Hedging: as vezes, a melhor defesa é o ataque

Em tempos de crise como o atual, fala-se muito sobre o conceito de Hedging nas carteiras dos grandes fundos de investimento, e como é possível fazer que as perdas das quedas da bolsa sejan limitadas aplicando certas técnicas. Estas provam que por conta de fatores históricos e correlações estatísticas, certos investimentos conseguem subir ou se manter embora a queda generalizada da bolsa.

As notícias também citam que os grandes investidores como Ray Dalio estão com suas carteiras protegidas através de investimentos em ouro – mas só se menciona este fato durante os tempos de crise, e nunca durante os tempos de bonança.

E assim, muitos pequenos investidores e iniciantes se questionam, lamentando a “perda de oportunidade” para ter preparado seus portfólios. Eles querem tentar se planejar definitivamente, procurando novamente quais são os melhores hedges que dariam um boost em seus investimentos.

Ao passo que técnicas de hedging são importantes para gestão de grandes fundos de investimentos, eu acredito que o investidor individual iniciante estará se precipitando em tentar incluir tais instrumentos numa carteira relativamente pequena, e cujo objetivo principal é o crescimento. Hedging, como instrumento de defesa de uma carteira, é importante para o investidor individual durante tempos que requerem mais estabilidade e confiabilidade em carteiras maduras, como para aqueles que precisam viver dos seus proventos.

Falarei mais sobre a minha opinião sobre Hedging, e porque acredito não ser tão importante para o investidor iniciante neste post.

O princípio por trás do Hedging

A palavra Hedge em inglês significa moita ou arbusto, e a metáfora é que se você cercar um castelo com uma moita densa o suficiente (espinhais, ervas venenosas, etc), tornará a aproximação de um inimigo mais devagar. Note que hedging, portanto, não é designado para defender o castelo em si, mas sim para amenizar um ataque.

Da mesma maneira, Hedging de portfólio são alguns investimentos inclusos na carteira que podem amenizar as oscilações ou quedas por se comportarem de maneira oposta aos movimentos da bolsa em geral, e assim “cancelar” certas quedas como um contrapeso financeiro. Um dos ativos mais populares neste quesito é o ouro, ativo que é considerável estável em termos de preço, e dada esta estabilidade, pode neutralizar um portfólio de ações que se torna volátil em tempos de queda.

Algumas formas de hedging funcionam como um contrapeso que anula parte dos movimentos negativos do mercado

Outros ativos podem incluir commodities – produtos agrícolas ou matéria prima exportável – cujo preço tende a oscilar menos do que ações de empresas. No caso do Brasil, uma moeda estrangeira forte como o Dólar, Libra ou Euro pode ser utilizada para amenizar o impacto das quedas, já que economias mais maduras e desenvolvidas tendem a ter moedas menos voláteis. De bônus, ainda existe uma correlação negativa entre o índice Bovespa e a cotação do Dólar, o que faz desta moeda um verdadeiro contrapeso financeiro numa carteira brasileira.

Ainda existem outras maneiras de se beneficiar com a queda da bolsa importadas do mundo trader que são a compra de opções. Nesta categoria, um investidor apostando no movimento do mercado pode comprar derivativos chamados de puts que se valorizam ao decorrer conforme o ativo-base cai de cotação. Esta é uma técnica bem arriscada do que simplesmente fazer day-trade de ações, pois você está apostando em cima de outra aposta, mas analistas experientes e fundos com muitos recursos podem fazer uso deles. Outras formas de Hedging na bolsa são ainda mais complicadas.

Todas estas opções são excelentes para amenizar uma queda durante um período longo na bolsa, mas é importante ressaltar um ponto aqui: estas são medidas defensivas. Investidores de longo prazo entendem que as quedas da bolsa – especificamente as sistêmicas, que não são de um único ativo ou classe mas da bolsa inteira – são oportunidades para comprar por preços baratos. Para isso, não podemos somente atuar na defesa se buscamos enriquecer constantemente. Precisamos também pensar no ataque.

Não se ganha a partida apenas se defendendo

Uma máxima dos jogos e esportes competitivos é que não é possível ganhar apenas defendendo. Isso é verdade desde o futebol até o xadrez, onde a falha para expandir as posições no jogo logo no início geralmente implica na derrota. Esta máxima também se revela em nossa gestão de riscos, na frase “seu medo de perder lhe impede de ganhar.”

Não é diferente nos investimentos. Você precisa atacar para conseguir enriquecer, mas felizmente aqui o ataque é simples: trata-se do fator de aporte. Atacar financeiramente é garantir que todas suas fontes de renda mantenham-se ativas para continuar aportando assiduamente, independente do movimento da bolsa (estratégia chamada de Dollar Cost Averaging ou DCA).

Técnicas de Hedging tornam-se mais interessantes em dois casos: quando o investidor não possui muito apetite para risco, e gostaria de ver sua carteira cair menos ao longo do tempo, e quando a carteira está madura o suficiente para o investidor conseguir viver apenas dos seus rendimentos. Note que isso implica uma maturidade grande, onde o investidor torna-se cada vez menos dependente da sua renda ativa. Este não é o caso da maioria dos investidores na Finansfera, onde o foco é acumulação de patrimônio agressiva – especialmente quando se é jovem e o potencial para ganhar dinheiro na carreira é alto.

Assim, eu particularmente não coloco muito valor no conceito de hedging no momento atual. Possuo uma pequena parte do meu patrimônio em moeda estrangeira, que acaba funcionando como um hedge nos investimentos do Brasil, mas não considero grande o suficiente para ter um verdadeiro efeito de hedging como visto em grandes fundos de investimento. Prefiro muito mais persistir no meu ataque e focar no fator que considero o mais importante: renda passiva.

Conclusão: utilize as quedas como oportunidade e siga em frente com um plano de ataque

A minha estratégia neste momento tem sido a mesma de sempre, praticando DCA e procurando maximizar a minha renda passiva recebida. Como anunciaram há algumas semanas, esta crise atual têm sido uma oportunidade para aqueles que entraram “atrasados” na bolsa para conseguirem reviver a oportunidade de compra de 2016 e 2017, pelo menos em relação ao preço dos ativos. E eu não poderia concordar mais com esta afirmação.

Um ponto de atenção é a reserva de emergência durante este período. Ao passo que quero muito comprar cada vez mais, a incerteza dos tempos atuais me seguram quanto à utilização da reserva para qualquer tipo de compra – até mesmo para ativos. Tenho até a aumentado um pouco mais para melhorar a margem operacional que possuo para qualquer imprevisto. Assim, ao fim do túnel, se nada ocorrer, sempre terei a opção de utilizar o “a mais” acumulado para compras maiores em tempos de estabilidade.

Acredito que ao longo dos anos, quando minha carteira amadurecer bastante e eu estiver numa posição próxima da IF, terei um hedging mais forte na minha carteira, incluindo até posições de investimentos internacionais ou commodities como Ouro. Mas esta é uma estratégia a ser amadurecida junto com o resto do meu aprendizado financeiro, e a minha perspectiva de vida.


Qual é a importância de um instrumento de hedging na sua carteira? Você acredita que ele é imprescindível para a sua situação atual ou é apenas uma regalia? Como essa decisão impacta as suas decisões financeiras? Escreva nos comentários!

Abraços e seguimos em frente!

Pinguim Investidor


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12 comentários sobre “Hedging: as vezes, a melhor defesa é o ataque

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