou curso, etc).

Descubra neste vídeo como você se prepara mentalmente para lidar com estas tentações emocionais sobre investir e poupar.

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Podcast do Pinguim – Dinheiro e Liberdade Pessoal

Se existe um único conceito que todos deveriam aprender quando se trata da educação financeira, este é a relação entre o dinheiro e a liberdade pessoal.

Os ricos não perseguem o dinheiro simplesmente para cegamente acumulá-lo; eles possuem um propósito maior para acumular esse dinheiro. E a verdade é que, gostando ou não, o dinheiro se tornou a medida mais próxima de liberdade que possuímos na vida moderna.

Pense nisso: você poderia ir para uma casa de praia passar uma temporada se quisessse? Provavelmente não, e a razão principal não deve ser a falta de dinheiro, mas sim a falta de tempo e permissão. Você está atado ao seu emprego atual, o que lhe limita a liberdade de ir onde você quer e quando você quer.

Colocando o dinheiro em abundância nesta equação, duas coisas acontecem: você passa a não se preocupar tanto com o seu emprego atual (afinal, você não depende mais do salário), e você passa não se preocupar com o tempo que estaria improdutivo, sem render um salário. E quando você atinge a independência financeira, é exatamente isso que acontece.

Neste episódio, exploro como a procura por riqueza é – no final das contas – sempre em relação à liberdade, e como suas decisões financeiras podem te aproximar ou afastar deste destino tão sonhado.

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Sobre o Adultear

Sem dúvida um dos maiores desafios da vida é se preparar para a vida adulta. Tenho certeza que você também passou por tempos turbulentos durante a fase dos 18 aos 20 anos de idade, quando a escola estava para se acabar e as escolhas da vida adulta começaram a aparecer na sua frente, demandando ação direta: qual vestibular vai prestar? Qual faculdade você vai? Quando vai tirar a carteira de motorista? Qual carreira vai seguir no emprego?

Até então a sua vida era sempre o mesmo esquema: ir à escola, fazer o dever de casa, passar nas provas e talvez fazer os cursos extracurriculares à tarde. Todas as demais decisões eram gerenciadas por outras pessoas na sua vida, como pais, professores e diretores de escola. De repente, quando os 18 anos chegaram, você se tornou o único responsável, o piloto da sua própria vida. E você deve assumir o controle rápido porque as decisões estão só aumentando.

Entre mortos e feridos, todos nós sobrevivemos este período conturbado. Embora alguns olhem para este período com arrependimento, temos que nos lembrar que foram estas mesmas escolhas que trouxeram todas as nossas vitórias até agora. Elas são um motivo para nos orgulharmos. Porém, há de se dizer que poderia ter sido melhor. A falta de disseminação de conhecimento financeiro é um grande cúlprito entre a desinformação generalizada do período.

Nós podemos fazer da fase de “adultear” uma fase melhor para as próximas gerações, e neste post explico como isso pode ser possível se focarmos em ensinar conceitos mais práticos e sólidos. Talvez algumas das opiniões aqui soem um pouco controversas ou extremas, mas o importante é considerá-las – não necessariamente seguí-las. Se você possui filhos, este post pode lhe ajudar na hora de ver os ensinamentos que os passará quando a época chegar.

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Fechamento Março 2020 – Seguuuura peão!

Finalmente virou Abril! E quando digo finalmente, finalmente mesmo. Que mês conturbado por tantas notícias e incertezas oriundas do COVID-19, que influenciou inúmeros eventos, culminando até no atraso das Olimpíadas deste ano. E em paralelo, lá ia a bolsa despencando. Abertura, circuit breaker, recuperação, mais quedas – etc e etc.

Passamos a conhecer na pele o significado do termo “Quarentena,” e em meio a protestos de que limitariam a produtividade da economia do país vs que eram a única solução para um problema extremo, passamos a conhecer a regalia do Home Office, e as sutis desvantagens (leia: engorde) que traz junto.

Vamos ver como me saí finaceiramente.

Aportes

O aporte salarial deste mês foi de 46,5%, – finalmente acima dos 40% de novo! – e os gastos se dividiram nos seguintes critérios:

  • Contas do mês: 29.6%
  • Supermercado: 16.6%
  • Diversão: 0.67%
  • Compras materiais: 0% – !!!
  • Refeições: 4.63%
  • Saúde: 1%
  • Transporte: 0.5%
  • Emergências: 0.81%

Por conta do COVID-19, quase todos os locais de entretenimento e lazer foram fechados ao redor da cidade, e por isso os gastos na categoria diversão foram bem reduzidos. Apenas alguns shoppings estão funcionando, e quase todos os eventos foram cancelados indefinitivamente. Felizmente, isso nos traz uma grande oportunidade para nos desenvolver e aprender mais coisas.

Consegui também atingir um objetivo que há muito tempo estava procurando: não comprei nenhum bem material para mim durante o mês inteiro! Não sei se isso me torna um minimalista, mas a motivação que isso me traz é maravilhosa e me inspira para continuar assim. Pode ser um efeito colateral do vírus também, e ser apenas passageiro, mas ainda assim é um passo na direção correta.

Investimentos

A minha carteira se encontra atualmente nas seguintes classes de ativos:

  • 53.63% Tesouro Direto
  • 36% FII
  • Demais em cash ou reserva em moeda estrangeira

Mesmo com a brusca queda e o sobe-e-desce da bolsa neste mês, a proporção dos ativos na minha carteira não se abalou muito. Talvez seja porque o Tesouro IPCA também foi afetado por esta crise e caiu consideravelmente. Fechei no vermelho pela primeira vez na vida, mas como mencionei num post anterior, não estou abalado negativamente por esta crise.

Sei que esta é a maior oportunidade para crescer o patrimônio e aportar na baixa, mesmo sem conseguir prever quando será o fundo, para voltar com mais potência e capital acumulado para alimentar a renda passiva. E falando nisso…

Renda Passiva

Dividendos recebidos dos FIIs: R$869,03.

Consideravelmente menor do que os 1000 reais recebidos em Fevereiro, e provavelmente uma sombra da influência do COVID-19 nos fundos imobiliários. Será que isso seria a hora de vender? Não para mim, pois sei que é passageiro e irá se recuperar novamente.

Mesmo com a “vaca magra” recebida em Março, fico feliz em saber que os proventos poderiam ser usados para comprar uma Máquina de Café espresso Illy Francis, e sobraria um troco para comprar algumas cápsulas compatíveis para acompanhar.

Dado o valor que eu atribuo a um bom café, poderia até ser um bom investimento. Mas ainda assim, eu prefiro continuar comprando minha própria liberdade.


E por hoje é só, pessoal. Como foi o fechamento de vocês esse mês?

Até o próximo fechamento mês que vem!

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor

Quando ser um “contrário” não é vantajoso

Até que descobrimos a independência financeira, geralmente vivemos uma vida bem padrão. Vamos para a escola, brincamos no nosso tempo livre, estudamos para o vestibular, fazemos faculdade e finalmente nos acomodamos no nosso trabalho nas próximas décadas. A partir daí, dinheiro é recurso para se divertir, comprar coisas que você não precisa, e outras das “felicidades” da vida adulta, como o happy hour, casa e carro próprio.

Em determinado momento, a educação financeira nos mostra que este modo de vida esbanjante é ineficiente, e estamos na verdade fazendo tudo errado. Aprendemos que os bancos não nos oferecem os melhores investimentos, que economizar e ser frugal não é sinônimo de deprivação ou limitação, e que o aporte constante é uma das forças mais poderosas do universo. Tendemos, então a nos tornar um termo que a finansfera gosta de jogar por aí: um contrário.

A essência do contrarianismo é que as oportunidades inexploradas se encontram além daquilo que é considerado popular, e atravessando o caminho menos explorado, podemos obter mais valor do que fazendo aquilo que é esperado da maioria.

Este mindset é rapidamente apontado como adotado por várias figuras bilionárias como Warren Buffett, Ray Dalio, que não seguem tendências de mercado, e traçam suas próprias estratégias impopulares de investimento com sucesso enorme. Empreendedores bem-sucedidos que “nadaram contra a maré das massas” em direção ao seu próprio sucesso também são apontados como contrários em seus próprios âmbitos.

Eu acredito profundamente que ser um contrário é essencial para atingir o sucesso – afinal, fazer parte da média é a antítese do sucesso. Porém, como tudo na vida, o contrarianismo deve ser balanceado dentre a vida total, e há uma hora e um contexto correto para aplicá-lo. Se abraçarmos a essência de ser um contrário em todos os momentos da vida, estaremos essencialmente nos tornando adversos e intragáveis para os grupos sociais nos quais participamos, resultando em simplesmente isolamento e oportunidades de networking perdidas.

Quais são alguns perigos de abordar o contrarianismo em todos os momentos da vida, e quais são os contextos onde ele se torna valioso?

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Repetição é a mãe de toda a habilidade

Existe uma frase do coach empresarial e palestrante Jim Rohn que afirma o seguinte: a repetição é a mãe de toda a habilidade.

Esta única frase sumariza tudo o que precisamos para obter excelência em qualquer área se simplesmente nos armarmos com mais um outro conceito: mindset de crescimento. Se você acredita que você nasceu com tudo o que poderia possuir, e não pode adquirir mais nada, você possui um mindset fixo, e que não irá crescer.

Por outro lado, se você acredita que tudo o que você precisa para suceder na vida pode ser aprendido com esforço – você possui o mindset de crescimento. É importante cultivarmos esta forma de pensar pois ela nos permite explorar, tentar e aprender com nossos erros – que são a única forma que temos para conseguir nos aperfeiçoar.

Descubra outras implicações do mindset de crescimento e da poder da repetição neste vídeo.

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